Sincretismo Evangélico: Submetendo-se ao Feminismo

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Não é por acaso que o surgimento do feminismo, no século 20, foi paralelo a um empenho sem precedentes para as igrejas ocidentais. Com as visões e as prioridades da cultura, as eternas verdades bíblicas da liderança masculina e da liderança da igreja foram subitamente atacadas.

Infelizmente, muitas igrejas procuraram formas de acomodar o feminismo. Algumas avançaram avidamente a bordo do movimento igualitário. Outras, porém, demoraram mais para entrar na pressão cultural, mas eventualmente acenaram a bandeira branca da rendição. A legião de pastoras que abarrotam os púlpitos hoje é o legado dos sincretistas evangélicos que estavam dispostos a se casarem com a ideologia feminista das Escrituras.

Esta rendição se opõe ao claro ensinamento das Escrituras: as esposas devem submeter-se aos seus maridos como a Cristo, enquanto seus maridos devem amá-las como Cristo amou a igreja (Efésios 5:22-33), e que as mulheres são proibidas de ensinar na igreja de Cristo (1 Timóteo 2:12-14). Ambas as passagens, lidas em seu contexto, têm uma aplicação universal clara. Esta última vincula sua base ao desígnio original de Deus na criação, e a primeira para o propósito de Deus na salvação. Em outras palavras, a masculinidade e a feminilidade bíblica é um reflexo da criação e da salvação. E não existe um precedente bíblico para revogar o projeto de Deus.

Na realidade, nenhum exegeta honesto das Escrituras pode chegar a qualquer outra conclusão. É difícil pensar que alguém poderia se fechar em uma sala com uma Bíblia e chegar a alguma outra interpretação dos papéis ordenados por Deus de homens e mulheres. Nesse sentido, o igualitarismo é um dos exemplos mais óbvios da influência corrupta da cultura na igreja.

Todavia, parece não haver limites para a ginástica hermenêutica que alguns estudiosos estão dispostos a realizar para fazer as Escrituras dizerem o que querem. Aqui estão apenas dois exemplos.

Reinterpretação criada

Craig Keener é um respeitável estudioso e professor do Novo Testamento no Eastern Seminary, em Wynnewood, na Pensilvânia. O trecho a seguir mostra sua abordagem fundamental, o que lhe permite descartar o claro significado de 1 Timóteo 2: 9-15:

Em qualquer caso, aqui Paulo também proibiu as mulheres de “ensinar”, algo que aparentemente permitia em outros lugares (Romanos 16; Filipenses 4:2-3). Desse modo, ele presumivelmente abordou a situação específica nesta comunidade. Porque tanto Paulo quanto seus leitores conheciam sua situação e podiam dar por certo; a situação que provocou a resposta de Paulo foi assim assumida em seu significado pretendido.

Apenas uma compreensão rudimentar da interpretação bíblica é necessária para detectar as fendas abertas nos argumentos de Keener. Na citação acima, Keener recorre a duas passagens em que Paulo ressalta as mulheres no ministério. Notavelmente, sem evidência, Keener assume e declara que tais ministérios incluem o ensino; ao fazê-lo, ele realmente afasta as mulheres dos tipos de ministério que o apóstolo as encorajou a buscarem.

Além disso, Keener faz vários saltos lógicos para recriar a situação histórica que foi “assumida” por Paulo e seus leitores. Mais do que isso, em seu artigo, ele afirma que as mulheres estavam sendo enganadas por falsos mestres, e, posteriormente, fomentavam esse ensino na igreja. Sendo assim, diz Keener, Paulo não estava estabelecendo princípios universais. Em vez disso, ele “forneceu uma solução de curto alcance”: “Não ensine” (nas circunstâncias atuais), e uma solução de longo alcance: “Deixe-os aprender” (1 Timóteo 2:11)”.

Há, pelo menos, dois problemas com essa abordagem. Primeiro, a situação histórica é inventada. Enquanto Paulo discorre sobre a influência de falsos mestres, ele não menciona especificamente seu efeito sobre as mulheres. Segundo, a gramática das instruções de Paulo não permite as distinções de “curto e longo alcance”.

Estas duas exortações são paralelas a outras exortações de Paulo no contexto adjacente, os quais não possuem limitações temporais. Isso não diz nada sobre o fato de que, logo após a proibição das mulheres de ensinar e ter autoridade sobre os homens, Paulo detalha as qualificações universais para os pastores, sendo que uma delas é “o marido de uma esposa”.

Em suma, para deixar de lado o claro significado do texto (que é consistente com Tito e outras passagens igualmente claras), Keener simplesmente inventa a história e reinterpreta o texto à luz de seus próprios pressupostos.

Rejeição completa

Gordon Fee também é um estudioso do Novo Testamento amplamente respeitado entre os evangélicos, e escreveu muitos livros e comentários verdadeiramente úteis. Contudo, mesmo ele está determinado a inserir a cavilha quadrada do feminismo no buraco circular do ensinamento claro da Escritura. Embora o comentário premiado de Fee de 1 Coríntios discute a insistência de Paulo para que as mulheres permaneçam em silêncio nas reuniões da igreja (1 Coríntios 14:34-35), ele faz uma tentativa de argumentar o que Paulo nunca realmente escreveu:

Conquanto estes dois versículos sejam encontrados em todos os manuscritos conhecidos, aqui ou no final do capítulo, os dois parâmetros críticos para o texto da probabilidade transcricional e intrínseca coadunam uma dúvida considerável em sua autenticidade.

Fee não pode imaginar Paulo fazendo tal afirmação, e insiste que outro escritor deve tê-la inserido no texto em uma data posterior. Sua linguagem acadêmica esconde uma abordagem insólita e desonesta do texto. Embora seja verdade que os estudiosos debatem a autenticidade do texto, também é verdade que existe um consenso esmagador de que ele pertence às Escrituras. Fee parece aproveitar o debate para “tirar vantagem” de sua teologia. Como outro estudioso escreve: “Poucos [acadêmicos] colocam o peso que Fee faz em uma variante textual”.3

Francamente, é um precedente perigoso para se estabelecer quando lidamos com passagens da Escritura que confrontam ou enfrentam a opinião popular e as normas culturais.

Submetendo à Escritura

Quando nós, como crentes, encontramos partes da Bíblia que discordam de nossas convicções profundamente mantidas, precisamos assumir humildemente que nossas convicções são erradas, não as Escrituras.

E precisamos considerar cuidadosamente o benefício que existe nos pastores e mestres dos quais ministérios dependem da rejeição de partes inoportunas da Palavra de Deus.

Para os líderes que cedem às pressões da sociedade, é uma dissimulação defender um texto bíblico inerrante e autoritativo enquanto são firmes e livres com suas posições. Óleo e a água não se misturam, nem a Palavra de Deus com ideologias perniciosas. O verdadeiro estudioso da Escritura deve estar disposto a ouvir e submeter-se a ela, em vez de corrigir o autor quando viola suas sensibilidades culturais modernas.

 

 

Autor: Cameron Buettel

Fonte: Grace to You

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.