Fortaleça a sua Consciência

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Os detectores de fumaça em sua casa ou do escritório estão lá para torná-lo consciente de uma ameaça específica e iminente à sua segurança. Mas o que há de bom em um alarme de incêndio que constantemente falha, enviando-lhe avisos falsos de perigo inexistente? Um sistema de alerta que não funciona pode ser tão ruim quanto não ter alarmes em tudo – pior se você tem o hábito de ignorá-lo completamente.

Da mesma forma, uma consciência débil pode fazer mais mal do que bem.

Uma consciência fraca não é o mesmo que uma consciência insensível. Uma consciência cauterizada torna-se inativa, silenciosa, raramente acusadora e insensível ao pecado. Em comparação, a consciência fraca é hipersensível e hiperativa.

Ironicamente, uma consciência débil é mais passível de acusar do que uma consciência forte. A Escritura chama isso de consciência fraca, porquanto é facilmente ferida. Pessoas com uma consciência assim tendem a se preocupar com coisas que não deviam provocar culpa em um cristão maduro.

Uma consciência débil resulta de uma fé imatura ou frágil ainda não desabituada de influências mundanas e ainda não saturada da Palavra de Deus. Os crentes fracos devem ser aceitos com amor e não julgados porque suas consciências são demasiadamente frágeis. Paulo instruiu os romanos: “Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes…” (Romanos 14:1-2). Paulo deixa claro que o crente fraco é escrupuloso, legalista e perturbado por sua consciência de uma maneira doentia. Na verdade, uma consciência débil é muitas vezes a companheira do legalismo.

Paulo repetidamente admoestou a igreja primitiva de que aqueles com uma consciência forte não deviam julgar (Romanos 14:3), e acima de tudo eles não devem encorajar aqueles que são fracos a violar suas consciências. Os crentes fracos não devem aprender a rejeitar suas consciências. Se isso se tornar um hábito – se condicionarem a denegar todas as inspirações da consciência – perderão assim um dos mais importantes meios de santificação.

Antes, Paulo instruiu aqueles que eram fortes a protelar, sempre que possível, as dúvidas da consciência do irmão mais fraco. Encorajar um crente imaturo a ferir a sua própria consciência é levá-lo ao pecado: “Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado”. (Romanos 14:23).

Paulo dedicou vários capítulos de 1 Coríntios a lidar com questões de liberdade cristã, em particular, o problema de comer carne que tinha sido oferecido aos ídolos. Os cristãos da igreja primitiva foram salvos de várias formas de idolatria, e suas consciências eram sensíveis – ou melhor, hipersensíveis a qualquer comportamento que os lembrasse de suas práticas pecaminosas anteriores. Enquanto os crentes maduros na igreja de Corinto sabiam que não havia perigo espiritual em comer carne oferecida aos ídolos, Paulo os exortou a se absterem por causa de seus irmãos e irmãs mais fracos e menos maduros.

Seu ponto era simples: se a sua fé é forte e sua consciência saudável, você pode desfrutar de sua própria liberdade em Cristo sem fazer nenhum esforço para despertar um exame minucioso de sua própria consciência: “Coma tudo que é vendido no mercado de carne, sem fazer perguntas para a consciência” (1 Coríntios 10:25). Mas se você tem motivos para pensar que alguém observando você possa ser ferido em sua consciência por seu exercício de liberdade, abstenha-se. Guarde a consciência sensível da outra pessoa.

A igreja hoje deveria prestar mais atenção à exortação de Paulo. Em vez de exercitar e exibir todas as nossas liberdades, devemos estar conscientes de como o exemplo de nossa vida afeta os outros. Seja em palavras ou ações, não podemos permitir tropeços ou ocasiões de cair no caminho de alguém (Romanos 14:13).

Afinal, uma consciência fraca e constantemente acusadora é uma responsabilidade espiritual, não uma força. Muitas pessoas com consciências especialmente delicadas tendem a exibir seu escárnio como se fosse uma prova de profunda espiritualidade. É exatamente o oposto. Aqueles que tem uma consciência débil tendem a ser facilmente ofendidos e tropeçam frequentemente (1 Coríntios 8:13). Muitas vezes eles são excessivamente críticos com os outros (Romanos 14:3-4). Eles são muito inclinados à sedução do legalismo (Romanos 14:20, Gálatas 3:2-5). Seus pensamentos e corações são logo contaminados (Tito 1:15).

Ao longo da discussão de Paulo sobre aqueles com consciência débil (Romanos 14; 1 Coríntios 8-10 ), ele trata a condição como um estado de imaturidade espiritual, falta de conhecimento (1 Coríntios 8:7) e falta de fé (Romanos 14:1, 23).

Paulo claramente esperava que aqueles com consciência fraca crescessem fora desse estado imaturo, como crianças inevitavelmente superam seu medo do escuro. Aqueles que preferem viver em tal estado – particularmente aqueles que possuem uma consciência tão sensível como algo a se vangloriar – têm um senso deformado do que significa ser maduro na fé.

O verdadeiro crescimento espiritual ilumina a mente e fortalece o coração na fé. É, finalmente, a única maneira de superar uma consciência débil.

 

 

Autor: John MacArthur

Tradução: Leonardo Dâmaso

Fonte: Grace To You

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.