O que significa ser cheio do Espírito Santo?

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Como vimos, a Bíblia não nos ordena a experiência do “batismo do Espírito”. O cristão é batizado com o Espírito Santo, no corpo de Cristo, no momento em que crê (1 Co 12.13; Rm 8.9). No Novo Testamento, existem sete referências ao batismo com o Espírito. É significativo que todas essas referências estejam no indicativo. Nenhuma delas é uma ordem.

Entretanto, a Escritura está repleta de mandamentos concernentes à vida cristã. As ordens sobre a caminhada cristã encontram-se primariamente nas epístolas; em particular, nas epístolas de Paulo. Em Efésios 4.1, o apóstolo nos advertiu: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados”. Em Efésios 5.18 ele nos informou como atingir andar esse andar de modo digno: sendo cheios do Espírito.

Paulo começou com a exortação: “E não vos embriagueis com o vinho, no qual há dissolução”. Devemos evitar todas as coisas que conduzem ao excesso, à degeneração, ao desperdício ou à falta de autocontrole.

Depois de haver dado a ordem contrastante — “enchei-vos do Espírito”, ele usou vários parágrafos explicando o significado dessa expressão. Não há menção de euforia por causa de experiências religiosas extáticas. Em vez disso, encher-se do Espírito envolve submissão, amor, obediência e busca do melhor para o próximo.

Quando Paulo disse: “Enchei-vos do Espírito”, usou termos que descrevem o processo de enchimento contínuo. Paulo não estava dando uma opção ou fazendo uma sugestão. As palavras que escolheu foram estruturadas como uma ordem. Devemos ser continuamente cheios do Espírito. O que Paulo quis dizer com isso? Estava exigindo que alcançássemos um tipo de estado super espiritual do qual nunca nos afastaríamos? Ou ele sugeriu que fôssemos perfeitos?

Paulo jamais afirmou: “Sejam batizados no Espírito”. Ele não estava defendendo uma segunda obra da graça. Paulo falava sobre o enchimento contínuo e diário. Você pode ser cheio hoje, mas amanhã é outra história. Essa é a razão por que o conceito da “segunda bênção” é inadequado. Quando a “segunda bênção” acaba, o crente carismático é relegado à luta contra os mesmos problemas básicos de todo cristão. Embora seja salvo, o crente ainda existe em um corpo humano que tem forte propensão ao pecado. Assim como os israelitas recolhiam o maná todos os dias, assim também os cristãos devem manter-se, diariamente, cheios do Espírito.

Você não é cheio progressivamente, e sim de uma vez

É importante conhecer o significado exato do vocábulo “encher”, usado por Paulo. Quando pensamos neste verbo, nos vem à mente a figura de um recipiente em que algo é derramado, até o recipiente ficar cheio. Isso não era o que Paulo tinha em mente na passagem. Paulo não tinha em mente o enchimento progressivo, e sim o enchimento imediato — o ser completamente permeado pela influência do Espírito Santo.

Frequentemente, falamos sobre pessoas “cheias” de ódio ou de alegria. Com isso, afirmamos que as pessoas se encontram sob o controle total desses sentimentos. Era isso o que Paulo tinha em mente; devemos ser totalmente controlados pelo Espírito Santo.

A Escritura usa muitas vezes o termo “cheio” nesse sentido. Por exemplo, quando Jesus disse os discípulos que iria deixá-los, a tristeza lhes “encheu” o coração (Jo 16.6). Ela os dominou e consumiu naquele momento. Em Lucas 5, Jesus curou um homem paralítico, e todas as pessoas ficaram atônitas. Elas ficaram “possuídas de temor” (v. 26). Muitos de nós já ficamos “cheios de medo”. O temor não é uma emoção que você compartilha com outros sentimentos. Quando você está com medo, existe apenas o medo e ponto! Em Lucas 6, Jesus debateu com os fariseus acerca do legalismo deles e curou, no sábado, um homem que tinha uma mão ressequida. O resultado foi que os fariseus “se encheram de furor” e começaram a planejar como matariam a Jesus. Em outras palavras, os fariseus estavam furiosos! Quando alguém está cheio de fúria, de ódio, esses sentimentos são capazes de consumir as pessoas. Essa é a razão por que a ira pode ser tão perigosa. É possível que a pessoa tenha a razão ofuscada por esses sentimentos.

A palavra cheio, portanto, é usada na Escritura para descrever aqueles que são totalmente controlados por uma emoção ou influência. A Escritura afirma exatamente o mesmo quando menciona o encher-se do Espírito Santo. Vemos isso em Atos 4.31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus”.

É óbvio que muitos crentes não são cheios com o Espírito. Além disso, os carismáticos que afirmam ter passado por essa experiência não apresentam qualquer evidência de serem cheios, ou controlados, pelo Espírito. Eles escolhem não permitir que o Espírito Santos lhes permeie a vida. Preocupam-se consigo mesmos, com outras pessoas ou outras coisas. Sucumbem ao orgulho, ao egocentrismo, à ira, à depressão e a muitas outras coisas que conduzem ao vazio espiritual.

 

 

Autor: John MacArthur

Trecho extraído do livro Caos carismático, pág 341-344. Editora: Fiel

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.