O governo da igreja

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A igreja é uma organização, portanto, precisa de uma estrutura de governo. Uma igreja sem um governo simplesmente não é uma igreja. (Essa é a razão pela qual alguns teólogos consideram o governo da igreja como a quarta marca de uma igreja bíblica). Em 1 Coríntios 14.40, Paulo fala sobre a necessidade de ordem: “Tudo porém, seja feito com decência e ordem”.

Ao longo dos séculos, tem havido três formas básicas de governo da igreja: hierárquico ou episcopal, congregacional ou independente, e presbiteriano. Todos os três creem corretamente que Cristo é o cabeça da igreja e que deu à sua igreja a sua Palavra, pela qual existe a autoridade para governar. Todas as três afirmam que têm uma base bíblica para os seus respectivos governos. Obviamente, todas elas não podem estar corretas; se uma é verdadeira, então as outras devem ser falsas.

A forma hierárquica ou episcopal defende que a igreja deve ser governada pelo bispo (episkopos). Esse é o governo adotado pelos episcopais, católicos romanos, ortodoxos gregos, anglicanos e metodistas, com vários níveis de autoridade assentados sobre o bispo. O catolicismo romano, por meio do papado, possui a mais rigorosa forma de hierarquia. O argumento para o episcopalismo é baseado na “sucessão apostólica”. Isto é, os bispos de hoje têm a autoridade que os apóstolos tinham no primeiro século (e.g., a ordenação de ministros ou sacerdotes).

Mateus 28.18-20 e Atos 1.8 são usados como apoio à sucessão apostólica: com a ascenção de Cristo, sua autoridade coube de direito aos apóstolos e permanece com eles e seus sucessores, i.e, os papas, supostamente os descendentes espirituais de Pedro, até o fim dos tempos. Atos 15 é também mencionado como um texto prova, ao se afirmar que Tiago, como moderador do Concílio de Jerusalém, era um bispo da antiguidade.

Contudo, esses argumentos são frágeis. Primeiro, Cristo nunca apontou ou ordenou qualquer apóstolo além do primeiro século (Mateus 10.1-4; Atos 9). O próprio Paulo tinha a convicção de ser o último apóstolo (1 Coríntios 15.8), e falou contra outros que alegavam possuir a apostolicidade (2 Coríntios 11.13). Da mesma forma, por todo o seu ministério Paulo ensinou que a igreja deveria ser governada por uma pluralidade de presbíteros com a mesma paridade (Atos 14.23; 20.17,28; Tito 1.5,7; veja abaixo).

Além disso, as evidências bíblicas são insuficientes para um sistema altamente estruturado no Novo Testamento. Em 3 João 9-10, uma séria advertência é pronunciada contra uma forma ditatorial de governo. Historicamente, não havia distinção entre os bispos do Novo Testamento e os presbíteros até que Inácio o fizesse no início do segundo século. Claramente, a igreja hierárquica é um desenvolvimento pós-bíblico.

Deve-se ainda destacar que os reformadores também mantiveram uma forma de sucessão apostólica, mas não conforme o catolicismo romano. Os reformadores viam a sucessão apostólica como unicamente vinculada à doutrina dos apóstolos. Como já estudado, o atributo da apostolicidade tem a ver com os ensinos dos apóstolos como fundamento da igreja (Efésios 2.20).

O congregacionalismo, ou governo autônomo, defende o governo da igreja por meio do voto democrático. A igreja é conduzida pelo governo congregacional da maioria. Fala-se muito aqui do sacerdócio dos crentes (1 Pedro 2.9), e a votação das congregações em Atos 6.1-6; 14.23. Há, contudo, muitos problemas endêmicos nessa visão.

Em primeiro lugar, embora tenha votado conforme os textos acima mencionados, a congregação estava votando em oficiais que seriam seus líderes representantes. Em segundo lugar, o fato de a igreja ser “um sacerdócio de crentes” não tem nada a ver com a economia ou função administrativa dos vários crentes dentro da igreja. Igualdade ontológica não deve afetar a função administrativa.

E em terceiro lugar, essa visão entra em conflito com textos que ensinam o governo por meio de presbíteros-representantes (e.g., Tito 1.5; 1 Timóteo 5.17). Fazendo um parêntese, uma distinção precisa ser feita aqui entre o congregacionalismo moderno atual e a forma de congregacionalismo ensinada na Declaração de Savoy (1658) e na Confissão batista de Londres (1689). Os autores dessas confissões defendiam uma forma presbiteriana de governo em igrejas autônomas, sem a necessidade de um sistema com instâncias mais amplas.

A última forma de governo é o presbiteriano. Nesse sistema, o governo está nos presbíteros (presbuteroi), que governam, não pelo voto democrático, mas de acordo com a lei bíblica. Esse sistema tem uma longa história na Bíblia. Moisés e os líderes da igreja do Antigo Testamento foram todos auxiliados no seu governo da nação por “presbíteros”. Os exemplos disso são numerosos: Êxodo 3.16,18; 4.29; 17.5-6; 18.13-27; Levítico 4.15; 9.1-2; Números 11.14-25; Deuteronômio 5.23; 22.15-17; Josué 7.6; 8.33; Juízes 21.16; 1 Reis 8.1-3; 1 Crônicas 21.16; Salmo 107.32; etc. Essa prática claramente continuou na época do Novo Testamento, como se pode perceber em Lucas 22.66 e Atos 22.5, onde Jesus e Paulo, respectivamente, são examinados perante o “presbitério” ou “concílio” dos anciãos.

O presbiterianismo é a forma mais bíblica de governo da igreja, uma vez que cumpre os princípios fundamentais dados na Escritura. Essa é a razão pela qual podemos e devemos falar do jus divinum (“direito divino”) do presbiterianismo.

Em primeiro lugar, como a Confissão (30:1) ensina, “O Senhor Jesus, [é] Rei e Cabeça da sua Igreja”. Conforme a Escritura, Cristo é o único cabeça da Igreja (Efésios 1.22; 4.15; 5.23; Colossenses 1.18). É a fonte de vida da igreja e seu regente. E é Palavra de Cristo que deve ser a norma de autoridade na igreja (Mateus 16.17-19).

Em segundo lugar, a Confissão (30:1) diz que Cristo, como cabeça da sua Igreja, “nela instituiu um governo nas mãos dos oficiais dela; governo distinto da magistratura civil”. A Palavra de Deus confia a investidura da liderança da igreja aos presbíteros ou bispos (essas palavras são usadas intercambiadamente no Novo Testamento; veja Tito 1.5,7; Atos 20.17, 28). Esses homens (e não as mulheres) devem governar o corpo no qual servem.

Em terceiro lugar, Cristo ensinou que os oficiais da igreja, que foram dados pelo Espírito Santo (Atos 20.28), devem ser eleitos pelo voto popular das congregações nas quais eles servem. Em Atos 6.1-6, a fim satisfazer uma determinada necessidade da igreja em relação à distribuição diária de alimentos aos necessitados, os apóstolos recomendaram a escolha de sete homens para servirem como diáconos. Após terem sido declaradas as qualificações necessárias para o exercício de tal ofício na igreja, a congregação escolheu sete homens que julgou adequados. Esses sete foram então apresentados aos apóstolos que os ordenaram como diáconos.

Em Atos 14.23 lemos que Paulo e Barnabé conduziram a eleição dos presbíteros. A leitura literal do versículo afirma que os presbíteros foram “designados pelo levantar das mãos”, i.e., por voto. Os líderes não devem ser impostos à congregação.

Tendo sido dados pelo Espírito Santo (Atos 20.28), foram eleitos como oficiais pela congregação. É importante observar aqui: embora sejam eleitos democraticamente pelo voto, os líderes da igreja são eleitos para representar Cristo, o Rei, e ministrar sua Palavra à congregação. Esse é o republicanismo eclesiástico.

Quem está autorizado a votar em oficiais da igreja nas reuniões da congregação? A implicação clara da Bíblia em relação a essa questão é que homens adultos batizados na congregação, que não estejam sob disciplina da igreja, têm a autoridade para votar em oficiais da igreja. O princípio humanista e igualitário do sufrágio universal é estranho para a Bíblia. Na Escritura está claro que as mulheres devem ser submissas aos homens no ensino e no governo da igreja (1 Coríntios 14.34-35; 1 Timóteo 2.8-14; 1 Coríntios 11.8). A votação em oficiais da igreja é, por sua própria natureza, uma expressão de comando, autoridade e governo da igreja. As mulheres, portanto, não votam. As mulheres solteiras, que ainda vivam com seus pais, são representadas por seu pai (Números 30; 1 Coríntios 7.36-38). Mulheres sós, viúvas ou divorciadas, que “chefiam” uma família são representadas pelos oficiais eleitos.

Uma palavra adicional é oportuna aqui. Embora os papéis ou funções da mulher na igreja sejam de submissão ou subordinação, as mulheres cristãs são, ontologicamente falando, tão iguais e preciosas para Deus como o são os homens cristãos. São co-herdeiras do Reino de Deus (Gálatas 3.28).

Em quarto lugar, como aludido acima, o bispo não está “mais acima” que o presbítero, nem ainda o presbítero mais “acima” que o bispo; nem o pastor-mestre, que é um presbítero docente, “acima” dos presbíteros regentes. Há uma igualdade de ofícios entre todos os presbíteros-bispos, sejam eles presbíteros docentes, i.e., ministros da Palavra ou presbíteros regentes (veja a distinção feita entre esses dois em 1 Timóteo 5.17). Todos devem exercer o governo em harmonia, e em paridade (equivalência e igualdade) entre si. Essa paridade é, com certeza, evidente em 1 Pedro 5.1-4, onde o apóstolo Pedro chama a si mesmo de um presbítero como eles entre outros pastores do rebanho de Deus.

Em quinto lugar, deve haver uma pluralidade de presbíteros em cada igreja, o que fica óbvio a partir de textos como Atos 14.23; 20.17 e Filipenses 1.1. Isto é, cada congregação deve eleger mais de um presbítero. Isso permite os “pesos e contrapesos” necessários para se resguardar de uma “banda de um homem só”. Paridade e pluralidade seguem de mãos dadas. John Murray escreve: “O princípio da paridade está vinculado à pluralidade. Estritamente falando, não pode haver pluralidade se não houver paridade. Pois se apenas um estiver em um nível acima dos outros, então, em relação a essa hegemonia, não há mais pluralidade. A pluralidade aplica-se a todo o governo da igreja e, portanto, deve haver paridade na pluralidade”.

Uma observação deve ser feita aqui: na forma presbiteriana de governo da igreja, o problema do um e dos muitos encontra sua solução. Dizendo de forma simples, a questão do um e dos muitos tem a ver com onde se fundamenta a autoridade. O um deve ser supremo em autoridade, ou seria o muito?

O episcopalismo eleva o um (hierarquia) acima do muitos; as igrejas independentes elevam o muito (democracia) acima do um. O presbiterianismo encontra a sua solução na doutrina da Trindade. Deus é um, num sentido (essência) e muitos (três), noutro sentido (pessoas). Dentro da Divindade há tanto paridade quanto pluralidade. As Escrituras ensinam que isso também deveria ser verdade no governo da igreja. Deve haver uma paridade e uma pluralidade entre os presbíteros da igreja de Cristo. Há um equilíbrio de poder na estrutura da autoridade.

Sintetizando, a igreja é governada por Cristo por meio dos presbíteros convocados por ele, e eleitos pela congregação. Não deve ser governada por um único homem, como o papa ou bispo (como no governo da igreja episcopal). Nem deve ser governada pela maioria dos votos (como no governo das igrejas independentes ou congregacionais). A igreja de Cristo deve ser governada e servida pelos representantes eleitos por homens adultos, membros da congregação, para representar e administrar o domínio de Jesus Cristo por meio da sua Palavra (Hebreus 13.7, 17). A igreja de Cristo não é uma democracia. É uma cristocracia, governada por Cristo por meio dos seus representantes eleitos pela igreja. E há uma paridade e pluralidade entre esses líderes.

Em sexto lugar, o jus divinum do presbiterianismo exige um sistema de instância superior. Como afirmado na Confissão (31:1): “Para melhor governo e maior edificação da Igreja, deverá haver as assembleias comumente chamadas sínodos ou concílios. Em virtude do seu cargo e do poder [autoridade] que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição, pertence aos pastores [presbíteros docentes] e aos outros presbíteros [presbíteros regentes] das igrejas particulares criar tais assembleias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”.

Temos visto que cada igreja deve ser governada por um comitê de presbíteros, frequentemente citado como o “conselho”. O conselho constitui a instância local (ou tribunal) da igreja local. Mas a Escritura ensina que há também uma conectividade entre as igrejas na forma de um sistema mais amplo de tribunal (instância) da igreja. As instâncias (ou tribunais) mais amplas são, como mencionadas acima na Confissão, ad hoc “as assembleias”, onde os presbíteros docentes e regentes “reúnem-se… quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. Aqui, novamente, temos o um e o muitos harmonizados. Cada congregação local é uma igreja completa (um). Mas também há uma conexão entre as igrejas (muitos). Há uma unidade (“unicidade”) entre as “muitas” igrejas.

O segundo nível do sistema de instâncias é chamado de “presbitério”. Consiste de um grupo de presbíteros docentes e regentes dentro de uma determinada região, que representam as várias igrejas locais. O presbitério deve agir na qualidade de uma secretaria, deliberando sobre controvérsias de fé, questões de doutrina e questões de consciência, com as quais a igreja local não tem capacidade de lidar. O presbitério tem a função de ser um meio auxiliar para promover um bom governo e edificação [das igrejas], mas não deve legislar. Como ensinado pela Confissão de Fé de Westminster (31:2):

Aos sínodos e concílios compete decidir ministerialmente controvérsias quanto à fé e casos de consciência, determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo da sua Igreja, receber queixas em caso de má administração e autoritativamente decidi-las.

Quando falamos da igreja atuando num caráter ministerial, não-legislativo, o que queremos dizer é que todas as questões devem ser julgadas com base na lei bíblica. O poder eclesiástico é derivado, não original. Somente Cristo é o legislador em sua igreja (Tiago 4.12). E os assuntos da igreja devem “determinar regras e disposições para a melhor direção” consoantes à Palavra de Deus.

Além disso também, como ensinado em “A forma do governo presbiteriano da igreja da Assembleia de Westminster”, o presbitério deve agir na qualidade de treinamento e exame dos presbíteros para assegurar que eles estejam qualificados para servir no seu ofício. E então deve ordená-los: “A ordenação é a solene consagração de uma pessoa para algum ofício público na igreja… é um ato do presbitério”.

Sendo esse o caso, devemos compreender que um homem não pode ordenar a si mesmo como oficial na igreja, nem pode outro indivíduo ordenar um homem como oficial. Cristo, por meio da sua igreja atuando nos presbitérios, prepara, aprova, convoca, ordena e instala os homens no ofício.

Esses presbitérios já existiam como parte da igreja apostólica como explicitamente ensinado em 1 Timóteo 4.14. Aqui lemos que Timóteo foi ordenado (sem dúvida após ter sido preparado e examinado) pela “imposição de mãos” (consagração simbólica de um homem para o ofício) dos presbíteros naquele presbitério em particular. Isso também é implicitamente ensinado em vários outros textos. Por exemplo, como visto antes, a igreja em Jerusalém é considerada uma só igreja (Atos 2.47; 8.1; 12.5), embora houvesse, obviamente, inúmeras congregações locais. Esse é um forte indicativo de um presbitério local.

Além disso, a igreja em Éfeso consistia de um grande número de cristãos de diferentes contextos e línguas (Atos 19.10, 17-20; 1 Coríntios 16.8-9) que se reuniam nas casas-igrejas (1 Coríntios 16.19). Portanto, as igrejas de Éfeso eram consideradas uma única igreja (Atos 20.17-37; Apocalipse 2.1), que (implicitamente) deveriam estar sob o governo de um presbitério local. De fato, em Atos 20.17 lemos que o apóstolo Paulo convocou uma reunião do presbitério.

E também deve-se notar que em Atos 13.1-2 temos o registro do presbitério de Antioquia envolvido no trabalho missionário. Mais tarde os missionários fizeram um relatório a esse mesmo presbitério, em Atos 14.27. E em Atos 11.19-30 temos o registro do presbitério de Antioquia que resolveu “enviar socorro” por meio de ofertas aos “presbíteros” que constituíam um presbitério irmão em Jerusalém.

A terceira e mais ampla instância dentro do presbiterianismo é o sínodo ou assembleia geral. Em Hebreus 12.22-24, por exemplo, lemos sobre a festiva reunião do povo de Deus como sendo a “universal assembleia e igreja dos primogênitos”.

Então, em Apocalipse 4 há a descrição de uma assembleia festiva onde os vinte e quatro anciãos estão representando a igreja como um todo. O sínodo ou assembleia geral consiste de presbíteros docentes e regentes de todas as igrejas da cristandade. Portanto, essa é uma instância mais ampla que o presbitério.

A justificativa bíblica para os sínodos também é encontrada em Atos 15. Nesse capítulo são claramente ensinados o privilégio de se recorrer à assembleia dos presbíteros e o poder mais amplo da igreja em tomar decisões que afetam toda a igreja. Barnabé e Paulo tiveram uma disputa sobre a relação entre a circuncisão e a justificação (uma questão doutrinária) com alguns falsos mestres da Judeia. O debate começou em Antioquia, mas não foi solucionado ali. A questão foi submetida à instância mais ampla da igreja (sínodo ou assembleia geral) que consistia dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Agindo conjuntamente, esses representantes da igreja chegaram a uma decisão sobre o assunto, decisão a que a igreja de Antioquia e as igrejas da Síria e Cilícia deveriam se submeter (veja Atos 16.4).

Parece ser óbvio que o texto de Atos 15 nos foi dado no Novo Testamento como um exemplo a ser seguido. Se todo o necessário era uma ordem divina, isso poderia ser dito por um dos apóstolos. Mas esse processo legal foi registrado para nós como um exemplo de como o governo da igreja deve funcionar. Daí porque não ser bíblico qualquer governo sem esse sistema de instâncias.

Contudo, uma observação deve ser feita: as decisões de tais instâncias devem ser obedecidas apenas quando forem bíblicas, como em Atos 15. Na Confissão de Westminster (31:2, 3), lemos que todos os decretos e decisões das instâncias mais amplas “sendo consoantes com a Palavra de Deus, devem ser recebidas com reverência e submissão”. Além disso, lemos que essas decisões “não devem constituir regra de fé e prática, mas podem ser usadas como auxílio em uma e outra coisa”.

Uma vez que todos os concílios, de tempos em tempos, podem e têm errado em suas decisões, nenhum homem ou grupo de homens pode sujeitar a consciência de uma igreja local ou de um membro da igreja. A Palavra de Deus sozinha é a única regra de fé e prática segura; sozinha deve ser seguida com uma “fé implícita”. Dessa forma, nenhuma decisão de um concílio deve ser acolhida irrefletidamente. Pelo contrário, o princípio bereano de Atos 17.11 sempre deve ser seguido.

Deve-se observar também que em todo o livro de Atos, que cobre um período de 30 a 33 anos da história da igreja, a assembleia geral de Atos 15 é destacada apenas uma vez. Isso é significativo, pois tem-se tornado cada vez mais comum em alegados círculos presbiterianos haver reuniões do sínodo de maneira muito frequente. Parece que nos tempos apostólicos, ao contrário, essas assembleias eram muito mais ad hoc do que vemos hoje em dia. Como ensinado na Confissão (31:1) pertence aos presbíteros “criar tais assembleias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”.

Para encerrar esta seção, há ainda duas outras formas de governo de igreja que devem ser mencionadas: nenhum (ou mínimo) e nacional. A primeira delas foi adotada por organizações tais como os Quakers e os Irmãos Plymouth. Esses grupos falam como se eles não tivessem nenhuma forma de governo, mas não é, de fato, o caso. Há líderes e a disciplina é aplicada quando necessária. A segunda é a forma de governo encontrada na Igreja Anglicana da Inglaterra e na Igreja Luterana da Alemanha. De acordo com esse modelo, a igreja está sob a autoridade do Estado. Como já visto acima, essa forma erastiana de governo não é bíblica.

 

 

Autores: W. Gary Crampton e Richard  E. Bacon

Trecho extraído do livro Edificados sobre a Rocha: um estudo da doutrina da igreja. Editora: Monergismo

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.