O que está em jogo no debate sobre o homossexualismo

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As apostas não podiam ser mais altas no debate sobre o homossexualismo. Posso dizer, com efeito, que a atividade homossexual é um pecado paralelo à idolatria. O apóstolo Paulo parece traçar essa conexão em Efésios 5:5 e Colossenses 3:5, e certamente ele faz em Romanos 1:18-27.

Robert Gagnon, um renomado estudioso em sexualidade na Escritura, afirma que esses temas estão intimamente relacionados com Paulo, porque tanto a idolatria quanto as relações entre pessoas do mesmo sexo opõem-se aos projetos do Criador. Ele percebe diversas conexões incisivas que ligam Romanos 1 ao relato da criação, em Gênesis 1-2. Em seu aclamado livro The Bible and Homosexual Practice (A Bíblia e a Prática Homossexual), Gagnon escreve:

A idolatria e a conduta homossexual são, em certa medida, fenômenos paralelos (não apenas sucessivos), uma vez que ambos são apresentados como supressão da verdade evidente sobre Deus e o projeto do mesmo no mundo natural.1

A idolatria pagã é inviesada porque é o ato de rejeitar o Criador e substituir a adoração a ele com a adoração do que ele fez. Da mesma forma, os atos homossexuais são deformados porque rejeitam o projeto natural de Deus para a sexualidade humana.2 Destarte, o homossexualismo e a idolatria estão relacionados. Ambos são evidências de uma distorção inviesada do desígnio de Deus para homens e mulheres, desumanizando-os, bem como estão enraizados em uma rejeição do Criador. Ou seja, as distorções da idolatria e das relações sexuais do mesmo sexo estão principalmente enraizadas em uma entropia de adoração (Romanos 1:21, 24-25).

Um obstáculo para a vida plena

Não há uma desordem mais séria do que uma desordem de adoração. As apostas não poderiam ser maiores para os pecadores que se recusam a honrar e agradecer a Deus por seu desígnio criado. E, quando os distúrbios de adoração se espalham, e as almas pendem no equilíbrio, os cristãos amorosos falam, não com vozes de despeito ou ódio, mas com vozes de amor e compaixão.

Este é um ponto que Gagnon destaca:

Se levarmos em consideração a vontade de Deus para a vida santa, o amor se transforma em afirmação de uma conduta degradante. Isso significa que o amor verdadeiro ao próximo não abraça todas as formas de comportamento consensual. O que constitui uma expressão de amor para o próximo depende significativamente de como alguém avalia o benefício ou o prejuízo da conduta do próximo.

Se, de fato, o comportamento homossexual é pecado e um obstáculo para a plenitude da vida disponível em Cristo, a igreja tem a obrigação de proteger a si mesma do efeito debilitante da imoralidade aprovada e proteger o homossexual, uma vez que está em jogo a satisfação de impulsos sexuais.3

Sim. Essa última frase é crítica.

A relação homossexual é um obstáculo para a plenitude em Cristo; na verdade, é um falso substituto vazio para o bom projeto do Criador. Procurar a felicidade na atividade homossexual é adorar outro deus. É um “pontapé no Criador”; é uma rejeição do Criador, assim como a idolatria.

Opondo-se ao que mata a alegria

John Piper está correto quando diz: “O julgamento de Deus sobre as relações homossexuais e lésbicas não é porque seja algo que traz alegria, mas porque ambos se opõe ao que mata a alegria”.4

A plenitude da alegria em Cristo está em jogo. E a plenitude da alegria nunca será encontrada ao atravessar os fios das intenções criadas por Deus.

O pecado heterossexual e o pecado homossexual são enraizados em uma desordem de adoração, uma desordem de adoração que rouba a alma da alegria agora e eternamente. A plenitude da alegria que todos desejamos é reservada para aqueles pecadores que, pela graça de Deus, foram curados desta desordem de adoração, que estão corretamente orientados com o Criador e que se afastam do egoísmo, que é um pontapé contra a ordem criada.

Aposta alta

O evangelho de Jesus Cristo nos oferece vitória em nossos transtornos de adoração. Pela morte e ressurreição de Cristo, e pela nossa união com ele, afastamo-nos da sabedoria de nossos próprios olhos, nos desviamos dos ídolos e nos desviamos do que contradiz o belo desenho de Deus. Continuamos a combater os impulsos sexuais pecaminosos e todo o pecado, e lutaremos contra os pecados juntos como irmãos e irmãs em Cristo, que aguardam o dia em que todas as tentações terão desaparecido e desfrutaremos os prazeres eternos para sempre na presença do nosso Criador (Salmo 16:11). É por isso que este assunto é importante, porque a felicidade eterna é, em última análise, o que está em jogo no debate sobre o homossexualismo.

 

 

NOTAS:

1. Robert A. J. Gagnon, The Bible and Homosexual Practice: Texts and Hermeneutics (Abingdon Press, 2001), 286.

2. “Com efeito, Paulo está dizendo: Comece com o evidente aspecto da anatomia humana. Quando isso é feito, considere o desígnio procriativo como uma evidência, e, em seguida, mude para uma gama de diferenças interpessoais que definem a masculinidade e a feminilidade. Estas são evidências muito melhores para a vontade de Deus para a sexualidade humana do que a preexistente, as quais são deformadas pela queda e moldadas por fatores de socialização”. [Robert A. J. Gagnon, “Sexualidade”, em Dictionary for Theological Interpretation of the Bible (Baker Academic, 2005), 745-746.].

3. Robert A. J. Gagnon, The Bible and Homosexual Practice: Texts and Hermeneutics (Abingdon Press, 2001), 34.

4. John Piper, sermon, “Let Marriage Be Held in Honor Among All” (August 11, 1991).

 

 

Autor: Tony Reinke

Fonte: desirinGod

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.