Resenha do livro “E as Línguas”?, de Anthony Hoekema

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O autor introduz o assunto por meio de uma breve história do “falar em línguas”. O fenômeno ocorreu em várias épocas e lugares após o segundo século, mas a sua maior manifestação começou com o movimento pentecostal em 1901. Desde então, ele tem se espalhado recentemente para algumas denominações de linhas mais antigas.

Os capítulos centrais do livro examinam a teologia das línguas dos pentecostais. O Dr. Hoekema não tem problema em demonstrar que 1 Coríntios contradiz a ideia pentecostal de que todos os cristãos deveriam falar em línguas (p.86-87); de que esta é uma segunda bênção posterior à conversão e que se encontra com o destino do perfeccionismo arminiano. As angustiantes reuniões de avivamento, e os métodos utilizados pelos pentecostais, não são a maneira pela qual as línguas foram dadas no Novo Testamento. De modo semelhante, a Pneumatologia deixa claro que as línguas não são a única nem mesmo a evidência mais proeminente de se ter recebido o Espírito.

Este maciço material teológico e as evidências nele apresentadas exemplificam como fenômeno tem sido, por vezes, intencionalmente fraudado e é frequentemente uma agitação emocional induzida. No entanto, não adiciona nenhuma demonstração estritamente lógica de que as línguas não possam ser uma obra do Espírito hoje. Há lugares onde o argumento vacila. Por exemplo, em um lugar o Dr. Hoekema diz: “Não estou sugerindo que os discípulos realmente não usaram línguas para testificar aos estrangeiros, porque não temos evidências de que assim o fizeram (ainda no dia de Pentecostes, Pedro pregou, segundo parece, em aramaico…)” (p.68). Agora, fica a dúvida: Pedro pregou em aramaico, mas Atos 2:8 não foi uma evidência requerida para os demais discípulos? Se sim, esse versículo não ajuda muito os pentecostais, mas também parece enfraquecer o argumento do Dr. Hoekema.

Surge depois uma falha formal em mais um argumento. O autor admite a possibilidade da interpretação Pentecostal de Atos 19:2, com base na versão King James, através da gramática grega. Mas ele acrescenta: “A questão é, no entanto, se o contexto o exige” (p.74). Sem dúvida, os pentecostais, para provarem seu caso, devem demonstrar que o contexto exige. Mas, para provar que os pentecostais estão errados nesse ponto, seria necessário mostrar que a versão King James fornece uma tradução impossível. A noção deste revisor é que ambas as partes não conseguem provar seus pontos.

Depois, há outra passagem intrigante. O pano de fundo geral é que a igreja apostólica precisava das línguas e milagres para atestar o Evangelho, porém a igreja de hoje não precisa de línguas. Agora, por um lado, esse é um julgamento subjetivo que pode ser posto em dúvida à luz da apostasia contemporânea. Também não é claro se os pentecostais afirmam tal necessidade e “ignoram a finalidade das Escrituras”. Em seguida, o autor continua dizendo que as palavras de Abraão ao homem rico na parábola podem ser lembradas aqui: “Se não ouvem [irmãos do homem rico] a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos’ (Lucas 16:31)” (p.110). Mas, se as observações de Abraão provam que a igreja do século XX não precisa de línguas, elas não provariam, igualmente, que os milagres e as línguas não eram necessários nos dias de Cristo?

O julgamento do revisor é que o Dr. Hoekema têm completo sucesso em refutar a teologia pentecostal. Ele também demonstrou a improbabilidade do falar em línguas nos dias de hoje como sendo uma obra do Espírito, por causa da diferente interpretação teológica. Improvável, sim, mas não logicamente impossível.

 

 

Autor: Gordon Clark

Fonte: The Gordon Clark Foundation

Tradução: Dione Junior

Revisão: Edu Marques

Via: Dádiva e Louvor

Para acessar o livro de Anthony Hoekema “E as Línguas”?, clique aqui

 

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