O Falso Arrependimento Produz Falsas Conversões

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Arrependimento significa trocar nossos ídolos por Deus. Antes da mudança de comportamento, deve ser uma mudança na adoração. Como isso é diferente quando pensamos em arrependimento…

Muitas vezes, consideramos o arrependimento como um chamado para limpar nossas vidas. Nós fazemos o bem para compensar o mal. Nós tentamos equilibrar a escala, ou mesmo empurrá-la de volta ao lado positivo. Às vezes, falamos sobre o arrependimento como se fosse uma resolução séria e religiosa do Ano Novo:

  • Eu não vou mais explodir com meus filhos.
  • Nunca mais eu vou assistir pornografia.
  • Eu não vou mais trapacear no meu horário de trabalho.
  • Nunca mais eu vou maldizer o meu chefe pelas costas.

O falso arrependimento

Todavia, mesmo que mudemos a nossa conduta em uma ou outra área, nossos corações ainda podem ser dedicados aos nossos ídolos. Os fariseus ilustram este problema. Eles eram as pessoas mais exemplares na Palestina, o tipo de pessoa que você teria procurado para ser o seu vizinho. Eles nunca permitiriam que seus filhos deixassem suas bicicletas no seu quintal. Eles não deixariam pontas de cigarro em seu canteiro de flores. Eles sempre pegariam antes dos cães. Eles eram pessoas honestas. Mas Jesus os chamou de “túmulos pintados de branco, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão!” (Mateus 23:27). A questão é que não são apenas pessoas ruins que são idólatras. As pessoas boas, morais, mesmo religiosas, também são idólatras. O arrependimento não é a mesma coisa que resolução moral.

Às vezes, falamos de arrependimento como se estivéssemos nos sentindo mal ou culpados pelo nosso comportamento. Nos sentimos culpados se nos apanharem; e nos sentimos culpados se também não somos pegos. Nos sentimos culpados se deixamos alguém desapontado ou se nos decepcionamos. Não há dúvida de que o arrependimento exige que fiquemos convencidos da nossa culpa. Mas você pode se sentir culpado e ainda amar o pecado pelo qual você é culpado. Qualquer um que está entregue à luxúria pode afirmar isso. “Como o cão que volta ao seu próprio vômito, assim é o insensato que repete a sua tolice”. (Provérbios 26:11). O arrependimento não é um sentimento.

O verdadeiro arrependimento

O verdadeiro arrependimento é uma nova adoração. É uma vida que foi transformada, mas esse comportamento modificado resulta de uma mudança de culto, e não o contrário. O arrependimento está sendo condenado pelo Espírito Santo na pecaminosidade do nosso pecado – não a maldade de nossas ações, mas a traição de nossos corações em relação a Deus.

O arrependimento significa odiar o que antigamente amávamos e servíamos – nossos ídolos – e nos afastarmos deles. O arrependimento significa voltar-se para amar a Deus, a quem antigamente odiávamos, e servi-lo, em vez disso. É a nova e mais profunda fidelidade de nossos corações.

Se o arrependimento é realmente uma mudança de adoração, então nossas igrejas não devem pressionar as pessoas a tomar decisões “precipitadas e mal consideradas” para Jesus, e assim lhes oferecer uma garantia rápida. Em vez disso, devemos convocar as pessoas a se arrependerem. Quando separamos o arrependimento da conversão, quer porque pensamos que pode vir mais tarde ou tememos assustar as pessoas, reduzimos a conversão a sentimentos ruins ou meras resoluções morais. Pior, corremos o risco de garantir a um suposto “convertido” de que ele está bem com Deus, quando na verdade não está. É quase como dar a alguém uma vacina contra o evangelho.

Você sabe como funciona uma vacina. É usado um agente defeituoso para enganar o corpo para pensar que ele foi infectado para que produza anticorpos. Então, quando a infecção real aparece, o corpo está preparado para lutar contra isso. Da mesma forma, chamar as pessoas para “tomar uma decisão” sem antes chama-las a se arrependerem, não é arriscado apenas por gerar um falso convertido, mas também corre o risco de vacinar uma pessoa contra o verdadeiro evangelho. Elas pensam que já têm o cristianismo! Assim, ratificamos, dizendo: “Uma vez salvo, salvo para sempre”.

Com o que um falso convertido se parece? Muitas vezes, é alguém que:

  • Está entusiasmado com o céu, mas entediado com os cristãos e com a igreja local;
  • acha que o céu será ótimo, se Deus estará lá ou não;
  • gosta de Jesus, mas não gosta do resto: obediência, santidade, discipulado, sofrimento;
  • não consegue distinguir a diferença entre a obediência motivada pelo amor e o legalismo;
  • é incomodado pelos pecados das outras pessoas mais do que os dele;
  • a graça é barata e seu próprio conforto é caro.

Mas, como o Novo Testamento descreve um cristão genuíno? De acordo com 1 João, o cristão genuíno é alguém que:

  • Ama os companheiros cristãos e a igreja local porque ele ama a Deus (1João 5:1 );
  • deseja comunhão com Deus, e não apenas facilidade no céu (1João 1:6-7; 5:1 );
  • entende que seguir a Jesus significa discipulado (1João 1:6);
  • obedece a Deus por amor (1 João 5:2-3);
  • está ansioso para confessar e se afastar do seu pecado (1João 1:9);
  • a graça é dispendiosa e seus próprios desejos são reles (1João 1:7, 10).

Tornar-se cristão é viver uma vida de arrependimento. Jesus descreveu isso como tomar a nossa cruz e segui-lo. Começa em um ponto no tempo, mas continua em uma vida de serviço e amor a Deus. Dietrich Bonhoeffer definiu isso bem, quando disse: “Quando Cristo chama um homem, ele o pede que venha morrer”.

 

 

Autor: Michael Lawrence

Fonte: The Gospel Coalition

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.