O Dízimo na Lei Mosaica

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O significado do termo dízimo

Uma das maiores dificuldades na real compreensão do termo dízimo é a falta de interesse em se conhecer a explicação bíblica do termo.

A maior parte da confusão sobre o dízimo vem do fato de que a maioria das pessoas nunca tenha tirado um tempo para saber exatamente o que a Bíblia diz sobre o dízimo. Deixaram-lo aos seus pastores para interpretarem as escrituras e explicar-lhes o que é o dízimo, e muitas vezes apenas aceitam o que o pastor diz. (PARKER, 2003, p. 7, tradução nossa)

Para complicar ainda mais a situação, é comum os pregadores, que deveriam ser possuídos de grande conhecimento bíblico, conhecerem apenas uma doutrina do dízimo que foi “recebida por herança”, sem nunca haver estudado na Palavra o assunto de forma profunda.

Aliás, muitos dos temas tratados no púlpito, de fato, não são dominados por quem fala e por quem ouve. O dízimo é um desses temas. Muito se fala sobre ele, exige-se, barganha-se, prometem-se coisas em troca do dízimo, promessas abusivas – e imaginativas, até! (PAGANELLI, 2010, p. 14)

O significado do termo dízimo é, de forma simples e objetiva, a “décima parte de algo”, ou ainda “dez por cento de um todo”. No estudo do dízimo mencionado na Bíblia, percebe-se que o termo tem um significado bem diferente deste e do que se pensa nas igrejas.

O termo “dízimo” do Antigo Testamento também foi completamente redefinido por muitos crentes de hoje. Este termo, juntamente com ofertas, está entre os termos mais mal compreendidos na Bíblia, na medida em que eles não são aplicados de acordo com suas definições bíblicas. (WEBB; WEBB MITCHELL, 1998, p. 77, tradução nossa)

A Bíblia explica claramente o que significa o termo dízimo e, neste caso, a definição compreende algo bem mais complexo do que um genérico “dez por cento”.

Dizimar sob a Lei não era um dez por cento genérico advindo de toda e qualquer fonte de crescimento financeiro. A Lei, por sua natureza, é específica. A lei definiu especificamente o ‘dízimo’ e o processo de dizimar (NARRAMORE, 2004, p. 44, tradução nossa).

Os três dízimos do Pentateuco

Existe no Pentateuco a menção de três dízimos ordenados na Lei Mosaica. A primeira passagem a ser analisada encontra-se no livro de Levítico:

Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores são do SENHOR; santas são ao SENHOR. Porém, se alguém das suas dízimas resgatar alguma coisa, acrescentará o seu quinto sobre ela. No tocante a todas as dízimas de vacas e ovelhas, de tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao SENHOR. Não esquadrinhará entre o bom e o mau, nem o trocará; mas, se em alguma maneira o trocar, o tal e o trocado serão santos; não serão resgatados. Estes são os mandamentos que o SENHOR ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai. (Lv 27:30-34) (ARC)

A princípio, já é possível encontrar algumas características do dízimo bíblico: “É importante reconhecer que todos os itens sujeitos ao dízimo estavam ligados à terra.” (CROTEAU, 2010, p. 100, tradução nossa).

Não existe nenhuma menção de que este dízimo pudesse ser em dinheiro: “Quando foi a última vez que o dinheiro foi mencionado como sendo santo ao Senhor (como em Levítico 27:30, 32)?” (WEBB; WEBB MITCHELL, 1998, p. 80, grifo do autor, tradução nossa).

Neste ensino sobre o dízimo, já é declarado que ele pertence a Deus, e não é uma oferta voluntária.

Agora, este texto ensina que este pertencia a Deus. Este dízimo não é uma oferta voluntária a Deus, não é? Este já pertence a Ele. Você O está roubando se você não der. Não é isso que Malaquias disse? Você está me roubando nos dízimos. Ele é meu. (MACARTHUR, 1975a)

A descrição pormenorizada do que é o primeiro dízimo requerido na Lei encontra-se no livro de Números:

O Senhor disse a Arão: Você, os seus filhos e a família de seu pai serão responsáveis pelas ofensas contra o santuário; você e seus filhos serão responsáveis pelas ofensas cometidas no exercício do sacerdócio. Traga também os seus irmãos levitas, que pertencem à tribo de seus antepassados, para se unirem a você e o ajudarem quando você e seus filhos ministrarem perante a tenda que guarda as tábuas da aliança. Eles ficarão ao seu serviço e cuidarão também do serviço da Tenda, mas não poderão aproximar-se dos utensílios do santuário ou do altar; se o fizerem morrerão, tanto eles como vocês. Eles se unirão a vocês e terão a responsabilidade de cuidar da Tenda do Encontro, realizando todos os trabalhos necessários. Ninguém mais poderá aproximar-se de vocês. “Vocês terão a responsabilidade de cuidar do santuário e do altar, para que não torne a cair a ira divina sobre os israelitas. Eu mesmo escolhi os seus irmãos, os levitas, dentre os israelitas como um presente para vocês, dedicados ao Senhor para fazerem o trabalho da Tenda do Encontro. Mas somente você e seus filhos poderão servir como sacerdotes em tudo o que se refere ao altar e ao que se encontra além do véu. Dou a vocês o serviço do sacerdócio como um presente. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximar do santuário terá que ser executada”. Então o Senhor disse a Arão: “Eu mesmo o tornei responsável pelas contribuições trazidas a mim; todas as ofertas sagradas que os israelitas me derem, eu as dou como porção a você e a seus filhos. Das ofertas santíssimas vocês terão a parte que é poupada do fogo. Dentre todas as dádivas que me trouxerem como ofertas santíssimas, seja oferta de cereal, seja pelo pecado, seja de reparação, tal parte pertence a você e a seus filhos. Comam-na como algo santíssimo; todos os do sexo masculino a comerão. Considerem-na santa. “Também dou a você, e a seus filhos e filhas, por decreto perpétuo, as contribuições que lhes cabe de todas as ofertas dos israelitas e que devem ser ritualmente movidas. Todos os da sua família que estiverem cerimonialmente puros poderão comê-las. “Dou a você o melhor azeite e o melhor vinho novo e o melhor trigo que eles apresentarem ao Senhor como primeiros frutos da colheita. Todos os primeiros frutos da terra que trouxerem ao Senhor serão de vocês. Todos os da sua família que estiverem cerimonialmente puros poderão comê-los.” “Tudo o que em Israel for consagrado a Deus pertencerá a você.” “Tudo aquilo que for separado dentre todas as dádivas sagradas que os israelitas apresentarem ao Senhor eu dou a você e a seus filhos e filhas como decreto perpétuo. É uma aliança de sal perpétua perante o Senhor, para você e para os seus descendentes”. Disse ainda o Senhor a Arão: “Você não terá herança na terra deles, nem terá porção entre eles; eu sou a sua porção e a sua herança entre os israelitas.” “Dou aos levitas todos os dízimos em Israel como retribuição pelo trabalho que fazem ao servirem na Tenda do Encontro. É dever dos levitas fazer o trabalho na Tenda do Encontro e assumir a responsabilidade pelas ofensas contra ela. Este é um decreto perpétuo pelas suas gerações. Eles não receberão herança alguma entre os israelitas. Em vez disso, dou como herança aos levitas os dízimos que os israelitas apresentarem como contribuição ao Senhor. É por isso que eu disse que eles não teriam herança alguma entre os israelitas. (Nm 18:1-14, 19-21, 23-24) (NVI).

O texto acima apresenta a descrição detalhada da finalidade do primeiro dízimo que o povo judeu entregava. Os levitas ficaram responsáveis por todo o serviço da Tenda do Encontro e receberiam os dízimos do povo como recompensa por este serviço. O povo não poderia exercer as funções dos levitas e seria executado se descumprisse esta determinação.

Os levitas não teriam herança na terra de Israel, os dízimos seriam sua herança, bem como todas as ofertas trazidas a Deus pelo povo. Por causa disso, explica o texto, eles não possuiriam terras entre os israelitas.

Em troca de seu serviço a Deus, os sacerdotes não foram autorizados a possuir e herdar terras em Israel. De acordo com Josué 21:9-19, eles deveriam viver em 13 cidades sacerdotais em torno de (mas não em) Jerusalém. Embora eles ocupassem estas terras, elas continuavam a pertencer às tribos. (KELLY, 2007, p. 35, tradução nossa)

A palavra dízimo é assim mencionada diversas vezes neste capítulo, o qual é de extrema importância para a compreensão do dízimo bíblico e que raramente é explanado nos púlpitos.

Este capítulo (não Levítico 27 ou Malaquias 3) é a importante ordenança fundacional, ou estatuto, que define como os sacerdotes e levitas serão apoiadas por Israel sob a Antiga Aliança. A palavra é usada muitas vezes neste capítulo. (KELLY, 2007, p. 34)

Os levitas deveriam dar o dízimo do dízimo ao sacerdócio de Arão, ficando com o restante como recompensa pelo seu serviço:

Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por vossa herança, deles apresentareis uma oferta ao SENHOR: o dízimo dos dízimos. Assim, também apresentareis ao SENHOR uma oferta de todos os vossos dízimos que receberdes dos filhos de Israel e deles dareis a oferta do SENHOR a Arão, o sacerdote. De todas as vossas dádivas apresentareis toda oferta do SENHOR: do melhor delas, a parte que lhe é sagrada. Portanto, lhes dirás: Quando oferecerdes o melhor que há nos dízimos, o restante destes, como se fosse produto da eira e produto do lagar, se contará aos levitas. Comê-lo-eis em todo melhor; e não profanareis as coisas sagradas dos filhos de Israel, para que não morrais. (Nm 18:26, 28-32) (ARA)

Havia uma diferença entre o dízimo que o povo dava aos levitas e o dízimo do dízimo que os levitas davam ao sacerdote. O dízimo dado pelos levitas era do melhor, os dez por cento do melhor que foi dado a eles. Fica explícita mais uma característica do dízimo bíblico que torna um contra-senso ao ensino do dízimo como um valor em dinheiro.

Com o verdadeiro dízimo, pode-se identificar o melhor do produto, mas a melhor parte não pode ser identificada quando se usa dinheiro. (WEBB; WEBB MITCHELL, 1998, p. 85, tradução nossa).

A simples menção de forma superficial de todas estas informações contidas neste capítulo de Números pode deixar os cristãos distantes do real conhecimento dos fatos, e consequentemente não os leva a conhecer toda a verdade sobre o dízimo bíblico.

O não conhecimento da Bíblia por parte da igreja conduz a comunidade a um entendimento e a uma conduta equivocados quando analisados à luz das Escrituras:

Aqui, o dízimo é dado aos levitas para o trabalho que realizam na Tenda do Encontro. O dízimo é realmente dado às pessoas, não para um fundo de construção da igreja, contas de luz, etc. O levita, que não é o mesmo que um pastor, representa os israelitas na tenda, já que estes não estão autorizados a exercer funções levíticas ou sacerdotais. Não há, de forma alguma, tabernáculo ou igreja simbólicos hoje em que os cristãos não podem se aproximar, onde um pastor é obrigado a fazer algo em seu nome, como os levitas faziam para os israelitas. Portanto, o pastor não pode exigir dos cristãos, nem deve a igreja requerer, um dízimo para o sustento de um pastor. (WEBB; WEBB MITCHELL, 1998, p. 84, tradução nossa)

O sustento dos obreiros e da obra, à luz da Nova Aliança, será explanado no quarto capítulo. O livro de Deuteronômio traz instruções detalhadas sobre o segundo dízimo requerido na Lei Mosaica:

São estes os estatutos e os juízos que cuidareis de cumprir na terra que vos deu o SENHOR, Deus de vossos pais, para a possuirdes todos os dias que viverdes sobre a terra. A esse lugar fareis chegar os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta das vossas mãos, e as ofertas votivas, e as ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas. Então, haverá um lugar que escolherá o SENHOR, vosso Deus, para ali fazer habitar o seu nome; a esse lugar fareis chegar tudo o que vos ordeno: os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta das vossas mãos, e toda escolha dos vossos votos feitos ao SENHOR, e vos alegrareis perante o SENHOR, vosso Deus, vós, os vossos filhos, as vossas filhas, os vossos servos, as vossas servas e o levita que mora dentro das vossas cidades e que não tem porção nem herança convosco. Nas tuas cidades, não poderás comer o dízimo do teu cereal, nem do teu vinho, nem do teu azeite, nem os primogênitos das tuas vacas, nem das tuas ovelhas, nem nenhuma das tuas ofertas votivas, que houveres prometido, nem as tuas ofertas voluntárias, nem as ofertas das tuas mãos; mas o comerás perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher, tu, e teu filho, e tua filha, e teu servo, e tua serva, e o levita que mora na tua cidade; e perante o SENHOR, teu Deus, te alegrarás em tudo o que fizeres. Guarda-te, não desampares o levita todos os teus dias na terra. Dt 12:1, 6, 11-12, 17-19 (ARA).

Neste texto, encontram-se instruções específicas sobre este dízimo, que é chamado pelos estudiosos de “dízimo do festival”.

Em primeiro lugar, o texto, que está direcionado ao povo judeu e não a gentios, menciona que o Senhor iria determinar um lugar ao qual o povo faria chegar seus dízimos. Em seguida, percebe-se uma informação curiosa: havia o ato de comer o dízimo por parte do povo, e não podia comê-lo nas cidades em que residia, mas apenas no lugar onde o Senhor escolhesse. Nesta passagem, se começa a encontrar características peculiares deste outro dízimo prescrito na Lei e que o torna diferente da definição do primeiro dízimo no livro de Números, e que também nada tem a ver com o dízimo ensinado e cobrado hoje nas igrejas.

Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente. Comam o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, e a primeira cria de todos os seus rebanhos na presença do Senhor, o seu Deus, no local que ele escolher como habitação do seu Nome, para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus. Mas, se o local for longe demais e vocês tiverem sido abençoados pelo Senhor, o seu Deus, e não puderem carregar o dízimo, pois o local escolhido pelo Senhor para ali pôr o seu Nome é longe demais, troquem o dízimo por prata, e levem a prata ao local que o Senhor, o seu Deus, tiver escolhido. Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, do seu Deus. (Dt 14:22-26 NVI)

O dízimo seria comido pelo povo, mas não aonde ele residisse, no local em que o Senhor escolher como habitação do seu Nome, Jerusalém. Encontra-se a primeira menção a dinheiro relacionado ao dízimo. No caso da época, a prata era usada como moeda. Fica claro que o dízimo, como era pra ser comido, consumido pelo povo, não podia ser dinheiro.

Não importa como se estuda a Bíblia, o dinheiro nunca pode ser interpretado como sendo a substância do dízimo, nem nunca foi considerado um item de consumo. (WEBB; WEBB MITCHELL, 1998, p. 83, tradução nossa)

Se o dízimo fosse tanto que dificultasse seu transporte, ele deveria ser trocado por prata e, ao chegar ao local determinado, esta prata deveria ser convertida novamente em bens comestíveis e estes serem comidos pelos judeus juntamente com suas famílias. “Já que transportar o dízimo em forma de alimentos era um pesado fardo quando se vivia muito longe de Jerusalém, isso também prova que o dízimo não era dinheiro, já ele que não criaria um fardo! (KELLY, 2007, p.59, grifo do autor, tradução nossa)

Este festival, um verdadeiro banquete festivo, seria uma forma de confraternização familiar diante do Senhor: “Em outras palavras, não deixe ali aquilo que trouxerem para que outros se sirvam, mas o seu dízimo é para desfrute seu e de sua família. (PAGANELLI, 2010, p.24, grifo do autor).

O fortalecimento da família estava assim inserido na doutrina bíblica do dízimo na Lei.

A ideia também foi a de promover a unidade na família e servos, e eles todos iriam a Jerusalém e consumiriam este tipo particular de dízimo. (MACARTHUR, 1975a, tradução nossa).

Fica clara a diferença destes dois dízimos:

O dízimo de Deuteronômio continua a ser propriedade do dono original; o dízimo em Números 18 pertence aos levitas. Finalmente, enquanto a finalidade do dízimo levítico era fornecer uma herança para os levitas (e sacerdotes), o propósito do dízimo do festival é indicado em Deuteronômio 14:23: “para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus. (CROTEAU, 2010, p. 104).

Encontra-se na Bíblia um terceiro dízimo chamado pelos estudiosos de “dízimo dos pobres”:

Ao fim de cada três anos, tirarás todos os dízimos do fruto do terceiro ano e os recolherás na tua cidade. Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem. (Dt 14: 28-29) (ARA).

No mesmo livro encontra-se outra ordenança sobre este mesmo dízimo:

Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem. Dirás perante o SENHOR, teu Deus: Tirei de minha casa o que é consagrado e dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão, e à viúva, segundo todos os teus mandamentos que me tens ordenado; nada transgredi dos teus mandamentos, nem deles me esqueci. (Dt 26: 12-13) (ARA)

O dízimo destinado aos pobres, viúvas e estrangeiros era uma forma clara de se fazer justiça social; havia a clara preocupação de que os pobres não ficassem desamparados. Havia uma diferença entre este dízimo e os dois anteriores a ele:

Os dízimos anteriores eram entregues a cada ano ou durante festas. Este terceiro dízimo era para ser oferecido a cada terceiro ano. (CROTEAU, 2010, p. 106, tradução nossa)

Existe ainda mais uma diferença clara entre o dízimo bíblico e o cobrado hoje pelas igrejas:

Com as despesas da igreja que existem hoje, é mais conveniente para muitas igrejas não utilizar o que elas chamam de dízimo para alimentar os necessitados. Em vez disso, muitas requerem uma “oferta monetária de benevolência”, acima e além do “dízimo monetário” para preencher esta necessidade. Isso é o inverso do verdadeiro e preciso propósito bíblico do dízimo. (WEBB; WEBB MITCHELL, 1998, p. 86, tradução nossa)

O próprio Deus institui uma forma de se fazer justiça social e distribuição de renda entre o povo:

A inclusão desses grupos de beneficiários, que não somente a liderança religiosa, como ocorre hoje em dia, dará o tom do discurso e do cuidado que o Senhor demonstrará no Antigo e Novo Testamentos, quando o assunto for dízimo ou os recursos do seu povo. (PAGANELLI, 2010, p. 30)

Conclui-se, assim, que existiam três dízimos distintos e obrigatórios na Lei Mosaica:

O primeiro foi chamado o dízimo dos levitas, o segundo foi chamado o dízimo do festival, e era no festival no santuário central em Jerusalém que ele era consumido. O terceiro foi chamado o dízimo dos pobres. Então você tem 10%, 10%, 3% a cada ano, se você tem 10% a cada três anos, Ok? Você está agora com 23%. Esse era o dízimo do Velho Testamento. Assim, quando alguém chega e diz que o judeu deu 10%, não é verdade. O judeu deu 23% para começar. […] Todos os três são taxas, não são doações voluntária a Deus. O dízimo era sempre tributo. Assim, os programas do governo poderiam funcionar. O programa sacerdotal, o programa religioso nacional e o programa de bem-estar social. (MACARTHUR, 1975a, tradução nossa)

Os pobres não dizimavam, recebiam mantimentos oriundos de um dízimo. Esta verdade torna mais distante ainda a prática de algumas igrejas atuais do ensino bíblico sobre dízimo, muitas oprimindo o pobre, dando assim um péssimo testemunho através de sua conduta.

Uma das coisas mais ofensivas que eu ouvi ser pregada com relação ao dízimo é que todos, independentemente da sua situação financeira, sejam eles ricos ou pobres, estão sujeitos a ordenança de pagar o dízimo. Que tipo de ensino cruel é esse que pediria às pessoas pobres para negligenciarem as necessidades materiais suas e de seus filhos apenas para que possam dar dez por cento de sua renda a uma igreja?  Deus certamente nunca ordenou aos pobres na Bíblia que passassem fome para que pudessem sustentar os levitas, o que faz estas pessoas pensarem que Deus iria exigir isso deles agora? Muitas igrejas hoje distorceram completamente a Palavra de Deus em suas mentes, em um esforço para cobrir suas grandes despesas operacionais através da exigência às pessoas pobres do pagamento de dinheiro através dos dízimos. Ao invés de trabalharem para encorajar aos pobres e para tirá-los da sua pobreza, elas tentam mantê-los escravizados a uma lei do Antigo Testamento, uma que as próprias igrejas não estão cumprindo corretamente. (PARKER, 2003, p. 50, tradução nossa)

 

 

Para mais detalhes sobre este assunto, leia também O Dízimo antes da Lei Mosaica e O Dízimo.

 

 

Autor: João Bosco Costa Vieira

Trecho extraído da Monografia do autor, apresentada como exigência do curso de Bacharelado em Teologia, para a obtenção do titulo de Graduação.

Fontehttps://pt.scribd.com/document/96753612/DIZIMO-Joao-Bosco-Costa-Vieira

 

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.