Soteriologia: A Doutrina da Salvação (4/4)

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O Efeito Prático da Salvação

Também chamado:

 

A Perseverança e a Preservação dos Santos

A Constância e a Conservação dos Santos

A Fidelidade e a Confirmação dos Santos

 

Salmos 37:24-28 – Aparta-te do mal e faze o bem; e terás morada para sempre.

Hebreus 10:14 – Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.

 

Temos estudado na última parte sobre a Salvação Realizada, o fato do Cristão verdadeiro passando por um processo diante dos homens que manifesta Cristo mais e mais na sua vida, a santificação. Queremos agora tratar da garantia divina que esse processo de santificação continuará até a sua glorificação no céu. A certeza que os Cristãos verdadeiros continuarão se santificando na terra, chama-se na teologia, a perseverança dos Santos. A certeza que os Cristãos verdadeiros terminarão glorificados no céu, chama-se na teologia a preservação dos Santos. A perseverança dos santos é da inteira responsabilidade do próprio Cristão. A preservação dos Santos é atuada somente pelo poder de Deus.

Essas doutrinas são duas e são gêmeas, sempre andando de mãos dadas. Isso quer dizer que não pode existir a perseverança do Cristão sem a preservação de Deus. Também não pode existir a preservação de Deus sem a perseverança do Cristão. Essas doutrinas também podem ser descritas como sendo os dois lados de uma mesma moeda. Um lado mostra a responsabilidade do povo de Deus para com o SENHOR da sua salvação. O outro lado mostra o poder de Deus para cumprir as Suas promessas para com seu Povo.

A bíblia não deixa dúvidas que Deus conserva fielmente o seu povo, pois Ele não pode perder nenhum dos Seus verdadeiros filhos (Rm 8:29,30; Jo 13:1). Porém, a salvação que Deus opera no elegido, tem a natureza de provocar o próprio Cristão a perseverar na graça de Deus (2 Co 12:9,10; Ef 2:8,9).

Por serem doutrinas gêmeas, existem perigos destrutivos se tentamos crer em apenas uma parte dessas duas doutrinas. Se existir a crença da responsabilidade do Cristão se perseverar sem o poder de Deus se preservando, criará um Cristão, que, pelos seus próprios esforços, fica intensamente preocupado de manter-se salvo pelo seus próprio esforços. Se ele conseguir, amem. Se ele não conseguir, ai! Se existir a crença no poder de Deus preservando os Seus sem a responsabilidade da perseverança dos santos, fará um Cristão que de nenhuma maneira preocupa-se do seu testemunho ou das suas responsabilidades de andar digno da chamada da salvação. Este desequilíbrio doutrinário incentivaria pensamentos e práticas loucas como: “Nada importa o que eu faço no mundo, sou salvo do mesmo jeito.” Para evitar desequilíbrio doutrinário, essas duas verdades devem ser tratadas em conjunto. Por isso trataremos essas duas em um mesmo capítulo.

Definição

A perseverança é a manutenção de uma profissão verdadeira que é vista num andar obediente contínua à Palavra de Deus e às doutrinas de Cristo (Jo 8:31), a manutenção de princípios santos (Mt 5:1-12), a manutenção de boas obras (Ef 2:10; Jd 1:20,21), uma manutenção capacitada por Deus (Fp 1:6 – Pink, Eternal Security, p.28-35).

Pela história, os batistas têm se manifestado sobre essas doutrinas.

Uma confissão dos Anabatistas de 1644 diz:

Tocante ao Seu reino, Cristo, sendo ressurreto dos mortos, subiu ao céu, sentou-se na destra do Deus-Pai, tendo todo o poder no céu e na terra, dado a Ele, Ele espiritualmente governa a sua Igreja, exercitando o Seu poder sobre todos os anjos e os homens, tanto os bons quanto os maus, da preservação e salvação dos eleitos, até a conquista e destruição dos Seus inimigos, que são os reprovados, comunicando e aplicando os benefícios, a virtude, e o fruto da Sua Profecia e Sacerdócio ao Seu Eleito, ou mais perfeitamente dizendo, até o vencer e destruição dos seus pecados, até a sua justificação e adoção de filhos, regeneração, santificação, preservação e fortalecimento em todos os seus conflitos contra Satanás, o mundo, a carne, e as suas tentações destes, continuamente estando neles, governando e guardando os seus corações na fé e temor amoroso de filhos por Seu Espírito, do qual sendo dado, Ele nunca retira deles, mas por Ele gera e nutre neles a fé, o arrependimento, o amor, o gozo, a esperança, e toda a luz celeste até a imortalidade, não obstante que pelo nossa própria incredulidade, e as tentações de Satanás, a sensibilidade desta luz e amor podem ser ofuscados por um tempo… (The CONFESSION OF FAITH Of those CHURCHES which are commonly (though falsely) called ANABAPTISTS; London, 1644 – The Old Faith Baptist Church, Rt. 1, Box 517, Magazine, Arkansas, 72943, p. 19, tradução livre pelo Pastor Calvin). (1 Co 15:4; 1 Pe 3:21,22; Mt 28:18,19,20; Lc 24:51; Atos 1:2 & 5:30,31; Jo 19:36; Rm 14:17. Mc 1:27; Hb 1:14; Jo 16:7,15. Jo 5:26,27; Rm 5:6, 7, 8 & 14:17. Gl 5:22,23. Jo 1:4,13. Jo 13:1 & 10:28,29, & 14:16,17; Rm 11:29; Sl 51:10,11; Jó 33:29,30; 2 Co 12:7,9. Jó 1 e 2; Rm 1:21 & 2:4,5,6, & 9:17,18. Ef 4:17,18. 2 Pe 3.)

Uma confissão de fé Batista de 1689 diz assim:

Os que Deus aceitou no Amado, aqueles que foram chamados eficazmente e santificados por seu Espírito, e receberam a fé preciosa (que é dos seus eleitos), esses não podem decair totalmente nem definitivamente do estado de graça. Antes, hão de perseverar até o fim e ser eternamente salvos, tendo em vista que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, e Ele continuamente gera e nutre neles a fé, o arrependimento, o amor, alegria, a esperança e todas as graças que conduzem a imortalidade (Jo 10:28,29; Fp 1:6; 2 Tm 2:19; 1 Jo 2:19). Ainda que muitos tormentos e dilúvios se levantem e se dêem contra eles, jamais poderão desarraigá-los da pedra fundamental em que estão firmados, pela fé.

Não obstante, a visão perceptível da luz e do amor de Deus pode, para eles, cobrir-se de nuvens e ficar obscurecida (Sl 89:31,32; 1 Co 11:32), por algum tempo, por causa de incredulidade e das tentações de Satanás. Mesmo assim, Deus continua sendo o mesmo (Mal 3:6), e eles serão guardados pelo poder de Deus, com toda certeza, até a salvação final, quando entrarão no gozo da possessão que lhes foi comprada; pois eles estão gravados nas palmas das mãos do seu Senhor, e os seus nomes estão escritos no livro da vida, desde toda a eternidade. (Fé para Hoje, p. 36,37).

Uma confissão de fé Batista de 1853 relata as doutrinas dessa maneira:

A PERSEVERANÇA DOS SANTOS. Cremos que as Escrituras ensinam que aqueles que são verdadeiramente regenerados, tendo nascido do Espírito, não cairão nem perecerão finalmente, mas perseverarão até o fim; que seu apego perseverante a Cristo é o grande sinal que os distingue dos professos superficiais; que uma Providencia especial vela por seu bem-estar; o que são guardados pelo poder do Deus, mediante a fé, para a salvação. (Ponto número onze da Confissão de Fé de Nova Hampshire, 1853)

A Preservação Prometida

As promessas de Deus são imutáveis e indisputáveis em toda instante. Porque então devemos duvidar da sua promessa deste assunto da salvação? Quando Deus prometeu passagem segura a Noé e a sua família, ninguém foi perdido. Quando Ele prometeu a vitória ao Gideão e o seus 300, aconteceu como foi prometida. Quando Deus prometeu a ajuntar o Israel disperso, aconteceu. Quando Deus prometeu que o Seu Filho seria nascido de uma virgem … Ele foi. Quando Deus prometeu um substituto para os pecadores para arrependidos, o Seu filho tornou-se o Substituto, e deu a Sua vida pelos pecados do Seu povo. Examine a bíblia toda, e verá que nenhuma promessa de Deus falhou.

Sendo isso verdadeiro, porque Deus falhará de cumprir as Suas promessas acerca da preservação dos Seus santos? Não é Deus o Deus do universo, O Onipotente, O Criador de todas as coisas e O que sustenta tudo pelo poder da Sua palavra? Não tem Este o poder de guardar os que confiam em Cristo? (Oldham, p. 120,121 – tradução livre).

Esses versículos enfatizam a promessa da preservação de Deus para com os Seus:

Salmo 37:24-28 – O SENHOR os sustém com a Sua mão … Eles são preservados para sempre.

Isaías 43:1-7 – Não temas, pois, porque estou contigo.

Isaías 51:6 – A minha salvação durará para sempre.

Mateus 24:24 – Se possível fora.

João 3:16,36 – Tem a vida eterna.

João 4:14 – Nunca terá sede.

João 5:24 – Não entrará em condenação.

João 6:37 – De maneira nenhuma o lançarei fora.

João 10:27-29 – Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.

Romanos 8:29,30 – Os que dantes conheceu, a estes também glorificou.

Romanos 8:35-39 – Estou certo de que nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus.

Romanos 11:29 – Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.

1 Coríntios 1:8,9 – Vos confirmará até ao fim; fiel é Deus … chamado para a comunhão do Seu filho Jesus Cristo nosso Senhor.

2 Tessalonicenses 3:3 – Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno.

1 Tessalonicenses 5:24 – Fiel é o que o chama, o qual também o fará.

1 Pedro 1:3-5 – Gerou de novo para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós.

1 João 5:2, 4,5 – Tudo o que é nascido de Deus vence o mundo.

Judas 1:24 – Poderoso para os guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis.

A Preservação Efetuada

A vitória da preservação não está no homem, mas está em Cristo (1 Co 15:57, “graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” 2 Co 2:14, “graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo”; 2 Co 12:9, “minha graça te basta”)

Deus opera a sua graça perseverante nos seus filhos com meios divinos. Estes meios são o Espírito Santo, a Palavra de Deus, a oração intercessora de Cristo, a correção, o poder de Deus, o amor de Deus, a graça de Deus, a sabedoria de Deus, a imutabilidade de Deus e as promessas de Deus. Essa graça divina da perseverança que é dada ao Cristão não é baseada em algum esforço da carne, mas unicamente na obra expiatório de Cristo, na promessa da Nova Aliança e segundo o propósito eterno de Deus.

Os Meios Que Deus Usa Para Estimular a Perseverança dos Santos e Efetuar a Sua Preservação

O Espírito Santo

Efésios 1:13, 14 – fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa redenção, para redenção da possessão adquirida.

Deus julga o valor do penhor dado para cumprir a Sua promessa. Pelo Espírito Santo ser o próprio Deus, é indiscutivelmente garantida a possessão adquirida: a salvação completa das almas que Cristo comprou pelo Seu sangue.

Gálatas 4:6 – Deus enviou aos vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama Aba Pai.

O Espírito Santo em nós faz com que queremos aproximar-nos ao Pai e O agradar mais e mais. Pela presença do Espírito Santo em nós, tanta a nossa preservação quanto a nossa perseverança estão asseguradas (Romanos 8:15,16).

Gálatas 5:22 – O Espírito Santo opera em nós o fruto que agrada o Pai. O Espírito Santo ajuda às nossas fraquezas e intercede pelos santos (Romanos 8:26,27).

Deus examina os corações dos Cristãos e vê a obra do Espírito Santo neles. Deus sabe da intenção do Espírito Santo e por isso tudo coopera para o eterno bem daqueles que estão em Cristo Jesus, até a glorificação deles (Romanos 8:28-30).

Filipenses 1:6 – Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.

Deus, na Sua mente, começou a boa obra. Porém, a intenção de Deus veio a nós pela obra do Espírito Santo manifestando Cristo pelo ministério da Palavra de Deus em nós (Jo 16:8-14). Por Ele operar em nós, chegamos a querer o que Deus deseja, a fé em Cristo. Pela obra do Espírito Santo, atualmente temos tudo o que é necessário para ser completo todo o desejo de Deus (Fp 2:13). Não existe dúvida nem falha na obra do Espírito Santo. Por isso, a Sua obra findará com o Cristão aperfeiçoado.

O Espírito Santo é um meio divino que Deus usa para estimular a perseverança dos Cristãos para garantir e efeituar a Sua preservação.

A Palavra de Deus

A continuidade do Cristão no caminho da piedade é um milagre, e sendo assim, necessita a imediata operação divina. (A.W. Pink, Eternal Security, p. 51).

A Palavra de Deus é um meio divino nessa operação divina. As Escrituras nos mostram a nossa responsabilidade da nossa perseverança pelos avisos solenes e os seus mandamentos sérios para que a preservação de Deus seja revelada. A Palavra de Deus nos anima à nossa perseverança pelas promessas gloriosas e pelos exemplos dos santos contidos nela para que a preservação dos Santos seja uma realidade.

A Palavra de Deus efetua a vontade de Deus em estimular o homem à sua responsabilidade. Atos 27:22-44 é um exemplo como Deus estimula o homem à sua responsabilidade pela Sua divina comunicação. Os homens quiseram, pela sua lógica e emoção, fazer uma atividade. Essa atividade seria prejudicial à eles e não de acordo com a vontade de Deus. Pela Palavra de Deus, os homens foram estimulados às ações que realizaram a vontade de Deus. A promessa da preservação é acoplada a perseverança do Cristão. Pela obediência do Cristão da própria Palavra de Deus, a preservação de Deus é evidenciada, pois “todos chegaram à terra a salvo.” Deus usou o aviso solene, o mandamento sério e a promessa gloriosa da Palavra de Deus para que os homens perseverassem em fazer o que era necessário para a sua preservação.

Os Avisos Solenes da Palavra de Deus operam para a nossa perseverança para que a preservação de Deus seja manifesta

Existem avisos solenes na Palavra de Deus que parecem dar uma margem para a doutrina falsa que diz o Cristão pode perder a sua salvação. Não são nada mais do que avisos solenes para nos admoestar a perseverar para que a preservação de Deus seja manifesta. Os avisos solenes enfatizam unicamente ao respeito da responsabilidade do homem. Agrada a Deus a promover a nossa obediência voluntária para que a Sua preservação seja evidente.

Mateus 7:21 – Nem tudo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Lucas 14:26-33, v. 27 – E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após Mim, não pode ser meu discípulo.

João 14:23 – Jesus respondeu, e disse: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amarás, e viremos para ele, e faremos nem ele morada.

Romanos 8:13 – Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.

1 Coríntios 5:5 – Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.

Gálatas 5:24 – E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.

Tito 2:11,12 – Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa e piamente.

Tiago 2:20 – Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?

1 João 2:4,5,15 – Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os Seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a Sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nEle. Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

1 João 3:3 – E qualquer que nele têm nesta esperança purifica si a si mesmo, como também Ele é puro.

1 João 4:15 – Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.

A Palavra de Deus, pelos seus avisos solenes, é um meio divino que Deus usa para animar a preservação dos Santos para garantir e efeituar a Sua preservação neles.

Os Mandamentos Sérios das Escrituras operam para a nossa perseverança e preservação

Pelos mandamentos sérios das Escrituras, os Cristãos são estimulados às ações que operam a vontade de Deus. Pela obediência do Cristão à Palavra de Deus, a preservação de Deus é evidenciada. Deus usa os mandamentos sérios das Escrituras para que os homens façam o que é necessário para a sua preservação. Os mandamentos das Escrituras enfatizam unicamente a responsabilidade do homem. Agrada a Deus de promover a nossa obediência voluntária para que a Sua preservação seja evidente.

Mateus 16:24 – Então disse Jesus aos Seus discípulos: se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre a sua cruz, e siga-me.

Romanos 6:12 – Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências.

Gálatas 5:16,25 – Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.”, “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.

Filipenses 2:12 – Assim também operai a vossa salvação com temor e tremor.

Tiago 2:18 – Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

2 Pedro 1:5-10 – E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência e, acrescentar à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade.

Judas 1:21 – Conservai-vos a vós mesmo no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.

A Palavra de Deus, pelos seus mandamentos sérios, é um meio divino que Deus eficazmente usa para animar os seus à perseverança e garantir a Sua preservação até o fim.

As Promessas Gloriosas da Palavra de Deus operam para a nossa perseverança e preservação

Pelas promessas glórias da palavra de Deus, o Cristão é estimulado a procurar a graça para perseverar até o fim. Tudo isso opera para a glória de Deus. A promessa da preservação é acoplada a perseverança do Cristão. Pelas promessas gloriosas o Cristão é animado para com a sua responsabilidade e a preservação de Deus é evidenciada. Deus usa as promessas gloriosas das Escrituras para que os homens perseverarem no necessário para a sua preservação. Agrada a Deus de promover a nossa obediência voluntária para que a Sua preservação seja evidente.

Nestes versículos parece que a preservação é condicional à nossa perseverança. Mas a verdade é: o Cristão é estimulado a buscar a graça de Deus que é suficiente para levar os Seus até o fim.

Mateus 10:22; 24:13 – Mas aquele que preservar até ao fim será salvo.

Romanos 2:6-10 – O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; v. 10, Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também não grego.

Gálatas 6:9 – Porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.

Hebreus 3:14 – Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.

Tiago 1:12 – Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque ele, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.

Apocalipse 2:7 – Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.

Apocalipse 2:17 – Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido.

Apocalipse 2:26-28 – E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações.

Apocalipse 3:21 – Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono.

Muitas das promessas dão o entender que o fim é condicional ao desempenho do homem. Num sentido espiritual, o fim é condicional aos esforços do homem: do homem novo. O homem velho segue a lei do pecado e não pode agradar a Deus (Romanos 7:18-25). Porém, o homem interior, tem prazer na lei de Deus, e, por ter esse prazer, ele busca a agradar Deus mais e mais até o fim. Entendemos com isso que as promessas alimentem a responsabilidade do homem interior a batalhar com a graça de Deus para ter a vitória final que Deus promete.

A Palavra de Deus, pelas suas promessas gloriosas, é um meio divino que Deus usa para estimular a perseverança do Cristão para garantir e efeituar a Sua preservação neles.

Os Exemplos dos Santos relatados nas Escrituras operam para a nossa preservação

Mesmo que não sejamos no tempo do Velho Testamento, ou com a Lei de Moisés sobre nós, os exemplos daqueles que serviram aquele Deus que nunca muda, procurando a Sua graça para ficar firmes na obediência, podem muito em nos estimular à nossa perseverança. Com a nossa perseverança estimulada, a graça da preservação será manifesta.

Quando o nosso caminho for espinhoso e é evidente a fraqueza da nossa carne, podemos lembrar que os antigos alcançaram testemunho pela fé (Hb 11). Em diversas situações de perseguições familiares, satânicas, e políticas a graça de Deus foi suficiente para eles. As suas perseguições vieram de gigantes e de reis pagãos, mas não foram maiores do que o único e verdadeiro Deus. As suas aflições vieram do ódio, do engano, do fogo e dos animais selvagens provocados pelos seus inimigos. A graça de Deus foi suficiente para que todos estes alcançaram testemunho. Eles foram estimulados a vencer reinos, praticar justiça e alcançar promessas. Pelo poder de Deus, tiraram forças da fraqueza e puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres foram guiadas com sabedoria e os perseguidos não dobraram na hora de grande aflição. O poder e a graça de Deus que deu a vitória em vida a estes santos é a mesma para hoje, pois Deus não muda (Ml 3:6; Tg 1:17). Sabendo que Deus não muda e entendendo que temos uma tão grande nuvem de testemunhas vitoriosas, somos exortados a deixarmos todo o embaraço e o pecado que tão perto de nós rodeia para perseverarmos na carreira que nos está proposta (Hb 12:1-3).

Estes exemplos do Velho Testamento foram escritos para que conheçamos a consolação das Escrituras e que tenhamos esperança (Rm 15:4). Nas horas da nossa aflição, quando lembramo-nos do que é relatado sobre a graça de Deus que capacitou estes a alcançarem o testemunho, somos estimulados a buscar a mesma graça para podermos alcançar o mesmo testemunho virtuoso.

Quando o Cristão é tentado a si entregar e culpar Deus de injustiça pelas situações amargosas, somos ajudados a perseverar na fé por lembrar da graça de Deus na vida de Jó. Pelo seu exemplo aprendemos que Deus é justo e merecedor de confiança total apesar das aparências (Jó 2:10, “receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal?”). Aprendemos pela sua vida também que Deus abençoa ricamente os que perseveram na fé. Contemplando esse exemplo da soberania e misericórdia de Deus, somos consolados a termos paciência com esperança.

Quando vier a traição dos amigos e a morte, é proveitoso lembrar do exemplo de Cristo (Jo 16:33; Hb 12:1-3; 1 Pe 2:21-25). Cristo venceu a morte, o mal e as contradições de pecadores com o poder de Deus nele. Portanto, quando consideramos o exemplo dEle, teremos bom ânimo para perseverarmos pelo mesmo poder. As obras de Cristo foram escritas para o nosso proveito para que creiamos que Ele é o Cristo, o Filho de Deus, e crendo, termos o que é necessário perseverar até aquela vida eterna dada em seu nome (Jo 20:31).

Quando existe forte oposição social a nossa mensagem, o exemplo de Estêvão é animador. Aquela mesma graça de Deus que fez Estevão ser ousado a pregar a verdade na face de grande oposição, e morrer com uma vitória (At 7:1-60) é a mesma que pode nos aperfeiçoar a sermos fieis na vontade de Deus.

Quando temos limitações físicas, podemos lembrarmos das limitações que atrapalharam a vida de Paulo, impedindo-o em várias maneiras. Neste exemplo entendemos a ocasião da graça suficiente de Deus. Somos animados a levarmos a também alegremente perseverar até o fim regozijando-nos da providência perfeita de Deus (2 Co 12:7-9).

Se tivermos anos de aflição, é edificante lembrar-nos do exemplo do apóstolo João. Mesmo que ele foi perseguido e exilado por anos na ilha de Patmos, ele não foi desamparado por Deus. Mesmo no exilo ele foi visitado por Deus (Ap 1:9,10). Pela força desta revelação divina temos uma profecia muito abençoada (Ap 1:3). A presença do Senhor com este discípulo obediente é a mesma presença abençoadora que está com os obedientes hoje (Hb 13:5). Sendo confiantes de tal presença somos estimulados a não temermos as aflições e continuar a avançar na fé.

Pelo exemplo da vitória de Cristo e pelo exemplo dos santos na Bíblia, somos provocados a perseverarmos na fé. Nessa perseverança, a preservação de Deus é manifesta. Em nisso tudo, aprendemos como a Palavra de Deus é usada para nosso bem espiritual e para a glória de Deus.

Se olharmos somente aos desafios que venham a nós, sem lembrar do poder de Deus, nem dos Seus mandamentos, seremos tomados pelo medo e pelo tremor ao ponto de desistir de avançar na vida Cristã (Nm 13:28-33). Na hora do aperto é melhor lembrar da vitória prometida, o Deus que nos deu responsabilidades sérias e dos exemplos da Sua graça que foi suficiente para todos os seus servos verdadeiros. Assim perseveraremos até ao fim e a preservação de Deus dos Seus será manifesta para a Sua glória.

A Palavra de Deus, pelos seus exemplos dos santos, é um meio divino que Deus usa para garantir e efeituar a preservação dos Seus.

A Oração Intercessora De Cristo

A confiança na oração é tida quando oramos segundo a vontade de Deus (1 Jo 5:14,15). Jesus tinha esta confiança na oração. Ele sábia que o Pai sempre O ouvia (Jo 11:42, “Eu bem sei que sempre me ouves …”). Portanto, quando Jesus ora pelos quais o Pai lhe deu que “sejam um” (Jo 17:11), que “tenham a alegria de Cristo completa neles” (Jo 17:13), que sejam santificados pela verdade (Jo 17:17), que estejam com Ele aonde quer que estiver para que vejam a glória dEle (Jo 17:24), Ele pediu com confiança. Ele sabia que o Pai O ouvia. As petições de Cristo diante Seu Pai só podem ser completas com todos os Seus com Ele e vendo a Sua glória para todo o sempre. Portanto a oração da intercessora de Cristo é um poderoso meio que Deus usa para preservar os Seus até o fim.

A oração feita por um justo pode muito em seu efeito (Tg 5:16). Quem está orando para os próprios Cristãos verdadeiros é Cristo. Este é “Aquele que morreu, ou antes, Quem ressuscitou dentre os mortos, O qual está à direita de Deus, e também intercede” pelos Seus (Rm 8:34). Portanto a oração deste Justo pode muito em seu efeito.

Aquele que faz a vontade do Pai é aceito por Deus (Mt 7:21; Sl 34:15,17). Sendo Cristo obediente em tudo (Jo 17:4; Fp 2:8), a Sua pessoa, junto com a Sua oração pelos seus, são verdadeiramente aceitas por Deus.

Quando Jesus rogou por Pedro para que Satanás não destruísse a sua utilidade no reino de Deus, Jesus estava confiante que o Pai o atenderia. Por isso ele aconselhou Pedro: “quando te converterdes, confirma teus irmãos” (Lc 22:31,32). Cristo orava com confiança. Os dons e a vocação de Deus na vida de Pedro eram sem arrependimento (Rm 11:28,29) pois Cristo rogou por ele. Por Cristo rogar por nós, os dons e a vocação de Deus na nossa vida serão sem nenhum arrependimento na parte de Deus também. Os verdadeiros Cristãos serão fieis também, mesmo que caem às vezes, pois Cristo fez toda a obra por eles, e, Ele intercede por Seus diante do Pai perfeitamente (Rm 8:34; Hb 7:25; 9:24-26). Nessas verdades e exemplos entendemos que a oração intercessora de Cristo é um meio qual Deus usa para garantir e efeituar a preservação dos Seus.

A Correção do Senhor

A perseverança é um assunto que segue a realização da salvação, ou seja, a perseverança é uma assunto somente para os que já são feitos filhos de Deus. Sendo filhos, existe o aperfeiçoamento na santificação até a glorificação. Uma atividade neste caminho é a correção do Pai para com Seus filhos. “que filho há quem o pai não corrija?” (Hb 12:7)

O propósito da correção que vem ao Cristão enquanto ele trilha este caminho terrestre é para seu aperfeiçoamento (Fp 1:6); a sua santificação (Hb 12:10, “para sermos participantes da Sua santidade”); a produção nele do fruto pacífico de justiça (Hb 12:11), e para o seu bem, ou seja, para ele não ser condenado com o mundo (1 Co 11:32). Pela correção ser como a correção de pai ao filho, ou seja, para corrigir e não para condenar ou destruir, ela é um meio eficaz que Deus usa para levar os Seus a perseverar até o fim.

Essa correção saudável vem pela Palavra de Deus (Ef 5:26; 2 Tm 3:16,17), a obra da igreja e a obra dos seus oficiais (Ef 4:12; Hebreus 10:24,25), e pelas circunstâncias da vida, tanto física quanto espiritual (2 Co 12:7; Rm 8:28). Essa correção é tida como sendo “a correção do Senhor” (Hb 12:5,6; Pv 3:11,12). Portanto essa correção é sábia, justa e eficaz (Rm 11:35,36). Por Cristo corrigir os santos corretamente, a preservação deles até o fim é assegurada (Ap 3:19). Pela correção de Deus trazer o Cristão a maior fidelidade, o livro de Jó declara: “Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende.” (Jó 5:17).

Portanto não despreza a correção do Senhor, mas, contrariamente, torna a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados e anda corretamente na santificação. É nessa maneira que a preservação eficaz do Senhor será manifesta (Hb 12:12-14).

O Poder De Deus

O poder de Deus não é dependente na fidelidade do homem, mas, contrariamente, a fidelidade do homem é dependente no poder de Deus (Fp 4:13, “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”; Gl 2:20, “… e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus …”). Por ser um Cristão não quer dizer que não é mais um vaso de barro (2 Co 4:7; Rm 7:18, “eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”) e um incapacitado na sua própria força (Rm 7:24, “Miserável homem que eu sou!”. É Deus que capacita os Seus com o Seu poder (2 Co 3:5; 1 Co 1:26-31). Portanto, este poder de Deus é o mesmo que Deus implementa para preservar os Seus até o fim.

O que Deus quer, Ele faz (Sl 115:3; 135:6), e ninguém pode impedir a Sua mão de fazer o Seu eterno desejo (Dn 4:35). A vontade expressa de Deus por Cristo é que os que foram dados a Cristo sejam onde Ele está eternamente (Jo 17:24). Deus quer que os que creem em Cristo tenham uma vida eterna (Jo 3:16). Por Deus poder fazer tudo que quer, os em Cristo nunca hão de perecer, e ninguém os arrebatará da mão de Cristo ou do Pai, que é maior de que todos (Jo 10:28,29). É o poder de Deus que cumpra o Seu desejo para com Seus assim garantindo a preservação deles até o fim.

O mesmo Deus que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo (2 Co 4:6). O mesmo Deus que sustenta todas as coisas criadas na terra e no céu pela palavra do Seu poder (Hb 1:3) é quem aperfeiçoa aquela boa obra espiritual começada por Ele no Cristão. Essa obra será aperfeiçoada até ao dia de Jesus Cristo (Fp 1:6). Nisso entendemos o poder de Deus sempre preserva o filho de Deus.

Mesmo a carne cobiçando contra o Espírito, e estes opondo-se um ao outro (Gl 5:17), e, mesmo o Satanás e os hostes de maldade nos lugares celestiais lutando contra o Cristão (Ef 6:12; 1 Pe 5:8), o Cristão possui O maior poder (1 Jo 4:4). Esse poder de Deus faz com que ele pode resistir os ataques de Satanás ao ponto que o velho inimigo foge (Tg 4:7). Pelo poder de Deus, o Cristão não será separado do amor de Cristo, mas será mais do que um vencedor. Ele é mais do que um vencedor pois ele não somente triunfa sobre Satanás no último dia (Ap 17:14), mas ele também cresce espiritualmente pela tribulação, a angústia, a perseguição e, a fome, a nudez, o perigo e pela espada que venham na sua vida (Rm 8:35-39; Tg 1:2-4). Pelo poder de Deus o Cristão persevera na obediência e é preservado.

O relatório bíblico dos santos revela como o poder de Deus é eficaz tanto estimulando a perseverança na obediência quanto a sua preservação até o fim. Mesmo sendo sozinhos e fracos, Noé e os seus entraram na arca e foram preservados (Gn 7:13; 8:18). Podemos também mencionar a vitória no meio da oposição nas vidas de Jó (Jó 1:9-11), Josué (Zc 3:1), Davi (1 Cr 21:1), Daniel (Dn 6:4), Pe (Lc 22:31) e Paulo (1 Ts 2:15). Nenhum destes se acharam fortes na carne e foram todos fortemente perseguidos, mas foram todos levados à fidelidade pelo poder de Deus. Nisso entendemos que o poder de Deus é um meio Deus usa para garantir e efeituar a preservação dos Seus.

Portanto. Não confie em qualquer força da carne nem das suas filosofias, mas descansa no poder de Deus de completar o que Ele mesmo começou (Fp 1:6) enquanto procura ser obediente em toda a boa obra (Ef 2:10). Deus nos preserva para perseverarmos na obediência.

O Amor De Deus

Uma causa da nossa salvação é o amor de Deus (2 Co 8:9; 1 Jo 4:19). Este é um amor especial que faz parte da presciência de Deus (Jr 31:3; 1 Pe 1:2). O amor particular de Deus, de primeira mão, traz os pecadores à salvação (Dt 7:7-9; Rm 9:9-16; 1 Jo 4:19). O salvo, porém, nunca é perfeito enquanto trilha nessa carne nessa terra. O pecado que habita na sua carne (Rm 7:18,23) cobiça contra o novo homem, aquele homem espiritual que tem prazer na lei de Deus, que nasceu dEle na hora da regeneração (Gl 5:17). Pelo Cristão ter o pecado na carne, ele não é perfeito, não faz tudo o que deseja para agradar a Deus (Rm 7:19-21). Mas, mesmo que os erros e fraquezas trazem a correção, que por sua vez conformam o Cristão mais e mais na imagem de Cristo (Hb 12:5-12), a benignidade de Deus não é retirado totalmente do filho (Sl 89:30-33). Este amor especial de Deus que começou a salvação é instrumental na preservação dos salvos até o fim, pois não há possibilidade de existir nada mais poderoso deste amor (Rm 8:35-39). Somos vencedores por Aquele que nos amou!

Devemos lembrar que o amor de Deus é eterno (Jr 31:3), como Deus o é. Sendo eterno, não tem começo, nem tem fim! Nessa verdade podemos entender que o amor de Deus é um meio Deus usa para garantir e efeituar a preservação dos Seus. O amor de Deus pode ser manifesto em um menor grau por um determinado período que ele é revelado em outras ocasiões, mas isso não quer dizer que a natureza do próprio amor ou a sua perpetuidade são diminuídas. Este amor continua eterno apesar das fraquezas dos salvos. Sim, podemos afirmar que as próprias fraquezas do Cristão, mesmo fazendo ele envergonhado e miserável (Rm 7:24), provocam o Cristão a amar e a servir mais a Deus, o Salvador, até o fim (Lc 7:40-43; Rm 5:3-5; 1 Pe 1:6-9). Pela certeza do amor de Deus continuar até o fim, Paulo podia despedir à igreja em Corintos com uma benção, uma igreja por sinal que tinha a sua própria porção de erros graves. Essa benção incluía o amor de Deus estando com todos eles (2 Co 13:14). Nisso entendemos que o amor de Deus é um meio pelo qual o Cristão é provocado a perseverar até o fim e pelo qual ele é preservado na fé.

O amor de Deus pelos Seus é igual aquele amor que Deus tem para com Cristo (Jo 17:23). Tão inseparável, eterno, imutável o amor de Deus Pai para com Deus Filho, é o amor de Deus para com os que são feitos filhos de Deus por Jesus Cristo! A preservação é entendida pelo fato que este amor garante que nenhum destes será perdido (Jo 10:27,28; 13:1). A perseverança é entendida pelo fato que este amor incentiva os filhos a amarem o Salvador até a hora que eles são glorificados (Gl 4:4-6; Rm 8:15-17).

Tão importante a presença do Espírito Santo, a utilidade da palavra de Deus, a oração intercessora de Cristo, a correção e o poder de Deus na perseverança e a preservação dos Santos é o amor de Deus para o com os Seus.

Que tal amor imenso traz os pecadores a se renderem ao Salvador hoje mesmo é a nossa oração. Que tal amor de Deus também incentiva os Seus à conformidade mais e mais na imagem de Cristo. Somos devedores ao amor de Deus que excede todo o entendimento.

A Graça De Deus

A graça de Deus é uma ação gloriosa ou maneira gloriosa em geral. Mais precisamente é a influencia divina sobre o coração e a sua manifestação em vida. Essa influencia pode ser literal, figurativa ou espiritual (Strong’s, 5485).

A mesma ação gloriosa e influencia divina que superabunda onde o pecado abunda para fazer o pecador arrependido idôneo para participar da herança dos santos na luz (Rm 5:20; Cl 1:12) é a mesma maneira gloriosa de Deus sobre o Cristão que estimula-lo a andar digno da vocação a qual foi chamado (Ef 4:1). A graça trouxe a implantação da semente incorruptível na alma do Cristão ao ponto que esta nova natureza não pode pecar (1 Jo 3:9; 5:18) e tem prazer na lei de Deus (Rm 7:22). Mesmo enfrentando limitações físicas e oposições espirituais, essa influencia divina basta (2 Co 12:9). Essa graça basta no sentido que ela é mais forte que qualquer oposição contra o Cristão ou qualquer operação contra a vontade de Deus. A graça de Deus é suficiente, ela nos contenta plenamente (Jo 14:8, Strong’s, 714). É por ela que o Cristão persevera até o fim.

Quando considera a natureza do pecado com a sua enganosa inimizade contra Deus (Rm 8:6-8), a sua concupiscência mundana (1 Jo 2:16), a sua incapacidade e ignorância espiritual (1 Cor.2:14) e a sua longevidade (Rm 7:21, “quando quero fazer o bem, o mal está comigo”), pelo Cristão resistir este pecado continuamente e sendo perseverante na obediência é testemunho como essa graça de Deus é suficientemente eficaz na preservação dos Seus santos no caminho da retidão (1 Co 15:10; Isaías 26:12). Verdadeiramente a ação preciosa vinda de Deus sobre o coração é eficazmente suficiente (Sl 119:117, “Sustenta-me, e serei salvo”).

Aquele que confia no seu próprio coração é insensato (Pv 28:26) pois este está confiando meramente num braço de carne (2 Cr 32:8). Porém, aquele que espera no Senhor, conhecerá a contínua influencia divina sobre a sua visa e renovará as suas forças ao ponto de não desfalecer mas ser fiel até o fim (Is 40:28-31).

Existem muitas provações na vida do Cristão (Js 2:20-23; Rm 5:3-5; Tg 1:2-4) que venham para nossa correção (Hb 12:5-11), o nosso bem (Rm 8:28) e para a glória de Deus (Rm 11:36; Jo 9:1-3). Todavia delas todas, pela graça que basta, o Cristão é a mais do que vencedor (Rm 8:37; 2 Co 4:15-18). No meio de todas as aflições, Deus não desvia a Sua misericórdia e com a Sua influencia opera que não sejam abalados os pés do Seu povo (Sl 66:8-12,20). Pela Sua obra, o coração do Cristão é consolado e confirmado ao ponto de ser ativo em toda a boa palavra e obra perseverante (2 Ts 2:16,17). Pela obra de Deus, pela graça que basta, o Cristão é aperfeiçoada em toda a boa obra continuando naquele que é agradável a Deus até o fim (Hb 13:20,21). A graça é nos dada como ferramenta na nossa vida Cristã mas precisamos a Sua graça para usá-la (Pink, Gleanings from Paul, p. 409).

A graça de Deus é suficiente na sua natureza, mas o Cristão precisa crescer nesta graça na sua vida diária (2 Pe 1:5-7, “acrescentai à vossa fé a virtude … ciência … temperança … paciência … piedade … amor fraternal”; 3:18, “Antes crescei na graça”; Cl 1:10, “frutificando em toda a boa obra e crescendo no conhecimento de Deus” ). O Cristão cresça na graça por exercitar-se na obediência da Palavra de Deus. Uma destas atividades espirituais é a oração. Cristo achou necessário a orar pela preservação do Seu povo (Jo 17:11,15-17). Paulo achou conveniente orar pelos Cristãos Tessalonicenses para que crescessem na graça em toda a boa obra de fé com poder (2 Ts 1:11,12). Podemos também achar proveitosos em orar por nós mesmos e pelos outros Cristãos para que frutifiquemos em toda a boa obra. Este fruto vem quando abundamos com toda suficiência (graça) em toda a boa obra de fé (2 Co 9:8). Nessa perseverança crescente a graça de Deus para nos preservar é manifesta (1 Co 15:10, “todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo”).

Pela graça de Deus ser um instrumento de vivificar e salvar o Cristão (Ef 2:8,9), aperfeiçoando-o pelas tribulações, para operar aquilo que é agradável a Deus por Jesus Cristo, entendemos que a preservação dos santos é uma consequência lógica das perfeições divinas (Pink, Eternal Security, p. 51).

Reconhecendo que têm sido derramados sobre nós tais bênçãos eficazes (Lm 3:22 – “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos”), somos estimulados a procurarmos essa graça suficiente para sermos fortes na perseverança da nossa responsabilidade segundo a eficácia que opera em nós poderosamente (Cl 1:27-29).

A Sabedoria de Deus

Isaías 40:28 – Não sabes, não ouvistes que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento. O Dicionário Aurélio Eletrônico define a palavra inescrutável como sendo insondável ou impenetrável. A palavra hebraica traduzida para inescrutável significa algo que não sustenta investigação (2714, Strong’s). A sabedoria de Deus é imensa, além do poder de ser enquadrado em qualquer relatório de fatos. Não pode ser conhecida as suas medidas. A Palavra de Deus, com outras referências, menciona essa mesma verdade usando expressões como “Ó profundidade das riquezas tanto da sabedoria, como da sabedoria de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis são os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi Seu conselheiro?”, (Rm 11:33,34; Jó 9:10); “Como as alturas dos céus é a sua sabedoria … é mais profunda do que o inferno … mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar.”, (Jó 11:7-9); “o Seu entendimento é infinito” (Sl 147:5); “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” (1 Co 1:25); “Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida”, (Ef 3:10) e “ao único Deus sábio” (1 Tm 1:17). Sem dúvida nenhuma podemos ser contentes que a sabedoria de Deus é um meio eficaz para nos perseverar até o fim das nossas responsabilidades e pela qual somos preservados eternamente.

Podemos entender como essa sabedoria infinita é um meio para garantir a preservação dos santos e a perseverança deles quando entendemos que o homem sábio não apenas tem um excelente objetivo desejado, mas juntamente com o desejo prepara tudo o que é necessário para a obter tal alvo. Deus não vai ser como o homem que começou a edificar algo, mas, por falta de conselhos e capacidades, deixa de cumprir o seu desejo. Contrariamente, Deus é como o sábio rei que assenta primeiro e toma conselho para saber do que ele precisa para vencer aquele que venha contra ele (Lc 14:28-32). E Deus sabe dos ardis daquele que vem contra Ele. Sem dúvida Deus sabia da cruz que Cristo tinha de levar para ser o substituto da condenação dos pecados de todos os Seus. A sabedoria de Deus considerou a fragilidade da carne, do ódio que as trevas têm contra a luz, dos ataques e dos dardos inflamados de Satanás e que os justos seriam poucos entre muitos injustos. Sabendo de tudo, Deus providenciou tudo o que é necessário para atingir o Seu alvo grandiosamente para ter todos os Seus com a vitória com Ele eternamente. A sabedoria de Deus garante disso.

Na menção da realização de uma obra divina na Bíblia, frequentemente tal obra é associada com aquela sabedoria e poder necessários para sustentar essa obra (Hb 1:2,3, “fez … sustentando”; Nm 23:19). No assunto da salvação, a sabedoria de Deus é vista não somente no fato que nos dá vida, mas que nos guarda para que nunca pereçamos (Jo 10:28, “dou-lhes a vida eterna, e ninguém arrebatará da minha mão”; 1 Pe 1:3,5, “nos gerou de novo para uma viva esperança … guardados na virtude de Deus para a salvação”; Jd 1:1, “santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo”). Então entendemos aquela ciência de Deus que é mais alto do que os céus, faz que a obra iniciada por Deus na nossa salvação é seguramente aperfeiçoada ao dia de Jesus Cristo (Fp 1:6).

A sabedoria de Deus na salvação é manifesta em que Ele escolheu a loucura da pregação para salvar os crentes (1 Co 1:17-21). O entendimento infinito de Deus é visto em que Ele usa as coisas loucas, fracas, vis, desprezíveis, e as que não são para operar Sua grande obra em nós e no mundo para Sua glória (1 Co 1:26-31). A Sua força é manifesta em nossa fraqueza fazendo os loucos, fracos, vis, desprezíveis, e os que não são mais do que vencedores (1 Co 12:9; Rm 8:35-37). Pelos juízos de Deus serem impenetráveis, a Sua obra foi, está e será completa. As portas do inferno não prevaleceram, não prevalecem e não prevalecerão contra os Seus objetivos (Mt 16:18). A sabedoria de Deus garante isso.

Pela sabedoria de Deus, Deus deu aos Seus tanto o desejo quanto a capacidade de fazer toda da sua santa vontade (Fp 2:13). Pelo Seu inescrutável entendimento, temos O Salvador exaltado que intercede por nós por quem olhamos tanto como o autor da nossa fé quanto o consumador dela (Hb 12:2). Pelos conselhos altos de Deus, O Espírito Santo nos guia em toda a verdade (Jo 14:26;15:26) e intercede por nós ajudando-nos com as nossas fraquezas (Rm 8:26). Por Deus saber das nossas lutas Ele sabiamente nos deu As Escrituras puras e perfeitas para que tenhamos avisos solenes, mandamento sérios, promessas gloriosas e exemplos dos santos para nos animar a perseverarmos até o fim (Pv 30:6). Pelos insondáveis conselhos de Deus o Cristão tem toda a armadura de Deus com qual pode resistir Satanás e ter a vitória completa (Sl 34:19; Ef 6:12-20). Pelo insondável conselho, Deus tem limitado as tentações que venham na vida Cristã para que elas não sejam mais do que podem ser suportadas (I Cor. 10:13). Pela infinita ciência, Deus nos deu a igreja e os seus devidos ministrantes para nos aperfeiçoar até cresçamos em tudo de Cristo (Ef 4:11-16). Pelos juízos impenetráveis Deus nos deu a oração eficaz pelo qual chegamos a Deus e achamos graça em tempo oportuno (Hb 4:14-16; Tg 5:16). Pelos caminhos sábios de Deus que são além de medida, os pobres de espírito têm o reino dos céus, os que choram são consolados, os mansos herdam a terra, os que têm fome e sede de justiça são fartos, os misericordiosos alcançam a misericórdia, os limpos de coração vejam a Deus, os pacificadores são chamados filhos de Deus e os perseguidos por causa da justiça têm um grande galardão nos céus (Mt 5:3-12). Portanto concluímos que os Seus não são somente preservados, mas capacitados a perseverarem até o fim. Pela sabedoria de Deus, tudo coopera para o bem (Rm 8:28,29).

Sabendo destas verdades não devemos andar ignorantes ou esquecidos. De outra maneira seremos repreendidos por Cristo como foram os discípulos quando não tinham o pão suficiente (Mc 8:17-21).

A Imutabilidade de Deus

A imutabilidade de Deus é uma doutrina bem estabelecida pelas Escrituras (Sl 102:25-27; Hb 13:8; Tg 1:17). A imutabilidade de Deus é ligada aos Seus outros atributos divinos. A sua perfeição e eternidade fazem com que a imutabilidade seja tanto uma necessidade quanto uma realidade. Se Deus é perfeito, ele não pode mudar para melhor. Se Deus é eternamente perfeito, é certo que não pode mudar para o pior. Assim entendemos a Sua imutabilidade. Quaisquer doutrinas que ofenderiam esses atributos de Deus devem ser mal vistas e tratadas como falsas. Não somente o ser de Deus não muda como também não muda o Seu decreto (Sl 148:6; Mc 13:31, “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.”).

Aplicando essa perfeição de Deus à salvação faz a doutrina de soteriologia ter valor e conforto. Deus não só planejou de salvar o pecador arrependido, mas também é firme e constante neste propósito. Sabemos que Deus faz o que Ele quer (Sl 115:3; 135:6). Este plano é reforçado pelo fato que nem o desejo nem o poder de Deus podem mudar. Deus sempre terá o Seu amor para com os Seus e o Seu poder será sempre exercitado para o eterno bem deles. O homem muda os seus valores, o seu amor enfraquece, e a sua fidelidade é falha. Todavia, Deus não muda. Por causa da Sua imutabilidade, Deus não muda o Seu amor e plano por Seus, mesmo que os objetos do Seu amor falham (Malaquias 3:6). Por Deus não mudar, o desejo para que os Seus adquirissem a salvação, é cumprido (1 Ts 5:9; Fp 1:6). Deus faz tudo o que Ele quer até em respeito a salvação do homem (Jó 23:13, “Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a Sua alma quiser, isso fará”; Isaías 14:24 – “O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.”). A nossa salvação é tão segura quanto a imutabilidade do desejo de Deus para com os Seus.

É horroroso pensar como seria se Deus não fosse imutável. Se o Cristão não fosse estimulado para perseverar no caminho da retidão pelos meios que já estudamos, e, se o Cristão não fosse preservado pela eterna virtude de Deus, aquele a quem Deus eternamente amou, por quem foi ao céu preparar um lugar no céu, por quem enviou Seu Filho unigênito para o substituir na cruz, para quem trouxe o Filho de volta dos mortos e O exaltou nas alturas e por qual eternamente intercede, este eleito, em vez de ser preservado, cairia e tornaria a ser o objeto do ódio de Deus e seria separado dEle no inferno para todo o sempre. Mas, felizmente, os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (Rm 11:29). Verdadeiramente, o que a Sua vontade quer, a Sua imutabilidade pedirá. A nossa perseverança na fé e a preservação dos Seus nela são asseguradas pela Sua imutabilidade.

Às vezes, parece que Deus muda o Seu tratamento e é infiel às Suas promessas. Todavia, pesquisando o assunto mais de perto, entendemos é o homem infiel e não Deus. Deus sempre abençoa a retidão e pune a desobediência. Se o homem obediente torna ser desobediente, Deus é fiel a tratar Ele conforme as suas obras. Todavia, para com o Cristão, esse tratamento condicional é aplicada somente no aspecto de seus galardões e nunca no aspeto se ele receberá o eterno fim prometido da sua salvação. Mesmo que, por desobediência grossa, o corpo seja entregue a satanás, a alma do Cristão será preservada pela obra de Cristo (1 Co 5:5; 2 Tm 2:13, “Se formos infiéis, Ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.”). A salvação, passada, presente ou futura, nunca baseia-se na obra de qualquer homem, mas na pessoa fiel e imutável de Cristo. Os que conhecem Deus por Cristo podem testemunhar como Josué que tudo que foi prometido, veio a ser cumprido (Js 23:14). Por Deus ser imutável todo demais é “sim e amem” por Cristo (2 Co 1:20). Quem na Bíblia podia testemunhar que Deus mudou os Seus princípios ou vontade?

Por Deus ser imutável, também são as nossas responsabilidades de perseverar na fé. Ele deseja que sempre sejamos obedientes, puros, amáveis e fielmente crescidos na graça e conhecimento de Cristo (1 Pe 2:2; 2 Pe 3:18). Temos uma eterna obrigação a perseverar naquela fé uma vez dada aos santos (Jd 1:3). Por Deus ser imutável, Ele é fiel de nos preservar. Sempre temos a graça disponível para nos ajudar em tempo oportuno e é constante a presença da Sua mão para nos guardar de tropeçar (Hb 4:15,16; Jd 1:24,25; Jo 10:27-29; 1 Ts 5:25). Pela imutabilidade de Deus, a nossa perseverança é sempre pedida e a nossa preservação é sempre assegurada.

A salvação que você diz que possui tem essa qualidade de te incentivar a crescer na santidade junto com o conforto de ser guardada eternamente por seu Salvador? Se não tiver, venha se arrependendo dos seus pecados e creia em Cristo pela fé. Deus não mudou. Ele ainda quer que todos os oprimidos pelo pecado venham a Ele por Cristo. E os que venham a Ele por Cristo de maneira nenhuma serão lançados fora por Ele (Jo 6:38). Se já tenha essa salvação, louve a Deus pelo Seu amor eterno que te faz participante de um reino eterno e procura a Sua graça eterna que te capacita à santidade crescente. E que Deus seja exaltado por Cristo em tudo disso.

As Promessas de Deus

As promessas de Deus reveladas pela Palavra de Deus são as promessas que o Pai fez com Cristo Jesus na eternidade para com aqueles que Ele amou eternamente (Hb 10:7). Essas promessas são conhecidas a nós pela Palavra de Deus para que o cristão saiba das suas responsabilidades para com a sua perseverança. Também elas são o meio que saibamos que a preservação divina não falhará. Essas promessas são tidas como “grandíssimas e preciosas” pelos quais somos feitos participantes da natureza divina (2 Pe 1:4).

As promessas de Deus para com o Cristão estão asseguradas por Cristo. Todas as promessas de Deus são “nEle sim, e por Ele o Amem, para a glória de Deus por nós” (2 Co 1:20). As promessas de Deus de preservar os Seus para sempre (Sl 37:28), de estar com eles mesmo pelo vale da sombra da morte (Sl 23:4), de estar ao redor destes para a sua proteção (Sl 125:1,2), guiando e sustentando com a Sua mão direita até o dia de os receberem em glória (Sl 73:23,24) são asseguradas sim sim pelo grande Amem, Cristo Jesus. Não é a lei (Gl 3:18) nem nas obras de qualquer homem nascido de mulher (Ef 2:8,9) que confirma isso, mas o próprio Cristo. Cristo é a Nossa Paz (Ef 2:14; Sl 85:10). Tendo paz com Deus por Cristo não há mais condenação (Rm 8:1), e, sem a condenação, não há nada que impedirá as promessas de Deus serem cumpridas para aquele lavado no sangue de Cristo. As promessas de Deus asseguram a preservação dos Seus e estimulam a perseverança na fé pelos Seus.

As promessas de Deus para com o cristão são asseguradas pela verdade e firmeza de Deus. A verdade e a firmeza andam juntos nas Escrituras (Is 25:1). Por Deus prometer algo, a verdade dEle garante a confiança que a promessa será cumprida. Não temos a promessa de que seremos confirmados até o fim em Cristo sem logo termos a afirmação que Deus é fiel (1 Co 1:8,9). Pela fidelidade de Deus, é firme a nossa confiança que não virá a nós nenhuma tentação forte demais sem um escape pelo qual possamos suportar a tentação (1 Co 10:13). Temos a promessa que os justificados serão glorificados (Rm 8:29,30), e a firmeza dessa promessa é a própria fidelidade de Deus (1 Ts 5:23,24; 2 Ts 3:3). As promessas de Deus asseguram tanto a Sua preservação de nós quanto estimulam a nossa perseverança para com Ele (Hb 10:23, “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.”; Rm 4:20,21).

As promessas de Deus para com o Cristão são tão eternas quanto o Deus que as deu. As promessas de Deus fazer que o Seus o conhecem de todo o coração (Jr 24:7), de Deus carregar o Seus até a velhice e até as cãs (Is 46:4), de os livrar de toda a má obra e os guardar para o Seu reino celestial (2 Tm 4:18) são garantidas pois Deus é o mesmo para todo o sempre (Is 46:4: 54:10). As promessas de Deus asseguram tanto a Sua preservação dos Seus quanto estimulam a perseverança deles para com Ele.

Sabendo que as promessas de Deus são confirmadas e afirmadas unicamente por Cristo, somos seriamente incentivados a ter a certeza que a nossa vocação e eleição estejam nEle. Somente dessa maneira temos a certeza que jamais tropeçaremos (2 Pe 1:10).

Sabendo que as promessas de Deus são tão firmes quanto a Sua verdade, somos consolados enquanto trabalhamos firmemente em vista da bem-aventurada esperança (Tt 1:2; 2:13).

Sabendo que as promessas de Deus são tão eternas quanto a existência de Deus somos animados a sermos sempre abundantes na obra do Senhor, porque, pelo que saibamos, a nossa obra de obediência à Palavra de Deus não é vã (1 Co 15:58).

Também existem promessas para com aqueles que não conhecem Deus unicamente por Cristo. Os que não estão em Cristo somente conhecerão a ira de Deus sobre eles eternamente (Jo 3:35-36). Isso é uma promessa tão fiel e sombria quantas as outras. Portanto, se esteja fora de Cristo, corre a Cristo já se arrependendo dos seus pecados e confiando de todo com seu coração em Cristo Jesus!

A Base da Preservação do Cristão

Temos estudado que a salvação efetuada por meios visíveis e invisíveis tem um efeito prático: a perseverança e a preservação dos Santos. Essa perseverança não é somente exigida pelas Escrituras e a própria natureza nova, quanto é assegurada por Deus. A perseverança é a responsabilidade dos salvos e a obra da preservação é divina. Nessas obras de preservação, Deus usa como meios a obra do Espírito Santo, a Palavra de Deus, a oração eficaz de Cristo, a correção do Senhor para todos os Seus, o Seu poder em amor tanto quanto a Sua sabedoria, Sua imutabilidade e as Suas promessas.

A base da obra preservadora eficaz de Deus para com os Seus, não é provocada de algo originalmente no homem. A obra expiatória de Cristo, a promessa da Nova aliança e o propósito eterno de Deus são a base pelo qual Deus opera para segurar o Seus eternamente. Queremos examinar essas três áreas desta base individualmente.

A obra expiatória de Cristo – 2 Co 5:18-21

Deus, pela obra vicária de Cristo, restaura para com Ele todos os Seus. A condenação do pecado de todos os que venham a confiar em Cristo, foi posta em Cristo e paga pela Sua obra na cruz, a Sua ressurreição e a Sua exaltação. A justiça pura de Cristo então foi imputada nestes que confiam em Cristo e assim estes são reconciliados a Deus para todo o sempre. Essa obra de Cristo chama-se a Sua obra expiatória.

A palavra expiação significa no hebraico cobrir (especialmente com betume, como na arca de Noé); cancelar, purificar (Lv 1:4 e outras, 3722, Strong’s). Essa mesma palavra, no grego, significa trocar, ajustar ou restaurar ao favor divino (Rm 5:11; 11:15; 2 Co 5:18,19, 2643, Strong’s).

Romanos 8:31-39 mostra enfaticamente que qualquer condenação contra os que foram dantes conhecidos (v. 29), foi apagada pela obra completa de Cristo como de um Salvador perfeito. A inimizade contra a santidade de Deus que separou o pecador do Santo foi desfeita pela morte de Cristo (Rm 8:34, “pois é Cristo quem morreu”; Ef 2:15, “na sua carne desfez a inimizade”; 1 Pe 3:18, “Cristo padeceu, mortificado, na verdade, na carne”). Pela ressurreição de Cristo, os chamados são “vivificado juntamente com Cristo” (Ef 2:5,6) para que pela “lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” os livra da lei do pecado e da morte (Ro 8:1,2) para serem eternamente justificados e salvos (Rm 4:24; 5:10; Jo 11:25). Pela exaltação de Cristo, com Cristo agora assentado na destra de Deus (Rm 8:34; Ef 2:9), toda a obra feita por Ele para como os Seus é garantida eternamente. Pela Sua obra ser terminada com êxito, a lei de mandamentos contra os eleitos é desfeita (Ef 2:15), os pecados deles são depositados longe da onisciência de Deus (Hb 8:12; 10:17) e colocados num lugar longe da onipresença dele (Is 38:17) para que a justiça e a verdade se beijam eternamente (Sl 85:10; Ef 1:20-23). Pela vitoriosa obra expiatória de Cristo, os eleitos são feitos filhos, nunca para se tornarem órfãos (Gl 4:6; 1 Jo 3:2), herdeiros, nunca para serem deserdados (Rm 8:17) e feitos reis e sacerdotes, nunca para serem destituídos (Ap 1:6).

Deus o Pai, verá o fruto do trabalho da alma de Cristo em ser o Substituto para pecadores particulares, e, baseado neste trabalho, “ficará satisfeito” (Is 53:11). É verdade que a satisfação efetiva do Pai não é para com o pecador até que este esteja em Cristo. Alguns querem dizer que a satisfação do Pai é feita através do pecador fazendo a escolha de crer em Cristo. Todavia, a ação de crer em Cristo não vem originalmente da natureza do pecador, mesmo que seja sua inteira responsabilidade. O trabalho de crer é dependente na implantação de uma nova natureza. Essa obra de regeneração é feita por Deus através de meios particulares que já estudamos. Essa obra de regeneração é feita dentro aqueles por quem o Filho foi ferido e moído e por quem as Suas pisaduras sarou (Is 53:4,5). A base da satisfação do Pai e a Sua justificação de muitos, é baseado na obra de Cristo em levar sobre Si as iniquidades destes muitos (Is 53:11). Portanto, a satisfação plena do Pai não é baseada em alguma ação agradável pelo pecador, mas completamente pela obra do Filho no lugar do pecador eleito. E, se o Pai é satisfeito com Cristo, a preservação daquele em Cristo é assegurada. Cristo, pela sua obra expiatória, opera plena redenção, e sendo assim, merece toda a glória (1 Co 1:30,31).

É a responsabilidade de todo pecador a se arrepender e confiar inteiramente na obra expiatória de Cristo para conhecer essa restauração plena e eterna com Deus (At 17:30). Se você está oprimido pelo seu pecado, o próprio Deus, e os que conhecem essa obra, avisam e rogam que você venha a se reconciliar com Deus por Cristo. Por Ele você terá todo o necessário para vencer o pecado, servir o seu Salvador e ser preservado para todo o sempre. Deus se satisfaz completamente com a obra de Cristo. Vocês se satisfaz com ela?

A promessa da Nova aliança

Deus tem um eterno desejo: ser o Deus do seu povo e ter o Seu povo servindo e amando Ele como seu Deus. Pelo menos vinte vezes pela Bíblia este desejo é manifestado (Gên. 17:8; Êx 6:7; 29:45; Lv 26:12; Jr 7:23; 11:4; 24:7; 30:22; 31:33; 32:38; Ez 11:20; 34:24; 36:28; 37:23,27; Zc 8:8; 2 Co 6:16; Hb 8:10; Ap 21:3,7). Se este é o desejo de Deus, o poder de Deus o efetuará (Jó 23:13, “Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará.”; Sl 135:6). Pode ser confortante para Seu povo que eles são assim pelo eterno desejo de Deus (Jr 31:3).

Para que este desejo seja conhecido e efetuado, Deus fez alianças com o homem. Uma aliança é um contrato sério como uma confederação ou pacto (Hebraica 1285, Strong’s). O homem faz alianças com o homem (Gn. 21:27; 1 Sm 18:3; 2 Sm 5:3; 1 Rs 5:12; 20:34; 2 Cn. 23:16; Ne 10:29; Jr 34:8), e com Deus (Êx 24:7: Js 24:24; 2 Rs 11:17; 23:3; 2 Cr 15:12) e Deus faz pactos e acordos com o homem (Gn 17:2; Êx 6:4; Nm 25:12; Jz 2:1; 2 Sm 7:12; Sl 89:28; Is 59:21). Essas alianças de Deus para como o homem foram dadas em épocas distintas e podemos chamá-los pela suas épocas e em que foram dadas (a aliança de Éden, Gn 3:15; de Noé, Gn 9:9; de Abraão, Gn 15:18; de Sinai, Êx 19:5; aos Levitas, Nm 25:12,13; de Davi, 2 Sm 23:5; a nova pela graça, Jr 31:33,34; Hb 8:6-13).

Todas as alianças têm pontos em comum. Existem o testador, os herdeiros, aquilo que efetua o pacto, umas condições ou qualificações, e o benefício do pacto. Geralmente o testador é um e nas alianças mais importantes entre Deus e o povo dEle exige a morte do testador, literal ou simbolicamente. Nas alianças divinas existem uma promessa séria, uma herança eterna e uma confirmação dada por um sinal (Exemplo: o arco de Deus, Gn 9:12,13). O homem tem responsabilidades na maior parte dessas alianças. Essas responsabilidades são vistas pelas condições imutáveis. Essas condições são a fé e a obediência. A aliança, para ser em pé, precisa da fé (Gn 15:6; Dt 6:5; Hb 11:6) e da obediência. Essa obediência tem que ser moral, do coração, (Gn 17:1; Mt 7:24) e cerimonial (Gn 17:10-14). Entenderemos melhor essas condições pelo decorrer deste estudo.

Se as condições do homem não são preenchidas, a aliança é, por falha de um dos lados, anulada, ab-rogada, desfeita, prestes a perecer. Para Deus ser o Deus do Seu povo e para o Seu povo ter Deus como seu Deus, Deus fez essas alianças com o homem, alianças bilaterais e condicionais que dizem: se obedecer, viverá; se desobedecer, morrerá (Gn 2:17; Lv 26:3-13, 14-39; Ez 18:20, “a alma que pecar essa morrerá”).

Pelas condições dadas por Deus ao homem pelas alianças, entendemos muito sobre a responsabilidade do homem. O homem é responsável por que Deus o mandou fazer algo. Se o homem não preencha a sua parte, ele é castigado severamente até que venha a se arrepender ou até mesmo a morte. O homem é culpado porque ele é responsável. Mesmo que o homem seja responsável, a responsabilidade do homem não quer dizer que ele é capaz de preencher o que ele deve. Quem pode guardar toda a Lei de Moisés? Mas todos são responsáveis à guarda-la toda. Os que tropeçam em um ponto somente são culpados dela toda (Tg 2:10). Pelo pecado habitar na carne, o homem é fraco e incapaz de fazer o bem que deve (Jr 17:9; Rm 3:10-23; 7:18-21). Por isso entendemos que as alianças bilaterais e condicionais à obediência do homem são fracas pela incapacidade do homem, e, tais alianças, são mais cedo ou mais tarde anuladas. Todavia, o desejo de Deus continua sendo o mesmo.

Deus, que criou o homem, que responsabilizou o homem, que fez um pacto com o homem, sabe o que está no homem. Para a glória de Deus e para atingir o Seu desejo eterno, Deus fez uma aliança nova e definitiva: a da graça.

Nessa aliança da graça Deus faz a obra toda e por isso ela é eterna. Por ela ser eterna essa aliança da graça é a eterna base da preservação de todos que estão nela. Nessa aliança da graça Deus é o Testador pelo Filho que dá a Sua própria vida (Hb 9:14,15). Os herdeiros dessa aliança são os chamados pelo Seu poder (Rm 8:28-30; Hb 9:15). Esse pacto é efetuado pela morte vitoriosa do Testador (Romanos 5:8; Ef 2:14-16; Hb 9:16). A qualificação ou condição de lealdade é preenchida perfeitamente por Cristo (Jo 17:4; Hb 9:28; Fp 2:8-11) com qual lealdade o benefício do pacto é garantida seguramente: a salvação eterna de todo aquele que crê em Cristo (Hb 9:15,28).

Essa aliança nova é caracterizada pela graça soberana de Deus, algo que não inclui nenhuma obra do homem (Ef 2:8,9). Foi o próprio Deus que propus pôr nos corações a Sua lei e a escrever no seu interior sem a intermediação ou qualificação de uma obra do homem qualquer (Jr 31:33). A morte do Testador foi preenchida satisfatoriamente por Cristo (Hb 9:18-26; Is 53:11, “ficará satisfeito”) fazendo que a promessa desta aliança ser cumprida. Por isso é garantida que os salvos serão o povo dEle e Ele será o Deus deles (Jó 23:13; Ap 21:3,7). Essa aliança é eterna pois é Cristo Quem os preserva (Lv 2:13, “o sal da aliança”; Jd 1:24), e o sinal da confirmação é o sinal da sua ressurreição (Rm 1:4; At 17:31; Ef 1:19,20).

A qualificação de quem entra nessa aliança continua sendo a fé e obediência, mas com uma diferença importante. A fé necessária na parte do homem não é a obra do homem em quem não habita bem algum, mas daquela fé que é fruto do Espírito Santo (Gl 5:22) operado eficazmente nos escolhidos. A obediência moral necessária para qualificar os recipientes desta aliança da graça vem de um coração novo dado por Deus (Jr 31:31-34; Fp 2:13). A obediência cerimonial desejada por Deus é celebrada pela manifestação do homem novo na vida diária e pela participação na Sua organização eclesiástica, a igreja, e declarada publicamente pelas ordenanças: o batismo e a Ceia do Senhor. Cristo vivendo nos Cristãos faz tudo necessário para que a aliança seja completa e perfeita.

Essa aliança nova da graça é firme por ser feita por Deus do começo até ao fim. Ele põe a lei Sua no coração dos Seus e isto faz que Ele seja o Deus deles e opera que eles querem ser o Seu povo (Jr 31:33). Mesmo que a promessa foi dada especificamente à casa de Israel, os gentios foram enxertados nela pela eleição da graça (Rm 11:11-19) para que agora todo e qualquer que crê em Cristo será salvo (Romanos 1:16; 10:9-13). Por Deus prometer, sabemos que esse acordo é para sempre (Tt 1:2; Hb 6:18, “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refugio em reter a esperança proposta;” Todo aspecto desta aliança da graça estabeleça o fato da eterna preservação dos santos.

Talvez queira saber se você está incluído nessa aliança nova que preserva os Seus até o fim pela obra de Cristo. Essa aliança é para todos em Cristo. Você está em Cristo? Essa aliança é qualificada pela fé. Você cré de todo o coração? Essa aliança nova da graça efetua um novo coração com as leis de Deus escritas nele para que tenha novos pensamentos para amar e servir Deus mais e mais como Deus. A sua vida tem essas evidências? Tendo as evidências, pode saber que você está incluído nessa aliança da graça. Estando nessa aliança você pode ser consolado. É baseada na promessa do Deus que não pode mentir e assegurada pela obra satisfatória da alma de Cristo, o Filho de Deus. Se quer Deus como seu Deus e se quiser ser o povo dEle, venha a crer em Cristo de todo o coração.

Todas as alianças anteriores com os homens foram fracas na medida que dependiam do homem. A aliança da graça é forte e eterna, pois Deus depende no e se satisfaz com o trabalho da alma de Cristo (Is 53:11). Ele “lembrar-se-á sempre da Sua aliança” (Sl 111:5).

A nossa preservação de ser povo de Deus tem como base a promessa da aliança nova e graciosa feita por Deus, efetuada por Cristo e aplicada pelo Espírito Santo. Portanto ela é firme e eterna. A aliança não está baseada em nenhum dos nossos esforços, mas somente na graça soberana de Deus. Pela escolha dEle, pela obra completa de Cristo ministrada pelo Espírito Santo pela Palavra de Deus essa aliança é efetuada. Que a verdade da sua preservação ser baseada na promessa da aliança nova, que é pela graça, incentive a sua perseverança para com o seu Salvador e Deus até Ele vier!

O propósito eterno de Deus

Eclesiastes 3:14 – Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.

Por Deus ser divino, Ele é completo em todas as Suas partes. Se falhasse em apenas um único ponto, Ele tornaria a ser menos do que um outro ser nesta área. O outro ser, com menos falhos, tornaria a ser maior de Deus neste único ponto, e, portanto, dominaria Deus. Mas, Deus é completo em toda e qualquer parte. Ninguém pode convencer o Filho dEle de pecado, ou falha em motivo ou ação. Se o Filho é assim, também o Pai (Jo 8:46; 10:30). Deus é perfeito em todos as Suas obras (Dt 32:4; 2 Sm 22:31; Sl 18:30, “o caminho de Deus é perfeito”; Mt 5:48).

Podemos conhecer Deus pelos atributos dEle revelados pelas Escrituras Sagradas. O propósito de Deus é assegurado pelo Seu ser (Isaías 46:9-11) e confirmado pelos seus atributos. Vamos examinar alguns destes atributos. A qualidade da soberania de Deus é motivo pelo qual todas as providências nos exércitos do céu e da terra operam segundo a Sua vontade (Dn 4:34-37 – “E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a Sua vontade Ele opera com o exercito do céu e os moradores da terra”; At 4:26-28 – “Para fazerem tudo o que a Tua mão e o Teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer”; 13:48 – “e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.”). O poder de Deus garante seu decreto ser cumprido (Dn 4:35 – “Não há quem possa estorvar a Sua mão, e lhe diga: Que fazes?”; 1 Pe 1:5 – “estais guardados na virtude de Deus para a salvação”). A verdade de Deus garante seu decreto ser preenchido perfeitamente (Nm 23:19) – “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria Ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”). A imutabilidade de Deus garante que a Sua vontade não mude para conosco (Ml 3:6) – “Porque Eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”; (Rm 11:29) – “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.”). A eternidade de Deus garante que o que Ele diz será verdadeiramente realizada em tempo (Sl 33:11) – “O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do Seu coração de geração em geração.”; (Mt 5:18) – “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nenhuma jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.”; (1 Pe 1:23) – “a Palavra de Deus permanece para todo o sempre”). A perfeição e a sabedoria de Deus fazem que o Seu desejo seja perfeita e sábia, e assim sendo, é sem nenhum ponto fraco nem nada que pode frustrar os seus planos eternos (Sl 19) – A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma … os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.” (Rm 11:33-36) – “Ó profundidade das riquezas da sabedoria, como da ciência de Deus!”). Examinando os atributos divinos entendemos que o seu decreto é influenciado pelo Seu ser e pelas Suas qualidades divinas. Portanto, Deus decretando a nossa preservação, podemos ser tranquilos ao respeito do seu inteiro e perfeito cumprimento. Ao mesmo tempo que frisamos o eterno propósito de Deus que nos preserva não esquecemo-nos dos meios que Ele usa para nossa participação nela (a nossa perseverança na obediência á Palavra de Deus, a santificação, etc.)

É confortante considerar que o decreto de Deus não emana de uma pressão de fora dEle como se fosse uma necessidade nem por Ele reagir a uma situação desesperadora. O decreto de Deus vem da sua própria vontade livre e soberana (Ef 1:5. “segundo o beneplácito da Sua vontade”; 1:9, “segundo o beneplácito do que propusera em Si mesmo”; 1:11, “faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade”). Entendemos que essa vontade não é movida pelo capricho nenhum, mas pelo amor (Dt 7:7-9, “mas porque o SENHOR vos amava”; Jr 31:3, “Há muito que o SENHOR me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí.”; Ef 2:4, “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou (…) nos vivificou juntamente com Cristo”; 1 Jo 4:19, “Nós O amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro.”). Portanto, como é imensurável o amor de Deus, na mesma medida é confirmada a nossa preservação (Rm 8:35-39, nada “nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”).

O próprio decreto divino é que os Seus sejam aceitos no Amado (Ef 1:6); novas criaturas espirituais (2 Co 5:17); ser Seus próprios filhos, e assim sendo, herdeiras de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8:17; 1 Jo 3:2). É vontade explícita pelo decreto que todos que fossem chamados particularmente pelo seu Espírito Santo pelo Evangelho, sejam justificados por Cristo e glorificados na Sua imagem (Rm 8:29,30). O decreto envolve que Deus seja plenamente satisfeito pela obra de Cristo pelos Seus (Is 53:11). Pelo decreto ser tão exato, é prometido que os que vêm a Ele por Cristo, de nenhuma maneira serão lançados fora (Jo 6:37). Os em Cristo têm a segurança que tudo que vêm a acontecer nas suas vidas contribuirá para seu bem. Se todas as coisas operam para o seu bem, é claro que nada operará para a sua condenação (Rm 8:28). Portanto, tendo o Seu decreto feito na eternidade e revelado em tempo, podem descansar no amor e poder de Deus todos que estão em Cristo. Esse descanso é pelo decreto sendo dado, e por ele não ser condicional no homem, mas parte da Sua aliança da graça é assegurado o seu cumprimento exatamente como foi decretado.

Todas as promessas divinas reveladas pelas Escrituras Sagradas, tanto para os justos quanto aos injustos, detalham para os estudiosos os vários aspectos do Seu eterno decreto. O propósito de Deus é assegurado pelo Seu ser (Is 46:9-11, “O Meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.”) e revelado pelas Suas promessas. Por exemplo: Deus deseja e, por isso, decretou a Sua permanência para com o Seu povo ajuntado corretamente na terra. Sabemos desse decreto e desejo pela Sua promessa referente a este ajuntamento. A Sua promessa reflete esse decreto (Mt 28:20, “e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”). Se Deus prometeu algo em tempo é porque o fato já foi decretado na eternidade. Existem muitas providências externas que mudam na vida do Cristão, mas nenhuma mudança concernente os pensamentos de Deus para com os Seus (Is 46:9-11). É prometida a preservação dos santos. É promessa de Deus que os em Cristo tenham a vida eterna (Jo 6:39,40, “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade dAquele que Me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crer nEle, tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.”). A promessa de Deus é que os Seus nunca perecem (Jo 10:28,29, “E dou-lhes na vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão”). As promessas de Deus nos ensinem a o intento do Seu decreto e é esse eterno decreto qual faz parte da base da nossa preservação.

Estamos tão confiantes na preservação eterna de Deus de todos os Seus quanto somos firmes na Sua soberania e poder que garantem que aquilo que Ele deseja não será invalidado (Jó 23:13, “Mas, se Ele resolveu alguma coisa, tem então o desviará? O que a sua alma que dizer, isso fará.”; Sl 115:3; 135:6; Is 14:24, “O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.”). Se o decreto que é revelado pelas promessas é firme então o que foi prometido também o é.

Os em Cristo têm muito para se confortarem ao respeito do efeito prático da salvação. A aliança pela graça que inclui eles e assegurada pela obra expiatória de Cristo é tão firme quanto o propósito eterno de Deus. Mas saiba disso, somente os em Cristo podem ter essa certeza e descanso de alma. Todos que se arrependa e creem em Cristo estão seguros, mas qualquer fora de Cristo é condenado para receber o justo juízo dos seus pecados. Isso também faz parte do decreto eterno (1 Jo 5:12, “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.”). Se você é um pecador oprimido pelo seu pecado, venha a confiar em Cristo já! É promessa de Deus que todos que venham a Cristo, terão salvação. Estes serão preservados para todo o sempre. A base dessa preservação é o propósito eterno de Deus revelado pela Palavra de Deus.

Resumindo, o Cristão é reconhecido ao mundo pela sua perseverança na fé. Porém a sua perseverança desejada é somente conseguida pela obra de Deus preservando-o. O Cristão deseja perseverar. O Cristão se esforça a se perseverar, mas a capacidade de cumprir esse desejo e responsabilidade vem do próprio Deus (Fp 2:13; 2 Co 3:4-6).

Um Resumo da Doutrina da Salvação

Hebreus 10:5-7

O Velho Testamento fala tanto da salvação por Jesus Cristo quanto fala o Novo Testamento. O que o Velho Testamento revela por símbolos, tipos, enigmas e mistérios, o Novo Testamento revela abertamente. Entendemos melhor os ensinos do Novo Testamento se consideramos as profecias e mistérios do Velho Testamento. Entendemos melhor os mistérios do Velho Testamento se consideramos os ensinos do Novo Testamento. O que sobreveio como figuras no Velho Testamento foram escritas para nosso aviso (1 Co 10:11) e para nosso ensino (Rm 15:4). Fazemos bem quando tomamos as Escrituras do Velho Testamento e do Novo Testamento como todos proveitosos para fazer-nos perfeitos e perfeitamente instruídos para toda a boa obra (2 Tm 3:15-17).

Por Deus ser imutável (Ml 3:6; Tg 1:17), e por Ele ter somente um eterno propósito em Cristo Jesus (Ef 3:11), convém examinar todas as Escrituras para sermos instruídos bem nesta doutrina gloriosa da salvação. Pelo Espírito de Cristo estar nos profetas (1 Pe 1:10-12; Ap 19:10), o que foi escrito, mesmo desde o princípio, no Velho Testamento, fala da obra expiatória de Cristo (Hb 10:5-7).

Para resumir muitos aspectos da salvação vistos claramente no Novo Testamento, o Velho Testamento pode ser bem útil. O caso do arco de Noé, com a sua pregação a todos por mais de que cem anos, a exclusividade da graça de Deus sobre a família de Noé, a preservação e perseverança destes até a obtenção da terra nova, pode ser mencionado para resumir essa doutrina de salvação. Pode ser considerado também o tabernáculo com as suas ofertas, sacerdócio, tipos como claras apresentações de todos os aspectos de salvação. O tempo esgotará se mencionamos também as vidas de Abraão, José, filho de Jacó, Josué, Rute e Ester, pois essas vidas manifestam claramente a graça e misericórdia de Deus no assunto de soteriologia. Não correremos para todos esses casos, mas queremos estudar um único caso do Velho Testamento e assim fazendo, com as bênçãos de Deus, entenderemos melhor esse assunto importante. Queremos observar o tratamento do rei Davi para com o Mefibosete (2 Sm 9:1-13).

O designo da restauração de Mefibosete foi a glória do rei. O caso Bíblico da restauração de Mefibosete trouxe um incapaz e desprezível à mesa do rei, uma ação que redundou para a glória da graça do rei. Assim entendemos o designo da salvação é trazer um morto em pecados e ofensas à gloriosa luz da presença de Deus para a Sua glória (Rm 11:36, “Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória pois a Ele eternamente.”; Ef 1:6, “Para louvor e glória da Sua graça”).

A causa da restauração de Mefibosete foi o desejo, o poder e a graça do rei. A procura da descendência da casa de Saul foi iniciada pelo rei (v. 1). O rei quis buscar o Mefibosete. Nisso entendemos que a salvação é operada pelo seu beneplácito, ou seja, o bom prazer da Sua vontade (Ef 1:11). O rei podia deixar de procurar este aleijado tão facilmente que podia o procurar. Ninguém e nada o forçou a fazer isso como também ninguém o impediu. Isso mostra a soberania de Deus na salvação (Sl 135:6; Dn 4:35; Rm 9:15,16,21). Graças à boa vontade e soberania do rei, o Mefibosete foi restaurado. Graças à boa vontade e soberania de Deus, pecadores hoje são salvos (Ef 1:11).

O necessitado da restauração foi Mefibosete. O nome Mefibosete significa coisa vergonhosa (Leaves, Worms, Butterflies & T.U.L.I.P.S., p. 150). O nome do lugar que ele morava era Lo-Debar, um nome que significa sem pastagem (Leaves …, p.152). Mefibosete é descrito como aleijado de “ambos os pés” (v. 3,13) e um “cão morto” (v. 8). Este homem buscado pelo rei não tinha nada glorioso para merecer a atenção do rei. Ele era descendência do inimigo do rei, aleijado e desprezível. Externamente, ele era incapaz de viver uma vida real (aleijado de “ambos os pés”), e, internamente, ele reconhecia que não merecia nenhuma bondade do rei (“cão morto”). Tudo isso retrata a posição do pecador que Deus busca. O pecador é descendência do primeiro Adão, e inimigo (Rm 5:12; 8:6-8) como também é terrivelmente aleijado espiritualmente (Rm 5:6,8; Ef 2:1). Além disso, o pecador habita contentemente nas trevas (Jo 3:19) onde a morte reina (Rm 6:23) não merecendo nada senão a justa condenação de Deus. Se o rei Davi não buscasse em graça e misericórdia, Mefibosete não teria sido restaurado. Assim é a condição do pecador hoje (Rm 3:10-18; 5:12). Sem Deus buscar em graça e amor, nenhum pecador será salvo (Romanos 5:8; Ef 2:8,9).

Como o Mefibosete era um aleijado (incapaz), morador de Lo-Debar (lugar sem pastagem) e reconhecia seu estado de baixeza ao ser trazido na presença do Rei (2 Sm 9:6, “Eis aqui teu servo”), assim o pecador é incapaz (Rm 8:6-8), morto em pecado (longe da santidade de Deus, Rm 3:23), e reconhece o seu estado de baixeza quando é trazido na presença do Deus (At 9:6 – “Senhor, que queres que faça?”; 16:29-31; 17:30).

Notamos que a incapacidade de Mefibosete, mesmo sendo total, pois era aleijado de ambos os pés, não o impediu do poder de escolha. Ele era livre a escolher segundo a sua capacidade. Todavia notamos também o fato que a sua livre escolha não o capacitou a andar. Assim entendemos que o pecador, mesmo sendo um agente livre e com poder de livre escolha, não tem por isso, a capacidade de fazer nada agradável a Deus (Rm 8:6-8). O poder de livre escolha não sobrepuja a natureza pecaminosa do homem.

Notamos também que a incapacidade de Mefibosete não o fez menos responsável de vir ao rei quando o rei o buscou. Mefibosete era inteiramente responsável de usar todos os meios possíveis para obedecer o desejo do rei Davi. De maneira nenhuma devia o Mefibosete usar a sua incapacidade como uma desculpa de continuar longe do rei. Contrariamente, a sua incapacidade devia fazer ele clamar pela misericórdia do rei para o ter a misericórdia em o capacitar à obedecer (Mc 9:20). Nisso entendemos a responsabilidade de todo o pecador a se arrepender e crer em Cristo Jesus (At 17:30) apesar da sua triste incapacidade.

Entendemos, diante da incapacidade de Mefibosete e da soberania de Deus, que o rei Davi fez uma escolha sem depender das condições do escolhido nem considerar o que este pensava do assunto. Essa escolha do rei Davi foi pessoal e individual (v. 5 – “mandou o rei Davi, e o tomou da casa de Maquir, filho de Amei, de Lo-Debar.”) e particular e preferencial. A escolha do rei foi dirigida somente para com Mefibosete (v. 5) e não para qualquer outro aleijado na cidade. Essa escolha do rei para com Mefibosete foi primeira e antes de mencionar qualquer desejo ou ação de Mefibosete (v. 1-3). Assim também é a eleição. É pessoal e individual (Jr 31:3; Rm 9:11-13; Gl 1:15), particular e preferencial e antes de qualquer desejo do homem para com Deus (Jo 1:13; Rm 9:15,16, “Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois isso não depende do que quer, nem de que corre, mas de Deus, que se compadece.”).

O preço pago para a restauração de Mefibosete foi totalmente pago pelo rei Davi (v. 3-5). Assim também, a salvação é pago por Deus. A salvação das nossas almas requer a obediência de um justo no nosso lugar e este Justo foi dado pelo Pai (Is 9:6; 53:4-6). Cristo é este Justo no lugar dos injustos (1 Pe 3:18; Rm 5:8). O que foi pago pelo rei Davi para trazer Mefibosete foi expendido não para trazer todos os aleijados à casa real, mas somente aquele que foi incluso na sua aliança. São estes também pelos quais Cristo morreu (Mt 1:21; Jo 10:11,14-16; Is 53:4-6,8), estes que são chamados, justificados e glorificados (Rm 8:28-30, “segundo o seu propósito”).

A base desta escolha foi o amor e fidelidade de Davi à aliança que ele fizera com Jônatas (v. 1,7, “por amor de Jônatas”). Essa aliança foi feita entre Davi e Jônatas antes mesmo que Mefibosete foi nascido (1 Sm 20:14-17,23,42). Esse acontecimento representa a fidelidade de Deus à Sua aliança feita em amor com Cristo antes da fundação do mundo (Hb 10:5-7; Ef 1:3-6) para com todos o que o Pai tem dado ao Filho (Jr 31:3,31-33; Jo 6:37; 17:9).

O efeito do preço pago é entendido, pois o preço pago pela restauração de Mefibosete eficazmente cumpriu o desejo do rei Davi. É observado que ele verdadeiramente “veio a Davi” (v. 6). Depois disto, foi posto em lugares abençoados (v. 9-11). Todos pelos quais Cristo morreu, virão a Ele (Jo 6:37, “Todo o que o Pai me dá virá a Mim”; Jo 10:27, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;”; 2 Pe 3:9, “não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”).

É edificante notar o fato quando Mefibosete veio à presença do rei ele disse: “Eis aqui teu servo” (v. 6). Assim, ele mostrou seu reconhecimento da senhoria do rei sobre a sua vida. Assim entendemos que todos dos Seus que venham a se arrepender, reconhecem a Sua senhoria sobre as suas vidas (Rm 8:15, “recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.”; 1 Co 1:1, “santificados em Cristo Jesus”).

Os meios da chamada de Mefibosete para a restauração exemplificam os meios que Deus emprega para chamar os Seus hoje. O Ziba, como servo do rei, representa todos esses meios. O Ziba representa o Espírito Santo e os pregadores da Palavra de Deus. O Ziba foi enviado a dar a mensagem do rei Davi ao Mefibosete. Nisso entendemos que é o Espírito Santo que ilumina, desperta, convence e regenera o pecador (Jo 16:7-13). O Espírito Santo faz essa obra magnificente pela Palavra de Deus sendo ministrada por seus servos (Rm 1:16; 10:14,15). Essas duas representações dadas ao Ziba mostram a realidade que existem tanto a chamada interna quanto a chamada externa para trazer os pecadores à obediência e santificação (Gl 1:15, 2 Ts 2:14).

Na hora certa, a vontade do rei Davi, a obra do servo Ziba e a responsabilidade de Mefibosete, fizeram que a restauração desejada veio a ser efetuada. A escolha do rei Davi não era a restauração, mas ‘para ela’. Assim também a eleição não é a própria salvação, mas “para a salvação” (2 Ts 2:13). O envio de Ziba não era a restauração, mas um meio eficaz à ela. A restauração foi manifesta quando Mefibosete veio ao rei Davi em obediência. Isso mostra que a eleição ou a predestinação não é a salvação nem unicamente a obra do Espírito Santo pela Palavra de Deus pregada mas tudo juntos operando pela fé, o dom de Deus para o pecador, efetuam um fim glorioso: a salvação do pecador (Jo 14:6; 2 Ts 2:13,14).

Notamos que a restauração de Mefibosete na casa do rei Davi não eliminou a sua invalidez física (v. 13). Na mesma maneira a salvação também não elimina a natureza pecaminosa da nossa carne antes que morramos (Rm 7:21-24). Todavia, a restauração de Mefibosete deu a ele uma vida completamente nova que ele humildemente viveu na presença do rei Davi. Isso representa a salvação nos dando uma nova natureza que faz tudo “novo” (2 Co 5:17; Cl 3:10,11), uma vida vivida em constante arrependimento e fé (Cl 2:6; Hb 11:6), uma natureza nova que nos traz mais e mais na imagem de Cristo que a criou (Cl 3:10).

Consideramos outra vez como a restauração de trouxe Mefibosete representa tanto a realização da salvação quanto os efeitos práticos da salvação:

1 – Mefibosete foi dada uma disposição nova que causou ele a não mais querer fugir (2 Sam 4:4) e motivou ele a desejar ser submisso a palavra do rei. Essa disposição nova é uma representação de regeneração. Essa obra divina dá um novo coração aos que são buscados por Deus, e faz que entendam as coisas espirituais (1 Co 2:14,15). Ela capacita os escolhidos a crer na Palavra do Senhor e vir em obediência a Jesus Cristo (Tt 3:5, “Não pelas obras, mas segundo a Sua misericórdia … nos salvou pela lavagem e renovação do Espírito Santo”; 2 Ts 2:13; Jo 15:3,5, “Sem Mim nada podeis fazer”; Ef 2:8,9, “Porque pela graça sois salvos …”).

2 – A operação do rei para com Mefibosete trouxe uma conversão nítida na vida de Mefibosete (v. 8,11). Essa mudança é uma representação da conversão na vida do salvo. Essas mudanças radicais manifestam-se inicialmente na hora da salvação no arrependimento do pecado e a fé no Senhor Jesus Cristo (2 Co 5:17). Depois da salvação são manifestas por uma vida que continua não desejando voltar a vida velha (Cl 2:6; Rm 7:24; Gl 2:20).

3 – A restauração trouxe Mefibosete a ser posto na casa do rei Davi (v. 11). Essa verdade representa a justificação. Na justificação o pecador é feito justo e é posto diante de Deus com plena aceitação (Rm 5:1; 8:1).

4 – A restauração trouxe Mefibosete a ser posto como filho amado do rei (v. 11 – “comerá à minha mesa como um dos filhos do rei”). Isso representa a verdade de adoção. A salvação traz os justificados à relação amorosa e posição privilegiada de filhos de Deus (Gl 4:6. 1 Jo 3:1,2; Rm 8:16,17).

5 – A restauração trouxe Mefibosete a viver bem diferente daquela vida que ele antes vivia no Lo-Debar (no lugar sem pastagem) para viver na cidade de Jerusalém (cidade de paz). Isso representa a santificação. A salvação santifica os em Cristo tanto diante de Deus quanto diante dos homens (Pv. 4:18; 1 Co 1:1; 2 Co 6:14).

6 – A restauração trouxe Mefibosete à uma eterna posição diante do rei (v. 13, “sempre”). Isso representa a glorificação. Todos os adotados viverão para sempre na presença do seu Deus e Salvador (1 Ts 4:17 – “e assim estaremos sempre com o Senhor”).

7 – A restauração fez que Mefibosete “sempre comia à mesa do rei” (v. 12). Nisso entendemos não somente a provisão do rei em sustentar o Mefibosete (preservar ele), mas também a responsabilidade de Mefibosete a estar à mesa do rei e a comer (sua perseverança). Isso representa a preservação divina para com os Seus salvos, pois Deus sustenta e guarda os seus (Jd 24 – “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar …”). Também representa a perseverança dos salvos para com o Salvador pois os salvos procuram ser apresentados ao Salvador irrepreensíveis (1 Jo 3:3 – “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro.”).

Assim temos um resumo da obra da salvação. Espero que somos abençoados a entendermos como no “princípio do livro está escrito” de Cristo (Hb 10:5-7). Pelo Velho Testamento, essa passagem aparentemente obscura e somente histórica, exemplifica aberta e gloriosamente as grandezas da salvação quando vista pela lupa das doutrinas claramente ensinadas no Novo Testamento. São as doutrinas explicadas no Novo Testamento que nos revela como Cristo e a Sua obra da salvação é presente no Velho Testamento. Que Deus abra os nossos olhos a regozijarmos na presença de Cristo em cada página da Palavra de Deus.

Conclusão

Espero e oro que as verdades deste maravilhoso assunto, com as bênçãos de Deus, tragam os pecadores ao Salvador, confirmem os ânimos dos salvos e glorifiquem o Senhor Deus Pai das luzes de Quem vem toda e boa dadiva e dom perfeito (Tg 1:17).

Se você se considera um “cão morto” e está ouvindo a voz do Salvador, venha hoje mesmo a Ele para a salvação da sua alma. Venha se arrependendo do pecado crendo pela fé nas revelações divinas do Filho de Deus, Jesus Cristo.

Se você já foi posto na mesa do rei, vive humildemente ao serviço dele crescentemente para a Sua glória.

 

 

Soteriologia: A Doutrina da Salvação (1/4)

Soteriologia: A Doutrina da Salvação (2/4)

Soteriologia: A Doutrina da Salvação (3/4)

 

 

Autor: Calvin Gardner

Fonte: Monergismo

Marcos Frade
Marcos Frade
Mineiro, de Belo Horizonte. Profissional de TI por paixão, estudante de Teologia por chamado. Criador e editor da página Suprema Graça, no Facebook. Atuo como editor e na área de manutenção no Reformados 21. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.