A Imagem de Deus no Antigo e no Novo Testamento (2/2)

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O ENSINO NO NOVO TESTAMENTO

Qual é, pois, o ensino do Novo Testamento sobre a imagem de Deus? Uma passagem ensina claramente que os caídos ainda trazem em si a imagem de Deus e é, portanto, um eco neotestamentário do material do Antigo Testamento que acabamos de examinar. Em Tiago 3.9, lemos: “Com ela [a língua] bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus”. Para entender o que Tiago diz aqui, temos de tomar em consideração também os versos 10-12:

De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce.

O contexto imediato de Tiago 3.9 é uma discussão sobre os pecados da língua – uma área em que todos nós tropeçamos. Os animais, Tiago dizia nos versos anteriores, podem ser domados, mas nenhum homem consegue domar a língua, que “é mal incontido, carregado de veneno mortífero” (v. 8).

No versículo 9, Tiago aponta a incoerência que as pessoas cometem quando usam a mesma língua para bendizer a Deus e para amaldiçoar os homens. Por que isto é uma incoerência? Porque os seres humanos a quem amaldiçoamos – observe o uso que Tiago faz da primeira pessoa – são criaturas feitas à semelhança de Deus. Portanto, amaldiçoar os homens significa, de fato, amaldiçoar a Deus à semelhança de quem foram eles criados. O versículo seguinte enfatiza tal incoerência: “De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim”.

O que é especialmente importante aqui para o nosso propósito é o tempo do verbo traduzido como “feitos”. O verbo, no grego, é gegonotas, o particípio perfeito do verbo ginomai, que significa “tornar-se” ou “ser feito”. A força do tempo perfeito no grego é descrever “uma ação passada com resultado que permanece”. Assim, a força da expressão grega kath’ homoiosin theou gegonotas é esta: os seres humanos, conforme descritos aqui, foram, em algum tempo do passado, feitos segundo a semelhança de Deus e ainda possuem essa semelhança. Por esta razão é incoerente bendizer a Deus e amaldiçoar os homens com a mesma língua, visto que as criaturas humanas a quem amaldiçoamos ainda trazem a semelhança de Deus. Por esta razão ofendemos a Deus quando amaldiçoamos os homens.

Alguém, compreensivelmente, poderia perguntar: Mas Tiago não está escrevendo esta epístola aos crentes? Não está falando, portanto, de pessoas que foram restauradas à semelhança de Deus pelo poder renovador do Espírito Santo como aqueles que ainda possuem esta semelhança? A resposta a esta segunda pergunta é não. Tiago não diz “com a mesma língua amaldiçoamos os irmãos, companheiros de fé, que foram feitos (ou refeitos) à semelhança de Deus”. O que ele diz é isto: “com a língua amaldiçoamos os homens (anthropous) – um termo que designa seres humanos em geral, crentes ou não. Tiago evidentemente não está sugerindo que amaldiçoar é um pecado somente quando afeta outros crentes. Ele está dizendo que Deus é desonrado quando amaldiçoamos qualquer homem ou mulher que possa cruzar o nosso caminho. Seja quem for a pessoa, trata-se de uma ofensa a Deus se a amaldiçoamos, visto que Deus a fez segundo sua própria semelhança -uma semelhança que o ser humano ainda reflete.

Esta passagem não nos diz exatamente em que consiste essa semelhança a Deus. Ela também não nos diz o que a queda do homem em pecado causou a essa semelhança ou o que acontece a essa semelhança quando Deus recria-nos, pelo seu Espírito, à sua imagem. Mas o que a passagem diz com a máxima clareza, seja lá o que a Queda tenha feito à imagem de Deus no homem, é que ela não destruiu totalmente essa imagem. A passagem não teria sentido algum se o homem decaído não tivesse permanecido, muito distintamente, um ser que traz em si e reflete uma semelhança com Deus – um ser que, em distinção de todas as outras criaturas, ainda possui a imagem de Deus.

Deus fez o homem à sua imagem – isto é evidente tanto a partir do Antigo como do Novo Testamento. Mas a Bíblia também nos ensina que Jesus Cristo é o homem perfeito – um exemplo insuperável de como Deus quer que sejamos. É, portanto, animador ver que Cristo é chamado, no Novo Testamento, de a perfeita imagem de Deus. Em 2 Coríntios 4.4, Paulo escreve a respeito daqueles que não podem ver a “luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. A palavra traduzida aqui como “imagem” é eikon, o equivalente grego da palavra hebraica tselem. O significado dessa identificação de Cristo como a imagem de Deus é explicado no versículo 6: “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”. A glória de Deus, em outras palavras, é revelada na face de Cristo; quando vemos Cristo, vemos a glória de Deus.

A mesma coisa dizem as palavras de Paulo em Colossenses 1.15: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”. Assim, embora Deus seja invisível, em Cristo o Deus invisível se torna visível; aquele que olha para Cristo está realmente olhando para Deus.

Segundo o Evangelho de João, o próprio Cristo afirmou isso em seu ministério terreno. Quando Filipe disse a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai”, Jesus lhe respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conheci­do? Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.8-9). As palavras de Jesus podem ser entendidas desta forma: “Se você olhar cuidadosamente para mim, você terá visto o Pai, pois eu sou a imagem perfeita do Pai”.15

Pensamento semelhante encontramos em uma passagem digna de nota em Hebreus 1.3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser”. A glória que Cristo, o Filho, irradia, segundo o autor de Hebreus, não é sua própria, mas é a gloria do Pai. A palavra traduzida aqui como “expressão exata” (charakter) é muito interessante. Segundo W. E. Vine, ela denota “uma matriz ou sinete, como aplicado para cunhar moeda ou lacrar documentos, em cujo caso a matriz ou molde que faz uma impressão contém a imagem produzi­da por ela e, vice-versa, todas as características da imagem correspondem fielmente àquelas do instrumento que a produziu”.16 Assim como, vendo uma moeda, se pode dizer com exatidão como é a matriz original que a cunhou, também é possível, vendo o Filho, descrever com exatidão como é o Pai. É difícil imaginar uma ilustração melhor para transmitir o pensamento de que Cris­to é uma reprodução perfeita do Pai. Cada traço, cada característica, cada aspecto, cada qualidade encontrada no Pai é também encontrada no Filho, que é a expressão exata do Pai.

Quando refletimos sobre o fato de que Cristo é a imagem perfeita de Deus, vemos uma relação importante entre a imagem de Deus e a encarnação. Teria sido possível para a Segunda Pessoa da Trindade assumir a natureza de um animal? Isso não parece provável. A encarnação significa que o Verbo que era Deus se fez carne – isto é, assumiu a natureza de homem (Jo 1.14). Que Deus pudesse se fazer carne é o maior de todos os mistérios, que sempre transcenderá nosso entendimento humano finito. Mas, presumivelmente, somente porque o homem havia sido criado à imagem de Deus é que a Segunda Pessoa da Trindade pôde assumir a natureza humana. A Segunda Pessoa, ao que parece, não poderia ter assumido uma natureza que não tivesse qualquer semelhança com Deus. Em outras palavras, a encarnação confirma a doutrina da imagem de Deus.

Visto que Cristo era totalmente sem pecado (Hb 4.15), em Cristo vemos a imagem de Deus em sua perfeição. Como um habilidoso professor usa recursos visuais para ajudar seus alunos e suas alunas a entenderem o que está sendo ensinado, assim Deus o Pai nos deu em Jesus Cristo um exemplo visual do que é a imagem de Deus. Não há meio melhor de ver a imagem de Deus do que olhar para Jesus Cristo. O que vemos e ouvimos em Cristo é o que Deus planejou para o homem.

Neste caso, a melhor maneira de aprender o que significa a imagem de Deus não é comparando o ser humano aos animais, como tem sido feito com frequência e, então, identificar a imagem divina com aquelas qualidades, habilidades e dons que o homem possui em distinção aos animais. Ao contrário, precisamos descobrir o que é a imagem de Deus olhando para Jesus Cristo. O que deve estar no centro da imagem de Deus não são características como a capacidade de raciocinar ou a capacidade de tomar decisões (independente­mente da importância que tais capacidades tenham para a operação própria da imagem de Deus), mas, ao invés delas, aquilo que era fundamental na vida de Cristo: amor a Deus e ao ser humano. Se é verdade que Cristo reflete perfeita­mente Deus, então o âmago da imagem de Deus precisa ser o amor. Porque ser humano algum jamais amou como Cristo amou.17

Uma série de passagens do Novo Testamento ensinam haver uma necessidade de restauração da imagem de Deus. Eu tenho em mente aquelas passagens que descrevem a renovação moral e espiritual do homem como um processo no qual ele está sendo conformado mais e mais à imagem de Deus. Se os seres humanos precisam ser desta maneira conformados (ou conforma­dos novamente) em um processo que perdura toda a sua vida, é necessário que a imagem de Deus na qual foram criados foi, de alguma forma, corrompi­da pela Queda.

Vejamos primeiro o texto de Romanos 8.29: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. A passagem fala a respeito de alguns que foram predestinados ou preordenados (proorisen) para serem conformados ou feitos à semelhança (symmorphous) à imagem (eikon) do Filho de Deus, de modo que o Filho possa ser o primogênito ou aquele que tem primazia (prototokon) entre muitos irmãos.

Antes de o povo de Deus ter existido, ou antes da fundação do mundo (ver Ef 1.4), Deus de antemão conheceu (no sentido de que de antemão amou)18 seu povo escolhido. Aqueles que ele de antemão conheceu, ele também preordenou ou predestinou a serem conformados à imagem de seu Filho. Visto que o Filho, como vimos, é a imagem perfeita de Deus, o Pai, não faremos violência ao texto se interpretarmos a expressão “imagem de seu Filho” como sendo equivalente “à imagem de Deus”. Segundo esta passagem, portanto, alguma coisa aconteceu à imagem de Deus. Essa imagem aparentemente se corrompeu e se deteriorou de tal forma por causa da queda do homem em pecado que ele precisa novamente ser conformado à imagem de Deus. A conformidade à imagem do Filho – e, portanto, à imagem de Deus – é descrita aqui como o propósito ou objetivo para o qual Deus predestinou o seu povo escolhido. Esse propósito, embora comece a ser trabalhado aqui e agora, não será realizado plena­mente senão na vida vindoura, no dia em que seremos perfeitamente como Cristo é (1 Co 15.49; Fp 3.21 ; 1Jo 3.2).

Uma outra passagem que fala da renovação da imagem de Deus no homem é 2 Coríntios 3.18 -“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Na antiga dispensação do pacto da graça, Paulo diz aqui, Moisés teve de cobrir a sua face com um véu quando falava aos israelitas após ter estado na presença de Deus. Na presente era, a era do novo pacto, contudo, o povo de Deus não precisa esconder ou encobrir a face após ter conversado intimamente com Deus. Todos nós, agora, refletimos a glória do Senhor – isto é, a glória de Cristo – com as faces desvendadas. Embora a Almeida Revista e Atualizada traduza a palavra grega katoptrizamenoi como “contemplando”, a maioria das versões modernas, como a NIV, traduzem esta palavra grega como “refletindo”.19 A palavra grega é derivada de katoptron, que significa “espelho”. Literalmente, portanto, katoptrizamenoi significa “espelhando”. A palavra poderia significar “contemplando como em um espelho” ou “refletindo como um espelho”. Eu prefiro o segundo significado, visto que ele se assenta tão bem no contexto. O rosto de Moisés refletia a glória de Deus depois que ele estivera em comunhão face a face com Deus. Visto que o brilho dessa glória era intenso demais para os israelitas olharem para ela, e que também esse brilho logo se desvaneceria (v. 13), Moisés teve de cobrir seu rosto com um véu. Mas hoje, Paulo aponta, podemos refletir a glória do Senhor Jesus Cristo com o rosto descoberto. Vemos, assim, a superioridade do novo pacto em relação ao antigo.

O tempo do particípio katoptrizomenoi é presente, indicando que nós, que somos o povo de Deus hoje, estamos continuamente refletindo a glória do Senhor. Enquanto estamos refletindo essa glória, contudo, também estamos sendo transformados nessa mesma imagem (ten auten eikona) – isto é, na imagem de Cristo – de um grau de glória para outro (apo doxes eis doxan). Visto que o verbo traduzido como “somos transformados” (metamorphoumetha) está no presente, está expresso também que este processo de transformação é contínuo. Assim como continuamente refletimos a glória do Senhor, continuamente, também, estamos sendo transformados na imagem daquele cuja glória estamos refletindo. Esta transformação, Paulo acrescenta, vem do Senhor, que é o Espírito.

Romanos 8.29 e 2 Coríntios 3.18 igualmente ensinam que o objetivo da redenção dos que são povo de Deus é que sejam plenamente conformados à imagem de Cristo. Mas enquanto no texto de Romanos esta conformação à imagem de Cristo é considerada o objetivo para o qual Deus nos predestinou, na passagem de 2 Coríntios a ênfase recai sobre o caráter progressivo dessa transformação ao longo da presente vida (“de um grau de glória para outro” – 2Co 3.18 RSV) e sobre o fato desta transformação ser obra do Espírito Santo. Ambas as passagens, contudo, claramente afirmam que nós que somos vítimas da Queda precisamos ser mais e mais conformados ou transformados nessa imagem de Cristo, que é a imagem perfeita de Deus.

O pensamento de que os cristãos precisam crescer continuamente neste serem conformados à imagem de Deus encontra-se também em duas passagens do Novo Testamento que falam de despir-se do “velho homem” e de revestir-se do “novo homem”. Versões mais recentes da Bíblia traduzem essas expressões corno “velha natureza” e “nova natureza” ou “velho eu” e “novo eu”. Mas o texto original grego empregou as palavras “velho homem” (palaios anthropos) e “novo homem” (kainos ou neos anthropos) – embora devêssemos lembrar que a palavra grega para homem usada aqui significa “ser humano” e não “ser humano masculino”.

Na primeira das duas passagens, Colossenses 3.9-10, lemos o seguinte:

Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.

No começo do capítulo 3, Paulo dirige-se aos seus leitores colossenses como aqueles que foram ressuscitados juntamente com Cristo e que, portanto, deviam pensar nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra (vv. 1-2). Em seguida, ele exorta seus leitores a fazerem morrer tudo o que pertence à sua natureza terrena e apresenta urna série de proibições. No verso 9, Paulo diz aos cristãos de Colossos para não mentirem uns aos outros, “uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos…”.

O que Paulo quer dizer aqui com “velho homem” ou “velho eu”? Segundo John Murray, “velho homem é uma designação da pessoa em sua unidade enquanto dominada pela carne e pelo pecado”.20 O velho eu, em outras palavras, é o que somos por natureza: escravos do pecado. No entanto, diz Paulo aos crentes em Colossos; visto que vocês se tornaram um com Cristo, vocês não mais são escravos do pecado, pois vocês se despiram do velho eu ou do velho homem escravizado pelo pecado e se revestiram do novo eu (neos anthropos). Por analogia ao que foi dito a respeito do velho homem, concluímos que o novo homem ou o novo eu deve significar a pessoa em sua unidade governada pelo Espírito Santo. Vocês não devem mentir, diz Paulo, porque a mentira não combina com o novo eu de que vocês foram revestidos.

Mas mesmo o novo eu ainda não é perfeito, pois, corno Paulo acrescenta, ele “se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (v. 10). Se algo precisa ser renovado significa que ainda não é perfeito. É interessante observar os tempos dos verbos gregos usados nesta passagem. Os dois verbos principais, “despistes” (apekdusamenoi) e “revestistes” (endusamenoi) estão no aoristo, sugerindo urna ação momentânea ou instantânea. O particípio traduzido como “se refaz” (anakainoumenon) está no presente, que descreve a ação em progresso ou uma ação continuada. Nesta passagem, por­ tanto, Paulo considera os crentes como aqueles que, de uma vez por todas, foram despidos de seu velho eu e foram revestidos de seu novo eu – novo eu que, contudo, ainda está sendo contínua e progressivamente renovado. Em outras palavras, à luz desta passagem os crentes não deveriam se considerar como escravos do pecado ou como “velho eu”, nem como sendo parcialmente “velho eu” e parcialmente “novo eu”, mas como aqueles que são novas pessoas em Cristo. Todavia, o novo eu crente dos cristãos ainda não é perfeito ou sem pecado, visto que este novo eu ainda precisa ser progressivamente renovado pelo Espírito Santo. Os cristãos deveriam, portanto, ver-se a si mesmos como pessoas que são genuinamente novas, embora ainda não totalmente novas.21

Este novo eu de que o cristão se reveste “se refaz para o pleno conhecimento”. A palavra grega traduzida aqui como “o pleno conhecimento” é epignosis, no sentido implícito de um conhecimento pleno e rico, que não envolve apenas a mente, mas também o coração. O objeto deste conhecimento é a vontade de Deus. Conforme o cristão cresce em seu entendimento da vontade de Deus, ele confiará mais em Deus e o servirá melhor.

Este novo eu está sendo renovado no conhecimento “segundo a imagem (kateikona) daquele que o criou”. Aqui, mais uma vez, encontramos um eco das palavras de Gênesis 1.27, que nos dizem que Deus criou o homem à sua própria imagem. Do que foi dito, que o novo eu é progressivamente renovado segundo à imagem de seu Criador, infere-se que o homem, pela sua queda em pecado, teve a sua imagem original tão corrompida que precisa ser restaurada no processo da redenção. Mas o objetivo da redenção é erguer o homem a um nível mais alto do que ele estava antes da Queda – um nível em que pecado ou incredulidade não serão possíveis.22 A finalidade da redenção é que, tanto no conhecimento como em outros aspectos de suas vidas, os que são povo de Deus sejam plena e indefectivelmente portadores da imagem de Deus.

A Segunda passagem do Novo Testamento que fala do despir-se do “velho homem” e do revestir-se do “novo homem” é Efésios 4.21-24:

Fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Esta passagem contém, no grego, três infinitivos, traduzidos como “vos despojeis” (apothesthai, aoristo); “vos renoveis” (ananeousthai, presente) e “vos revistais” (endusasthai, aoristo). Muitas versões para o inglês traduzem estes infinitivos como se fossem imperativos, como se o apóstolo estivesse dizendo: “Deveis vos despojar do velho homem, deveis vos renovar e deveis vos revestir do novo eu”. Embora ocasionalmente os infinitivos gregos possam ser em­ pregados como imperativos (como, por exemplo, em Rm 12.15), não é necessário interpretá-los como tais aqui. Eu prefiro, com John Murray,23 entender essas formas como infinitivos de resultado ou como infinitivos explicativos, subordinados ao verbo, no grego, edidachthete, “fostes instruídos” (v. 21), expressando o conteúdo dessa instrução. Assim também a NIV traduz estes verbos: “fostes instruídos… a vos despojar… a vos revestir… a vos renovar…”24

Uma vez que vocês agora conhecem a Cristo, diz Paulo aos cristãos de Éfeso,25 vocês foram ensinados, de uma vez para sempre, a se despojar de seu velho eu (ou “velho homem”, palaion anthropon), a serem continuamente renovados na atitude de suas mentes e, de uma vez para sempre, a se revestirem do “novo eu” (ou “novo homem”, kainon anthropon). Em palavras que lembram Cl 3.9- l O, Paulo diz que um cristão é uma pessoa que, decisiva e irrevogavelmente, se despojou do velho eu e se revestiu do novo eu e que deve, contínua e progressivamente, ser renovado (ananeousthai, presente) no espírito ou atitude de sua mente. Uma mudança definitiva de direção deve ser acompanhada de renovação diária e progressiva. O cristão é uma nova pessoa, mas tem ainda muito o que crescer.

Observe, agora, o que é dito a respeito do novo eu do qual o cristão se revestiu: este novo eu que foi “criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”. Embora a expressão “imagem de Deus” não ocorra nesse texto, nós, contudo, temos a expressão “criados segundo Deus” (kata theon ktisthenta). Como Deus foi o criador do homem no princípio, assim Deus é também o criador do novo eu ou do novo homem de que os cristãos se revestem. Como o homem foi criado à imagem de Deus no princípio, assim o novo eu que Deus criou para nós é “segundo” Deus, ou semelhante a Deus. Visto que o cristão ainda não é perfeito mas precisa ser progressivamente renovado (v. 23), concluímos que esta renovação consiste em uma crescente e sempre maior semelhança a Deus. Aqui, de novo, vemos que o propósito da redenção é restaurar a imagem de Deus no homem.

O “novo eu” como vimos aqui é descrito como tendo sido criado “segundo Deus, em justiça e retidão (ou “santidade”) procedentes da verdade”.26 Há um contraste óbvio aqui entre ajustiça e santidade que caracterizam o novo eu e as “concupiscências do engano” ou “desejos enganosos” (v. 22) que marcam o velho eu. Os desejos pecaminosos nos enganam, jamais proporcionando as boas coisas que parecem prometer, mas ajustiça e a santidade que buscamos como novas criaturas nunca nos enganarão.

Em suma, as quatro passagens recém-examinadas (Rm 8.29; 2 Co 3.18; Cl 3.9-10; Ef 4.21-24) ensinam que a intenção de nossa redenção em Cristo é fazer-nos mais e mais semelhantes a Deus, ou mais e mais semelhantes a Cristo, que é a imagem perfeita de Deus. O fato de que a imagem de Deus deve ser restaurada em nós indica que, sob determinado aspecto, ela foi corrompida. Embora, como já vimos, algumas passagens da Bíblia ensinam que há alguns aspectos sob os quais mesmo o homem pecador ainda é um portador da imagem de Deus, esses textos também indicam claramente que, sob um determina­ do aspecto, não mais refletimos a Deus apropriadamente por causa de nosso pecado e que, por essa razão, precisamos ser restaurados àquela imagem. A imagem de Deus, neste aspecto, não é estática, mas dinâmica. Ela é um modelo de acordo com o qual nossa vida está sendo renovada pelo Espírito Santo e o propósito escatológico em direção ao qual nos movemos. Deveríamos entender a imagem de Deus sob este aspecto, contudo, não como um substantivo, mas como um verbo: não mais refletimos Deus como deveríamos; estamos agora sendo capacitados pelo Espírito a refletir a Deus mais e mais adequada­ mente; algum dia refletiremos Deus perfeitamente.

Nossa restauração para uma semelhança maior com Deus não é apenas algo que o Espírito de Deus opera em nós no processo da redenção; ela também é descrita no Novo Testamento corno algo que envolve nossos próprios esforços. Para ser exato, essa restauração é basicamente obra de Deus – quem nos santifica por meio do seu Espírito. Mas algumas passagens do Novo Testamento indicam que a renovação em maior conformidade com Deus também é, ao mesmo tempo, uma responsabilidade do homem. Renovação à imagem de Deus, em outras palavras, não é um indicativo, mas também um imperativo.

Vejamos, por exemplo, Efésios 5.1 – “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados”. Ser imitadores de Deus significa continuar a ser semelhantes a Deus (o verbo grego está no presente). Não podemos ser, naturalmente, em todas as coisas semelhantes a Deus – tais como em sua onisciência, onipresença ou onipotência. Mas há coisas em que podemos ser semelhantes a Deus, se não perfeitamente, ao menos em princípio. Paulo as especifica nos versículos imediatamente anteriores e seguintes desta passagem. No verso que precede (Ef 4.32), Paulo diz a seus leitores que eles deveriam perdoar uns aos outros “como também Deus, em Cristo vos perdoou”. No verso que se segue (Ef 5.2), Paulo continua: “e andai em amor, como também Cristo nos amou”. Precisamos, portanto, continuamente procurar perdoar como Deus nos perdoou e amar como Cristo nos amou. Visto que perdoar os outros é um aspecto do amor, vemos aqui novamente que a essência da imagem de Deus é o amor. Como nos versículos antes considerados, refletir a Deus é apresentado aqui como um processo no qual precisamos estar engajados continuamente. Mas, neste processo, não podemos ser passivos, mas ativos.

E uma passagem similar (1Co 11.1), Paulo escreve: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. Este não é o único lugar em suas cartas em que Paulo exorta seus leitores a o imitarem (ver também 1Co 4.16 e 2 Ts 3.9); mas o relevante nesta passagem é que, nela, Paulo exorta seus leitores a serem (ou se tornarem, ginesthe) imitadores dele como ele, por sua vez, é um imita­ dor de Cristo (comparar com 1Ts 1.6). Os coríntios são exortados a serem mais e mais tal como Paulo é, enquanto Paulo tenta modelar-se mais e mais em conformidade a Cristo. Já que Cristo é a imagem perfeita de Deus, Paulo está tentando ser mais e mais semelhante a Deus, que é perfeitamente representado em Cristo; em vista disso, ele pede a seus leitores para serem mais e mais tal como ele é. Conforme seus leitores se tornam mais como Paulo é, eles se tornarão mais como Deus é. Refletir Deus é apresentado aqui, novamente, como uma atividade à qual Paulo e seus leitores, igualmente, precisam se engajar continuamente.27

Em Filipenses 2.5-11, Paulo exorta seus leitores, dizendo: “tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (v. 5), para, em segui­ da, descrever a assim chamada mente de Cristo: estarmos dispostos, como Cristo, a nos humilharmos, até, se necessário, à morte. Claramente, não podemos ser semelhantes a Cristo em tudo. Mas podemos ser semelhantes a ele em sua humilhação, em sua disposição de humilhar-se a si mesmo por causa de seus irmãos e irmãs. Devemos estar prontos e dispostos a imitar Cristo, que é a imagem perfeita de Deus.

De fato, Cristo mesmo exigiu tal imitação de si mesmo em seu ministério terreno. Após ter lavado os pés dos discípulos – uma tarefa servil que nenhum dos discípulos havia se oferecido para fazer – Jesus lhes disse: “Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.14-15). Quando Jesus disse essas palavras, não estava instituindo um ritual de lava-pés eclesiástico. Estava, porém, guiando seus discípulos e, dessa forma, todos os crentes, a seguirem seu exemplo de serviço humilde. Todos nós, portanto, que somos cristãos, devemos imitar Cristo nisso, e imitar Cristo é imitar Deus.

O que estas quatro passagens nos ensinam é que todos os cristãos são chamados a imitar cada vez mais Deus e Cristo, que é a perfeita imagem de Deus. Essa é nossa tarefa, nossa responsabilidade – uma responsabilidade que podemos cumprir somente se capacitados por Deus, mas que, ainda assim, permanece nossa responsabilidade. O próprio fato, contudo, de que somos chamados para essa tarefa indica que, sob determinado aspecto, a imagem de Deus foi arruinada pelo pecado.

Um último ponto. No Novo Testamento, a imagem de Deus é algumas vezes descrita sob uma perspectiva escatológica. O propósito último de nossa santificação é que seremos totalmente semelhantes a Deus, refletindo perfeitamente a imagem de Deus. Isso é geralmente descrito nos escritos do Novo Testamento em termos do nosso vir a ser completamente iguais a Cristo, que é a imagem perfeita de Deus.

Um exemplo disso está em 1 Coríntios 15.49: “E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial”. No contexto imediato o contraste pretendido é entre o primeiro e último Adão. O primeiro Adão “formado da terra, é terreno” (v. 47); o segundo homem, ou o último Adão, é do céu. O último Adão obviamente é Cristo. Como fomos feitos à imagem do homem terreno (choikou, lit. feito do pó), Paulo ensina aqui, traremos a imagem (eikona) do homem do céu (ou homem celestial, e pouraniou). O ponto fundamental em relação ao tema deste capítulo é a ressurreição do corpo. Durante esta presente vida temos trazido – e ainda trazemos – a imagem de Adão, o homem terreno, o homem de pó; mas na vida por vir traremos plenamente a imagem de Cristo, o homem do céu. Nossa existência futura será gloriosa, porque então seremos perfeitamente como Cristo é. Embora Paulo esteja falando basicamente sobre o corpo, não faremos violência ao texto se o entendermos não somente em referência ao corpo mas à nossa existência toda.28

O mesmo pensamento é encontrado em uma passagem que constitui a marca escatológica da primeira epístola de João: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo 3.2). Após ter expressado sua admiração pela maravilha do amor divino que nos tornou filhos de Deus (v. 1), João nos diz também que ele não sabe como seremos no futuro. Mas de uma coisa ele está certo: “Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”. Em outras palavras, quando Cristo voltar, aqueles que estão nele participarão de sua glória.29

Quando João diz que seremos semelhantes a ele, ele está se referindo a Cristo. Há duas maneiras de se entender a última parte do versículo 2. Poderia se entender que João está falando que nós seremos iguais a Cristo porque o veremos como ele é. O pensamento então seria que o vermos Cristo como ele é resulta em nos tornarmos perfeitamente semelhantes a ele.30 Outra interpretação possível, contudo, é que João esteja dizendo: “Nós seremos iguais a Cristo e, portanto, havemos de vê-lo como ele é”.31 A última interpretação parece merecer a preferência. Dessa forma, então, a bênção prometida a nós no retorno de Cristo é perfeita e completa semelhança a ele, uma semelhança que nos capacitará a fazer o que não podemos fazer enquanto permaneceremos em nosso estado presente, até a glorificação, a saber, vê-lo em sua fascinante glória, face a face. Visto que Cristo é a imagem perfeita de Deus, semelhança a Cristo significará também semelhança a Deus. Esta semelhança perfeita a Deus e a Cristo é o propósito último de nossa santificação. Ao passo que a imagem de Deus, agora, está sendo progressivamente restaurada naqueles que são filhos de Deus, na vida futura, essa imagem será completa e definitivamente restaurada. Então, seremos perfeitamente semelhantes a Deus.

Resumindo o que aprendemos da Bíblia sobre a imagem de Deus, observamos que as passagens citadas do Antigo Testamento e Tiago 3.9 deixam evidente que, sob um aspecto muito importante, o homem hoje –  o homem caído – ainda traz a imagem de Deus e, portanto, tem de ser visto como tal. Das demais passagens consultadas no Novo Testamento, entretanto, aprendemos que, sob outro aspecto, o homem caído necessita ser continuamente restaurado à imagem de Deus – uma restauração que está em curso agora, mas que será completada um dia. Em outras palavras, há um aspecto sob o qual os seres humanos não trazem mais, propriamente, a imagem de Deus e, portanto, precisam ser renovados nessa imagem. Poderíamos dizer que, com relação a este último aspecto, a imagem de Deus no homem foi arruinada e corrompida pelo pecado. Temos de ver o homem caído como alguém que ainda traz a imagem de Deus, porém como alguém que, por natureza, à parte da obra regeneradora e santificadora do Espírito Santo, reflete a imagem de Deus de uma maneira distorcida. No processo de redenção essa distorção é progressivamente removida até que, na vida futura, novamente refletiremos perfeitamente Deus.

Assim, para ser fiel à evidência bíblica, nosso entendimento da imagem de Deus deve incluir estes dois aspectos: (1) A imagem de Deus corno tal é um aspecto imperdível do homem, sendo urna parte de sua essência e existência, algo que o homem não pode perder sem cessar de ser homem. (2) A imagem de Deus, contudo, deve também ser entendida como aquela semelhança a Deus que foi pervertida quando o homem caiu em pecado e está sendo restaurada e renovada no processo de santificação.

 

 

A imagem de Deus no Antigo e no Novo Testamento (1/2)

 

 

NOTAS:

  1. No mesmo sentido temos as seguintes palavras do Prólogo do Evangelho de João: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (1.18).
  2. An Expository Dictionary of New Testament Words (Old Tappan, NJ: Revell, 1940; reimpressão 1966), sob “lmage”, p. 247.
  3. Poderia se opor, talvez, que outras virtudes ornaram a vida de Cristo tanto quanto o amor (o que, naturalmente, é verdade). Todavia, o amor, que é chamado no Novo Testamento de o “cumprimento da lei” (Rm 13.10; GJ 5.14) e é descrito em CI 3.14 como o “vínculo da perfeição” que mantém unidas todas as outras virtudes, foi revelado na vida de Cristo de um modo que jamais foi superado. Pensamos, por exemplo, em tais passagens como Jo 15.9 (“Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor”) e 1Jo 3.16 (“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.”). Que o amor é essencial à imagem de Deus afirma-se claramente em Ef 5.1-2: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”.
  4. Cf. John Murray The Epistle to the Romans (Grand  Rapids:  Eerdmans, 1959), ad  loc; Herman Ridderbos, Aan de Romeinen  (Kampen: Kok, 1959), ad toe. Nota de tradução: No original, a KJV.
  • Nota de tradução: A  Almeida  RC (ed.  1995) traz  “refletindo”.
  1. Tanto a ASV como a RSV trazem beholding [contemplando] no texto e rejlecting [refletindo] na margem.
  2. Principies of Conduct (Grand Rapids: Eerdmans, 1957), p. 218.
  3. Cf. Donald MacLeod, “Paul’s Use of the Term ‘The Old Man'” em The Banner of Truth (London), nº 92 (Maio 1971): pp. 13-19. Sobre as implicações deste ensino para a auto imagem dos cristãos, ver meu trabalho The Christian Looks at Himself, edição  revisada  (Grand  Rapids: Eerdmans,  1977).
  4. Sobre esta questão, ver abaixo, pp. 98, 99, 109.
  5. Principies of Conduct, pp. 214-19.
  6. Este entendimento do versículo tornaria seu ensino paralelo ao que é encontrado em uma epístola gêmea, Cl 3.9-10, que acabamos de examinar. Despojar-se do velho eu e revestir-se do novo eu não são ações que os cristãos ainda devem ser exortados a fazer, mas ações que ele ou ela já fez.
  7. Ou aos crentes em geral, no caso de se seguir manuscritos que omitem “em Éfeso” no versículo 1.
  8. As três palavras usadas em CI 3.9-10 e Ef 4.24 para descrever os aspectos do novo eu (conhecimento, justiça e santidade) são frequentemente usadas para indicar o que se entende por imagem de Deus no assim chamado sentido estrito – neste sentido em que ela se perdeu por causa da Queda e está sendo restaurada no processo da redenção. O Catecismo de Heidelberg usa as palavras neste sentido na resposta 6: “Deus criou o homem bom e à sua própria imagem, isto é, em verdadeira justiça e santidade, de forma que ele pudesse verdadeiramente conhecer a Deus, seu criador, amá-lo de todo o seu coração, e viver com ele em eterna alegria para seu [de Deus] louvor e glória” (segundo a tradução para o inglês de 1975, Christian Reformed  Church). Abordaremos esta questão mais adiante, no Capítulo 5.
  • O autor refere-se ao substantivo “the image” e ao verbo “to image”, um paralelo, em português, seria entre o substantivo “reflexo” e o verbo “refletir”.
  1. Cf. Willis P. De Boer, The lmitation  of Paul:  an Exegetical  Study (Kampen:  Kok,  1962).
  • Quanto ao futuro do corpo, observe também Fp 3.21: “o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória”.
  1. Observe o testemunho de Paulo com respeito a esta feliz expectativa do futuro em Cl 3.4: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória”.
  2. Cf. Howard Marshall, The Epistles of John (Grand Rapids: Eerdmans, 1978), ad loc.; John R. W. Stott, The Epistles of John  (Grand  Rapids: Eerdmans, 1964), ad toe.
  3. Calvino, 1 John, T. H. L. trad. de Parker (Grand Rapids: Eerdmans, 1979), ad loc; S. Greijdanus, /li and Ili Johannes (Kampen: Kok, 1952), ad loc.

 

 

Autor: Anthony Hoekema

Trecho extraído do livro Criados à Imagem de Deus, pág 32-45. Editora: Cultura Cristã

 

Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso
Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e bloqueiro. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.