Entusiasmados, mas ingênuos

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Em sua maioria, os carismáticos parecem ser sinceros. Muitos deles parecem os judeus sobre os quais Paulo afirmou: “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento” (Rm 10.2). Os carismáticos têm zelo sem conhecimento; são entusiasmados, mas falta-lhes esclarecimento. Como afirmou John Stott: “Eles são entusiasmados, mas ingênuos”.32

Ao fazerem da experiência o principal critério da verdade, revelam o que Stott designa como “anti-intelectualismo deliberado”.33 Eles abordam a vida cristã sem a mente, sem pensar, sem usar o entendimento. De fato, alguns carismáticos dizem que Deus concede deliberadamente às pessoas expressões ininteligíveis, a fim de menosprezar e humilhar o orgulhoso intelecto humano.

Entretanto, o conceito de que Deus deseja suplantar ou matar nossa mente racional é evidentemente antibíblico. Deus afirmou: “Vinde, pois, e arrazoemos” (Is 1.18); e: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2 — ênfase acrescentada). Deus deseja a renovação de nossa mente, não o seu desprezo. Ele se deu a conhecer mediante uma revelação racional que exige o uso da razão e o entendimento da verdade histórica e objetiva (cf. Ef 3.18; 4.23; Fp 4.8; Cl 3.10).

Toda a revelação divina é dirigida à percepção, ao pensamento, ao conhecimento e ao entendimento. Esse é o principal ensino de Paulo em 1 Coríntios 14 — passagem-chave da questão carismática. Ele conclui esse grande capítulo com as seguintes palavras: “Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendi- mento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua” (14.19). Quem conhece a Cristo deve usar a mente para apreender a verdade divina. Não somos instruídos a confiar nas emoções e a tentar extrapolar a verdade com base nas experiências. Como escreveu James Orr: “A religião divorciada do pensamento sério e nobre sempre demonstrou, em todo o curso da história da igreja, a tendência de tornar-se fraca, estéril e prejudicial”.34 Com certeza, devemos responder à verdade por meio das emoções, mas devemos, em primeiro lugar, apreendê-la com o entendimento e nos submetermos a ela com a vontade.

 

 

NOTAS:

  1. Stott, John R. W. Your mind matters. Downers Grove, Ill.: IVP, 1972. p. 78.
  2. Ibid. p. 10
  3. Orr, James. The christian view of god and the world. New York: Scribner’s, [19]. p.21.

 

 

Autor: John MacArthur

Trecho extraído do livro Caos carismáticos, pág 48-49. Editora: Fiel

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.