Refutando objeções contra a Expiação Particular (Parte 3)

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2 Pedro 3.9 – O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a consideram demorada. Mas ele é paciente convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos venham a se arrepender. (Almeida Século 21)

Resposta

Não é necessário que muitas palavras sejam despendidas para refutar esta objeção proveniente da má interpretação e da evidente corrupção do sentido das palavras do apóstolo. É uma regra instaurada na Escritura que as expressões indefinidas e gerais devem ser interpretadas na proporção das questões que são afirmadas. Observemos, então, de quem o apóstolo está falando aqui. “O Senhor,” diz ele, “é paciente  convosco e não quer que ninguém pereça.” O sentido comum não ensina que “nós” deve ser repetido nas cláusulas seguintes para torná-las completas, isto é, “e não quer que ninguém pereça, mas que todos venham a se arrepender?” Agora, quem são esses de quem o apóstolo fala, aqueles a quem ele escreve? Aqueles que receberam suas “preciosas e mais sublimes promessas” (1.4); aqueles a quem ele chama de “amados” (3.1); aqueles a quem ele se opõe aos “zombadores” dos “últimos dias” (vs.3); aqueles aos quais o Senhor tem estima na disposição destes dias; aqueles que são mencionados como “eleitos” (Mt 24.22).

Ora, é apenas um pouco de extrema demência e tolice argumentar que, porque Deus não quer que ninguém pereça, mas que todos venham se arrepender, ele tem a mesma vontade em mente para com todos no mundo (incluindo aqueles a quem ele nunca oferece o conhecimento da sua vontade e nunca chamará ao arrependimento, se nunca ouviram acerca do caminho da salvação). Nem tampouco é de nenhum peso alegar o contrário, que aqueles a quem Pedro escreveu, não foram todos eleitos, pois, no julgamento da bondade, ele os considerou assim, anelando que se “esforçassem cada vez mais por firmar o chamado e a eleição” (1.10) Ele os chama implicitamente de eleitos, como também expressamente chama aqueles a quem escreveu sua primeira carta de  “eleitos” (1 Pe 1.1-2), uma “geração eleita” e um “povo de propriedade exclusiva” (1 Pe 2.9).

Não é preciso adicionar qualquer coisa acerca das contradições e das inextricáveis dificuldades com que a interpretação oposta é seguida (por exemplo, que Deus deve querer que aqueles que ele exclui da aliança venham a se arrepender; aqueles que ele odeia desde a eternidade e de quem ele esconde os meios de graça venham a se arrepender; e aqueles a quem ele não dará o arrependimento, pois sabemos que é totalmente impossível para eles terem-no a menos que ele os conceda). O texto é claro – que são “todos” [e somente] os eleitos que ele não quer que pereçam. Temos uma passagem supostamente paralela a esta em Ezequiel 18.23, 32.

 

 

Refutando objeções contra a Expiação Particular

Refutando objeções contra a Expiação Particular (Parte 2)

 

 

Autor: John Owen

Tradução: Leonardo Dâmaso

Trecho extraído de The death of death in the death of Christ, pág 177-178.

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.