9 Coisas que Você Deve Saber Acerca dos Demônios

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Embora caídos e rebeldes, os demônios também são anjos.

1) Vários textos indicam que os ídolos adorados por Israel durante o seu tempo de rebelião eram, de fato, demônios. As imagens visíveis são apenas disfarces para os espíritos demoníacos invisíveis (Deuteronômio 32:17; Salmo 106:36-37; ver Salmo 96:4-5). A referência em textos como Levítico 17:7; 2 Crônicas 11:15 e 2 Reis 23:8 é de um “cabrito cabeludo”. Refere-se a uma cabra masculina em Levítico 16:7-10, 15, 18, 20-22, 26-27. Alguns acreditavam que os demônios assumiam a forma de um bode (Josué 24:14; Ezequiel 20:7). Outros sugerem que as referências aqui são simplesmente ídolos de cabra (comuns no Egito) por trás dos quais estavam os espíritos demoníacos. Vale ressaltar que a cabeça de bode é um símbolo ou representação comum de Satanás na atividade ocultista moderna.

 2) No Salmo 82, Deus é retratado como aquele que presidi ou governa sobre a assembleia divina. Ele acusa os “deuses” de falhar em seu dever de proteger os pobres, impotentes e condená-los à morte (v. 7). Quem são esses “deuses”? Alguns entendem que são seres humanos ou juízes chamados de “deuses”, porque representam Deus quando emitiam seus veredictos. O mais provável é que esta é uma referência a seres sobrenaturais. Vários pontos indicam isso. A configuração do salmo (ver v. 1) é o conselho celestial ou a assembleia divina. Os termos “deuses” (v. 1) e “filhos do Altíssimo” (v. 6) referem-se mais naturalmente aos seres celestiais. No v. 7 é dito que eles vão morrer “como meros homens”, o que pressupõe que eles não são humanos (de outra forma, não faz sentido a comparação com humanos). E a ideia de que os seres celestiais tenham sido responsáveis pela administração da justiça em nações particulares é encontrada em outro lugar do AT, como em Deuteronômio 32:8.

Conclui-se que os “deuses” do Salmo 82 são anjos caídos, originalmente designados como patronos de várias nações, que se esquivavam de suas responsabilidades e abusavam de seus poderes. A Página de Sydney explica:

O texto está em silêncio sobre as circunstâncias de sua queda da inocência, mas, obviamente, esses são seres caídos, cujo pecado teve um impacto devastador na sociedade humana. Os anjos são acusados ​​de auxiliar e insultar os ímpios em sua exploração dos pobres e impotentes. A situação dos marginalizados na sociedade foi exacerbada pelas ações desses deuses. Tão grande foi a sua influência que o versículo 5 diz: “Todos os fundamentos da terra estão abalados”. Quando a justiça é pervertida, a própria estrutura da ordem cósmica está sob ataque, ameaçando o caos. Obviamente, o salmista viu a fomentação da desigualdade e a ausência de compaixão como pecados graves que não são devidos apenas a deficiências morais humanas. Tão grande é o mal da injustiça social que só pode ser explicado pela atividade das forças cósmicas opostas a Deus (59).

Em Isaías 24:21-22, lemos sobre um tempo em que Deus castigará “o exército celestial nas alturas”. Em apoio à interpretação de que esta é uma referência aos anjos caídos, observe o contraste na versículo 21 com governantes ou reis terrestres. Esses demônios, de algum modo, são aliados dos reis das várias nações; ou seja, eles são anjos “patronos” das nações terrenas e estão envolvidos nos pecados mencionados no versículo 5b. A palavra traduzida por “poderes” é usada em outros lugares no AT para se referir aos anjos (1 Reis 22:19). Esta passagem também sugere que esses demônios serão presos em um lugar intermediário de detenção aguardando o julgamento final (v. 22, ver 2 Pedro 2:4 e Judas 6 ).

3) Grande parte da literatura judaica que data da era do NT focada na identificação de espíritos demoníacos pelo nome (por exemplo, Raux, Barsafael, Artosael, Belbel). Além de uma única referência a Satanás como Belial (2 Coríntios 6:15), o apóstolo Paulo não identifica nenhum ser demoníaco, mas há três termos que ele normalmente usa para descrevê-los. O primeiro é daimon ou daimonion (diabo), usado 63 vezes (54 das quais estão nos evangelhos). Depois, há pneumata, traduzido frequentemente por “espíritos” (cf. Lucas 10:17 com 10:20). Ademais, “espíritos imundos” é usado 21 vezes, metade das quais estão em Marcos (ver Lucas 11:19-26) e “espíritos malignos” (apenas 8 vezes nos evangelhos e em Atos, cf. Lucas 8:2). Finalmente, os demônios também são chamados de angelos, traduzido por “anjos” (ver Mateus 25:41; 1 Pedro 3:22; Apocalipse 12:7). Também devo ressaltar que o termo “demônios” é tecnicamente incorreto. Diabolos nunca é usado no NT para se referir aos demônios, mas apenas ao Diabo, Satanás.

4) Embora os demônios raramente sejam nomeados no NT (ver Lucas 8:30), é razoável concluir que cada um tem um nome (os anjos sagrados têm nomes: Miguel, Gabriel). Os demônios podem falar e se comunicar com os homens (Lucas 4:33-35, 41; 8:28-30; Atos 19:13-17). Eles são inteligentes (Lucas 4:34; 8:28; Atos 19:13-17), formulam e propagam seu próprio sistema doutrinário (1 Timóteo 4:1-3).

5) Os demônios têm emoções e experimentam uma variedade de sentimentos (Tiago 2:19, Lucas 8:28). Há, também, diferenças ou graus em sua força (Marcos 9:29) e pecaminosidade (Mateus 12:45). Como os anjos bons, os demônios podem aparecer em várias formas, tanto espiritual quanto física (Mateus 4; Apocalipse 9:7-10, 17; 16:13-16). Se os anjos bons podem nos visitar sem o nosso conhecimento (Hebreus 13:1-2), há boas razões para acreditar que os demônios também podem fazer o mesmo.

6) Os demônios podem infligir suas vítimas com força super-humana (Atos 19:16; Marcos 5:3) e, como os anjos bons, podem mover-se rapidamente pelo espaço (Daniel 9:21-23; 10:10-14). As barreiras físicas normais não restringem a atividade deles (uma legião composta de 6.000 de demônios habitou em um homem e mais tarde em 2.000 porcos). Os demônios também podem atacar fisicamente alguém e/ou causar aflição física. Lucas 9:39 (Mateus 17:15) fala de um demônio apoderando-se de um menino. Ele é jogado no chão, no fogo ou na água, juntamente com outros sintomas violentos. Em Mateus 9:32-34, a incapacidade do homem de falar é atribuída a um demônio (ver 12:22-24; Lucas 11:14-15). Note também que existem vários casos nos evangelhos de cegueira ou incapacidade de falar que Jesus cura que não são atribuídos à influência demoníaca (Mateus 9:27-31; 20: 29-34; Marcos 7:31 -37; 8:22-26; 10:46-52 ; Lucas 18:35-43; João 9:1-7).

7) Os demônios impelem e sustentam todas as religiões não-cristãs e todas as formas de idolatria (1 Coríntios 10:14-22 ). Em Gálatas 4:3, 8-9, Paulo se refere aos “rudimentos deste mundo” e aos “pretensos deuses”, os quais judeus e gentios foram mantidos em escravidão antes da conversão a Cristo. Muitos acreditam que o termo deuses é uma referência aos poderes demoníacos. Assim, de acordo com Arnold,

ao mesmo tempo, eles pensavam que estavam adorando deuses e deusas reais em seu culto pagão, mas logo descobriram que estes eram meros ídolos – ferramentas do diabo e de seus poderes de escuridão. Os gálatas pareciam ter virado as costas para os deuses pagãos, mas agora estavam tentados a adicionar os requisitos legais judaicos ao puro evangelho de Cristo, que Paulo lhes ensinara. Na mente de Paulo, isso seria negociar uma forma de escravidão de poderes para outro. Tanto a religião pagã quanto a lei judaica são dois sistemas que Satanás e seus poderes exploram para manter o incrédulo em cativeiro e reescravizar o crente (Powers of Darkness [Poderes da Escuridão], 131-32).

8) Os demônios aparecem atualmente em um destes três lugares: eles são ativos na terra, confinados no abismo (Lucas 8:31, embora este confinamento não seja permanente, veja Apocalipse 9:1-3, 11), ou permanentemente confinado/preso no inferno/tartárus (2 Pedro 2:4, Judas 6 e, possivelmente, 1 Pedro 3:18-20). O verbo tártaro – “enviar ao inferno” – ocorre apenas aqui no NT, mas é encontrado frequentemente na mitologia grega, onde se refere às profundezas do submundo. Existe um problema textual no v. 4. Alguns manuscritos dizem que eles estão confinados a “abismos” de escuridão, enquanto outros dizem “cadeias” de escuridão. Foi sugerido que, como a linguagem de Pedro é necessariamente figurativa, não precisa ser interpretada como dizendo que esses demônios estão permanentemente confinados, mas apenas restritos de forma significativa no que eles podem fazer na Terra. Acho que esta última sugestão é bastante improvável.

9) Os demônios se envolvem em guerras de nível cósmico com os anjos bons (Apocalipse 12:1-12). Os estudiosos do NT geralmente reconhecem que existem quatro níveis de conflito espiritual ou guerra:

1) O conflito entre Deus e Satanás (Hebreus 2.14; 1João 3:8);

2) o conflito entre os anjos eleitos e os anjos réprobos (Apocalipse 12; Daniel 10);

3) o conflito entre Satanás e os cristãos (quer direto [um embate sensível, muitas vezes tangível entre seres malignos inteligentes e o crente; Efésios 6], ou indireto [o conflito inescapável de simplesmente viver em um mundo que está sob o poder do maligno (1 João 5:18-19), um mundo moldado pelos valores, ideologias e instituições influenciadas por Satanás);

4) o conflito entre Satanás e o não-salvo (2 Coríntios 4:4; Atos 26:18; Colossenses 1:12-13; Efésios 2:2; Mateus 13:1-23), mesmo que eles possam não saber o que os demônios fazem.

A derrota das hostes do inferno não vem por meio de nossos esforços, gritos frenéticos, performances teatrais ou no fato de aumentarmos o volume da nossa voz ou do som quando adoramos, como se os espíritos demoníacos não pudessem tolerar música alta. Paulo foi claro e direto ao escrever aos Colossenses: E, despojando os principados e as potestades, publicamente [Cristo] os expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na cruz (2.15).

A boa notícia é que nos foi concedido autoridade “sobre todo o poder do inimigo” (Lucas 10:19). Satanás e seus asseclas são poderosos, mas eles não suficientes para com aqueles que confessam o nome de Jesus (Lucas 10:17).

 

 

Autor: Sam Storms

Fonte: Sam Storms

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.