A graça mantém os crentes seguros até que cheguem ao céu

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Nos capítulos anteriores, vimos que maravilhosos privilégios são dados ao crente pela graciosa generosidade de Deus – justificação, adoção e santificação. No entanto, qualquer crente que compreende a fraqueza do seu próprio coração e a força de seus inimigos espirituais, perguntará prontamente: como posso saber que não perderei estas dádivas inapreciáveis? A graça as deu, porém, como as reterei? Lembre-se de Pedro! ”Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.” ”Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei” (Mt 26:33, 35). Ele falou tão confiantemente! Não obstante, caiu! Como, então, perseveraremos?

A Bíblia diz que Deus dá capacidade, de modo que mesmo um “bichinho… os montes trilhará  e moerá”  (Is 41: 14-15). Sim, os crentes perseverarão. Isso não é difícil de acreditar quando nos lembramos de que o Deus Triuno está totalmente empenhado na tarefa de preservar Seus filhos. Seguem-se algumas razões referentes à nossa segurança.

1. O amor de Deus guardará seguros os crentes. Tendo os uma vez escolhido por Seu amor misericordioso, ou esse amor precisa morrer ou ele precisa ser impedido de fazer aquilo que deseja, antes que o crente possa ser perdido. O amor de Deus, no entanto, é imutável e Seu propósito não pode ser frustrado.

2. O poder de Deus guardará seguros os crentes. Se urna só alma salva pudesse ser perdida, então duvidaríamos de que Deus tem todo o poder; Sua glória poderia ser questionada; Sua sabedoria revelar-se-ia incompleta.

3. As promessas de Deus guardarão seguros os crentes. Deus tem feito muitas promessas a Seus filhos, tais corno: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13:5). Nessas promessas … “é impossível que Deus minta” (Hb 6: 18).

4. O concerto de Deus garantirá que os crentes serão guardados seguros. Os crentes são o objeto do novo concerto da graça feito por Jesus Cristo. Esse é um pacto muito melhor do que o velho pacto feito com Adão (o qual foi temporário, garantindo a vida somente enquanto houvesse obediência perfeita). O novo concerto é descrito corno um “concerto eterno”. Deus diz: “E farei com eles um concerto eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem” e “lhes darei um mesmo coração e um mesmo caminho, para que me temam todos os dias…”(Jr  32:39-40). Que maior segurança poderia haver do que num concerto corno esse?

5. A fidelidade de Deus guardará seguros os crentes. Deus diz: “… nem faltarei à minha fidelidade” (Sl 89:33). Regozijem-se, então, crentes fracos! A base da sua confiança é forte – mais forte  do  que  as  turbulências  da vida; mais forte do que os temores da morte; mais forte do que os terrores do juízo. O Deus de poder, de verdade e de graça é Deus fiel também.

6. O valor do sacrifício de Cristo, Sua intercessão por Seu povo e Sua união com ele garantem que os crentes serão guardados seguros. Teria Ele sofrido tanto apenas para perder aqueles que redimiu? Se Ele é responsável para com “o Pai que me enviou, para que nenhum daqueles que me deu se perca” (Jo 6:39), acaso poderíamos imaginar que Ele falharia ? Poderíamos pensar que Suas orações seriam ignoradas pelo Pai que nEle Se compraz? Se os crentes estão unidos a Ele como membros do corpo espiritual, do qual Ele é a cabeça, como poderiam eles ser perdidos?

7. O Espírito Santo, vivendo nos crentes, guarda-os seguros. Ele é o guia deles e os fortalece. Em viver neles, o Seu propósito é levá-los à glória. Ele é a “garantia (penhor) da nossa herança” (Ef 1:14). Uma garantia como essa basta para assegurar aos crentes que alcançarão sua futura herança.

8. As Escrituras e as ordenanças da Igreja, ou seja, a pregação da verdade das Escrituras, o Batismo e a Ceia do Senhor, foram dadas de modo a guardar seguros os crentes. Todas as promessas, as exortações, as advertências e os exemplos na Bíblia, concorrem para guiar os crentes. Eles têm sua fé confirmada, sua santidade acrescida e sua compreensão aumentada pelas ordenanças da Igreja.

Temos, então, inteira razão para concordar com Paulo quando diz que “Deus, onde quer que comece uma boa obra, certamente a completará” (Fp 1:6). Os crentes são ramos de uma videira que nunca murchará, membros de um corpo cuja Cabeça jamais morrerá; eles vivem – não por sua própria vida – mas pela vida de Cristo.

Aqui, talvez, surjam objeções, isto é, se a preservação dos crentes depende tanto de Deus, então será que precisam ser cuidadosos com o seu modo de viver, uma vez que sua segurança final está garantida? Foi exatamente assim que satanás tentou nosso Senhor. “Se tu és o Filho de Deus, lança­-te daqui abaixo… aos seus anjos ele dará ordem a teu respeito” (Mt 4:6). Nosso Senhor – que não tinha a menor dúvida a respeito do cuidado do Seu Pai para com Ele – rejeitou o argumento de satanás com repulsa, porque estava baseado num uso errado das Escrituras. O crente reagirá do mesmo modo e recusará viver descuidadamente. As promessas de Deus não nos foram dadas para permitir-nos pecar mais facilmente. Outros argumentos poderiam ser usados, mas desde que já foram considerados não os repetirei.

Por outro lado, não é razoável argumentar que, devido os crentes serem instados a suplicar continuamente o auxílio de Deus, seu destino final deve ser incerto. Cristo mesmo orou fervorosamente e com freqüência ao Pai.  Seria incerto o futuro de Cristo? Não! Orar, pedindo o auxílio de Deus, é uma coisa sensata para os crentes fazerem, pois se eles são descuidados e desobedientes, o Pai celestial precisa discipliná-los. Quando eles percebem que suas infidelidades ofendem  o  Espírito  assim  como  desonram  a  Deus  e  o evangelho, eles aprendem a orar zelosamente por auxílio. A oração é necessária para uma vida espiritual bem sucedida agora, ainda que a perseverança até o fim esteja garantida para o futuro. Os verdadeiros crentes não podem ser descuidados e indiferentes, uma vez que os seus incansáveis inimigos espirituais estão ávidos por levá-los à derrota.

Contudo, os crentes podem ser confortados também. A graça de Deus começou por salvá-los, e tudo o que é necessário para garantir que alcançarão a perfeição é também graciosamente providenciado por Deus. Realmente felizes são aqueles que vivem no reino da graça.

 

 

Autor: Abraham Booth

Trecho extraído do livro Somente Pela Graçapág. 63-67. Editora: PES

Marcos Frade
Marcos Frade
Mineiro, de Belo Horizonte. Profissional de TI por paixão, estudante de Teologia por chamado. Criador e editor da página Suprema Graça, no Facebook. Atuo como editor e na área de manutenção no Reformados 21. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.