Refutando objeções contra a Expiação Particular (Parte 2)

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Hebreus 2.9 – […] para que, pela graça de Deus, sofresse a morte em favor de todos os homens. (Almeida Século 21)

Resposta

Todos reconhecem que a expressão “em favor de todos os homens” é direcionada aqui para significar “para todos” por um impulso de número. A questão é quem são esses “todos;” se são todos os homens universalmente, ou a “todos aqueles” de quem o autor da carta está falando. Não se pode negar que a expressão “todos os homens” é comumente usada na Escritura para indicar homens debaixo de alguma restrição. Assim é naquela expressão do apóstolo: “aconselhando e ensinando todo homem” (Cl 1.28), isto é, advertindo e alcançando todos aqueles a quem ele pregou o evangelho, aqueles de quem ele está falando na carta. “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para benefício comum” (1Co 12.7), ou seja, o Espírito é dado a cada um daqueles que foram dotados com os dons ali mencionados, seja na igreja em Corinto ou em outro lugar.

Frequentemente encontro a passagem em voga utilizada por aqueles que sustentam a redenção universal, mas nunca tive a felicidade de encontrar qualquer esforço para demonstrar, a partir do texto, ou de qualquer outra forma, que “todos” aqui deve ser entendido como “todos.” Certamente eles sabem que o reconhecimento comum da palavra é contra o seu propósito. O senhor Moore despende um capítulo inteiro sobre esta passagem, que eu considerei seriamente, para verificar se eu poderia escolher qualquer coisa que pudesse, no mínimo, confirmar o que o autor da carta aos Hebreus pretendia com “todos”; mas encontrei apenas um profundo silêncio. Com uma abundância de palavras suaves, ele não diz nada neste capítulo. No entanto, humildemente e de coração, solicito o assunto em debate. Ainda que ele seja extremamente sincero, não podemos anuir em seu requerimento pelas seguintes razões:

Em primeiro lugar, a fim de provar a morte, que é beber o cálice devido aos pecadores, para quem quer que o nosso Salvador tenha provado isso, certamente é para não deixar uma gota sequer para que bebam após ele. Ele provou, quando sofreu a morte no lugar deles, de modo que o cálice poderia passar daqueles que não tinham passado dele. Agora, o cálice da morte passa somente dos eleitos, dos crentes; para quem quer que o nosso Salvador tenha provado a morte, ele o ingeriu em vitória.

Em segundo lugar, percebemos uma causa evidente que moveu o autor aqui a chamar aqueles por quem Cristo morreu de “todos,” isto é, porque ele escreveu aos hebreus. Eles estavam profundamente infectados com uma persuasão errônea de que todos os benefícios adquiridos pelo Messias pertenciam somente aos homens de sua nação, excluindo todos os outros. Para suprimir essa opinião perniciosa, o autor da carta aos Hebreus deveria mencionar a extensão da livre graça debaixo do evangelho e mostrar a universalidade dos eleitos de Deus em todo o mundo.

Em terceiro lugar, a presente descrição do “todos”, para quem Cristo provou a morte pela graça de Deus, não corresponde a ninguém senão aos eleitos de Deus. No versículo 10, eles são chamados de “muitos filhos para serem trazidos à glória;” no versículo 11, eles são aqueles que são “santificados”, seus “irmãos”; no versículo 13, eles são os “filhos que Deus lhe deu;” no versículo 15, eles são aqueles que são “livrados da escravidão da morte.” De modo nenhum estes podem ser confirmados como aqueles que nascem, vivem e morrem como “filhos de ímpio.”

Cristo não é um capitão da salvação, como é chamado aqui, para qualquer um exceto aqueles que “lhe obedecem” (Hb 5.9). A justiça vem por ele “para todos os que creem” (Rm 3.22). Por estas e outras razões similares, não podemos ser incitados a escutar o apelo de nossos adversários, estando totalmente convencidos de que “todos” aqui se estende a “todos” e somente aos eleitos de Deus, em cujo lugar Cristo provou a morte pela graça de Deus.

 

 

Refutando objeções contra a Expiação Particular

Refutando objeções contra a Expiação Particular (Parte 3)

 

 

Autor: John Owen

Tradução: Leonardo Dâmaso

Trecho extraído de The Death of death in the death of Christ, pág 178-179.

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.