A prioridade de empregar mais mulheres na igreja

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Quando me mudei pela primeira vez para a Niddrie Community Church, há quase 10 anos, passei os primeiros 6 meses ou quase conhecendo quem estava na congregação (era muito pequena). Eu queria descobrir quem era quem e em que cada um era bom. Descobri rapidamente que algumas das mulheres da igreja se sentiam um pouco marginalizadas e desprovidas de direitos. Parecia que tinham sido deixadas para se assentarem no banco de trás na vida, no ministério da igreja e na comunidade local que elas estavam tentando alcançar com o evangelho. Elas estavam no caminho habitual: chá, café e as flores; mas era só isso que havia.

Comecei a conhecer a comunidade de Niddrie, e logo ficou bem claro para mim que precisávamos contratar um trabalhador da comunidade e tinha que ser uma mulher. Naquela época, os complementaristas não eram tão eminentes no cenário evangélico do Reino Unido quanto são agora, de modo que havia um pouco de risco em escolher uma mulher como uma das minhas primeiras contratações. Eu tinha lido muitos artigos e blogs de pastores e plantadores de igrejas falando sobre o crescimento de suas equipes de liderança. Pouquíssimos deles falavam sobre a contratação de uma mulher nos estágios iniciais de seu ministério. Mesmo aqueles que o fizeram, tenderam a deixá-lo como um de seus compromissos posteriores e, mesmo assim, apenas se houvesse dinheiro. Tenho visto o desenvolvimento de muitos planos de plantadores e muitas vezes as mulheres simplesmente não estão neles. Eles falarão sobre a contratação de um obreiro jovem, ou de um de pastor executivo ou de um líder de louvor antes mesmo de considerar uma mulher.

Em 20schemes, nós insistimos que todos os nossos plantadores de igreja se assegurem de empregar uma mulher madura desde o início quando no processo de plantação de igreja e/ou empreendimento de revitalização. Aqui estão alguns dos meus motivos.

  1. As mulheres constituem uma grande proporção das comunidades que estamos tentando alcançar

Na verdade, os pais solteiros representavam cerca de um quarto de todas as famílias que viviam na Escócia, em 2016. Sem surpresa, nove em cada dez desses pais solteiros são mulheres. Nas comunidades mais pobres da Escócia, 52% de todos os residentes são mulheres. Há muitas mulheres vulneráveis com problemas pastorais multifacetados (mais da metade delas sofrem de um problema de saúde a longo prazo ou de uma deficiência).

  1. As mulheres em nossas comunidades muitas vezes enfrentam vários problemas que complicam o discipulado

Por exemplo, milhões de mulheres em todo o Reino Unido admitiram usar drogas ilícitas durante o ano passado e ainda mais usaram drogas de rua no mesmo período. Tragicamente, 45% das mulheres no Reino Unido experimentaram pelo menos um evento de violência interpessoal em sua vida. As estatísticas também revelam que 54% de todos os estupros no Reino Unido são cometidos por um ex-parceiro ou parceiro atual e metade de todos os estupros são cometidos por homens que uma vez afirmaram amá-las.

Muitas dessas mulheres vulneráveis e necessitadas com problemas físicos, psicológicos e espirituais complexos estão em nossas congregações e em nossas comunidades. Elas anseiam por amor, atenção e exigem muito tempo enquanto as aconselhamos e as discipulamos na Palavra. Uma vez que as suas necessidades emocionais são muitas vezes tão grandes, simplesmente não é sábio ou prudente que um homem dedique tempo prolongado em suas vidas.

  1. A maioria dos pastores são muito mais propensos a falhar moralmente quando se envolvem profundamente no aconselhamento de mulheres necessitadas

Embora seja uma grande generalização, um levantamento dos 15 homens que me precederam em Niddrie revelou que 1 em cada 3 foram removidos por ofensas referentes à imoralidade sexual. 100% desses homens enfrentaram dificuldades no aconselhamento intenso com o sexo oposto. Infelizmente, nossos líderes da igreja não estão imunes ao pecado sexual e muitos pastores caíram nessa área com um membro da igreja que eles estavam aconselhando ou com alguém que estavam evangelizando. O aconselhamento e a evangelização de mulheres vulneráveis nas periferias (uma grande proporção das quais foi abusada sexualmente) é um campo minado. Qualquer forma de gentileza ou disposição para ouvir da parte de um homem é quase sempre mal interpretada de modo sexual (isso é verdade quanto ao contrário também). Um homem que as escuta é um afrodisíaco muito poderoso. Para algumas, a tentação pode ser muito difícil de resistir. Elas não estão acostumadas com os homens ouvindo os seus problemas. Elas estão acostumadas com homens que são o problema.

  1. As mulheres devem discipular somente mulheres

Percebemos que há muitas maneiras pelas quais os pastores podem aconselhar os membros de sua congregação com segurança, mas sugerimos que ter uma mulher com dom, treinada e madura seja uma das mais úteis. Em muitas igrejas esse tipo de coisa é deixado para a esposa do pastor ou talvez a esposa de um presbítero. Quase invariavelmente, isso não é por causa de talento, mas é devido à posição que seu marido tem na comunidade. É bom se ela for treinada, mas pode ser imensamente prejudicial se ela não for. Independentemente disso, permanece a questão de que em situações de crise (uma ocorrência diária aqui), uma mulher madura e piedosa pode continuar o relacionamento em uma amizade duradoura mais profunda de um modo que um pastor não pode e não deve. Quando falamos de discipulado, não queremos dizer a específica reunião pastoral mensal, mas a intensa caminhada diária com Deus, enquanto as mulheres vivem juntas.

Mas, que lugar há para os homens, então?

  1. Precisamos de homens piedosos para ensinar mulheres a treinar mulheres piedosas

É claro que as mulheres precisam da influência de homens piedosos em suas vidas. A igreja deve ser guiada por homens, afinal. Isso é claro nas Escrituras. Esses homens têm a responsabilidade de ensinar a toda a congregação a sã doutrina e de exemplificar a piedade de acordo com Tito 2. Mas eles também têm a responsabilidade de ensinar as mulheres. Estas são as instruções de Paulo a Tito:

“Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada” (Tito 2.3-5).

Tudo o que fazemos em Niddrie é supervisionado pelos presbíteros e tem a aprovação de toda a congregação. Não é que não estejamos envolvidos na vida das mulheres em nossa igreja, porque claramente nós estamos. As mulheres podem nos ver ensinar e exemplificar a piedade no lar, enquanto pregamos a Palavra e lideramos as reuniões. Ainda aconselhamos casais e mulheres solteiras em certas situações. Se aconselhamos um casal, o faço com minha esposa. Se aconselhamos uma mulher solteira, pode ser com minha esposa ou uma das nossas que trabalham com mulheres ou com um amigo em quem a mulher aconselhada confia. Além disso, a obreira pastoral de mulheres reporta regularmente aos presbíteros para que possamos orar de modo consciente por aquelas com necessidades e dificuldades específicas. Mas, no centro de tudo, nós, como líderes homens, estamos assegurando que as obreiras pastorais de nossas mulheres estejam sendo apoiadas e treinadas para fazer bem o seu trabalho.

Agora, percebemos que alguns sentem que, ao capacitar mulheres para pastorear e treinar outras mulheres, não estamos cumprindo o distinto papel masculino de pastor como deveríamos. Alguns sentem que estamos confundindo as pessoas por termos mulheres em posições pastorais dentro da igreja. Quando dizemos que a obreira pastoral de mulheres “pastoreia”, não queremos dizer que ela é um pastor; em vez disso, ela auxilia os pastores, fornecendo os cuidados pastorais diários para as nossas mulheres. Frequentemente, outros pastores me perguntam como podemos confiar no que está sendo ensinado e dito se não estivermos presentes. Há algumas coisas a serem ditas sobre isso.

Confiamos em nossas mulheres porque, assim como os líderes do sexo masculino, as treinamos bem nas doutrinas da igreja antes de as liberarmos para o ministério. Na verdade, é notavelmente ofensivo sugerir que, ao dar às mulheres uma responsabilidade nesse nível, estamos abrindo a igreja a um erro grave. Muito mais homens conduziram as igrejas a desvios do que mulheres.

A igreja não fica confusa, mas é, em vez disso, edificada enquanto mulheres e homens estão envolvidos “uns com os outros”. O pastor não é visto como o único que está qualificado para ministrar entre o rebanho que ele pastoreia. Isso é algo bom, já que um homem só não pode assumir adequadamente esse papel. Mesmo com uma pequena igreja e múltiplos presbíteros, podem ter dificuldades sob o fardo de questões pastorais em nossa congregação.

Mulheres são encorajadas ao terem uma atividade importante a executar no reino de Deus e não serem apenas expectadoras ou estarem lá apenas para cozinharem as refeições.

A igreja local precisa de obreiras mulheres. A maioria das mulheres que vivem em nossas comunidades mais pobres sofre sem a esperança do evangelho. As mulheres não têm ouvido a boa notícia que pode verdadeiramente livrá-las de seus fardos. As mulheres nas periferias precisam de mais do que mulheres caindo de paraquedas para serem outro trabalhador em sua vida, perpetuando a dependência. Elas precisam de mulheres que vivam com elas todos os dias de suas vidas. A seara é grande, os trabalhadores são poucos e as mulheres estão sendo deixadas de lado. Elas não deveriam ser. Empregar mais mulheres para o ministério deveria ser a nossa maior prioridade.

 

 

Autor: Mez McConnell

Fonte: 20schemes

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Via: Ministério Fiel

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.