O Perigo da Fofoca

Share

O Senhor ama uma pessoa sensata. Como eu sei disso? Porque esta é a personificação da sabedoria transmitida em Provérbios, incluindo esta pequena joia útil: Afaste de você a falsidade da boca e mantenha longe de você a perversidade dos lábios (4:24).

A conversa insidiosa não é sensata. É lesiva, desordenada, sinuosa e vaga. Existem alguns exemplos que podemos citar, incluindo a falsidade absoluta e até a vida hipócrita; mas um dos exemplos mais evidentes da conversa insidiosa – que é praticamente uma epidemia na igreja – é o pecado das fofocas. Mas o que é fofoca?

Uma razão pela qual a fofoca pode ser tão difícil de ser definida é que por muitas vezes ela se disfarça como algo mais natural, talvez até benéfico. Tenho certeza de que você já testemunhou muitos pedidos de oração compartilhados em nome de alguém que parecia incluir detalhes desnecessários ou informações salazes. Você provavelmente já ouviu alguém compartilhar de “palavras de preocupação” que limitavam a insinuação ou a especulação inadequada. Talvez você tenha oferecido essas palavras a você mesmo. Eu sei que sim.

Se tivéssemos de reduzir as fofocas para uma definição direta, poderíamos assegurar que as fofocas dizem algo sobre uma pessoa que você não diria a ela. Isso, pelo menos, demonstra o modo de como as fofocas violam Provérbios 4:24.

Então, como você sabe se está ouvindo (ou compartilhando) fofocas? Aqui estão algumas pistas sobre os vários motivos que alimentam a fofoca.

Malícia

Quando expressamos críticas ou acusações sobre outra pessoa a um terceiro, devemos considerar, antes de tudo, que temos a melhor intenção sobre a outra pessoa. Se realmente suspeitamos de pecado, a coisa certa a fazer é, amorosamente, confrontar a pessoa que está nos preocupando.

Em Romanos 1, Paulo realmente liga as fofocas a uma marca de caráter – “são difamadores” (v. 29), e não apenas por cometerem fofocas – por logro e malícia. A fofoca é um pecado, não importa o que você pense, seja na igreja ou na mercearia. Contudo, é especialmente escandaloso em uma igreja, onde a fofoca trabalha sob a estratégia satânica de minar a unidade do Espírito e o chamado de Cristo para amar uns aos outros como Ele nos amou. A fofoca é antibíblica e, portanto, anticristã.

Curiosidade

Esse tipo de fofoca é o domínio particular dos intrometidos da igreja e dos bisbilhoteiros da internet – de sites e redes sociais. Você irá perceber que compartilhar pecados reais, acusações pretensiosas e especulações falsas realmente não tem nada a ver com a edificação da pessoa em questão. Esta fofoca é claramente mal-intencionada, mas também é outra coisa: é difundida como entretenimento, como um biscoito delicioso para saborear, intrigar ou, de outra forma, despertar outros espíritos críticos contra a pessoa em foco.

Algumas pessoas, francamente, gostam muito de entreter-se com detalhes “saborosos” à custa de outras pessoas. Paulo advertiu sobre esses tipos de fofocas quando instrui Timóteo a ter cuidado com as “ociosas, que andam de casa em casa; e não somente ficam ociosas, mas ainda se tornam fofoqueiras e intrometidas, falando o que não devem” (1 Timóteo 5:13). A conexão da ociosidade com as fofocas é significativa, pois o tipo de fofoca que Paulo tem em mente aqui não é útil a ninguém. Serve apenas como uma mera curiosidade. Este é o tipo de fofoca que você vê nas capas de revista e, infelizmente, na igreja.

Orgulho ou inveja

Este é o tipo de fofoca, conduzida pela malícia, que é direcionada especificamente a parecer melhor em comparação. Paulo tem esse tipo de fofoca em mente em 2 Coríntios 12:20, quando nomeia este pecado em conjunto com a inveja, difamação e orgulho.

Esse tipo de fofoca geralmente é impelido quando ouvimos alguém falando bem de uma pessoa da qual não gostamos ou suspeitamos. Quando um colega fala sobre o excelente trabalho de outro colega de trabalho com quem você compete, você logo contesta: “Talvez. Mas ele sempre chega ao trabalho atrasado, e ouvi dizer que ele foi demitido de seu último trabalho”. Essa é a fofoca invejosa.

Todas essas variedades de conversa insidiosa podem atrapalhar toda uma igreja e gerar brigas, suspeitas e divisão que Satanás adora. Então, como podemos evitar a fofoca e enfrentá-la? Aqui estão três passos táticos para combater este pecado nefasto:

1. Não diga nada negativo sobre alguém que você não diria a ele (a)

Simplificando, se é uma questão de preocupação o suficiente para compartilhar com outra pessoa, é de vital interesse compartilhar com a pessoa em questão. Se não for, não deve ser compartilhado.

2. Redirecione a fofoca dos outros com uma pergunta gentil sobre a intenção

“Você falou com ele (a) sobre esta preocupação que você tem?” É uma ótima maneira de reduzir as fofocas. “Eu não acho que você deveria compartilhar isso comigo se não estiver preparado para compartilhar com eles”.

3. Repreenda a fofoca insistente e discipline os fofoqueiros obstinados

Mencione o pecado diretamente a pessoa envolvida. Não com raiva ou em espírito de julgamento, mas em um confronto amoroso de algo que ninguém deveria fazer com uma prática regular. Paulo é bem claro com esse pecado. Não deve ser tolerado, porque pode ser destrutivo para o corpo de Cristo. Mas quando o confronto direto não funcionar, é provável que os fofoqueiros pertinazes devam tratados de acordo com as instruções bíblicas sobre a disciplina da igreja.

Se não nos preocuparmos apenas com a reputação e o bem-estar do nosso próximo, mas também com a reputação do corpo de Cristo e o bem-estar dos seus membros, não conversaremos frivolidades, porque sempre levará a mais frivolidades. Seja sensato com todos, para que a linha entre a graça de Cristo e nossos irmãos e irmãs não seja interrompida.

 

 

Autor: Jared Wilson

Fonte: Tabletalk Magazine

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

Reformados 21. Todos os direitos reservados. Você está autorizado a compartilhar os artigos deste site para republicações, desde que informe o autor, tradutor (quando houver) e as fontes principais e intermediárias, inclusive o Reformados 21. Não é permitido a alteração do conteúdo original e a utilização para fins comerciais.

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.