Refutando objeções contra a Expiação Particular

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2 Coríntios 5.14-15 – Pois o que nos motiva é o amor de Cristo, porque concluímos que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. (Almeida Século 21)

Aqui eles dizem que, no versículo 14, temos dois “todos” que são de igual extensão. Se todos estavam mortos, Cristo morreu por todos, isto é, por todos quantos estavam mortos. Novamente, ele morreu por todos aqueles que devem viver para ele; e esse é o dever de cada um no mundo, por isso ele morreu por todos. Ademais, isso é claro a partir do versículo 10 de que “todos” são “todos os indivíduos,” onde é afirmado que todos devem “comparecer perante o julgamento de Cristo.” Ninguém ficará eximido desta apresentação.

Resposta

1. Ainda que utilizando as palavras no mesmo sentido em que alguns dos nossos adversários a utilizam, todavia não aparece no texto do apóstolo o argumento de que os dois “todos” do versículo 14 são de igual extensão. Ele não diz que Cristo morreu por todos aqueles que estavam mortos, mas apenas que todos estavam mortos por quem Cristo morreu, de modo que prova não mais do que isto: que todos aqueles pelos quais Cristo morreu estavam mortos com aquele tipo de morte sobre o qual ele fala. A extensão das palavras deve ser tirada do primeiro “tudo”, e não do último. O apóstolo afirma que todos aqueles pelos quais Cristo morreu estavam mortos, e não que Cristo morreu “por todos” aqueles que estavam mortos. As palavras nos ensinam claramente isto: “Se ele morreu por todos, então todos estavam mortos,” isto é, todos por quem ele morreu estavam mortos, de tal maneira que todos os que estavam mortos não podem dar luz sob a extensão do “todos” por quem Cristo morreu, sendo unicamente regulado por isso.

2. Negamos que todos estejam moralmente obrigados a viver para Cristo. Somente aqueles a quem ele é revelado são compelidos a viver para ele. Com efeito, somente os que vivem por ele e que possuem uma vida espiritual com ele são constrangidos. Todos os outros estão sob obrigações precedentes.

3. É verdade que todos devem comparecer perante o julgamento de Cristo e que ele foi estabelecido como o juiz do mundo. Entretanto, não é verdade que todos são destinados no versículo 10. O apóstolo fala de “todos nós,” de todos os crentes, especialmente de todos os pregadores do evangelho. Nenhum desses se aplica a todos os homens. Não obstante, qualquer coisa que tenha sido dito até aqui, de modo algum parece que “todos” sejam outros senão os eleitos de Deus, todos os crentes. Irei provar que eles são os únicos destinados aqui usando as seguintes razões extraídas do próprio texto.

Em primeiro lugar, a ressurreição de Cristo é associada com a sua morte – “Morreu por eles e ressuscitou.” Ele foi entregue à morte por causa das nossas transgressões e ressuscitado para a nossa justificação (Rm 4.25). E eles devem ser justificados (Rm 8.34). De fato, nossos próprios adversários sempre confessaram que os frutos da ressurreição de Cristo são específicos para os crentes.

Em segundo lugar, ele fala somente daqueles que, pela virtude da morte de Cristo, vivem para ele [Cristo] (2Co 5.15), que são uma nova criação de Deus (vs.17), não levando em conta as transgressões dos homens (vs.19), os quais foram feitos justiça de Deus em Cristo (vs. 21). Estes são apenas crentes. Porém nem “todos” alcançam essas coisas.

Em terceiro lugar, o artigo unido com “todos” restringe nitidamente “todos” a “todos de alguma classe.” Portanto, “todos estavam mortos” (ou melhor, “todos esses”). Quem são estes “todos?” Todos aqueles crentes de quem ele fala como foi demonstrado acima.

Em quarto lugar, todos aqueles de quem o apóstolo fala são atestados como mortos, pois Cristo morreu por eles: “Se alguém morreu por todos, então todos estavam mortos.” Que morte é destacada aqui? Não é a morte natural, mas a morte espiritual; e das mortes que caem sob esse nome – não sendo o que está em pecado – mas o que é pecado.

Em quinto lugar, os grandes campeões do pleito arminiano, como Vorstius e Grotius (nesta passagem em particular), foram convencidos pela evidência da verdade. Eles reconheceram que é uma morte para o pecado que é falado aqui em virtude da morte de Cristo; e, portanto, eles mantiveram este sentido da passagem.

Em sexto lugar, É ostensivo no texto que a intenção do apóstolo era provar que, aqueles por quem Cristo morreu estão mortos para o pecado, e que eles não deveriam mais viver para o pecado, mas para aquele que morreu por eles. O assunto que ele tem em pauta é o mesmo que ele lida em maior grau em Romanos 6.5-8. Lá, é dito que estamos “mortos para o pecado” e que somos “plantados juntos na semelhança da morte de Cristo;” e tanto lá como aqui ele os comprime para a “novidade de vida.” Então, as palavras – … se Cristo morreu por todos, logo, todos morreram, dizem respeito à morte para o pecado daqueles por quem Cristo morreu – pelo menos a morte daqueles de quem ele fala ali. E o que isso tem a ver com a redenção geral?

Em sétimo lugar, o apóstolo fala da morte de Cristo em relação à sua aplicação. O que ele ressalta é a eficácia dessa morte naqueles por quem Cristo morreu, de modo a fazê-los viver para Cristo. Ainda não foi afirmado por alguém que Cristo morreu para todos em relação a tal aplicação. Se há alguma virtude ou eficácia em seu sacrífico aplicado para esse fim, então todos devem viver para ele – na verdade – viver com ele para sempre. Afinal, não há menção aqui de que Cristo tenha morrido para alguém, exceto para aqueles que estão mortos para o pecado e que vivem para ele.

 

 

Refutando objeções contra a Expiação Particular (Parte 2)

Refutando objeções contra a Expiação Particular (Parte 3)

 

 

Autor: John Owen

Tradução: Leonardo Dâmaso

Trecho extraído de The Death of death in the death of Christ, pág 179-180.

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.