Apostasia

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No inverno, as formas de gelo são quase imperceptíveis no lago perto da nossa casa. Após as primeiras noites frias, um pouco de gelo tocado levemente pode ser notado pelo caminhante observador. Aos poucos, de forma gradual, o gelo aumenta, enquanto o frio toma o controle sobre nossa comunidade no norte de Indiana. Até o fim do inverno, o pescador trabalha duro na perfuração de uma ponta a outra, com os dois pés no gelo para chegar até as águas mais quentes, que ficam abaixo.

O pecado é semelhante a isso. Um coração que antes parecia quente esfria assim, gradualmente, que somente o amigo especial ou o pastor perceptivo tocam levemente na formação de gelo na alma do membro da igreja. A pessoa que outrora evidenciava uma confiança experimental “quente” por Cristo, de forma gradual, sempre tão gradualmente, esfria para com os assuntos da eternidade. O apetite para ler a Palavra de Deus diminui, a oração torna-se esporádica, o culto se torna tedioso, e todo o tipo de pretexto é encontrado para não estar com amigos cristãos. O gelo aumenta. O coração fica cada vez mais frio. A voz de Cristo não tem mais o seu antigo efeito. Em vez disso, a chamada do mundo atrai. A beleza de Cristo não seduz. O mundo começa a se tornar mais atraente. Um pecado leva ao próximo. O segundo torna-se mais fácil do que o primeiro. Em seguida, outro e outro. Eventualmente, a Igreja percebe que um dos seus foi surpreendido por “um coração perverso e incrédulo”, levando um membro da igreja a “se desviar para longe do Deus vivo” (Hb 3.12).

Como isso acontece? Como é que uma pessoa que tenha evidenciado aparente fé em Cristo e fidelidade a Ele apostate – “se desvia para longe do Deus vivo”? Mais importante ainda, o que pode ser feito para se proteger contra a apostasia na igreja? O que deveria ser feito?

Várias lições chave de Hebreus 3.12-14 devem ser vividas em nossas igrejas se vamos para a batalha contra a apostasia.

Irmãos, cuidado para que nunca se ache em qualquer um de vós um coração perverso e incrédulo, que vos desvie do Deus vivo; antes, exortai uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama hoje, para que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque temos nos tornado participantes de Cristo, se mantivermos a nossa confiança inicial firme até o fim. (Almeida Século 21)

Primeiro, precisamos nos atentar para a realidade de que a incredulidade pode atingir o coração de qualquer cristão professo – incluindo o nosso. Nós não devemos estar sossegados para dormir com a falsa garantia de alguma “decisão” tomada ou de orações realizadas em tempos passados. Como vemos em Hebreus 3, as duas marcas principais de um cristão são a fé e a fidelidade. Devemos tomar o cuidado de que tanto a fé e fidelidade estejam sendo cultivadas e evidenciadas em nossas próprias vidas e nas vidas dos membros de nossa igreja. O pecado da incredulidade pode dominar o coração tão gradualmente que nós não percebemos até que um cristão professo esteja vivendo uma vida de infidelidade faustosa a Cristo. No amor, devemos resistir à ingenuidade espiritual. Temos de “tomar cuidado”.

Em segundo lugar, temos de perceber que a luta contra a apostasia é a preocupação de todos os cristãos, e não apenas a dos pastores da igreja. O autor de Hebreus diz: “Tomem cuidado, irmãos”. A batalha contra a apostasia, a busca pela fé contínua, e a fidelidade a Cristo, é um “projeto da comunidade”. Todo cristão deve estar reunido e treinado para esta batalha pelas almas.

Em terceiro lugar, as nossas igrejas devem desenvolver uma “cultura” que valorize o cuidado diário da alma um do outro e forneça maneiras práticas para que isso aconteça. Hebreus 3.13 nos instrui a “exortar uns aos outros todos os dias”. Enquanto nós continuamos a manter a primazia da pregação na vida da igreja, a batalha contra a apostasia deve ser combatida além dos nossos eventos de domingo de manhã. Aos membros de nossas igrejas devem ser dadas oportunidades para se afastarem do isolamento, direção amorosa e profundo envolvimento nas vidas uns dos outros. Os líderes da Igreja devem ensinar os membros da igreja sobre a importância crucial das relações do “edifício da fé”. Ninguém pode saber intimamente de todos na família da igreja. Contudo, todos nós devemos estar envolvidos de forma muito pessoal com alguns do corpo da igreja. E essas relações interpessoais em pequenos grupos devem ir além de conversas triviais, superficiais, se vamos realizar o diretivo de “exortar uns aos outros todos os dias.” Os líderes da Igreja precisam modelar e ensinar sobre o mútuo “cuidado da alma”, que, ao longo do tempo, começa a gerar deslocamento na vida normal da igreja. Os membros da igreja podem ajudar na luta contra os ventos frios da incredulidade que ameaçam congelar as almas de seus amigos, lembrando-os dos perigos do pecado, da alegria, esperança e satisfação que temos apenas em Cristo. Com o tempo, as conversas podem e devem se tornar “saturadas do evangelho”, do “Cristo exaltado”, dos “poderes do Espírito” e de edificação da fé. A batalha contra a apostasia em nossas igrejas é travada quando um cristão exorta outro cristão a valorizar Cristo acima de tudo o que Satanás, o pecado e o mundo tem a oferecer.

Finalmente, Hebreus 3.12-14 nos ensina que este ministério é urgente: ele é chamado de “hoje”. O dia do regresso de Cristo e o julgamento ulterior estão chegando. Não devemos descuidadamente assumir que “algum dia” a nossa igreja vai conduzir a batalha contra a apostasia. Enquanto dizemos “algum dia”, Deus diz: “hoje em dia”. Para a glória de Cristo e do cuidado das almas, vamos todos assumir a batalha contra a apostasia.

 

 

Autor: Larry McCall

Fonte: Ligonier Ministries

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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