Deus está presente no inferno? O fogo do inferno é real?

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Sobre a primeira pergunta, pode ser adicionado o que segue: Como é possível para o ímpio ser banido da presença do Senhor? Deus não é onipresente? (Sl 139.7-12). A resposta é esta: embora Deus realmente esteja presente em todos os lugares, esta presença não é, em todos os lugares, uma presença de amor. O inferno é inferno porque Deus está lá, Deus em toda sua ira (Hb 12.29; Ap 6.16). O céu é céu porque Deus está lá, Deus em todo seu amor. É desta presença de amor que o ímpio é banido para sempre.

Sobre a segunda pergunta, ela pode ser reformulada como segue: Se o inferno é o lugar de fogo, como também pode ser o lugar de trevas? Ou vice -versa. Estes dois não se excluem mutuamente?

Minha resposta seria: Necessariamente, não. Ocorre que eu conheço alguém que, uma vez, por uma certa forma de radiação, foi queimado seriamente. Entretanto, quando isto ocorreu, ele estava em um quarto escuro. E nós também não falamos sobre sede ardente, febre ardente, etc.? É, então, completamente possível que, de forma literal ou, se você preferir, semi-literal, contudo no sentido físico, o inferno seja um lugar de chamas; quer dizer, ardente, embora também seja o domicílio das trevas.

Há os que negam este ponto da parábola registrada em Lucas 16.19-31. Mas admitindo que, em seu estado desincorporado, o rico não estava sendo queimado fisicamente, isto não prova que, de alguma forma, quando os ímpios receberem seus corpos, eles não sejam torturados pelo fogo, que em algum sentido é físico? Deve ser notado que o homem rico na parábola é ilustrado como se tivesse um corpo (por exemplo, ele pergunta se sua língua poderia ser refrescada). Naquele estado, como se fosse corpóreo, ele sofre tormento “nesta chama”. Como isto não prova que, de alguma forma, o inferno seja um lugar de chamas, eu não entendo. A parábola parece ensinar que um castigo terrível, primeiro sobre a alma, mas depois também sobre o corpo, é o que espera o ímpio. E não é isto o que é ensinado ao longo das Escrituras?

Entretanto, a ideia de um fogo literal – quer dizer, um fogo que em algum sentido seja físico – não precisa ser excluída; permanece verdadeira, pois, de acordo com as Escrituras, o sentido literal não esgota o conceito. O fogo eterno foi preparado “para o diabo e seus anjos”, embora estes sejam espíritos. Da mesma forma, as Escrituras associam frequentemente dois outros conceitos com este do fogo, ou seja, a ira divina e, por consequência, a angústia para o ímpio. Veja isto por si mesmo examinando passagens como Gênesis 18.20, cf. 19.24; Deuteronômio 32.22; Salmos 11.6; 18.8; 21.9; 97.3; 140.10; Jeremias 4.4; Amós 1.4, 7, 10; Naum 1.6; Malaquias 3.2; e Apocalipse 14.10,11. Foi no Calvário, particularmente como resultado da angústia suportada durante as três horas de trevas, que o fogo da ira de Deus pelos pecados de seu povo finalmente levou Jesus a clamar: “Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?” Descendo neste inferno, ele nos libertou do mal maior e colocou em nossa posse a bênção maior.

 

 

Autor: William Hendriksen

Trecho extraído do livro A Vida Futura Segundo a Bíblia, pág 253-255.

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.