A Verdade Pode Sobreviver Em Uma Sociedade Pós-Moderna?

Share

A verdade é subjetiva? Depende de nossas preferências e perspectivas?

Muitos hoje responderiam sim a ambas as perguntas. É por isso que a maioria das redes sociais hoje estão saturadas de infinitos debates que se resumem a “minha verdade” versus a “sua verdade”. Mas esse tipo de relativismo não é novidade. Ele apenas ecoa a antiga questão que Pôncio Pilatos perguntou a Jesus: “O que é a verdade?” (João 18:38).

Afinal, de onde o conceito de verdade vem, e por que é tão básico para todo o pensamento humano? Todas as ideias que temos, todos os relacionamentos que cultivamos, toda crença que apreciamos, cada fato que conhecemos, cada argumento que fazemos, toda conversa em que nos envolvemos, e cada pensamento que pensamos, pressupõe que existe algo como “verdade”. A ideia é um conceito essencial, sem o qual a mente humana não poderia funcionar.

Mesmo se você seja um daqueles pensadores da moda que afirma ser cético sobre se a “verdade” é realmente uma categoria útil, para expressar essa opinião, você deve presumir que a verdade é significativa em algum nível fundamental. Um dos axiomas mais básicos, universais e inegáveis ​​de todo pensamento humano é a necessidade absoluta da verdade. (E podemos acrescentar que a necessidade da verdade absoluta é o seu corolário mais próximo).

Uma definição bíblica

Então, o que é a verdade?

Aqui está uma definição simples extraída da Escritura: a verdade é aquilo que é consistente com a mente, a vontade, o caráter, a glória e o ser de Deus. A verdade é a autoexpressão de Deus; porquanto a definição de verdade flui de Deus, a verdade é teológica.

A verdade também é ontológica – o que é uma maneira elegante de dizer que as coisas são realmente como elas são. A realidade é porque Deus a declarou e a fez assim. Portanto, Deus é o autor, fonte, determinante, governador, árbitro, padrão final e juiz final de toda a verdade.

O Antigo Testamento refere-se ao Todo-Poderoso como o “Deus da verdade” (Deuteronômio 32:4, Salmo 31:5, Isaías 65:16). Quando Jesus disse de si mesmo: “Eu sou a verdade” (João 14:6, ênfase adicionada), ele estava fazendo uma reivindicação profunda acerca da Sua própria divindade. Ele também estava deixando claro que toda a verdade deve ser definida em termos de Deus e de Sua glória eterna. Afinal, Jesus é “o resplendor da glória [de Deus] e a representação exata da Sua natureza” (Hebreus 1:3). Ele é a verdade encarnada – a expressão perfeita de Deus e, contudo, a encarnação absoluta de tudo o que é verdade.

Jesus também disse que a Palavra de Deus escrita é a verdade. Não contém apenas laivos de verdade; é pura, imutável e inviolável a verdade de que (segundo Jesus) “não pode falhar” (João 10:35). Orando ao Pai celestial em favor de Seus discípulos, Jesus disse isto: “Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (João 17:17). Além disso, a Palavra de Deus é a verdade eterna que “permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).

Claro que não pode haver discórdia ou diferença de opinião entre a Palavra de Deus escrita (Escritura) e a Palavra de Deus encarnada (Jesus). Em primeiro lugar, a verdade, por definição, não pode se contradizer. Em segundo lugar, a Escritura é chamada de “a palavra de Cristo” (Colossenses 3:16). É a Sua mensagem, Sua autoexpressão. Em outras palavras, a verdade de Cristo e a verdade da Bíblia possuem o mesmo caráter. Elas estão em perfeito acordo em todos os aspectos. Ambas são igualmente verdade. Deus revelou-se para a humanidade através da Escritura e através do Seu Filho. Ambos refletem perfeitamente a essência do que é a verdade.

Lembre-se, a Escritura também diz que Deus revela a verdade básica sobre si mesmo na natureza. “Os céus declaram a Sua glória” (Salmo 19: 1). Seus outros atributos invisíveis (como Sua sabedoria, poder e beleza) estão em constante exibição no que Ele criou (Romanos 1:20). O conhecimento dEle é inato no coração humano (Romanos 1:19), e um sentido do caráter moral e da perfeição de Sua lei está implícito em toda consciência humana (Romanos 2:15). Essas coisas são verdades universalmente autoevidentes. De acordo com Romanos 1:20, a negação das verdades espirituais que conhecemos inatamente envolve sempre uma descrença deliberada e culposa. E para aqueles que se perguntam se as verdades básicas sobre Deus e seus padrões morais realmente são marcadas no coração humano, uma prova copiosa pode ser encontrada na longa história da lei e das religiões humanas. Suprimir essa verdade é desonrar a Deus, desviar Sua glória e incorrer em Sua ira (Romanos 1: 18-20).

Entretanto, o único intérprete infalível do que vemos na natureza ou o que conhecemos inatamente em nossas consciências é a revelação explícita da Escritura. Uma vez que a Escritura também é o único lugar onde nos é concedido o caminho da salvação, a entrada no reino de Deus e um relato infalível de Cristo, também é o critério de que todas as reivindicações da verdade devem ser trazidas, e pela qual todas as outras verdades devem finalmente serem avaliadas. Ao orar ao Pai, Jesus disse: “A Tua palavra é a verdade” (João 17:17).

 Essa é a resposta final à pergunta de Pilatos e à realidade imutável para toda a humanidade. A verdade não pode ser definida, explicada ou compreendida além de Deus e Sua Palavra inerrante.

 

 

Autor: John MacArthur

Fonte: Grace to You

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

Reformados 21. Todos os direitos reservados. Você está autorizado a compartilhar os artigos deste site para republicações, desde que informe o autor, tradutor (quando houver) e as fontes principais e intermediárias, inclusive o Reformados 21. Não é permitido a alteração do conteúdo original e a utilização para fins comerciais.

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.