9 Coisas Que Devemos Saber Acerca dos Adventistas do Sétimo Dia

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Na sexta-feira, o candidato republicano à presidência dos EUA, Ben Carson, concluiu oficialmente sua campanha, e revelou que será o presidente nacional de uma organização não partidária chamada My Faith Votes (Minha Fé Vota), que “existe para inspirar e motivar os seguidores de Jesus a votarem”. Por causa do foco em sua fé pessoal, Carson tornou-se o membro americano mais proeminente da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Aqui estão nove coisas que devemos saber sobre esta denominação:

1. Os adventistas do sétimo dia compoem meio por cento da população adulta dos Estados Unidos, e 1,2 milhões de pessoas na América do Norte pertencem à denominação. Mas, em todo o mundo, existem 18,1 milhões de adventistas do sétimo dia, o que torna sua presença global maior do que a Convenção Batista do Sul (15,5 milhões), a Igreja Metodista Unida (12,8 milhões), ou o mormonismo (15,3 milhões).

2. O adventismo do sétimo dia (doravante IASD) surgiu no norte do estado de Nova York, na década de 1840, um desdobramento do movimento millerita, que surgiu durante o renascimento religioso conhecido como o Segundo Grande Despertar. Na época, um pregador batista chamado William Miller previu e pregava que, com base em sua leitura de Daniel 8:14, Cristo retornaria em algum momento entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844. O fracasso desta previsão, conhecido como a Grande Decepção, causou muitos Milleritas a se desiludirem. Mas Hiram Edson afirmou ter tido uma visão de Jesus de pé no altar dos céus, e concluiu que Miller estava certo sobre a época, mas errado sobre o local. Como Matt Slick explica, “em outras palavras, o retorno de Jesus não era à terra, mas sua entrada no santuário celestial, conforme referenciado em Hebreus 8:1-2.” O desenvolvimento desta doutrina, conhecida por “Santuário/Juízo Investigativo” (ver abaixo), influenciou a Joseph Bates e a James e Ellen White, os fundadores pioneiros da IASD.

3. A IASD reitera a Bíblia como seu “único credo” e considera o movimento como “o resultado da convicção protestante do Sola Scriptura, e a Bíblia como a única regra de fé e prática para os cristãos.” Consideram “certas crenças fundamentais como sendo o ensino das Escrituras Sagradas”, doutrinas conhecidas como as 28 Crenças Fundamentais, que são organizadas em seis categorias – as doutrinas de Deus, do homem, da salvação, da igreja, da vida cristã e os eventos dos últimos dias.

4. As 28 Crenças Fundamentais são consideradas descritivas da posição oficial da Igreja, mas não são prescritivas para os aderentes. O batismo por imersão é o critério para membresia, que se baseia em um exame público dos candidatos, seja perante toda a congregação, perante uma junta da igreja ou perante os presbíteros. O ministro ou presbítero pode apresentar ao candidato um de dois conjuntos de votos de batismo, um constituído por 13 votos ou um composto pelas três questões seguintes:

1. Aceita a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal e Senhor, e deseja viver sua vida numa relação salvadora com ele?

2. Aceita os ensinamentos da Bíblia conforme expresso na Declaração de Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e promete, pela graça de Deus, viver sua vida em harmonia com estes ensinamentos?

3. Deseja ser batizado como expressão pública da sua crença em Jesus Cristo, ser aceito na comunhão da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e apoiar a igreja e sua missão como servo fiel de seus influência pessoal, dízimos e ofertas, e uma vida de serviço?

5. A maioria das 28 crenças fundamentais são semelhantes às doutrinas professadas por denominações protestantes evangélicas. As três principais doutrinas da IASD, consideradas por evangélicos como heterodoxas, são o sabatarianismo (observância obrigatória do sábado de descanso, que eles creem, ser no sétimo dia da semana), o dom da profecia, conforme “manifestado no ministério de Ellen G. White”, e a doutrina do santuário.

6. A doutrina do santuário é a doutrina adventista mais singular. Os cristãos ortodoxos comumente sustentam que Jesus, como nosso sumo sacerdote, intercede por nós à direita de Deus (Hb 4:14-16; 6:20; 7:25). Entretanto, membros da IASD também creem que Cristo entrou no “santuário no Céu”, e após um “período profético dos 2.300 dias” (que termina em 1844), ele iniciou a segunda e última fase de seu ministério expiatório, uma obra de “eliminação final” de todo pecado. Kenneth R. Samples explica:

Desde sua ascensão até 1844, Jesus estava aplicando o perdão que ele comprou na cruz, no primeiro compartimento do santuário. Mas em 1844, ele entrou para o segundo compartimento e começou a investigar as vidas daqueles que tinham recebido o perdão, para ver se eram dignos da vida eterna. Somente os que passarem neste julgamento podem ter a certeza de que serão trasladados por ocasião da sua segunda vinda. Esta doutrina deu origem ao que mais tarde se tornou conhecido como o ensino da perfeição sem pecado (o perfeito seguimento dos mandamentos, a fim de ser aceito no julgamento). Após o juízo investigativo, Cristo sairia do santuário celeste e retornaria à Terra, trazendo a cada um sua recompensa, e desencadeando o grande e terrível dia do Senhor. São o ano de 1844 e os eventos acima descritos que marcam o início da IASD.

7. A outra crença única da igreja IASD é no ministério “profético” de Ellen G. White (1827-1915). Durante sua vida, White produziu mais de 5.000 artigos e 40 livros, num total de cerca de 25 milhões de palavras (A IASD declara, provavelmente com razão, que White é a “mulher mais traduzida na literatura.”). Dos 17 anos até sua morte, 70 anos depois, ela alegou ter tido aproximadamente 2.000 visões e sonhos, que duravam de menos de um minuto até a quatro horas. As 28 Crenças Fundamentais dizem que “seus escritos têm autoridade profética e proporcionam conforto, orientação, instrução e correção à Igreja. Também deixa claro que a Bíblia é a regra pela qual todo ensino e experiência devem ser testados.” Alguns estudiosos do adventismo afirmam que cerca 90 por cento dos escritos de White eram plágio, embora os administradores de seu espólio afirmem que é apenas cerca de 2 por cento.

8. Por cerca de uma centena de anos, de 1840 a 1959, muitas denominações evangélicas consideraram a IASD como uma seita não-cristã (como as Testemunhas de Jeová). Mas o diálogo com estudiosos adventistas e apologistas na década de 1950 levou a uma reconsideração desta posição por alguns evangélicos. Como Kenneth R. Samples nos diz, o diálogo convenceu a muitos que “IASD não era uma seita anticristã, mas sim, uma denominação cristã um pouco heterodoxa (ou seja, divergente da doutrina aceita) .” O Christian Research Institute (Instituto de Pesquisa Cristão) fornece um exemplo chave da lógica para este ponto de vista:

Visto que a IASD aceita as doutrinas fundamentais do cristianismo histórico (a Trindade, a verdadeira divindade de Cristo, sua ressurreição corporal, etc.), não cremos que deva ser classificada como uma seita não-cristã. Nossa convicção é que não se pode ser um verdadeiro Testemunha de Jeová, Mormon ou membro da Ciência Cristã, etc., e ser um cristão praticante, no sentido bíblico da palavra; mas é possível ser um adventista do sétimo dia e um verdadeiro seguidor de Jesus, apesar de certas doutrinas adventistas distintivas que consideramos não serem bíblicas.

Embora poucos evangélicos hoje em dia considerem a IASD como uma seita não-cristã, muitos ainda advertem contra incluir a denominação como um ramo aceitável do protestantismo. Como diz Nathan Busenitz, “apesar do espírito ecumênico que permeou o movimento evangélico ao longo das últimas décadas, ainda existem grandes deficiências na teologia oficial da IASD que devem fazer com que os cristãos evangélicos reflitam seriamente.”

9. As sessões de perguntas e respostas entre estudiosos evangélicos e adventistas, na década de 1950, levaram ao lançamento da publicação adventista Questões sobre Doutrinas, um documento considerado a origem do “adventismo evangélico.” No entanto, nem todos na IASD concordaram com este livro ou com suas posições. Alguns consideraram uma diluição dos ensinamentos “tradicionais” adventistas para apaziguar os evangélicos. Os que apoiam este ponto de vista são, por vezes, chamados de aderentes do “Adventismo Tradicional.” Kenneth R. Samples identifica cinco posições comumente tomadas por Adventistas Tradicionais:

1. Justificação pela fé. A justificação pela fé inclui tanto a justificação como a santificação. Nossa posição diante de Deus se baseia tanto na justiça imputada quanto na justiça transmitida de Cristo (a obra de Deus por mim e em mim). A justificação é apenas por pecados cometidos no passado.

2. A natureza humana de Cristo. Jesus Cristo possuía uma natureza humana que não somente foi enfraquecida pelo pecado, mas tinha propensões para o próprio pecado. Sua natureza era como a de Adão depois da queda. Devido ao seu sucesso em superar o pecado, Jesus é o nosso exemplo principal.

3. Os acontecimentos de 1844. Jesus entrou no segundo compartimento do santuário celeste pela primeira vez em 22 de outubro de 1844, e começou um juízo investigativo. Este julgamento é o cumprimento da segunda fase da obra expiatória de Cristo.

4. A certeza da salvação. Nossa posição diante de Deus se baseia tanto na justiça imputada quanto na justiça transmitida de Cristo; ter certeza da salvação antes do julgamento é presunçoso. Como Jesus, nosso exemplo mostrou-nos que o seguimento perfeito dos mandamentos é possível.

5. A autoridade de Ellen G. White. O espírito de profecia foi manifestado no ministério de Ellen White como um sinal da igreja remanescente. Seus escritos são inspirados conselhos do Senhor e têm autoridade em questões doutrinárias.

 

 

Autor: Joe Carter

Fonte: The Gospel Coalition

Tradução: Carlos Dourado

Divulgação: Reformados 21

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.