11 Provas da Existência de Deus

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Comentário sobre o Catecismo de Heildeberg

Que Deus existe, isso é comprovado por muitos argumentos comuns tanto na filosofia como na teologia. Estes argumentos serão apresentados na seguinte ordem:

1.  A ordem e a harmonia que observamos na natureza, evidencia a existência de Deus. Há, como todos devem perceber, uma ordem sapiente de cada parte da natureza e uma constante sucessão de mudanças e operações, baseada em certas leis, que não poderiam existir e ser preservadas, a não ser por algum ser inteligente e todo-poderoso. As Escrituras referem-se a este argumento, em quantidade considerável, nos seguintes lugares: Salmos 8, 19, 104, 135, 136, 147 e 148, Romanos 1, Atos 14 e 17.

2. Uma natureza racional que possui uma causa, não pode existir exceto se proceder de algum ser inteligente, pois a causa não é de um caráter mais inferior do que o efeito que produz. A mente humana é dotada de razão, e tem alguma causa. Sendo assim, procedeu de algum ser inteligente, que é Deus (Jó 32.8; Sl 94.7; At 17.28).

 3. As concepções ou noções de princípios gerais que são naturais para nós, como a diferença entre coisas próprias e impróprias, entre outras, não podem ser resultado de mera casualidade, nem proceder de uma natureza irracional, mas necessariamente estar naturalmente gravadas em nossos corações por alguma causa inteligente, que é Deus (Rm 2.15).

4. Segundo o conhecimento ou a percepção que todos nós temos que existe um Deus, não há nação, por mais bárbara ou incivilizada que seja, que não possua alguma noção ou sistema de religião, o que pressupõe uma crença em algum Deus (Rm 1.19).

5.  As repreensões de consciência, que seguem a incumbência do pecado, e atormentam as mentes dos ímpios, não podem ser infligidas por ninguém, exceto por um ser inteligente: “aquele que pode distinguir entre o que é adequado e inadequado”, que conhece os pensamentos e os corações dos homens, e que pode fazer com que tais medos e presságios surjam na mente dos ímpios (Is 57.21; Dt 4.24, Rm 2.15).

Essas repreensões de consciência, comuns a todos os homens, podem ser consideradas como uma resposta suficiente à objeção que por vezes foi trazida contra a existência de Deus, que é um mero recurso sagaz, inventado e publicado por filósofos e legisladores para o propósito de impedir os homens de praticarem crimes. Se for verdade que se trata de um simples mecanismo, podemos perguntar: por que esses homens que parecem ter detectado esta fraude são mais constrangidos por suas consciências por causa de suas blasfêmias e por seus outros crimes? Também poderíamos perguntar se a mera alegação de alguns indivíduos seria suficiente para persuadir toda a humanidade nesta crença e fazer com que ela seja mantida em todas as épocas seguintes?!

E se, para enfraquecer a força deste argumento, se afirme que existem aqueles que sequer creem em um Deus e ao menos estão perturbados por suas consciências? Respondemos que isso, que eles imaginam, é diametralmente falso, porquanto não há ímpios que estejam isentos das compunções de consciência. Porque desprezam a Deus e toda forma de religião, e esforçam-se para reprimir os seus medos, são mais atormentados e obrigados a tremer a cada menção e aproximação de Deus. Por isso, frequentemente vemos que, aqueles cujas vidas são em grande parte profanas e seguras, morrem em desespero quando são oprimidos com os juízos de Deus.

6. As recompensas dos justos e as punições dos ímpios, como o dilúvio, a destruição de Sodoma pelo fogo, a ruína de Faraó no Mar Vermelho, a queda de reinos prósperos, etc., são provas da existência de um Deus, pois estes julgamentos, infligidos a homens e nações perversas, testificam que deve haver algum juiz universal e onipotente de todo o mundo (Sl 9.16; 58.11).

Conquanto os ímpios amiudadamente prosperem por um tempo, enquanto os piedosos são oprimidos, contudo, exemplos que são poucos em número não enfraquecem a regra geral, na qual a maioria dos eventos concorda. E, se fosse assim, ainda que os ímpios não sofram muitas vezes castigos como os justos – por estes reais exemplos, embora poucos em número atestem que há um Deus –, ele também está descontente com as ofensas de outros que parecem não ser tão severamente punidos. Com efeito, não é verdade que nenhum dos ímpios nesta vida não sejam punidos, pois todos aqueles que não são  convertidos são, mais cedo ou mais tarde, surpreendidos pelo castigo. Sim, eles geralmente morrem em desespero, que é o castigo mais grave do que todos os outros, sendo o início do testemunho do castigo eterno.

E apesar da punição dos ímpios nesta vida não ser tão grande quanto merecem os seus pecados, ainda assim tem alguma relação com os crimes mais trágicos dos ímpios, de modo que a doutrina da igreja nos ensina que a benevolência que Deus usa para com eles, e a severidade que parece mostrar aos justos, não enfraquecem sua providência e justiça, mas sim, declara sua bondade, ao convidar os ímpios ao arrependimento, enquanto ele retarda sua punição e aperfeiçoa a salvação dos justos, empregando aflições e castigos.

7. Um acordo civil ou comunitário, governado sabiamente por leis justas e salutares, não poderia ser apresentado aos homens, a não ser por algum ser inteligente que aprovasse essa ordem. Como os demônios e os ímpios comumente odeiam e se opõem a esta ordem, deve ser, necessariamente, Deus que até agora a preservou (Pv 8.15).

8. O entusiasmo heroico ou aquela sabedoria e excelente virtude em projetar e realizar obras que ultrapassam os poderes ordinários do homem, como a destreza e o prazer de artífices habilidosos e de governadores em descobrir e promover as artes, e em elaborar vários conselhos – tal grandeza de espírito ao realizar atos de renome e de administrar negócios, como havia em Aquiles, Alexandre, Arquimedes, Platão, etc. –, todos dão evidência de que deve haver alguma causa superior e onipotente que estimula e impulsiona os homens para estas coisas (Dt 31.8).

9. A predição de eventos futuros que não puderam ser conhecidos de antemão pela sagacidade humana nem por causas ou sinais naturais, como as profecias a respeito do dilúvio, à posteridade de Abraão, à vinda do Messias, etc., são necessariamente conhecidas apenas por ser revelada por aquele que tem tanto os homens e a natureza das coisas tão completamente em seu poder que, sem a sua vontade, nada pode acontecer. Ele é verdadeiramente Deus – aquele que pode prever o que há de acontecer (Is 41.23).

10. O fim e o emprego das coisas geralmente não são por acaso, nem de um ser destituído de razão, no entanto procedem de uma causa que é sábia e onipotente, que é Deus. Todas as coisas agora são sabiamente adaptadas e ordenadas para seus próprios e peculiares fins.

11. A ordem de causa e efeito é finita e não pode acontecer que a cadeia ou o curso de causas eficientes possa ser de extensão infinita. Deve, portanto, haver uma primeira causa que mediatamente ou imediatamente produz e move o resto, das quais dependem todas as outras causas, pois em toda ordem finita há algo que é primeiro e antes de cada coisa.

 

 

Autor: Zacharias Ursinus

Fonte: Purely Presbyterian

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.