Por que tantas pessoas perdem o verdadeiro significado do Natal?

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A maioria das pessoas no mundo irão perder o próximo Natal. Mas, como pode ser isso? Como alguém pode perder o Natal, tendo em vista a quantidade de anúncios, publicidade e promoção que o “dia santo” [ou feriado] recebe a cada ano? Apesar de muitos celebrarem o Natal todos os anos, a maioria não sabe acerca do mesmo. Com toda a promoção da mídia sobre o Natal, muitos irão perder isso, pois se tornou algo demasiadamente obscurecido.

Para aqueles que conhecem e amam o Senhor Jesus Cristo, o Natal é um tempo para focar-se em Seu nascimento. Contudo, até mesmo nós, cristãos, podemos ser levados no redemoinho de atividades em torno do Natal e perdermos o seu verdadeiro sentido. Satanás tem de tal modo desvirtuado o conceito cristão de Natal com esta parafernália inútil que o seu verdadeiro significado é facilmente perdido.

Uma Breve História do Natal

A maioria dos estudiosos duvida que 25 de dezembro seja a verdadeira data do nascimento de Cristo. Não há sustentação bíblica para isto, e alguns são contra. Essa data foi escolhida pela igreja em Roma no século IV. Eles tinham uma razão específica para fazer isso.

Muitos dos primeiros habitantes da terra eram adoradores do sol, porquanto dependiam do curso anual do sol nos céus. A maioria das pessoas realizavam festas no tempo do solstício de inverno (meados de dezembro), um período em que os dias eram mais curtos. Eles construíam fogueiras para “adorar” ao deus do sol e trazê-lo de volta à vida. Quando se tornou evidente que os dias estavam cada vez mais longos, houve grande alegria.

Os pais da igreja em Roma decidiram celebrar o nascimento de Cristo no solstício de inverno. Foi a tentativa de cristianizar as celebrações pagãs populares. Todavia, eles não conseguiram fazer com que as pessoas observassem isso. Pelo contrário, as festividades pagãs continuaram, e ficamos com um insólito casamento de elementos pagãos e cristãos que caracterizam a nossa celebração moderna do Natal.

Os exemplos a seguir nos darão uma ideia do quanto os costumes pagãos abrangem o que conhecemos como Natal.

Para os romanos, o mês de dezembro marcou o Festival de Saturnália (17-24 de dezembro). Um dos costumes mais comuns durante esse festival era dar presentes um ao outro. Até onde sabemos, foi neste evento que a ideia de troca de presentes surgiu. A grinalda verde também deriva do festival de Saturnália, durante o qual as casas eram decoradas com ramos perenes.

Os druidas da Inglaterra recolhiam o visco sagrado para suas cerimônias e decoravam suas casas com ele. Acredita-se que a primeira árvore de Natal foi instituída por Bonifácio, um missionário inglês que viajou para a Alemanha no século VIII. Ao que parece, ele substituiu os sacrifícios ao carvalho sagrado do deus Odin por uma árvore adornada em homenagem a Cristo. Alguns relatos sugerem que Martinho Lutero foi quem introduziu a árvore de Natal iluminada com velas.

O “Papai Noel”, por sua vez, é uma contração de São Nicolau, um bispo na Ásia Menor durante o século IV, conhecido por sua extraordinária generosidade. Mais tarde ele foi associado a dar presentes no final do ano. São Nicolau foi adotado pelos Países Baixos como o santo padroeiro das crianças. Na véspera de São Nicolau, as crianças deixavam seus sapatos cheios de feno para o cavalo branco do santo.

Não é de se admirar que tantas pessoas percam o Natal. A simplicidade do nascimento de Cristo é afogada em um mar de tradições, muitas delas sendo de origem pagã. Pior do que isso, quando Cristo nasceu em Belém, a maioria das pessoas naquele dia não perceberam este fato. Nos relatos seguintes do evangelho, veremos seis maneiras pelas quais as pessoas perderam o Natal e aprendermos a evitar cometer o mesmo erro.

Preocupação ignorante

Lucas 2.7 diz: e ela [Maria] deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. A primeira pessoa que perdeu o Natal foi o dono da hospedaria. Ele foi incapaz de acolher Maria e José porque não tinha espaço para eles. Aparentemente, ele estava insensível à situação de ambos. Não há nenhuma indicação na Escritura de que ele tenha pedido qualquer ajuda.

Observe que o versículo 7 diz: Ela deu à luz o seu filho primogênito. A própria Maria deu à luz a Jesus. Ela mesma o envolveu em panos. José estava lá para ajudar, mas se ele fosse “mais um”, como a maioria dos jovens pais, ele teria sido de pouca ajuda.

As pessoas do Oriente Médio são hospitaleiras, bondosas e atenciosas. Elas não são rudes. Elas não são o tipo de pessoas que deixariam uma mulher sozinha para ter o seu bebê. Mas, neste caso, elas foram. Onde estavam as parteiras? Você pensaria que o hospedeiro conhecia alguém que poderia ter ajudado.

Lucas relata que Maria colocou Jesus em uma manjedoura, que é um tipo de vasilha de alimentação para animais de grande porte. Os panos que ela envolveu Jesus eram longas tiras de pano. Sempre que uma criança nascia, o bebê era imediatamente limpo. Em seguida, os membros do bebê e corpo seriam envoltos nesses panos de faixas e, portanto, envolto em uma coberta exterior. Esse era um dever normalmente realizado por uma parteira; no entanto Maria teve que fazer tudo isso sozinha.

O comentarista G. Campbell Morgan escreveu:

Pense no sofrimento dele. “Ela o trouxe para fora.” “Ela o enrolou em panos.” É muito bonito, mas oh, a piedade dele, a tragédia dela, a solidão dela. Que naquela hora de todas as horas, quando a feminilidade deveria ser cercada pelo mais terno cuidado, ela estava sozinha. O método do escritor é muito distinto. Ela, com as próprias mãos, envolveu o bebê com aqueles panos e o colocou na manjedoura. Não havia ninguém lá para fazer isso por ela. Digo outra vez, a compaixão por ele, e ainda a sua glória para o coração de Maria (“O Evangelho Segundo Lucas” [N.J. Revell, 1931], p.36).

Não sabemos muito acerca do Hospedeiro, pois a Bíblia não diz quase nada sobre ele. Alguns comentaristas especulam que Jesus nasceu em um estábulo; alguns pensam que ele nasceu em uma caverna; e outros acreditam que ele nasceu em um pátio aberto na hospedaria. Uma coisa nós sabemos: qualquer hospitalidade que Maria e José esperavam encontrar, eles não encontraram de ninguém – eles foram para longe.

Por que o hospedeiro perdeu o Natal? Eu acredito que a resposta simples é a preocupação. Estava ocupado. Sua hospedaria estava cheia porque um censo estava sendo realizado em Belém. A cidade estava abarrotada de pessoas, cujos patrícios vieram de lá. Como Belém era a cidade de Davi, estavam ali todos os que eram da linhagem de Davi, incluindo José e Maria. O hospedeiro não era necessariamente hostil e antipático; ele estava apenas ocupado.

Muitas pessoas são como o hospedeiro. As câmaras de suas almas estão cheias de coisas desnecessárias; coisas que não importam. Como resultado, eles sentem falta do Cristo de Deus. Nossa sociedade é preenchida com o desnecessário, o insignificante e o sem sentido. Nós gastamos uma fortuna para acumular bens, a fim de podermos deixar nossas crianças lutarem por eles quando nós morrermos. E nosso tempo é consumido pelas demandas que nossos bens impõem sobre nós.

As pessoas sentem falta de Cristo na época de Natal porque Ele é “sobrecarregado” por um mundo que dita o que devemos pensar, fazer e comprar. Como o hospedeiro, as pessoas hoje estão preocupadas. O hospedeiro e elas não sabiam nada acerca do bebê. Contudo Maria deu à luz. Elas não sabem quem é Cristo e não sabem por que Ele veio. Em vez disso, elas estão ignorantemente preocupadas com o mundanismo e coisas sem sentido. Como é triste atestar que tantas pessoas vivem suas vidas em busca disso apenas para acordar um dia na eternidade sem Deus.

Medo ciumento

Em Mateus 2 encontramos outro homem que perdeu o Natal:

Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; […] Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo (vs.1-3; 7-8).

Herodes era o rei da nação. Ele fingiu seu desejo de adorar a Jesus Cristo, mas estava temeroso por ter nascido um que era chamado de Rei dos Judeus. A palavra grega traduzida como alarmou-se, no versículo 3, literalmente “perturbado”, significa “estar agitado”. Ela traz a ideia de “pânico total”. Herodes ficou tomado de pânico. Por quê? Ele tinha medo de Jesus – medo de outro rei. Vejamos por quê.

Júlio César nomeou o pai de Herodes, o Antipas, para ser procurador ou governador da Judéia, debaixo da ocupação romana. Antipas, então, conseguiu com que seu filho, Herodes, fosse nomeado prefeito da Galiléia. Nesse cargo, Herodes foi bem-sucedido em reprimir as bandas de guerrilha judaica que continuaram a lutar contra seus governantes estrangeiros.

Após fugir para o Egito, quando os partos invadiram a Palestina, Herodes foi para Roma. E em 40 a.C, foi declarado por Augusto e Antônio (com a concordância do Senado romano) para ser rei dos judeus. Ele invadiu a Palestina no ano seguinte e, após vários anos de luta, expulsou os partos e estabeleceu seu reino.

Como não era judeu, mas um edomita, Herodes casou-se com Mariane, herdeira da casa judaica asmoneana, para se tornar mais aceitável aos judeus que agora governava. Era inteligente, um hábil guerreiro, orador e diplomata; mas também era cruel e impiedoso. Ele era incrivelmente ciumento, desconfiado e temeroso por sua posição e poder. Com medo de uma ameaça em potencial, teve o sumo sacerdote Aristóbulo, o irmão de sua esposa afogado, depois do qual providenciou um magnífico funeral, onde ele fingiu chorar. Por conseguinte, ele matou a própria Mariane e, em seguida, sua mãe e dois de seus próprios filhos.

Cinco dias antes de sua morte (cerca de um ano depois de Jesus ter nascido), ele mandou executar um terceiro filho. Uma das maiores evidências de sua sanguinária e insana crueldade foi ter os cidadãos mais ilustres de Jerusalém presos pouco antes de sua morte. Como sabia que ninguém lamentaria sua própria morte, deu ordens para que aqueles prisioneiros fossem executados no momento em que ele morresse. Assim, ele garantiu que haveria luto em Jerusalém.

Essa barbárie foi excedida em crueldade apenas pela matança de todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo (Mateus 2.16). Através desta ação, ele esperava profligar qualquer tipo de ameaça ao seu trono, segundo o relato dos magos, os quais disseram que o rei dos judeus havia nascido.

Por que Herodes perdeu o Natal? Por medo e ciúme. Para que você não pense que não há mais Herodes neste mundo, basta ler o jornal todos os dias. O homem é depravado. Há Herodes em cada sociedade. Mas há uma lição maior para toda a humanidade.

Muitas pessoas perdem o Natal por causa do mesmo tipo de medo que Herodes tinha. Herodes tinha medo de que alguém tomasse o seu trono. Hoje, as pessoas têm medo de abandonar seus próprios planos, prioridades, valores e a moralidade. Elas não querem vir a Cristo porque Ele vai comprometer o seu estilo; Ele vai reivindicar sobre suas vidas. Isso significa que elas terão que alterar a maneira como vivem. A mídia fala às pessoas para que façam suas próprias coisas, controlem sua própria sorte e tracem seu próprio destino. O mundo está apinhado de reis que não se ajoelham diante de Jesus. Com efeito, elas perdem o Natal como Herodes.

E quanto a você? Você disse não a Jesus Cristo por que tem medo da reivindicação que Ele colocará sobre você? Você quer ser o senhor e mestre de sua vida e o rei do seu pequeno reino? Isso é trágico. O reino dele é muito mais glorioso!

Indiferença orgulhosa

Uma vez que Herodes soube dos sábios que nasceria uma criança que seria o rei dos judeus, “convocou todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel (Mateus 2.4-6). Herodes chamou os especialistas.

Os principais sacerdotes consistiam no sumo sacerdote, no capitão da polícia do Templo e em outros bons sacerdotes – aqueles que possuíam grandes habilidades administrativas, de ensino e de liderança. Em sua maioria, os principais sacerdotes eram os saduceus. Os escribas eram principalmente fariseus. Foram os linguistas e intérpretes que entenderam a cultura e a história dos dados bíblicos.

Estes dois grupos sabiam onde o Messias haveria de nascer, pois sabiam que Miquéias profetizou que Belém deveria ser o Seu lugar de nascimento (5.2), uma coisa que a nação judaica estava procurando e ainda faz até hoje. Eles estavam esperando um Messias libertador ao longo de sua história, especialmente da opressão romana, mas estes sacerdotes e escribas não estavam dispostos a viajar uns poucos quilômetros para descobrir se realmente esse bebê que nasceu poderia ser o Messias.

Por que eles perderam o Natal? Por causa da indiferença. Eles não se importavam. Eles tinham todos os fatos, mas não precisavam de um Messias. Por quê? Porque eles eram justos aos seus próprios olhos; eles se viam como guardiões perfeitos da lei. Em suas mentes, eram tudo o que Deus poderia exigir deles. Você poderia dizer que eles estavam cheios de indiferença orgulhosa porque a indiferença é sempre um resultado do orgulho. Não havia espaço para o Filho de Deus no sistema deles. Quando a criança cresceu e apareceu no cenário, eles o odiaram e desprezaram. Então, eles conspiraram Seu assassinato e gritaram por Seu sangue.

Jesus apontou a indiferença deles em uma repreensão contundente em Mateus 9.

E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento] (vs.10-13).

Quando os fariseus realizavam uma festa, eles convidavam pessoas que a si mesmas se justificavam. Quando Jesus celebrou uma festa, Ele acolheu aqueles que sabiam que eram pecadores e estavam desesperadamente conscientes da necessidade de um Salvador.

Muitas pessoas hoje sentem falta do Natal porque não percebem que são pecadoras. Assim, elas ignoram Cristo. Elas não mostram qualquer interesse no Salvador porque não entendem a necessidade de serem salvas. Elas não entendem que o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23), e que o pecado submerge pessoas em um inferno eterno. Consequentemente, elas ignoram o remédio, porque ao menos sabem que têm a doença.

Ritual religioso

Lucas 2 indica outro grupo de pessoas que perderam o Natal: Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor (vs.8-9). O anjo proclamou o nascimento de Cristo, e os pastores foram a Belém para vê-Lo. O versículo 20 diz: Voltaram, então, os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado. De todo o povo em Jerusalém, Deus escolheu pastores para receber a grande notícia sobre o nascimento de Cristo.

Os pastores eram um grupo desprezado de pessoas. Não podiam manter todas as lavagens e atividades cerimoniais porque estavam ocupados cuidando das ovelhas. Ninguém da cidade veio ver a criança, o Cristo, exceto os pastores “imundos.” Contudo, duas pessoas especiais ficaram sabendo de Jesus quando Ele foi trazido para a cidade. Lucas 2.25-26 menciona Simeão, um homem que era justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Lucas 2.36-38 nos fala de Ana, uma viúva que viu o Messias no Templo e que falava a respeito dele a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém (vs. 38).

No entanto, a massa de pessoas em Jerusalém perdeu Natal. O nascimento de Cristo ocorreu a poucos quilômetros de distância. Era a realização de todos os sonhos e esperanças – o evento que mudaria o destino do mundo –, mas eles perderam. Por que eles perderam isso? Por causa da Religião. Eles estavam tão ocupados com os rituais de sua religião que perderam a realidade do nascimento do Messias.

Quando Jesus perguntou aos Seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? (Mateus 16.13), a resposta deles foi: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. (vs.14). Todas as especulações estavam erradas. Jesus não se encaixava no sistema religioso de Sua época. E o povo sabia que Ele não o fez depois que ministrou o Sermão no Monte.

A religião condena uma alma mais depressa do que qualquer coisa se for algo inferior à verdadeira adoração ao verdadeiro Deus. Um sistema religioso falso oferece a uma pessoa um lugar para se esconder; um lugar onde ela pode mascarar sua espiritualidade. Pessoas envolvidas em vários cultos falam sobre Deus, Cristo e a Escritura, mas não conhecem o Senhor. Elas estão perdidas no meio da religião. Destarte, o povo de Jerusalém perdeu Natal enquanto eles estavam sendo religiosos.

Idolatria

Os romanos também perderam o Natal. A profecia de Miquéias de que uma criança, o Cristo, nasceria em Belém, foi posta em jogo por um imperador gentio. Lucas 2.1-2 diz: Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Os soldados romanos registraram as pessoas e fizeram o censo.

Ao longo da vida de Cristo, vemos a presença dos romanos. Antes de Sua morte, Jesus apareceu diante de Pilatos, o governador romano da Judéia (João 18.28-40). Ele foi executado pelos romanos (Mateus 27.27-36). Guardas romanos mentiram sobre Sua ressurreição, propagando uma história dúbia para encobrir a realidade de que Ele ressuscitou dos mortos (Mateus 28.11-15). Todos eles perderam o Natal por causa de sua idolatria: adoravam seus próprios deuses. Cristo não era adequado para eles. Eles adoravam uma multidão de deuses, e o pináculo de sua adoração era a adoração ao imperador. Assim, no meio da idolatria pagã, eles perderam o Natal.

O mundo de hoje está repleto de pessoas que adoram seus próprios deuses. Eles não adoram ídolos como fizeram no tempo de Cristo, mas ainda assim tem seus ídolos e deuses. Algumas pessoas adoram o dinheiro, o sexo. Outras, porém, adoram carros, barcos e casas. Alguns adoram o poder e o prestígio. Essas coisas são os deuses pagãos de hoje; os ídolos do século XXI. E se é isso que você está adorando, você também vai perder o Natal. Você pode receber alguns presentes, comer um bom jantar e desfrutar de uma árvore belamente decorada, mas você vai perder Natal.

Acerca dos Seus conterrâneos

Talvez o mais triste de tudo: o povo de Nazaré perdeu o Natal. Lucas 2.39-40 diz: Cumpridas todas as ordenanças segundo a Lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, para a sua cidade de Nazaré. Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. Quando Jesus retornou a Nazaré, Ele era diferente de qualquer outra criança lá. Ele acompanhou Seus pais a Jerusalém para celebrar a Páscoa quando tinha doze anos de idade. Ele passou a confundir os mestres em teologia no Templo (Lucas 2.41-47). Ele passou trinta anos de Sua vida em Nazaré, mas as pessoas não o reconheceram.

Lucas 4 relata a tragédia que ocorreu quando Jesus revelou Sua identidade aos Nazarenos:

Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios, e perguntavam: Não é este o filho de José? E prosseguiu: De fato, vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra.

O povo de Nazaré perdeu o Natal por causa da familiaridade demasiada. Eles conheciam Jesus como o filho de José, e eles não viam isso como algo especial. Depois que Jesus terminou de falar na sinagoga, o povo, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo. Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se (vs.29-30).

O excesso de familiaridade é algo mortal. Eu me deparo com tantas pessoas que dizem que foram criados em um ambiente cristão, mas não são cristãos. O medo agarra meu coração quando ouço isso. O excesso de familiaridade estrangula a convicção. Quando você já ouviu algo tantas vezes sem fazer nada sobre isso, tal familiaridade pode gerar desprezo.

Marcos 6.6 nos dá a própria análise de Cristo sobre o povo de Nazaré: Admirou-se da incredulidade deles. Mateus 13.58 acrescenta: E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles. A familiaridade exacerbada com a verdade do Natal pode gerar um coração endurecido. É melhor você responder enquanto seu coração está macio, ou seu coração ficará duro e você não terá a oportunidade de responder (Provérbios 29.1).

 

Conclusão

Há muitas maneiras de perder o Natal: preocupação ignorante, ritual, idolatria e excesso de familiaridade. No entanto, por trás de todas essas razões, está a incredulidade. Muitas pessoas simplesmente se recusam a acreditar em Jesus Cristo. O apóstolo João disse: O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome (João 1.10-12).

Se você tem perdido a realidade do Natal em sua vida, saiba que, se você receber o Senhor Jesus Cristo e acreditar em Seu nome, o Natal se tornará real para você. Pode acontecer hoje. E isso é entre você e Deus (2 Coríntios 6.1-2, Romanos 10.8-11).

 

 

Autor: John MacArthur

Fonte: Grace to You

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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Leonardo Dâmaso
Leonardo Dâmaso

Mineiro, de Divinópolis. Criador e editor-chefe do Reformados 21. Servo de Cristo, músico, compositor, teólogo, escritor, apologista, tradutor e blogueiro. Faço parte da JET – Junta de Educação Teológica do IRSE – Instituto Reformado Santo Evangelho.