O Conflito Singular da Atração Homossexual

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Não muito tempo atrás, alguém me perguntou por quanto tempo eu tenho lutado com atrações pelo mesmo sexo. Fiquei surpreso ao encontrar um número grande e completo antes de mim: 20 anos. Desses 20 anos, por quase 6 deles foram como um homem casado e como pai. Não sou gay! Sou uma nova criação em Cristo. Eu sou um cristão lutando com atrações indesejadas pelo mesmo sexo. Trabalho no ministério e sou um estudante da Bíblia, mas o homossexualismo tem sido uma parte proeminente da minha jornada de cristão. Eu não queria que fosse assim, não obstante, parte de mim entende que Deus utilizou essa batalha poderosa para me levar até Ele.

Esta guerra me mostrou como Deus pode trabalhar em uma questão específica como o homossexualismo, ao passo que me mostra vislumbres do seu coração paternal e os profundos efeitos do pecado sobre outras pessoas. Foi concedido a mim visão pessoal e emocional, bem como compreensão pastoral. Eu esperava que Deus me mostrasse essas coisas de outra forma, menos dolorosa, é claro, mas seus caminhos são seus caminhos, misteriosos e de outro mundo, e quem sou eu para enunciar como ele pode fazer o seu trabalho. Seu caminho me fez enxergar a atração pelo mesmo sexo como algo único e não tão especial.

É o mesmo que os outros pecados?

Em muitos aspectos, o desejo homossexual é similar a outras formas de tentação. Na visão de Deus, do pecado sendo igualmente ofensivo como outros pecados, o homossexualismo não é tão especial. Por exemplo, em 1 Coríntios 6.8-10, Paulo diz:

Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.

Para alguns, esta é uma boa notícia: o homossexualismo não é pior do que outros pecados aos olhos de Deus, pois todo pecado é igualmente punível. Não sou uma pessoa melhor ou pior por ter atrações pelo mesmo sexo. Eu não sou mais ou menos pecador do que qualquer outra pessoa simplesmente por causa da manifestação particular da minha tentação ou pecado. Eu não sou mais ou menos salvo por causa disso, e não preciso de nenhuma porção extra do Espírito Santo.

Isso significa que ninguém pode me deixar envergonhado por ter desejos homossexuais, embora também signifique que não posso deixar os outros para não tê-los. Perceber isso foi uma ajuda enorme, porque ao longo dos anos, eu acreditava que era o único que entendia a verdadeira batalha espiritual.

Por muitas vezes, eu me envolvi em diálogos narcisistas comigo mesmo, acreditando que ninguém poderia me entender. Na verdade, Deus me mostrou que as pessoas mais improváveis entendiam minhas lutas. Homens casados, homens heterossexuais, que eu assumi falsamente que me julgavam e me feriam, homens idosos e até mulheres foram bênçãos na minha vida.

Compreender que minha batalha não era a pior coisa no mundo mudou a minha atitude. O desejo homossexual não era mais o meu propósito de ser, o tópico frequente da conversa (que só me afastou dos outros, impedindo a minha cura) ou a minha identidade. 1 Coríntios 10:13 foi particularmente útil:

Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.

A tentação pelo mesmo sexo não é comum, mas também não é incomum. As pessoas no dia de Abraão tiveram as mesmas atrações e se envolveram em pecados homossexuais. Eu não sou louco nem sou o único. Minha luta é com a luxúria sexual do sexo oposto, e o Espírito de Deus é muito poderoso para lidar com isso.

Como a atração pelo mesmo sexo é única?

A atração pelo mesmo sexo, porém, é única em comparação a outras formas de tentação. 1 Coríntios 6:18 oferece alguma ajuda: Fuja da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.

A imoralidade sexual suja você mais do que a maioria dos outros pecados, porque tem um poder muito maior para destruir indivíduos, famílias e igrejas. A imoralidade sexual leva à morte, distorcendo a compreensão de Deus e de si mesmo. Há uma razão porque quase toda epístola do Novo Testamento contém advertências contra a imoralidade sexual (por exemplo, 1 Ts 4:3).

A atração pelo mesmo sexo, entretanto, é quase duplamente prejudicial, porque envolve a cobiça de pessoas que não são o objeto natural de atração sexual. Em outras palavras, aqueles com desejos homossexuais lutam não apenas contra a luxúria, mas, também, com uma forma de concupiscência natural. Uma pessoa recentemente relatou desta forma:

Gostaria de comentar a ideia de que o homossexualismo não deve ser tratado como sendo maior que os outros problemas. Deve ser, porque fala da própria identidade de uma pessoa. O roubo ou o orgulho não me impedem de copular e ter filhos. Eles não mutilam meu senso de masculinidade e modificam intrinsecamente meu relacionamento. A atração do mesmo sexo faz. Portanto, deve haver um choro maior e um chamado para ajudar e apoiar aqueles que lidam com isso, assim como nosso companheiro diário e noturno, muitas vezes infernal.

Essa citação resume a vida com atrações homossexuais. É assustador e infernal, especialmente se não há ninguém em sua vida que você possa recorrer para a compreensão e a cura. Aqui existe uma analogia: existem especialistas renais para ajudar pessoas com problemas nos rins. Isso não faz com que os pacientes desses médicos estejam mais ou menos doentes, contudo precisam de tratamento especializado. Um especialista renal não pode tratar a dor nas costas como um fisioterapeuta, mas ambos são médicos. Quanto ao paciente renal, ele sabe que seu médico geral gostaria de ajudar se tivesse habilidades para tratar a disfunção renal. Mas não, o paciente vai ao especialista quando é necessário.

Desejos homossexuais: ambos, um ou outro ou nenhum?

Posso aceitar que muitas pessoas bem-intencionadas desejam me consolar, sabendo que “todo pecado é igual aos olhos de Deus” e que não sou diferente dos outros. Isso é verdade, mas também sou um indivíduo com minhas próprias diferenças, excentricidades e lutas com questões que poucos realmente entenderiam. A tentação homossexual vem com uma maior sensação de alienação que muitos outros não experimentam (eles não são menos valiosos para não experimentar isso, mas é assim).

Mas, por outro lado, aos olhos de Deus, o desejo pelo mesmo sexo não é pior nem melhor do que qualquer outra coisa. Surpreendentemente, minhas lutas se tornam um presente quando se rendem ao senhorio de Jesus.

 

 

Autor: Haydn Sennitt

Fonte: The Gospel Colation

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.