Aborto: A morte oculta

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Aborto é a interrupção precoce da gravidez, por meio da remoção espontânea ou induzida de um feto, antes ou depois de oito ou nove semanas de gestação, decorrendo em sua morte.

O artigo 128 do Código Penal brasileiro (de 1940) permite o aborto quando há risco de vida para a mãe e quando a gravidez é resultado de violência sexual. Há pouco tempo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, aprovou a obrigatoriedade do SUS (Sistema Único de Saúde) para realizar o aborto nos termos da lei. Atualmente, existem projetos de ampliação da lei, que também asseguram o aborto no caso de má-formação do feto, com diminuta possibilidade de vida após o parto. Baseado no artigo 128, o aborto é permitido no Brasil somente nos dois casos supramencionados, e desde que haja o consentimento do pai e atestado de pelo menos dois médicos constatando a situação.

Todavia, conforme vimos, existem dois tipos de aborto: o aborto espontâneo, que ocorre por complicações físicas, e o aborto induzido ou provocado. Esses tipos de aborto são executados por razões médicas, sob o “amparo” da lei, ou de modo clandestino, efetuado por médicos inescrupulosos ou por pessoas leigas, o que constitui crime. Pode acontecer pela ingestão de medicamentos que ocasionam o aborto ou através de cirurgia. Quando feito de modo inadequado, o aborto pode causar graves complicações, e, inclusive, resultar na morte da mulher. No entanto, o STF [Supremo Tribunal Federal], no dia 29 de novembro de 2016, sancionou a lei de que o aborto, nos três primeiros meses de gravidez, não é considerado crime.

Mas o que a Escritura, como nossa regra de fé e conduta, diz sobre o aborto? 

Não há uma prescrição legal na Escritura proibindo explicitamente o aborto. Porém, a razão dessa “lacuna” é óbvia: era inadmissível que uma mulher israelita, no Antigo Testamento, desejasse um aborto. Assim sendo, não havia a necessidade de mencionar uma proibição direta na lei.

Para os judeus, as crianças eram consideradas como um presente ou herança de Deus (veja Gn 33.5; Sl 113.9; 127.3). Ele é quem concedia a gravidez às mulheres, especialmente para as estéreis, de forma milagrosa (veja, por exemplo, Gn 29.33; 30.22; 1Sm 1.19-20). Não ter filhos para os judeus era um tipo de “maldição”, já que o nome da família do marido não poderia ser eternizado (Dt 25.6; Rt 4.5).

Contudo, entendemos que o aborto era algo tão contrário à mentalidade israelita que bastava o mandamento Não matarás ou não cometam assassinato (Êx 20.13). Entretanto, vivemos numa época bastante diferente. A sociedade pós-moderna, em sua maioria, tem uma visão distorcida da família. Muitos veem os filhos como uma obrigação e/ou até como um obstáculo para o trabalho e a realização profissional [pois um filho recém-nascido necessita de cuidados especiais], um “gerador” de despesa financeira. Para muitos, um filho obsta a liberdade do casal para entretenimentos, como o lazer a dois e viagens pessoais; enfim, os filhos impedem o casal de usufruírem da vida. Essa é a visão distorcida que a sociedade pós-moderna tem da família. Decerto, os cristãos devem ser guiados pela Palavra de Deus e não pela ética humanista/relativista da sociedade hodierna.

Isto posto, vamos apresentar agora dez argumentos utilizados pelos defensores do aborto e refutar cada um deles. Vejamos, pois:

1) O direito de soberania do corpo

Este argumento demonstra que a mulher tem plena liberdade para fazer o que quiser com o seu corpo. O lema dos abortistas é o seguinte: O corpo é meu, e, portanto, faço o que quiser com ele! Em outras palavras, meu corpo, minhas regras, conforme um vídeo lançado pela Rede Globo apoiando o “aborto” destaca [você pode assistir o vídeo clicando aqui]. Desse modo, o aborto é um direito da mulher, e o feto que há dentro dela lhe pertence.

Esta questão está relacionada com a resposta da pergunta: Quando é que, no processo de concepção, gestação e nascimento, o embrião [e posteriormente o feto] se torna um ser humano, adquirindo assim o direito à vida?

Os abortistas aduzem que o embrião [e depois o feto] torna-se um ser humano após um período de gestação. Por isso, abortar antes dessa fase não seria assassinato. Em países como os Estados Unidos, Alemanha, França, Holanda e Reino Unido, o aborto não é reputado crime e permitido até o sétimo mês de gestação. Outros, porém, são mais radicais. Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos sancionou uma lei permitindo o aborto, alegando que uma criança não nascida não é uma pessoa, e, portanto, não tem direito constitucional.

O feto não é a extensão do corpo da mãe, não faz parte do corpo dela. Em toda a gestação, o agente ativo é o feto e o passivo é a mãe. Se a mulher fosse o agente ativo, o feto seria expulso do corpo da mãe como um “corpo estranho”. Por isso a placenta impede que o corpo [o feto] seja expulso. É o feto que regula todo o período da gestação. Apesar de a mulher ser a receptora, ela também possui um papel de “preservadora” do bebê em seu ventre, mesmo sendo passiva em toda a gestação.

Em contraposição, muitos biólogos, geneticistas e médicos são unânimes em afirmar que a vida biológica inicia-se desde a concepção, conforme o relato das Escrituras atestam. A Palavra de Deus assevera este conceito: Deus considera a vida de crianças antes mesmo de elas virem a nascer (veja, por exemplo, Êx 4.11; 21.21-25; Jó 10.8-12; Sl 139.13-16; Jr. 1.5 e Lc 1.39-44). A Escritura indica que o corpo, a vida e as faculdades do homem se originam simultaneamente na concepção.

Os Pais da Igreja reconheceram esta verdade, que aparece nos escritos de Tertuliano, Jerônimo, Agostinho, Clemente de Alexandria e outros. No Império Romano pagão, o aborto era praticado livremente, mas os cristãos se posicionaram contra essa atrocidade. Destarte, a evidência biológica e Escriturística assegura que crianças não nascidas são seres humanos, e que abortá-las é cometer assassinato.

2) Privar quem se opõe à cultura da morte apelando para a “laicidade do estado”

Uma pergunta deve ser feita: Em que momento a luta contra o genocídio interfere na laicidade do estado?

Os relativistas declaram que o aborto envolve aspectos morais, éticos, legais e possui uma vasta influência religiosa, cuja avaliação depende da singularidade de cada pessoa. Defender a vida é uma questão moral, ética, legal, mas não necessariamente religiosa. A luta contra o aborto não é completamente religiosa, conforme argumentam os abortistas. Eles entendem que o pilar da luta contra o aborto é a religião. Assim, os defensores do aborto ressaltam que os seus opositores, baseados na religião, estão privando a mulher do seu direito. Contudo, matar é um direito? Abortar é cometer assassinato!

Por mais repulsivos que sejam os pecados de violência sexual e roubo, nenhum desses se compara ao do assassinato, pois quem mata, com exceção da legítima defesa, acidentalmente ou em casos de guerra, mata alguém que é a imagem e semelhança de Deus, uma vez que só Ele tem o direito de tirar a vida (Dt 32.39).

3) Fetos não são considerados humanos, são apenas um conjunto de células

Alguns abortistas entendem que, durante os três primeiros meses de gestação, o feto não possui ciência e, portanto, não são humanos. Mas não se torna humano aquilo que já é em princípio. A vida humana começa a partir da concepção e não na gestação, conforme vimos no primeiro argumento.

4) A justificativa de bebês “anencéfalos” para advogar o aborto

Não existem bebês anencefálos; pelo contrário, existem bebês que nascem com má formação do encéfalo. Um feto sem o encéfalo morreria no ventre da mãe. Os abortistas que defendem que um feto com má formação cerebral tem que morrer são, na verdade, eugenistas, isto é, aqueles que defendem a eugenia. Francis Galton (1822-1911) foi o criador desse termo; basicamente significa “bem nascido”.

Embora a eugenia seja controversa, Galton a definiu como “o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mentalmente”. Segundo alguns eugenistas, se for constatado durante a gravidez através de “ultrassonografias”, “amniocentese” e biópsia do “vilo corial” [que detectam a síndrome de down, por exemplo] que uma criança irá nascer com alguma deformação genética irreversível, a melhor alternativa é abortá-la, para que a criança não sofra, vivendo o resto de sua vida como um ser deficitário.

5) Justificar e legitimar o aborto

O argumento é o seguinte: “Se o aborto acontece naturalmente ou por alguma complicação física, ele deveria ser legalizado”. Isso é uma falácia lógica! Um fato ou uma experiência pessoal não é motivo para determinar um valor ou uma lei. Então, se abortos espontâneos acontecem, eles devem ser legalizados? De modo nenhum!

Ora, se pensarmos dessa maneira, devemos legalizar também o estupro, a pedofilia, o roubo, pois tais coisas acontecem sem a nossa vontade assim como o aborto espontâneo. E, se determinados crimes são praticados mesmo que eu não deseje que eles sejam praticados, eu devo pensar que a pedofilia, por exemplo, deva ser considerada um outro modo de relação sexual “diferente” e/ou comum, apesar de muitos não aceitarem, assim como a legalização da maconha? Jamais!

6) Culpar os opositores da morte pela eventual morte de mulheres que assassinam os seus filhos em clínicas que realizam o aborto

Vemos aqui uma inversão revolucionária. Os que defendem a vida, que são contra o aborto, são responsáveis pela morte das mulheres que tentam assassinar seus próprios filhos. Segundo os abortistas, os conservadores, isto é, os defensores da vida, estão obrigando as mulheres a matarem seus filhos. Pelo contrário, estamos instruindo as mulheres a fazerem justamente aquilo que condenamos em princípio! Na mente insana dos que propugnam o aborto, os opositores deste pecado são culpados pelas mulheres que o realizam. Porém, se rejeitamos o aborto, estamos limitando as mulheres de realizá-lo, não é? Indubitavelmente, esse argumento dos abortistas é uma prova cabal de que estamos num embate político e moral com pessoas que esbarram na irracionalidade.

7) Falsificar estatísticas para justificar o infanticídio legalizado

A mídia sensacionalista e esquerdista mente de forma impudica, divulgando falsas estatísticas de que centenas de mulheres morrem em abortos ilegais no Brasil. Se nos atentarmos para as estatísticas do SUS, pouquíssimas mulheres morrem como resultado de aborto ilegal, sendo um número até compatível com o risco de morte no parto.

8) Utilizar, por conveniência [e não por convicção], os ideais teóricos do liberalismo para justificar o infanticídio legalizado, afirmando que o Estado não pode interferir

O Estado não pode impedir o aborto – que “crianças inocentes” morram ainda no ventre materno – mas pode interferir para fomentá-lo, endossá-lo e financiá-lo através do governo submetido à organizações internacionais inescrupulosas e à grupos revolucionários.

9) Legitimar o assassinato daquele que nasceu concebido de estupro 

De fato, abortar uma criança é puni-la por um crime que ela não cometeu. Tanto a criança como a mulher que foi violentada sexualmente são inocentes! Quem deve ser punido é o lunático que cometeu o crime de estupro. Os abortistas salientam que os defensores da vida são condescendentes em incentivar o estupro e o aborto. Com efeito, defendemos o contrário: o estuprador deve ser punido severamente por este crime. Por outro lado, é bem verdade que cerca de metade das acusações de estupro que são emitidas pela mídia sensacionalista, esquerdista e desonesta são falsas, uma vez que são produto da mente insana de muitas feministas.

10) Como o Estado não pode coagir uma mulher a criar uma criança que foi pomo de um estupro, então é justo abortá-la

Todavia, o estado não pode obrigar uma mulher a criar uma criança que foi concebida por um ato de violência sexual. Não há nenhuma lei que obrigue a mulher a criar essa criança. A luta dos conservadores é para que a mulher não aborte, assassinando uma criança inocente. Reitero, tanto a mulher como a criança são vítimas do estuprador.

Ora, a violência sexual ocasiona em graves consequências psicológicas na mulher, como depressão, perturbação mental, isolamento social, resistência amorosa e sexual, etc… Por isso, é necessário que a mulher, a adolescente, ou a esposa que foi vítima de estupro receba cuidados médicos especiais para se recuperar desta calamidade. É imprescindível o apoio da família e dos amigos. É importante também recorrer a um tratamento psicológico e, sobretudo, ao aconselhamento pastoral, no caso de a mulher ser cristã, embora não seja limitado somente aos cristãos. O aconselhamento pastoral pode muito bem ser utilizado como um meio para evangelizar mulheres que foram abusadas sexualmente.

Contudo, se a mulher que foi violentada sexualmente engravidar, ela tem o direito de não querer assumir o filho, que é inocente, mas não tem o direito de abortar, conforme demanda a Escritura, embora a lei permita o aborto no caso de estupro. A mulher que não quiser assumir o filho que foi pomo de violência sexual – uma situação extremamente difícil – pode disponibilizá-lo para adoção já na maternidade, após dar à luz.

Algumas consequências físicas do aborto

1) Cancro da mama, do útero, ovários e fígado.

2) Perfuração uterina.

3) Lesões cervicais.

4) Gravidez ectópica – É a gravidez em uma das trompas de falópio, um tubo que conduz os óvulos dos ovários para o útero. Esse tipo de gravidez é conhecida como gravidez tubária. Em alguns casos, uma gravidez ectópica ocorre na cavidade abdominal, do ovário ou no colo do útero.

5) Complicações nos partos subsequentes.

6) Endometriose – Doença caracterizada pela presença do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve, como as trompas, ovários, intestinos e bexiga.

7) Esterilidade definitiva.

Algumas consequências mentais

1) Perturbação psicológica, do sono, ingestão descontrolada de medicamentos psicotrópicos.

2) Propensão ao suicídio.

3) Propensão a diversos problemas cognitivos.

 

 

Autor: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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