EM QUE CREMOS

DECLARAÇÃO DE FÉ

A Trindade

Cremos na existência de um Ser Supremo, pessoal, eterno, soberano na criação, providência e redenção. Três Pessoas co-iguais, co-eternas, co-substanciais que subsistem numa mesma essência – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, tal como revelado nas Escrituras (Sl 115.3; Is 6.3; Jr 10.10; Jo 4.24; At 17.24-25; 1Co 8.4; 1Ts 1.9; 1Tm 1.17; 6.15; Tg 1.17; Ap 4.11; 5.12-14).

A Divindade de Cristo

Cremos na verdadeira divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho eterno e unigênito de Deus, escolhido, desde antes da fundação do mundo, para ser o mediador do povo eleito de Deus. Assumindo, mediante a Encarnação, uma real e completa natureza humana no ventre da Virgem Maria, Jesus Cristo viveu uma vida perfeita, em tudo semelhante a nós, mas sem pecado. Obediente à vontade do Pai, Ele livremente ofereceu a Si mesmo como um sacrifício perfeito e suficiente para a satisfação da ira de Deus contra os pecados dos Seus eleitos.

Ora, tendo cumprido a obra da redenção, e tendo feito a reconciliação pelos pecados de Seu povo, Ele, ao terceiro dia, ressuscitou corporal e gloriosamente dentre os mortos, subiu ao céu e está agora assentado à destra do Pai, com toda glória e majestade, tendo enviado, conforme Sua promessa, o Espírito Santo à Sua Igreja, pronto a receber todos os que o Pai Lhe dá e a interceder por Seu povo como Justo Advogado que é; ademais, reina soberanamente como o Cabeça da Igreja, de modo que todos Lhe devem submissão, respeito, santo tremor e temor (Jo 1.1,14; Lc 1.27, 31, 35; Mt 16.16; Gl 4.4-5; Fp 2.61; Hb 2.14; 4.15; 1Tm 2.5; Jo 5.20; Is 42.1; 1Pe 1.19-20; Jo 3.16).

O Espírito Santo

Cremos na necessidade da obra do Espírito Santo naquele ato poderoso de Deus mediante o qual um indivíduo, anteriormente morto em seus pecados e transgressões, de modo sobrenatural e monergístico, passa viver espiritualmente (regeneração) e torna-se capaz de, mediante um ato consciente, de se voltar a Deus em arrependimento e fé (conversão), sendo também renovado na sua totalidade segundo a imagem de Deus; vivendo cada vez mais para a justiça e retidão (santificação) e morrendo dia a dia para o pecado, através do mesmo poder divino que preserva, até o dia da salvação final, aqueles que foram chamados eficazmente. Ora, nada pode arrebatar aqueles que se encontram seguros nas mãos de Cristo, de maneira que não pereceram jamais, mas serão ressuscitados no último dia (segurança eterna) (Tt 3.5; Tg 1.18; Jo 3.5-7; 2Co 1.22; Ef 4.30; Hb 9.14; Jo  6.37-40, 48; 10.22-28; 11.26; 6.37, 44, 47; Rm 8.29-30, 35-39; 1Co 1.8; Fp 1.6; 2Co 1.21-22; 1Pe 1.5).

As Escrituras

Cremos na inspiração plenária das Escrituras, que elas são a Palavra de Deus ao homem, Sua revelação plena e final de Si mesmo e de Sua santa vontade. Elas devem ser recebidas como completa e verbalmente inspiradas, assim como a única, suprema e suficiente autoridade em todas as questões de fé e prática (Ef 2.20; 1Ts 2.13; 2Tm 3.16; 2Pe 1.21; Ap 22.18-19).

A Queda

Cremos que Deus, por um ato criativo definido e direto, fez Adão à Sua imagem e semelhança – íntegro, inocente e justo, capaz de comunicar com seu Criador, servi-lo e glorificá-lo; todavia, Adão, tendo pecado e sendo destituído da glória de Deus, e seu pecado tendo sido imputado à sua posteridade, sofreu as consequências de sua desobediência. E não somente ele, mas Eva e toda sua posteridade já nascem num estado de culpa e condenação, corrupção, inclinação ao pecado – todos filhos da ira, separados e alienados de Deus, sujeitos à morte eterna (Gn 3.6-8, 13; 6.5; Ec 7.20; Rm 3.10-18, 23; 5.12, 20-21; 11.32; 1Co 15.21-22; 2Co 11.3; Ef 2.1-3).

Salvação Somente pela Graça (Sola Gratia)

Cremos que os pecadores são declarados livres da condenação do pecado e contados como justos perante Deus pela Sua graça somente (justificação) e também somente com base nos méritos expiatórios de Cristo e de Seu sacrifício vicário, sem consideração alguma de qualquer boa obra que venham a realizar; de maneira que o perdão de nossos pecados e transgressões – passados, presentes e futuros – advém somente por meio do arrependimento genuíno e da fé em Cristo, de acordo com as riquezas de Sua graça (Jo 1.16; Rm 11.35; 1Co 4.7; Ef 1.3, 6, 12, 14, 2.1-10).

O Regresso de Jesus Cristo

Cremos que num dia e hora desconhecidos por todos os homens, o SENHOR Jesus Cristo irá novamente retornar em pessoa, em toda Sua glória, levantando dentre os mortos tanto justos quanto injustos, para em seguida julgar todos os homens. Ele lançará os ímpios à condenação eterna, preparada para o diabo e seus anjos, e receber os justos e piedosos no Reino que lhes preparou desde a fundação do mundo (Mt 16.27; Lc 21.27, 34-36; Jo 14.1-3; 1Co 1.7-8; Hb 9.28; Tt 2.11-14; 1Ts 2.19; 3.13; 5.23; 2Ts 2.1, 8; Ap 20.11-15).

SUBSCREVEMOS

OS 5 SOLAS DA REFORMA PROTESTANTE¹

Sola Scriptura

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.
Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

Sola Gratia

Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não regenerada.

Sola Fide

Reafirmamos que a justificação é somente pela graça e por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós.

Solus Christus

Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

Soli Deo Glória

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus e para sua glória, somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a autoestima e a autorrealização se tornem opções alternativas ao evangelho.

¹ Extraído da Declaração de Cambridge

OS 5 PONTOS DO CALVINISMO²

Confirmamos este esquema teológico na forma acróstica TULIP (formado pelas iniciais em inglês) como o resumo da Fé Reformada que se aproxima da interpretação mais fiel das Escrituras.

Depravação Total (Total Depravity)

A Bíblia diz que Deus criou o primeiro homem, Adão, à Sua imagem e semelhança. Deus fez um pacto com esse homem a fim de que, através da obediência aos Seus mandamentos, este pudesse obter vida. Contudo, o homem falhou desobedecendo a Deus deliberadamente, fazendo uso do seu livre-arbítrio, rebelando-se contra o seu Criador. Este pecado inicial de desobediência (conhecido como a Queda do Homem) resultou em morte espiritual e ruptura na ligação de sua alma com Deus, o que mais tarde trouxe também sua morte física. Sendo Adão o representante de toda a raça humana, todos caímos com ele e fomos afetados pela mesma corrupção do pecado. Tornamo-nos objetos da justa ira de Deus e a morte passou a todos os homens. Toda a humanidade herdou a culpa do pecado de Adão e por isso todos nascemos totalmente depravados e espiritualmente mortos. A morte espiritual não quer dizer que o espírito humano esteja inativo, mas sim que o homem é culpado (tem um passado manchado) e corrupto (possui uma natureza má).

A Depravação Total não quer dizer que os homens são intensivamente maus (que somos tão maus quanto poderíamos ser), mas sim que somos extensivamente maus (todo o nosso ser, intelecto, emoções e vontade estão corrompidos pelo pecado). A depravação total também significa que o homem possui uma inabilidade total para restaurar o relacionamento com seu Criador. Por causa da depravação, o homem natural, por si mesmo, é totalmente incapaz de crer verdadeiramente em Deus. O pecador está morto, cego e surdo para as coisas espirituais. Desde a Queda o homem perdeu o seu livre-arbítrio e passou a ser escravo de sua natureza corrompida e por isso ele é incapaz de escolher o bem em questões espirituais. Devido ao estado de depravação do homem, se Deus não tomasse a iniciativa de salvá-lo, ele continuaria morto eternamente. O homem natural sem o conhecimento de Deus jamais chegará a este conhecimento se Deus não ressuscitá-lo espiritualmente através de Jesus Cristo.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Gn 2.17; Gn 6.5; Gn 8.21 / 1Rs 8.46 / Jo 14.4 / Sl 51.5 / Sl 58.3 / Ec 7.20 Is 64.6 / Jr 4.22; Jr 9.5-6; Jr 13.23; Jr 17.9 / Jo 3.3; Jo 3.19; Jo 3.36; Jo 5.42; Jo 8.43-44 / Rm 3.10-11; Rm 5.12; Rm 7.18, 23; Rm 8.7 /1Co 2.14 / 2Co 4.4 / Ef 2.3 / Ef 4.18 / 2Tm 2.25-26 / 2Tm 3.2-4 / Tt 1.15

Eleição Incondicional (Unconditional Election)

Devido ao pecado de Adão, seus descendentes entram no mundo como pecadores culpados e perdidos. Como criaturas caídas, elas não têm desejo de ter comunhão com o seu Criador. Deus é santo, justo e bom, ao passo que os homens são pecaminosos, perversos e corruptos. Deixados à sua própria escolha, os homens inevitavelmente seguem seu coração corrupto e criam ídolos para si. Consequentemente, os homens têm se desligado do Senhor dos céus e têm perdido todos os direitos de Seu amor e favor. Teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a eleição.

A Eleição Incondicional significa que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos dentre todos os membros decaídos da raça humana e os predestinou para serem o objeto de Seu imerecido amor e para trazê-los ao conhecimento de Si mesmo. Esses, e somente esses, Deus propôs salvar da condenação eterna. Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens (pois Ele tinha o poder e a autoridade para fazer isso), ou Ele poderia ter escolhido não salvar ninguém (pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer que seja), porém não fez uma coisa nem outra. Ao invés disso, Ele escolheu salvar alguns e excluir (preterir) outros. Sua eterna escolha de determinados pecadores para a salvação não foi baseada em qualquer ato ou resposta prevista da parte daqueles escolhidos, mas foi baseada tão somente no Seu beneplácito e na Sua soberana vontade. Desta forma, a eleição não foi condicionada nem determinada por qualquer coisa que os homens iriam fazer, mas resultou inteiramente do propósito determinado pelo próprio Deus. Os que não foram escolhidos foram preteridos e deixados às suas próprias inclinações e escolhas más para serem punidos pelos seus pecados. Não cabe à criatura questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. Deve-se ter em mente que, se Deus não tivesse graciosamente escolhido um povo para Si mesmo e soberanamente determinado prover-lhe e aplicar-lhe a salvação, ninguém seria salvo.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Dt 4.37; Dt 7:7-8 / Pv 16.4 / Mt 11.25; Mt 20.15-16; Mt 22.14 / Mc 4.11-12 Jo 6.37; Jo 6.65; Jo 12.39-40; Jo 15.16 / At 5.31; At 13.48; At 22.14-15 /Rm 2.4; Rm 8.29-30; Rm 9.11-12; Rm 9.22-23; Rm 11.5; Rm 11.8-10 /Ef 1.4-5; Ef 2.9-10 / 1Ts 1.4; 1Ts 5.9 / 2Ts 2.11-12; 2Ts 3.2/ 2Tm 2.10,19/1 Pe 2.8 / 2 Pe 2.12 / Tt 1.1 / 1Jo 4.19 / Jd 1.3-4 / Ap 13.8; Ap 17.17

Expiação Limitada (Limited Atonement)

Devido ao pecado de Adão, seus descendentes entram no mundo como pecadores culpados e perdidos. Como criaturas caídas, elas não têm desejo de ter comunhão com o seu Criador. Deus é santo, justo e bom, ao passo que os homens são pecaminosos, perversos e corruptos. Deixados à sua própria escolha, os homens inevitavelmente seguem seu coração corrupto e criam ídolos para si. Consequentemente, os homens têm se desligado do Senhor dos céus e têm perdido todos os direitos de Seu amor e favor. Teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a eleição.

A Eleição Incondicional significa que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos dentre todos os membros decaídos da raça humana e os predestinou para serem o objeto de Seu imerecido amor e para trazê-los ao conhecimento de Si mesmo. Esses, e somente esses, Deus propôs salvar da condenação eterna. Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens (pois Ele tinha o poder e a autoridade para fazer isso), ou Ele poderia ter escolhido não salvar ninguém (pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer que seja), porém não fez uma coisa nem outra. Ao invés disso, Ele escolheu salvar alguns e excluir (preterir) outros. Sua eterna escolha de determinados pecadores para a salvação não foi baseada em qualquer ato ou resposta prevista da parte daqueles escolhidos, mas foi baseada tão somente no Seu beneplácito e na Sua soberana vontade. Desta forma, a eleição não foi condicionada nem determinada por qualquer coisa que os homens iriam fazer, mas resultou inteiramente do propósito determinado pelo próprio Deus. Os que não foram escolhidos foram preteridos e deixados às suas próprias inclinações e escolhas más para serem punidos pelos seus pecados. Não cabe à criatura questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. Deve-se ter em mente que, se Deus não tivesse graciosamente escolhido um povo para Si mesmo e soberanamente determinado prover-lhe e aplicar-lhe a salvação, ninguém seria salvo.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Dt 4.37; Dt 7:7-8 / Pv 16.4 / Mt 11.25; Mt 20.15-16; Mt 22.14 / Mc 4.11-12 Jo 6.37; Jo 6.65; Jo 12.39-40; Jo 15.16 / At 5.31; At 13.48; At 22.14-15 /Rm 2.4; Rm 8.29-30; Rm 9.11-12; Rm 9.22-23; Rm 11.5; Rm 11.8-10 /Ef 1.4-5; Ef 2.9-10 / 1Ts 1.4; 1Ts 5.9 / 2Ts 2.11-12; 2Ts 3.2/ 2Tm 2.10,19/1 Pe 2.8 / 2 Pe 2.12 / Tt 1.1 / 1Jo 4.19 / Jd 1.3-4 / Ap 13.8; Ap 17.17

Graça Irresistível (Irresistible Grace)

Cada membro da Trindade divina – Pai, Filho e Espírito Santo – participa e contribui para a salvação dos pecadores eleitos. Deus Pai, antes da fundação do mundo, selecionou aqueles que iriam ser salvos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo. Na época oportuna o Filho veio ao mundo e assegurou a redenção desse povo. Mas esses dois grandes atos – a eleição e a redenção – não completam a obra da salvação, pois está incluída no plano divino para a recuperação do pecador perdido a obra renovadora do Espírito Santo, pela qual os benefícios da obediência e da morte de Cristo são aplicados ao eleito.

A Graça Irresistível ou Eficaz significa que o Espírito Santo nunca falha em trazer à salvação aqueles pecadores que Ele pessoalmente chama a Cristo. Deus aplica inevitavelmente a salvação a todo pecador que tencionou salvar, e é Sua intenção salvar todos os eleitos. O apelo do evangelho estende uma chamada à salvação a todo que ouve a mensagem. Ele convida a todos os homens, sem distinção, a beber da água da vida e viver. Ele promete salvação a todo que se arrepender e crer. Mas essa chamada geral externa, estendida igualmente ao eleito e ao não eleito, não trará pecadores a Cristo. Por quê? Porque os homens estão, por natureza, mortos em pecado e debaixo de seu poder. Eles são, por si mesmos, incapazes de abandonar os seus maus caminhos e se voltarem a Cristo, para receber misericórdia. Nem podem e nem querem fazer isso. Consequentemente, o não regenerado não vai responder à chamada do evangelho para arrepender-se e crer. Nenhuma quantidade de ameaças ou promessas externas fará um pecador cego, surdo, morto e rebelde se curvar perante Cristo como Senhor e olhar somente para Ele para a salvação. Tal ato de fé e submissão é contrário à natureza do homem. Por isso, o Espírito Santo, para trazer o eleito de Deus à salvação, estende-lhe uma chamada especial interna em adição à chamada externa contida na mensagem do evangelho. Através dessa chamada especial, o Espírito Santo realiza uma obra de graça no pecador que inevitavelmente o traz à fé em Cristo. A mudança interna operada no pecador eleito o capacita a entender e crer na verdade espiritual. No campo espiritual, são lhe dados olhos para ver e ouvidos para ouvir. O Espírito Santo cria no pecador eleito um novo coração e uma nova natureza. Isto é realizado através da regeneração (novo nascimento), pela qual o pecador é feito filho de Deus e recebe a vida espiritual. Sua vontade é renovada através desse processo, de forma que o pecador vem espontaneamente a Cristo por sua própria e livre escolha.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Jr 24.7 / Ez 11.19-20; Ez 36.26-27 / Mt 16.17 / Jo 1.12-13; Jo 5.21; Jo 6.37; Jo 6.44-45 / At 16.14; At 18.27 / 1Co 4.7 / 2Co 5.17 / Gl 1.15 / Rm 8.30 / Ef 1.19-20 / Cl 2.13 / 2Tm 1.9 / 1Pe 2.9; 1Pe 5.10 / Hb 9.15

Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints)

Os eleitos não são apenas redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito; eles são mantidos na fé pelo infinito poder de Deus. Todos os que são unidos espiritualmente a Cristo, através da regeneração, estão eternamente seguros nEle. Nada os pode separar do eterno e imutável amor de Deus. Foram predestinados para a glória eterna e estão, portanto, assegurados para o céu. A Perseverança dos Santos não significa que todas as pessoas que professam a fé cristã estão garantidas para o céu. Somente os santos – os que são separados pelo Espírito – é que perseveram até o fim. São os crentes – aqueles que recebem a verdadeira e viva fé em Cristo – os que estão seguros e salvos nele. Muitos que professam a fé cristã desistem no meio do caminho, mas eles não desistem da graça, pois nunca estiveram na graça. A perseverança dos santos está diretamente ligada à santificação, que é o processo pelo qual o Espírito Santo torna os eleitos cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo em tudo o que fazem, pensam e desejam. A luta dos crentes contra o pecado dura toda a vida e, às vezes, eles podem cair em tentações e cometer graves pecados, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a afastar-se de Cristo. A Bíblia diz que o povo de Deus recebe a vida eterna no momento em que crê. São guardados pelo poder de Deus mediante a fé e nada os pode separar do Seu amor. Foram selados com o Espírito Santo que lhes foi dado como garantia de sua salvação e, desta forma, estão assegurados para uma herança eterna.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Is 54.10 / Jr 32.40 / Mt 18.14 / Jo 6.39; Jo 6.51; Jo 10.27-29 / Rm 5.8-10; Rm 8.28-32, Rm 8.34-39; Rm 11.29 / Gl 2.20 / Ef 4.30 / Fp 1.6 / Cl 2.14 /2Ts 3.3 / 2Tm 2.13,19 / Hb 7.25; Hb 10.14 / 1Pe 1.5 / 1Jo 5.18 / Ap 17.14

² Extraído dos Cânones de Dort e resumidos no acróstico TULIP

AFIRMAÇÕES E NEGAÇÕES³

Afirmamos que a única autoridade para a igreja é a Bíblia, inspirada verbalmente, inerrante, infalível e totalmente suficiente e digna de confiança. Negamos que a Bíblia seja um mero testemunho da revelação divina, ou que qualquer porção da Escritura seja marcada por erro ou pelos efeitos da pecaminosidade humana. Também negamos que qualquer pessoa possa trazer qualquer nova revelação doutrinária ao povo de Deus.

Afirmamos que a verdade é sempre um tema central para a igreja, e que esta tem de resistir à sedução do pragmatismo e das concepções pós-modernas da verdade como substitutos da obediência às reivindicações abrangentes da Escritura. Negamos que a verdade seja meramente um produto de construção social, ou que a verdade do evangelho possa ser expressa ou fundamentada em qualquer outra coisa que não seja a confiança plena na veracidade da Bíblia, na historicidade dos acontecimentos bíblicos e na capacidade de sua linguagem para transmitir a verdade compreensível em forma proposicional. Também negamos que a igreja possa estabelecer seu ministério por meio do pragmatismo, de técnicas de marketing atuais ou das modas culturais contemporâneas.

Afirmamos a centralidade da pregação expositiva na igreja e a necessidade urgente de uma restauração da exposição bíblica e da leitura pública da Escritura no culto. Negamos que a adoração que honra a Deus marginalize ou negligencie o ministério da Palavra, quando manifestada por meio da exposição e da leitura pública. Além disso, negamos que uma igreja destituída de verdadeira pregação bíblica possa sobreviver como igreja evangélica.

Afirmamos que a doutrina da Trindade é uma doutrina cristã essencial, que dá testemunho da realidade ontológica do único Deus verdadeiro em três pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo, possuindo cada uma delas a mesma substância e perfeições. Negamos a afirmação de que a Trindade não é uma doutrina essencial, ou que a Trindade possa ser entendida em categorias meramente funcionais e administrativas.

Afirmamos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, em união perfeita, pura e inconfundível durante toda a sua encarnação e, agora, por toda a eternidade. Também afirmamos que Cristo morreu na cruz como substituto de pecadores, sacrifício pelo pecado e propiciação da ira de Deus para com pecadores. Afirmamos a morte, o sepultamento e a ressurreição corporal de Cristo como essenciais ao evangelho. Afirmamos também que Jesus Cristo é Senhor sobre sua igreja e que ele reinará sobre todo o cosmos em cumprimento ao propósito gracioso do Pai. Negamos que o caráter vicário da expiação de Cristo pelo pecado possa ser comprometido sem incorrer em prejuízo sério ao evangelho ou negado sem se repudiar o evangelho. Além disso, negamos que Jesus Cristo seja visível somente em fraqueza e não em poder, senhorio ou reino real, ou, em termos contrários, que Cristo seja visível somente em poder e nunca em fraqueza.

Afirmamos que a salvação é inteiramente pela graça, e que o evangelho nos é revelado em doutrinas que exaltam fielmente o soberano propósito de Deus de salvar pecadores, e em sua determinação de salvar seu povo redimido somente pela graça, somente mediante a fé, somente em Cristo, somente para a sua glória. Negamos que possa ser considerada doutrina verdadeira qualquer ensino, sistema teológico ou meio de apresentar o evangelho que negue a centralidade da graça de Deus em Cristo como seu dom imerecido para pecadores.

Afirmamos que, desde toda a eternidade, Deus determinou, em sua graça, salvar uma grande multidão de pecadores culpados, vindos de toda tribo e língua, nações e povos, e com este fim os conheceu e escolheu. Cremos que Deus justifica e santifica aqueles que, por sua graça, têm fé em Jesus, e que um dia ele os glorificará — tudo para o louvor de sua gloriosa graça. Negamos que a eleição divina seja baseada meramente na previsão de uma resposta positiva do homem ao evangelho. Também negamos que o homem possa, sem a regeneração do Espírito, crer em Cristo e se arrepender dos seus pecados por si mesmo.

Afirmamos que o evangelho de Jesus Cristo é o meio que Deus usa para trazer salvação ao seu povo; que ele ordena aos pecadores que creiam no evangelho; e que a igreja é comissionada a pregar e a ensinar o evangelho a todas as nações. Negamos que a evangelização possa ser reduzida a qualquer programa, técnica ou abordagem de marketing. Também negamos que a salvação possa ser separada do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus Cristo.

Afirmamos que a salvação é dada àqueles que creem verdadeiramente em Jesus Cristo e confessam que ele é Senhor. Negamos que haja salvação em qualquer outro nome, ou que a fé salvadora possa assumir outra forma, exceto a de crença consciente no Senhor Jesus Cristo e em seus atos salvadores.

Afirmamos a continuidade do propósito salvador de Deus e da unidade cristológica das alianças. Também afirmamos uma distinção básica entre a lei e a graça, e que o verdadeiro evangelho exalta a obra expiatória de Cristo como o cumprimento perfeito e consumado da lei. Negamos que a Bíblia apresente qualquer outro meio de salvação, exceto a graciosa aceitação de pecadores, em Cristo, por parte de Deus.

Afirmamos que pecadores são justificados somente pela fé em Cristo, e que a justificação somente pela fé é tanto essencial como central ao evangelho. Negamos que qualquer ensino que minimiza, confunde ou rejeita a justificação somente pela fé possa ser considerado fiel ao evangelho. Além disso, negamos que qualquer ensino que separa a regeneração e a fé seja uma verdadeira interpretação do evangelho.

Afirmamos que a justiça de Cristo é imputada aos crentes somente pelo decreto de Deus, e que essa justiça, imputada ao crente somente pela fé, é a única justiça que justifica. Negamos que essa justiça seja obtida por esforço ou merecida em alguma maneira, seja infundida no crente em qualquer grau, ou seja realizada no crente por meio de qualquer outra coisa, exceto a fé.

Afirmamos que o Espírito Santo convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo, e que, por sua obra poderosa e misteriosa, regenera os pecadores que eram espiritualmente mortos, despertando-os para arrependimento e fé. Afirmamos que, pela agência do Espírito, os crentes são renovados, santificados, adotados na família de Deus e recebem os seus dons que são soberanamente distribuídos. Negamos que o Espírito Santo seja somente uma força ou que esteja sujeito aos imperativos humanos. Negamos que ele levante, hoje, apóstolos como os doze e Paulo, e que os dons extraordinários de revelação dados no Pentecoste possam ser reivindicados automaticamente ou exigidos como prova decisiva do poder de Deus em operação hoje. Negamos que a verdadeira obra do Espírito aconteça sem apontar e exaltar a Cristo. Além disso, negamos que haja qualquer cristão verdadeiro que não possua o Espírito Santo.

Afirmamos que o sofrimento é uma experiência comum aos homens depois da Queda, inclusive para cristãos. Entretanto, afirmamos que Deus governa soberanamente todas as coisas e faz com que todas as coisas contribuam para o bem de seus filhos, a fim de que cresçam em conformidade à imagem de Cristo. Negamos que Deus prometeu a todos os seus filhos uma vida de saúde e riqueza plenas nesta terra, ou ainda que possamos obrigá-lo a nos abençoar através de atos de fé ou contribuições financeiras. Negamos que todo cristão que sofre está necessariamente em pecado ou possua pouca fé, bem como negamos que ser mais que vencedor implique em não passar por provações. Ademais, negamos que exercer fé seja decretar nossa vitória ou chamar à existência nossa bênção.

Afirmamos que a forma do discipulado cristão é congregacional, e que o propósito de Deus é evidente em congregações evangélicas fiéis, demonstrando cada uma delas a glória de Deus nas marcas eclesiológicas autênticas. Além disso, negamos que a Ceia do Senhor possa ser ministrada responsavelmente sem a prática correta da disciplina eclesiástica. Negamos que qualquer cristão possa ser verdadeiramente um discípulo fiel sem o ensino, a disciplina, a comunhão e a responsabilidade de uma congregação de discípulos, organizada como igreja evangélica.

Afirmamos que as igrejas evangélicas devem trabalhar juntas em cooperação humilde e voluntária. Afirmamos também que a comunhão espiritual das congregações evangélicas oferece testemunho da unidade da igreja e da glória de Deus. Negamos que a lealdade a qualquer denominação ou comunhão eclesial possa preceder às reivindicações da verdade e à fidelidade ao evangelho.

Afirmamos que a Escritura revela um padrão de ordem complementar entre homens e mulheres, e que essa ordem é, em si mesma, um testemunho do evangelho, visto que é um dom de nosso Criador e Redentor. Também afirmamos que todos os cristãos são chamados a servir no corpo de Cristo, e que Deus outorgou tanto a homens como a mulheres papéis importantes e estratégicos no lar, na igreja e na sociedade. Além disso, afirmamos que o ofício de ensino na igreja é atribuído somente àqueles homens que são chamados por Deus em cumprimento aos ensinos bíblicos. Afirmamos, igualmente, que os homens devem liderar seu lar como maridos e pais que temem e amam a Deus. Negamos que a distinção de papéis entre homens e mulheres, revelada na Bíblia, seja evidência de mero condicionamento cultural, ou uma manifestação de opressão masculina, ou preconceito contra as mulheres. Também negamos que essa distinção bíblica dos papéis exclui as mulheres de ministrar significativamente no reino de Cristo. Além disso, negamos que qualquer igreja possa confundir esses assuntos sem prejudicar seu testemunho do evangelho.

Afirmamos que nossa única esperança segura e inabalável está nas promessas certas e firmes de Deus. Portanto, nossa esperança é uma esperança escatológica, fundamentada em nossa confiança de que Deus trará todas as coisas à consumação, de um modo que resultará em maior glória ao seu próprio nome, maior proeminência ao seu Filho e maior regozijo para o seu povo redimido. Negamos  que  devemos  achar  neste  mundo  nossa  realização e felicidade, ou que o propósito crucial de Deus para nós é apenas acharmos uma vida mais significativa e satisfatória neste mundo caído. Além disso, negamos que qualquer ensino que ofereça saúde e riqueza nesta vida, como promessas garantidas por Deus, possa ser considerado um evangelho verdadeiro.

 

³ Trecho adaptado das Afirmações e Negações do ministério Together for the Gospel e contextualizado para o evangelicalismo brasileiro.

Via: Ministério Fiel