10 Coisas que Você Deve Saber Acerca do Espírito Santo

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1) No Antigo Testamento, a palavra mais frequentemente traduzida como “Espírito” é o substantivo nominal ruach. É usado 94 vezes para se referir ao Espírito de Deus. No Novo Testamento, a palavra mais comumente traduzida por “Espírito” é o substantivo neutro pneuma. Anthony Thiselton lembra sabiamente que “é um acidente de convenção que o “Espírito” (ruach) em hebraico é feminino, e o “Espírito” (pneuma) em grego é neutro”. Isso não sugere que os gregos considerem os filhos como sub-pessoas apenas porque Teknon, “criança”, é neutro (Thiselton, O Espírito Santo: No Ensino Bíblico, nos Séculos e Hoje, 121).

2) O Espírito Santo é mencionado e relacionado no Antigo Testamento a uma série de atividades:

  • Ele é o poder criador de Deus (Salmo 104:30; Isaías 32:14-15; Jó 33:4; etc.);
  • Ele capacita administradores civis e militares (Números 11:16-17; 27:18; Juízes 3:10; 6:34; 14:5-6; 1 Samuel 10:1-10; 16:14; etc.);
  • Ele equipou pessoas particulares com habilidades únicas (Êxodo 31:14);
  • Ele inspirou profecias (Números 11:24-30; 2 Samuel 23:1-2, Miquéias 3:8, etc.);
  • Ele é a fonte da revelação divina e da interpretação (Daniel 4:8-9, 4:18; 5:11, 14);
  • Ele é Deus presente conosco (Salmo 139:7);
  • E Ele é quem realizará nos dias finais os propósitos redentores de Deus (Isaías 11:1-2; 42:1; 59:21; 61:1; Ezequiel 11:19; 36:26-27; Joel 2:28-29; etc.).

3) Que o Espírito Santo é uma pessoa genuína e não um poder ou força impessoal é visto no fato de que Ele possui todas as qualidades que normalmente associamos à pessoa/personalidade, como mente (Isaías 11:2), emoções (Romanos 8:26; 15:30; Efésios 4:30; Atos 15:28) e vontade (Atos 16:7; 1 Coríntios 12:11).

4) O Espírito Santo também desempenha todas as funções de um ser pessoal. Ele fala (Marcos 13:11; Atos 1:16; 8:29; 10:19; 11:12; 13; 2; 21:11; 1 Timóteo 4:1; Hebreus 3:7; Apocalipse 2:7 [“o Espírito diz às igrejas”; veja, também, 2:11, 17, 29; 3:6, 13, 22), testifica (João 15:26; 16:23), pode ser ofendido por pecados (Mateus 12:31), por mentira (Atos 5:3), pode ser tentado (Atos 5:9), ultrajado (Hebreus 10:29), se relaciona com outras pessoas (2 Coríntios 13:14), encoraja (Atos 9:31), fortalece (Efésios 3:16) e ensina (Lucas 12:12; João 14:26; 1 Coríntios 2:13).

5) O Espírito Santo não é simplesmente uma pessoa, mas uma pessoa divina. Nós sabemos disso, pois o que é dito de Deus é dito do Espírito (Atos 5:3-4). O Espírito Santo é identificado com Javé (Atos 7:51 citando o Salmo 78:17, 21, Hebreus 10:15-17 citando Jeremias 31:33-34). A atividade de Deus equivale a atividade do Espírito Santo (por exemplo, na criação, conversão, etc.). O que “Deus disse” é “o que o Espírito disse” (Isaías 6:9/Atos 28:25). Nós somos o “templo de Deus porque o Espírito Santo habita em nós” (Ef 2:22; 1 Coríntios 6:19). A blasfêmia contra o Espírito Santo é o único pecado imperdoável (Mateus 12:31; Marcos 3:18).

6) Tanto os atributos quanto as ações da divindade são atribuídos ao Espírito, como onisciência (Isaías 40:13-14; 1 Coríntios 2:10-11 ), onipresença (Salmo 139:7-8 ), onipotência (como se vê no papel do Espírito na criação [Gênesis 1], providência [Salmo 104:30], regeneração, etc… Veja especialmente Zacarias 4:6), eternidade (Hebreus 9:14) e santidade (referida ao Espírito apenas duas vezes em no AT no Salmos 51:11 e Isaías 63:10)

7) O Espírito Santo é muitas vezes ligado ao Pai e ao Filho de forma trinitária, o que é óbvio (Mateus 28:19; 2 Coríntios 13:14; 1 Coríntios 12:4; Romanos 5:1-8; 2 Coríntios 3:1-4:6, Gálatas 4:4-6, Efésios 1:3-14. Veja, também, 1 Tessalonicenses 1:4-5; 2 Tessalonicenses 2:13; 1 Coríntios 1:4-7; 2:4-5; 2:12; 6:11; 6:19-20; 2 Coríntios 1:21-22; Gálatas 3:1-5; Romanos 8:3-4; 8:15-17 Colossenses 3:16, Efésios 1:17; 2:18; 2:20-22, Filipenses 3:3.

8) O fato de que o Espírito Santo seja referido como “do Pai” e “de Cristo” não significa que ele seja a “terceira” pessoa da Trindade. Nem deve ser pensado como o “neto do Pai”. Como Christopher Holmes aponta, “falar do Espírito como o Espírito “de Cristo” é “não reduzi-lo a um apêndice de Cristo ou colapsar o Espírito nele. Em vez disso, é afirmar que o Espírito demonstra profunda ousadia em promover outro, Jesus Cristo” (O Espírito Santo, 22). Isto é simplesmente dizer que o Espírito é outro auxiliador ou auxilia Cristo.

9) Quando falamos da Santíssima Trindade, estamos dizendo que o Pai não é o Filho ou o Espírito, porque, como Deus, Ele gera e é de quem o Filho e o Espírito procedem. E o Filho não é o Pai ou o Espírito, pois não gera nem procede, mas é gerado. E o Espírito não é o Pai ou o Filho, porque ele não gera nem é gerado, mas sim, procede.

10) Em suas reflexões sobre a Trindade, Jonathan Edwards falou do Espírito como o amor que flui entre o Pai e o Filho. Ele escreve:

É isto que eu presumo que seja a trindade tão abençoada que lemos nas Sagradas Escrituras. O Pai é a Divindade que subsiste na maneira primitiva, não originada e mais absoluta, ou a Deidade em sua existência direta. O Filho é a Divindade gerada pelo entendimento de Deus, ou tendo uma ideia de si mesmo e subsistindo nessa ideia. O Espírito Santo é a Divindade que subsiste em ato ou é a essência divina que flui e sopra, no amor infinito de Deus e deleita-se por si mesmo. E acredito que toda a essência divina subsiste de forma verdadeira e distinta, tanto na ideia divina quanto no amor divino, e que cada uma delas é uma pessoa devidamente distinta.

Se a concepção de Edwards do Espírito faz com que você questione a sua personalidade, você pode ler a sua defesa do Espírito em seu Discurso sobre a Trindade, em Yale: 21.

 

 

Autor: Sam Storms

Fonte: Sam Storms

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.