10 Coisas que Você Deve Saber Acerca do Jejum

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Se existe uma única força motriz em nossa sociedade, hoje pode ser o que eu chamo de autossatisfação instantânea. É baseado nesta mentalidade que a nossa sociedade fala sobre o jejum na Bíblia. Não é de admirar que poucas pessoas estejam ouvindo? Nada parece tão estúpido para a mente natural ou tão repulsivo para o corpo como o jejum, especialmente quando você coloca a nossa demanda por autossatisfação instantânea em um mundo voltado para o consumidor, onde a vida é baseada em tudo sobre a busca e a obtenção daquilo que se conforma à nossa fantasia. Mesmo do ponto de vista cristão, parece um pouco estranho. Se Deus criou o alimento “para ser generosamente compartilhado com gratidão por aqueles que acreditam e conhecem a verdade” (1 Timóteo 4:3), qual seria a razão possível para a abstinência? Parece ser algo reservado para pessoas esquisitas, pessoas estranhas ou, na pior das hipóteses, o masoquista que, de algum modo, gosta de infligir dor sobre si mesmo.

Assim, precisamos separar um momento para entendermos acerca do que a Bíblia diz sobre o jejum. Deixe-me fazer isso ressaltando dez verdades fundamentais sobre o jejum.

1) A chave é lembrar que o jejum é sempre motivado pelo desejo profundo. O jejum não é a supressão do desejo, mas a busca intensa do mesmo. Nós jejuamos porque queremos algo mais que comida ou mais do que qualquer atividade da qual nos abstemos. Se alguém suprime o desejo de alimentar-se, é só porque ele ou ela tem um desejo maior e mais intenso por algo mais precioso. Algo de valor eterno.

2) Podemos razoavelmente dizer que o jejum é um tipo de banquete. A coisa irônica sobre o jejum é que não se trata apenas de não comer alimentos. Trata-se de alimentar-se da plenitude de cada benção divina garantida para nós em Cristo. O jejum molifica nossos corações para experimentarmos a presença de Deus. Ele expande a capacidade de nossas almas para ouvir a sua voz, ter certeza do seu amor e ser preenchido com a plenitude de sua alegria.

3) O jejum consiste em ingerir a Palavra de Deus, a beleza de Deus, a presença de Deus, as bênçãos de Deus. O jejum é um tipo de gula espiritual! Não é uma desistência de alimentos (ou alguma atividade) por sua própria causa. Trata-se de desistir de comida por amor de Deus.

4) O jejum não é algo que você faz para Deus. Em vez disso, é o apelo que Deus, em graça e poder, faz tudo por você. Assim, o jejum não é um ato de força de vontade, mas uma declaração de fraqueza. Não é uma obra de nossos corações e corpos, mas uma confissão de nossa total dependência de Deus e sua graça.

5) O jejum não é uma afirmação de que a comida ou outras coisas sejam ruins, mas que Deus é melhor. Em outras palavras, o jejum não é uma rejeição das muitas bênçãos que Deus nos deu, mas uma afirmação de que, em última análise, preferimos o Doador a seus dons. O jejum é uma declaração de que Deus é suficiente.

6) Uma visão especialmente instrutiva sobre o jejum é algo que eu ouvi de John Piper enquanto o comparava à celebração da Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor é um banquete que parece retrógrado, ao passo que o jejum é um banquete à frente do tempo. O comer do pão e o beber do cálice são feitos “em memória” do sacrifício histórico do Senhor no passado. Assim, comendo e bebendo, celebramos a finalidade e a suficiência desta morte expiatória e da gloriosa ressurreição. Mas, quando jejuamos, esperamos com expectativa a consumação do trabalho salvador de Cristo e sua presença pessoal para sempre. Quando nos sentamos à mesa de Cristo com outros crentes, com gratidão e temor, há festa e alegria sobre aquela comida e bebida que nos lembram do que aconteceu. No entanto, quando nos afastamos da mesa, em que de outra forma as refeições diárias são servidas, declaramos nosso anseio profundo pelo que ainda não aconteceu.

7) É crucial que entendamos a diferença entre ser visto em jejum, por um lado, e jejuar para ser visto, por outro. Em outras palavras, ser visto em jejum não é pecado, mas o jejum para ser visto, é (veja Mateus 6:16). É verdade que o jejum piedoso é motivado por um coração voltado para Deus, não pela admiração humana. Ser visto em jejum é meramente uma realidade externa, e muitas vezes inevitável. Mas jejuar para ser visto é um motivo de auto-glorificação.

8) O jejum abre nossos olhos espirituais para ver Cristo mais claramente nas Escrituras e sensibiliza nossos corações para desfrutarmos de sua presença.

Observe atentamente Atos 13:1-3. O jejum dos apóstolos tornou-se a ocasião para a orientação do Espírito ser comunicada a eles. Não perca o vínculo causal óbvio que Lucas salienta. Foi quando estavam ministrando ao Senhor e jejuando que o Espírito Santo falou. Não estou sugerindo que o jejum coloca Deus em dívida conosco, como se ele fosse obrigado a nos responder. Todavia, Deus promete ser encontrado por aqueles que diligentemente o procuram de todo coração (Jeremias 29:12-13). E, como John Piper apontou, o que Deus disse aos apóstolos no curso do jejum mudou a história. Os resultados, tanto imediatos como em longo prazo, são deslumbrantes, pois, antes desse incidente, a igreja havia progredido pouco, mesmo que fosse além da costa leste do Mediterrâneo. Paulo ainda não havia saído em jornadas missionárias para o oeste, para a Ásia Menor, Grécia, Roma ou Espanha. Ele também não havia escrito nenhuma de suas epístolas. Todas as suas cartas foram o resultado de suas jornadas missionárias e das igrejas que ele deveria plantar. Estes momentos de oração e jejum deram origem às viagens missionárias de Paulo e a 13 cartas do Novo Testamento.

9) O jejum é uma arma poderosa na guerra espiritual. Veja Mateus 4:1-11, onde lemos que Jesus jejuou por quarenta dias e quarenta noites em preparação para resistir às tentações de Satanás (ver Mateus 17:14-21 e Marcos 9:29). O jejum aumenta nossa dependência completa de Deus e nos obriga a recorrer a ele e ao seu poder, e acreditar plenamente em sua força.

10) Nós somos ordenados a Jejuar? Estarei pecando se escolher não jejuar? Não. Mas a Bíblia presume que vamos jejuar. Jesus simplesmente dá isso por certo (Mateus 6:16-18/ “quando vocês jejuarem”). No ponto 2, vemos a mesma ênfase. Quando os fariseus questionaram do porquê os discípulos de Jesus não jejuavam, ele explicou isso em termos de sua própria presença física na Terra. “Dias virão”, disse ele, “em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar”.

O ponto aqui é que o Messias veio como um noivo para uma festa de casamento. Esse momento é muito alegre, impressionante e emocionante para se misturar com o jejum. Os padrinhos não jejuam na despedida de solteiro. O jantar de ensaio não é um lugar para ficar triste. Jesus está presente. O tempo para a celebração é sobre nós. Quando a festa do casamento acabou e o noivo partiu, então é apropriado jejuar.

 

 

Autor: Sam Storms

Fonte: Sam Storms

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.