7 coisas que você deve saber sobre a pornografia e o cérebro

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[Nota: O presente artigo contém uma discussão franca, embora não gráfica, sobre o vício em pornografia. Os pais são, portanto, advertidos a examinar o material em si antes de compartilhá-lo com crianças ou adolescentes.]

“Uma vez que o cérebro humano é a âncora biológica da nossa experiência psicológica, é útil entender como ele funciona”, disse William M. Struthers, professor associado de psicologia no Wheaton College. “Saber como ele é conectado e onde é sensível pode nos ajudar a entender porque a pornografia afeta as pessoas da maneira como faz”. Aqui estão 7 coisas que você deve saber acerca da pornografia e como ela afeta o cérebro.

1. O material sexualmente explícito ativa nos neurônios imagens para o cérebro masculino e/ou feminino. Esses neurônios, que estão envolvidos com o processo de como imitar um comportamento, contêm um sistema motor que se correlaciona com o planejamento de um comportamento. No caso da pornografia, este sistema de imagem no neurônio desencadeia a excitação, o que leva à tensão sexual e a necessidade de uma saída. “A infeliz realidade é que, quando a pessoa age (por vezes se masturbando), isso acarreta consequências hormonais e neurológicas, que são projetadas para aprisionar a pessoa ao objeto sobre o qual ela se concentra”, diz Struthers. “No plano de Deus, no caso de homens, esta seria sua esposa, mas para muitos deles é uma imagem em uma tela. Assim, a pornografia obscurece o expectador a uma imagem, sequestrando a resposta biológica destinada a unir um homem a sua esposa e, portanto, inevitavelmente desprendendo-o desse vínculo”.

2. Nos homens, existem cinco substâncias químicas primárias envolvidas na excitação sexual e na sua resposta. O que provavelmente desempenha o papel mais importante na dependência da pornografia é a dopamina. A dopamina desempenha um papel importante no sistema cerebral, que é responsável pela aprendizagem baseada em recompensas. Todo tipo de recompensa estudada aumenta o nível de transmissão de dopamina no cérebro, e uma variedade de drogas aditivas, incluindo estimulantes, como a cocaína, anfetamina e metanfetamina, as quais atuam diretamente no sistema de dopamina. A dopamina aumenta quando uma pessoa é exposta a estímulos novos, particularmente se é sexual, ou quando um estímulo é mais excitante do que outro. Como a imagem erótica desencadeia mais dopamina do que o sexo com o cônjuge, por exemplo, a exposição à pornografia leva ao “vício de excitação” e ensina o cérebro a preferir a imagem e ficar menos satisfeito com os parceiros sexuais da vida real.

3. Por que os homens procuram uma variedade de novas imagens sexuais explícitas em vez de estarem satisfeitos com as mesmas? O motivo é atribuído ao efeito Coolidge, um fenômeno visto em mamíferos, onde os machos (e, em menor grau, as fêmeas) apresentam interesse sexual renovado se forem introduzidos a novos parceiros sexuais receptivos, mesmo depois de recusar o sexo de parceiros sexuais anteriores, mas ainda disponíveis. Este mecanismo neurológico é uma das principais razões para a abundância e o vício da pornografia na Internet.

4. A otimização dos ciclos de recompensa – como ocorre com picos de dopamina repetidos relacionados à visualização de pornografia – gera dessensibilização. Como Gary Wilson explica:

“Quando os receptores de dopamina caem após muito estímulo, o cérebro não responde tanto, e sentimos menos recompensa pelo prazer. Isso nos leva a procurar ainda mais por meios de satisfação, por exemplo, buscar estímulos sexuais mais extremos, sessões pornográficas mais longas ou visualização pornô mais frequente, entorpecendo ainda mais o cérebro”.

5. “Os hábitos psicológicos, comportamentais e emocionais que formam o nosso caráter sexual, irão se basear nas decisões que tomarmos”, afirma Struthers. “Toda vez que a sequência de excitação e resposta é ativada, forma-se uma memória neurológica que influenciará o processamento futuro e a resposta a sugestões sexuais. À medida que este caminho se torna ativo e percorrido, torna-se o caminho predileto – uma jornada mental – que é regularmente traçada. As consequências disso são de grande alcance”.

6. O que torna a pornografia na Internet algo singular? Wilson identifica uma série de razões, incluindo:

(1) A pornografia na Internet oferece novidade extrema.

(2) Ao contrário dos alimentos e drogas, quase não há limitações físicas para o consumo de pornografia na Internet.

(3) Com a pornografia na Internet, podemos escolher qualquer parceiro e visualizar gêneros novos e incomuns de sexo.

 (4) Ao contrário de drogas e alimentos, a pornografia na Internet acaba não ativando o sistema de aversão natural do cérebro.

(5) Usuários de pouca idade começam a assistir pornografia. O cérebro de um adolescente está no auge da produção de dopamina e da neuroplasticidade, tornando-o altamente vulnerável ao vício e a reconexão.

7. A exposição dos homens ao material sexualmente explícito está correlacionada com problemas de ansiedade social, depressão, baixa motivação, disfunção erétil, problemas de concentração e auto-percepções negativas em termos de aparência física e desempenho sexual.

 

 

Autor: Joe Carter

Fonte: The Gospel Coalition

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.