Soteriologia: A Doutrina da Salvação (3/4)

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O Preço Pago na Salvação

Se Deus, na eternidade, escolheu homens em particular para os salvar, os pecados destes devem ser pagos. É lógico que o assunto do preço pago na salvação siga o assunto da escolha que Deus fez na salvação.

A postura que devemos ter em relação os pontos que seguem deve ser a mesmo que temos neste estudo inteiro. Não devemos esperar de entender o que a Bíblia ensina nessa área doutrinária dependendo somente na lógica humana. A lógica do homem é bem inferior aos princípios divinos (Pv 14:12; Is 55:8; Rm 11:33; 1 Co 1:19-25). Se esperarmos entender algo da Palavra de Deus, devemos exercitar a mente de Cristo que o crente tem (1 Co 1:18; 2:14-16; Hb 5:14). Devemos exercitar a fé, pois somente por ela podemos aceitar o que a Bíblia ensina (Rm 1:17; Hb 11:1,6). Também qualquer tentativa de explicar o mistério do preço pago exclusivamente com lógica humana seria fútil e igual de virar da luz às trevas.

Convém enfatizar novamente o primeiro ponto deste estudo: o desígnio da salvação, em todas as suas partes, é a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Mesmo que os assuntos abordados neste parte do assunto afeitam o homem em várias maneiras, o preço pago não foi em benefício primário ao homem mas para Cristo fazer a vontade do Pai e assim receber a glória (Jo 6:38,39).

Convém termos um temor adicional nesta parte do estudo pois estamos abordando um assunto que excede qualquer outra obra que pode ter no céu ou na terra. Múltiplas profecias de Gn 3:15 a Ml 4:6 tratam repetidas vezes Aquele que viria pagar o preço do pecado. Por ter tanta ênfase pela profecia pelo Velho Testamento, uma atenção deve ser dada. Não foi somente no Velho Testamento que a atenção sobremaneira foi dada, mas no Novo Testamento também. Pelo Novo Testamento sinais indiscutíveis foram apresentados na conceição (Lc 1:30-35), no nascimento (Lc 2:8-14), durante o crescimento (Lc 2:46-52), e durante o ministério público deste Cristo que pagou o preço (Lc 4:17-21). Também foram sinais abundantes na Sua morte (Lc 23:44-47; Mt 27:50-55), na Sua ressurreição (Lc 24:1-7; 1 Co 15:4-8), na ocasião da Sua ascensão (At 1:9-11), pelo Seu ministério agora com o Pai (Hb 7:25), e pelos ministrantes Teus na terra que pregam a Sua mensagem (Mc 16:16,17). Nenhuma outra pessoa ou ser tem tanto destaque quanto aquela atenção dada pela Palavra de Deus a pessoa e a obra de Jesus Cristo. Por isso devemos ter um cuidado extra quando entramos neste assunto. Quando estudamos o preço pago estamos examinando a obra dAquele sobre Quem foi estabelecida a Sua igreja (Mt 16:18), Aquele que tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28:18), que aniquilou quem tinha o império da morte (Hb 2:14) e tem as chaves da morte e do inferno (Ap 1:18). Por isso devemos dar a dignidade merecida a este assunto. Não existe outro tema como o tema deste estudo pois é a mensagem única para ser anunciada pelos séculos (Mt 28:19,20; 1 Co 2:1-5) e é aquela eternamente declarada nas alturas (Ap 5:12). Por ter superioridade de tal medida sobre qualquer outra matéria convém que tenhamos o temor de Deus em consideração neste estudo do preço pago na salvação.

No decorrer deste estudo definiremos a causa do preço a ser pago (o pecado), exaltaremos quem pagou o preço necessário (Cristo) e entenderemos por quem o preço foi pago (os eleitos).

A Causa do Preço Ser Pago

É necessário entender o que necessitou um preço a ser pago na salvação. Menos entendido o que necessitou o preço a ser pago, menos valor será dado a Quem pagou o preço. É importantíssimo entender o que provocou que convinha (próprio e útil – Lc 24:26) o Filho de Deus “a entristecer-se e angustiar-se muito” (Mt 26:37); ter as suas costas feridas, os cabelos da sua face arrancado e para Ele receber a afronta e cuspo dos atormentadores (Is 50:6). A beleza do preço pago é vista somente quando é examinado por perto aquilo que fez que fosse importante (um dever – Jo 3:14,15) o Santo e Eterno Deus Pai ferir, oprimir, moer e desamparar o Seu Único e Amado filho (Sl 22:1; Mt 27:46; Zc 13:7; Is 53:4,5). Somente percebendo a razão do desprezo constante dos pagãos, religiosos (Isa. 53:1-3), das aflições e inimizade de Satanás (Gn 3:15; Mt 4:1-11) podemos admirar o preço que foi pago. Pode ser que algo diferente do que o sacrifício tão cruel do Filho de Deus fosse possível a Deus (“todas as coisas te são possíveis”, Mc 14:36), mas nada menos do que a completa humilhação e a afronta da morte maldita na cruz pudera satisfazer o que era proposto pela vontade de Deus (Hb 12:2; Mc 14:36).

A opinião do homem sobre o preço que precisa ser pago pelo pecado é mínima. O preço necessário a ser pago é comparado, ao homem, a uma fonte doce na qual ele pode beber quando precisa refrescar-se do tormento que o pecado provoca à sua consciência (Gn 3:11-13; 4:9; Rm 2:14). Ele medita um pouco do mal que fez, e ele determina um ato, pensamento ou uma intenção mínima de retribuição para apaziguar a sua consciência. Para o homem, aquilo que causou o preço a ser pago na salvação foi apenas uma fraqueza moral que foi herdada de Adão. É um mal que pode ser resolvido facilmente por um jeito esperto agora ou no fim da vida. Infelizmente a opinião do homem do preço necessário a ser pago pelo pecado não é a mesma dAquele que julga o pecado segundo as suas obras (Ap 21:13).

O que é pecado e o que é que causou um preço a ser pago por ele é entendido pelas descrições claras do pecado que a Bíblia fornece. Na Bíblia o pecado é descrito como sendo nenhuma justiça ou bem (Sl 14:1-3; 53:1-3; Rm 3:10-18); toda a imundícia e superfluidade de malícia (Tiago 1:21). O pecado é descrito como um recém nascido abandonado na sua imundícia (Ez 16:4,6); um corpo morto (Rm 7:24), um enfermo com doenças abertas e imundas (Is 1:5,6), a gangrena (2 Tm 2:17) e um sepulcro aberto (Rm 3:13). O desprezo de Deus pelo pecado é compreendido em que a Bíblia descreve-o como tendo nenhuma verdade nele (Jo 8:44), sendo comparado ao vomito de cães e à lama dos porcos (2 Pe 2:22) e até ao pano imundo de uma mulher menstruada (Is 30:22; Lm 1:17). A Bíblia abertamente diz que apenas o pensamento do tolo é pecado (Pv. 24:9) nos dando o entender que o pecado é tolice. A Bíblia revela que qualquer coisa sem a fé é pecado (Rm 14:23) nos ensinando que o pecado é o oposto da fé. A Bíblia ensina que o não fazer o bem que se sabe e deve fazer é pecado (Tg 4:17) nos ensinando que a maldade do pecado é desobediência. Somos instruídos pela Palavra de Deus que o pecado é claramente descrito como sendo “iniquidade” (1 Jo 3:4; 5:17) nos ensinado que o pecado é contra a lei de Deus. Para ninguém ter uma dúvida sobre este assunto, o Apóstolo João diz, pela inspiração do Espírito Santo, que quem peca “é do diabo” (1 Jo 3:8) nos claramente convencendo que o pecado, em todas as suas considerações, é terrível, abominável e diabólico. Pelas descrições claras e marcantes da Palavra de Deus, entendemos bem o que causou um preço divino a ser pago para que a salvação fosse uma realidade.

O que é pecado e o que é que causou um preço a ser pago por ele pode ser melhor entendido pela observação dos frutos podres dele. Jesus disse: pelos frutos conhecerá a árvore. pois “não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons” (Mt 7:16,18). Tiago pergunta: “Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?” e também, “pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos?” Na face da evidente clareza da lógica, Tiago resuma: “Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce?”. (Tg 3:11,12). Na face de tais verdades podemos examinar os frutos podres e as obras vergonhosas do pecado e, com isso, entender melhor a sua natureza e o tipo de preço que foi pago por ele. As obras do pecado estão listadas varias vezes pela Bíblia (Gl 5:19-21; Ap 21:8, 27; 22:15) nos dando um entendimento da podridão do que é o pecado. Aquele ser que foi feito pela própria mão de Deus na Sua própria imagem (Gn 1:27; 2:7), o superior de tudo que achava na terra (Hb 2:7,8) é agora, sendo um resultado do pecado, um adúltero e homicida (2 Sm 11:4,17; 12:4,7) e aquilo que acha uma alegria entregar o Filho Unigênito de Deus por dinheiro (Zc 11:12; Mt 26:15). O pecado trouxe este ser glorioso a ser uma vergonha (Pv 14:34) e ter nenhum traço da glória de Deus (Is 64:6; Rm 3:23, “destituídos estão da glória de Deus”). Aquela criação criada pela mão divina na imagem de Deus, que gozava da voz do SENHOR que passeava no jardim pela viração do dia (Gn 3:8; Pv 8:31), por causa de um só pecado (Gn 3:6), tornou ser um inimigo abominável contra este mesmo benigno e poderoso Deus, chegando a negá-lO (Jó 21:14; Sl 10:4; 14:1; Pv 1:25; Rm 1:21, 28) e se tornou impossibilitado a agradar Ele nem entender a Sua palavra (Rm 8:6-8; 1 Co 2:14). Aquela criação nobre em cujo coração foi escrita a lei de Deus (Rm 2:14,15), agora, por causa do pecado, vive diante de Deus sem lei (Os 8:12; Rm 1:21, 28) fazendo somente o que se acha correto nos seus próprios olhos (Dt 12:8; Jz 17:6; Pv. 21:2). O homem que o digno Deus fez na Sua própria imagem (Gn 1:27) agora, pelo fruto do pecado, resiste o Espírito Santo (At 7:51; Rm 7:21-223; Gl 5:17), é contra a soberania de Deus (Rm 9:18-20; Ap 16:21) e resiste a mensagem de Cristo (Dt 32:15; Pv. 1:25; Jr 32:33; At 7:54; 13:50) como resiste até o próprio Cristo (Sl 2:3; Mt 27:20-26). Foi por causa de pecado que o homem que Deus fez reto e bom tornou a ser maldito e cheio de astúcias (Gn 1:31; Ec 7:29). O homem, por ser criado por Deus, tem um dever de temer, honrar, obedecer e dar glória a Deus (Ec 12:13; Ap 4:11) mas, agora, por causa do pecado, é servo de Satanás e da sua própria concupiscência (Jo 8:44; Rm 6:16; 2 Tm 2:26). Em vez de dar ao Criador toda a honra que lhe é divida, o homem pecador anda em auto suficiência (Gn 11:4; Dn 4:30; 1 Jo 2:16, “soberba da vida”). Uma consequência do pecado em a criação de Deus feita para O dar glória é entendida pois agora essa criação anda em uma completa estupidez pois tal criação gloriosa de Deus ridiculize-se da mensagem da salvação (1 Co 1:23) e de tudo o que é santo (1 Pe 4:4). O efeito do pecado é visto em que aquilo que o Deus santo criou, mata os que eram santos (At 7:54; 9:1,2) e menospreza as misericórdias e benignidade divinas (Rm 2:4). O pecado trouxe o homem a desejar mais as trevas (Jo 3:19) a podridão e a imundícia (2 Pe 2:22, vômito e espojadouro de lama) do que a gloriosa luz. Foi o pecado que fez aquele que foi feito para gozar a presença de Deus com a vida eterna chegar a conhecer a morte e a separação de Deus (Gn 2:17; 3:22,23; Rm 6:23) e causou que este homem tornasse uma afronta à santidade de Deus (Jd 14,15). O que é o pecado é claramente entendido quando os efeitos do pecado são examinados. Estes efeitos deploráveis do pecado não são reservados para alguns dos homens, mas afeitam integralmente todos os homens do mundo todo (Rm 3:23; 5:12). Se pelos frutos a árvore é conhecida, pelas consequências que o pecado causou, a sua natureza abominável é entendida

O que é pecado e o que causou um preço a ser pago por ele pode ser entendido melhor pelo estudo do fim terrível do pecado. Aquilo que é contra a justiça e a santidade divina; aquilo que opera ativamente contra o onipotente Deus, pode apenas provocar o antagonismo do justo e poderoso Deus (Ez 18:24). É esse fim que o pecado gera: a ira do eterno e santo Deus. Aquele que é o amigo do mundo tornou-se automaticamente o inimigo de Deus (Tg 4:4). É esse o fim do pecado: a “inimizade contra Deus” (Rm 8:6). Aquele que resiste a justa autoridade de Deus será, sem misericórdia, reduzido a pó (Mt 21:44; Lc 20:18). Esse “pó” é nada mais do que uma afrontosa morte aos maus (Mt 21:41). Quando o pecado é consumado, a morte é gerada (Tg 1:15). Não deve pegar ninguém de surpresa, pois o resultado, ou fim, do pecado é conhecido desde o começo (Gn 2:17, “no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”). A lei avisou do perigo do pecado (Lv 5:17, “E, se alguma pessoa pecar, e fizer, contra algum dos mandamentos do SENHOR … será ela culpada, e levará a sua iniquidade;”; Tg 2:10, “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.”). Os profetas repetiram o aviso (Is 3:10,11, “Ai do ímpio! Mal lhe irá; porque se lhe fará o que as suas mãos fizeram.”). O Novo Testamento não deixou o povo menos avisado (Rm 6:23, “Porque o salário do pecado é a morte”; 1 Co 15:56, “o aguilhão da morte é o pecado”). Somente os que negam o que declara a Bíblia, a testemunha pela natureza (Rm 1:19,20) e da lei escrita no coração de todo homem (Rm 2:14,15) estão em dúvida ainda hoje sobre o que merece todo pecado. A verdade resumida é: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18:20). O homem tem responsabilidade em agradar o seu criador, o Supremo Deus, o infinito (Ec 12:13). O pecado é contra este Deus. Deus é o eterno e infinito ser (Rm 11:33-36). Por ser contra tal Deus, a morte é mais do que uma cessação de existência. A morte, o fim do pecado, é uma eterna e infinita separação de Deus. O primeiro pecado, praticado por Satanás, resultou em separação imediata da benção de estar aceita na presença de Deus com alegria (Is 14:11-15; Ez 28:17). Essa separação continua até hoje e será para toda a eternidade. Quando o homem pecou pela primeira vez ele foi lançado fora do jardim onde ele gozava a presença contínua e abençoada de Deus (Gn 3:8, 23). Quando a época da graça se finda, entendemos pelas Escrituras o eterno fim do pecado. Para todo pecador que não tem os pecados lavados pelo sangue de Cristo, o seu fim é: ser lançado fora da presença misericordiosa de Deus no lago de fogo (Ap 20:12-15). Estes nunca poderão entrar na cidade celestial (Lc 16:26; Ap 21:27). Essa separação é uma separação da misericórdia e da benignidade de Deus, que agora está no mundo (Rm 2:4; Is 48:22, “Mas os ímpios não têm paz, diz o SENHOR.”). Essa separação é de ter uma existência eterna conhecendo somente a ira eterna, a maldição e o juízo justo de Deus. A eterna e infinita ira de Deus é “sobre toda a impiedade e injustiça dos homens (Rm 1:18; Ef 5:6). A eterna e infinita maldição de Deus é para “todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gl 3:10). O juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que fazem a abominação do pecado (Rm 2:1,2). Pelo fim terrível do pecado podemos entender o que é o pecado e o que necessitou um preço a ser pago por ele.

Resumo: Tendo uma percepção clara do que é o pecado, e, entendendo que o homem voluntariamente se tornou um pecador, a salvação de tal pecado, em um único pecador, nunca pode ser vista como qualquer obrigação de justiça na parte de Deus. Contrariamente, a misericórdia e a graça de Deus, em Jesus Cristo, são exaltados por Ele salvar até um único pecador qualquer. Se você não conheça essa misericórdia e graça de Deus, olhe a Jesus Cristo. Deus salva todos os que venham a Ele pelo Seu Filho (Mt 11:28-30; Jo 5:24; 14:6; At 4:12).

O Preço Pago Pelo Pecado

Pelo estudo das descrições do pecado, o seu fruto e o seu fim, podemos entender o que o pecador merece. Aos pecadores, Deus não deve a Sua misericórdia, a Sua graça, o Seu perdão ou a Sua presença bondosa e eterna. O pecado merece somente a justiça divina. Todo o pecado merece aquela justiça de Deus que julga o pecador à morte e à maldição eterna. É a justiça e Deus que prescreve que o pecador seja separado da Sua presença misericordiosa eternamente (Gn 2:17; Ez 18:20; Rm 6:23; Jó 36:17, “o juízo e a justiça te sustentam”).

Entendendo que o pecado não é apenas um defeito na personalidade humana ou somente uma simples insuficiência de esperteza espiritual, o preço que deve ser pago pelo pecado tem que ser muito mais do que somente uma ‘ajuda, ‘chance’, ou ‘jeito’ divino para o pecador. Pela estudo da Bíblia podemos entender melhor, não somente o que é que causou um preço ser pago pelo pecado mas o próprio preço pago. Entenderemos esse preço pelo estudo de 2 Co 5:21.

“Aquele” – característicos da pessoa dada como preço do pecado, são apontados pela palavra “aquele” usada em 2 Co 5:21. Não foi qualquer pessoa dada como preço do pecado, mas um em particular. Os títulos daquele que foi dado como o sacrifico pelo pecado revela muito. Quem foi dado foi “o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu” (Ap 5:5; Is 11:1,2), o “Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (Ap 19:16), o “Raboni” (Jo 20:16), o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29). Quem pagou o preço do pecado é determinado pela simbologia da pedra rejeitada que Deus colocou por “cabeça de esquina” (At 4:11). Este é comida espiritual (Jo 6:54, 63) e água viva (Jo 7:37,38). “Aquele’ que foi dado é nada menos do que o eterno “Verbo” (Jo 1:1; Jo 8:58), Quem é “um” com o Pai (João 10:30), o “Deus conosco” (Mt 1:23), o “SENHOR” (Jeová) do Velho Testamento revelado no Novo Testamento (Jl 2:28-32; At 2:16-21; 16:31). O preço pago pelo pecado não foi um preço qualquer. O preço pago foi o próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo (Jo 1:18; Jd 25).

O sacrifício dado pelo pecado deve ser homem/Deus. Essa maneira é representada pela Bíblia em maneiras diferente: um parente (Lv 25:25-27) e um remidor bem chegado (Rt 3:12; 4:7,8). Cristo é este sacrifício homem/Deus (Gl 3:20; 1 Tm 2:5,6; 1 Co 15:21; Hb 2:11,17, “semelhante aos irmãos”) que pode morrer no lugar do homem e satisfazer todas os requisitos divinos. Somente Cristo é o representante qualificado dado no lugar do homem, o verdadeiro parente e o remidor bem mais chegado. A representação de Cristo sendo o “último Adão” (Rm 5:14; 1 Co 15:45; Hb 2:11-15) indica somente Ele o único que pode ser o sacrifício ideal pelo pecado do homem. Além dEle, não há outro (At 4:12; 1 Co 3:11).

“que não conheceu pecado” – a divindade de Cristo é apontado por este frase: “que não conheceu pecado” em 2 Co 5:21. Cristo é sem pecado. Ele é o “Santíssimo” (Dn 9:24; Is 53:9; Lc 1:35; Hb 7:26; 9:13,14; I Pedro 2:22,23), aquele em quem “não há pecado” (1 Jo 3:5), o “Justo” (1 Pe 3:18; 1 Jo 2:1). Pela qualidade de Cristo ser imaculado (1 Pe 1:18,19), Ele é chamado “Luz (Jo 8:12; 9:5; 12:46), a Verdade, e a Vida (João 11:25; 14:6; 1 Jo 5:12). A Sua qualidade de divindade é apontada por Ele ser o “filho de Deus” que não nasceu, mas foi dado (divindade). O que nasceu foi o “menino” (humanidade, Isaías 9:6). A divindade de Cristo é entendido por Ele ser ‘eterno’ (Lc 1:32,35; Jo 1:1; Ap. 21:6, “o Alfa e o Ômega”; 22:16), um atributo do divino. Cristo não foi criado mas é o Criador (Cl 1:16,17; Jo 1:3). Outros atributos de Cristo que revelam a Sua divindade são: onipotência (Sl 2:9; Mt 28:18; Jo 10:18), onisciência (Mr 2:8; Jo 2:24,25; 16:30) e onipresença (Mt 18:20; 28:20). Por Cristo não conhecer pecado, Ele é exaltado (Sl 89:27; Daniel 7:14; Atos 2:36; Col. 1:18,19; Fl. 2:7-11; Hb 7:26; Ap 19:16) e designado como soberano (Jo 3:35; 13:3; 17:2; At 10:36, “o Senhor de todos”; 1 Co 15:57; 1 Pe 3:22). O preço que foi dado pelo pecado foi o próprio Deus na pessoa de Jesus Cristo. Cristo é o único nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos (At 4:12; 1 Co 3:11). Se misturamos a salvação com qualquer outra obra, angélica ou humana, ou com outra pessoa alguma, a não ser unicamente a pessoa de Cristo, desprezamos “Aquele que não conheceu pecado” que o Pai deu (Jo 3:16).

“o fez pecado” – a humanidade de Cristo é apontado por este frase: o fez pecado” (2 Co 5:21). Mesmo que Cristo foi gerado pelo Espírito Santo (Mat. 1:20), ele nasceu de mulher, sob a lei (Is 9:6, ” um menino nos nasceu”; Lc 2:7,11; Gl 4:4). Cristo tinha uma mãe humana e também irmãos na carne (Mt 13:55,56; Lc 8:19) e cresceu em estatura e conhecimento como qualquer outro menino (Lc 2:40,52). Ele submeteu-se aos seus pais humanos (Lc 2:51), caminhou (Jo 4:3-6) e se cansou pelo caminho (Jo 4:6). Cristo mostrou-se humano por ter fome (Mt 4:2), sentir sede (Jo 19:28), experimentar tristeza (Jo 11:33), a ira (Mt 21:12; Jo 2:17), o desprezo (Mt 13:57) por chorar (Jo 11:35) e por alegrar-se no Espírito Santo (Lc 10:21). Por ser homem Cristo foi tentado em tudo (Hb 4:15) e foi limitado no conhecimento das coisas de Deus (Mt 24:36; Mc 13:32). A prova maior que Cristo foi homem é entendido em que Ele foi feito pecado (2 Co 5:21; Isaías 53:4-6), em consequência de tal, foi pendurado corporalmente na cruz (Mt 27:38, 42; Jo 19:31), furado por lança (Jo 19:34; 20:27) da qual ferida saiu água e sangue (Jo 19:34). O sofrimento de Cristo foi até a morte (Fp 2:7,8; Jo 19:30) depois de qual, foi sepultado (Jo 19:38-42). O preço pago pelo pecado não foi pouco, mas foi a vida do próprio Filho de Deus, o homem, Cristo Jesus.

Ai daquele que rejeita tal sacrifício pelos pecados. Se você ainda não é salvo, não espera por um outro maior sacrifício ser dado pelos pecados. Não há maior sacrifício do que o filho dado por Deus e o menino nascido por mulher que é chamado Jesus Cristo. Venha a Ele já.

Por Quem este Preço foi Pago

“por nós” – por quem o preço do pecado foi pago é entendido pelas palavras “por nós” de 2 Co 5:21. Cristo é “aquele” que representa os “seus”. Os pecadores são feitos pecadores por serem em Adão (Rom. 5:12). Os salvos são feitos santos por estarem em Cristo, antes da fundação do mundo (Rm 5:19; Ef 1:4). Como Adão representa todos os homens, sem a exceção de nenhum, assim Cristo representa todos “os que são de Cristo”, sem a exceção de nenhum (1 Co 15:22,23; 2 Co 5:14,15). A obra de Cristo foi uma substituição legal para os seus em particular (Hb 2:11).

A Bíblia claramente mostra por quem o preço pelo sacrifício do Divino/humano Cristo Jesus foi pago usando várias terminologias específicas. Quem foram os alvos para receber as bênçãos do sacrifício de Cristo são os por quem Deus decidiu a compadecer-se e pelos quais Ele quis ter misericórdia (Rm 9:15,16). Estes creem no Evangelho por serem os que são “ordenados para a vida eterna” (At 13:48). Estes ordenados ou, como temos visto já, os escolhidos ou os elegidos, são anteriormente determinados por Deus (Ef 1:4; 2 Tess. 2:13) e, são nomeados “povo seu” (Tt 2:14), “seu povo” (Mt 1:21, Sl 110:3 – os judeus), “os seus” (Jo 13:1 – seus discípulos) ou “meu povo” (Êx. 8:23; 2 Co 2:15,16 – os judeus). São particularmente por estes que Cristo veio a salvar (Mt 1:21). Os homens que serão salvos são chamados “ovelhas”, e são estas ovelhas somente por quais Cristo deu a Sua vida (João 10:11,14-16; Is 53:4-6,8). Estes homens que hão de crer, que são os do mundo que o Pai deu a Cristo, são pelos quais Cristo se santificou e orou particularmente e ainda ora (Jo 17:6, 9, 11, 19, 21; Hb 7:25). Estes, por quais Cristo se deu, em outras passagens são chamados “amigos” (João 15:13,14), “meus irmãos” (Hb 2:12) e os “filhos que Deus me deu” (Hb 2:13; 1 João 3:1) enfatizando ainda mais a relação particular que têm os que foram dados pelo Pai ao Filho. São estes mesmos que são os “chamados” (Hb 9:15) que foram conhecidos intimamente e predestinados antes (Rm 8:28-30). Estes predestinados, uma vez salvos pela mensagem da pregação da Palavra de Deus e pela obra do Espírito Santo, quando ajuntados em obediência pública, são chamados o “corpo de Cristo” ou a Sua “igreja” (Ef 5:23, 25). É neste sentido de coletividade dos que serão salvos e ajuntados no céu que entendemos um sacrifício particular, pois é dito que é “Ele próprio o salvador do corpo” (Ef 5:23) e que pela igreja “a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25). É determinado que foi por estes ajuntados biblicamente que “Ele resgatou com seu próprio sangue” e não os fora do seu ajuntamento [o ajuntamento futuro no céu de todos os salvos de todas as épocas e os ajuntamentos representantes atualmente na terra] (At 20:28). Foi o propósito de Cristo de cuidar particularmente o Seu “pequeno rebanho” (Lc 12:32). Um propósito que Ele efetua na salvação pelo Seu sangue e na santificação pelas Suas igrejas (Ef 4:11-16). Estes, quem o Pai concede vir a Cristo (Jo 6:65), pela obra do Pai e do Espírito Santo (João 6:45; Isaías 54:13) e pela Palavra de Deus (Rm 10:17; 1 Pe 1:23) são os que recebem Cristo pela fé (Jo 1:12). Estes mesmos “que creem no Seu nome” são, os que passivamente “o receberam” (Jo 1:12), os que nasceram espiritualmente da vontade de Deus (Jo 1:13) e não pelo esforço nenhum do homem (Rm 916). Por estes Cristo se santificou (Jo 17:19). Não é dúvida nenhuma que Cristo foi feito pecado por certas pessoas em particular (2 Co 5:21). Foi por somente estes Ele morreu (Rm 5:8; Tt 2:14) e todos os pecados que Ele levou sobre si serão verdadeiramente cobertos no dia do julgamento (Hb 9:12; Ap 5:9).

Exatamente o que Cristo fez “por nós” é entendido por palavras várias pela Bíblia, tais como redenção, propiciação, salvação e expiação. Um estudo detalhado sobre cada uma destas palavras, considerando as suas naturezas, qualificações, contextos e usos, ensinará claramente tanta a natureza da obra salvadora de Cristo quanto por quem a Sua obra foi feita.

A obra de Cristo “por nós” é uma obra federal ou representante. Como na aliança do Velho Testamento era englobado o povo de Deus pelas promessas, os eleitos são representados por Cristo na Sua obra de salvação (Gl 2:20, “Já estou crucificado com Cristo”). Como o primeiro Adão representava todo homem na humanidade (Rm 5:12; 1 Co 15:47), assim o Segundo Adão representa todos os salvos (1 Co 15:22,23, “os que são de Cristo”). Por Cristo ser feito “semelhante aos irmãos” (Hb 2:17) “contado com os transgressores” (Is 53:12) e uma “alma vivente” (1 Co 15:45), Ele, junto com Seu povo, identificou-se como uma unidade diante da ira de Deus. Por Cristo representar todos os seus é dito que os seus são “crucificados com Cristo” (Gl 2:20), mortos com Ele (Rm 6:8), sepultados com Ele (Rm 6:4), vivificados com Ele (Cl 2:13), ressuscitados juntamente com Ele (Ef 2:6) e os fez assentar nos lugares celestiais Nele (Ef 2:6). A obra que Cristo fez, verdadeiramente representa “nós”.

A obra de Cristo “por nós” também foi vicária ou, em substituição (1 Pe 3:18, “o justo pelos injustos”). Cristo não fez algo simplesmente bom para o beneficio de um outro, mas Ele tornou a ser, no próprio lugar, exatamente o que o outro era (Gl 4:4; Fp 2:7). Cristo, sendo feito como nós diante da lei (Gl 4:4) ficou sujeito à pena da justiça de Deus. Cristo, sento feito “pecado por nós” (2 Co 5:21) foi sujeito à morte. Sendo feito “semelhante aos irmãos” (Hb 2:17) a Sua obra absolveu “nós” da lei do pecado e da morte (Rm 8:3,4). Deus moeu Cristo, pois Ele era “o castigo que nos traz a paz” (Is 53:4-6). Portanto, não há mais nenhuma condenação para os em Cristo (Rm 8:1). A obra de Cristo para a salvação verdadeiramente foi em substituição “por nós”.

A obra de Cristo “por nós” foi penal. Cristo, como representante de “nós” e sendo “feito pecado por nós” tem que sofrer as consequências do Seu povo (Is 53:4-8, “pela transgressão do meu povo ele foi atingido”; Mt 1:21, “Ele salvará o seu povo dos seus pecados”; Jo 17:9, “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.”). Entendemos isso pela Sua morte. Cristo foi obediente em tudo (Fp 2:7), e, portanto, não deve ser castigado. Cristo foi sem pecado (2 Co 5:21), e, portanto, não deve morrer. Cristo é justo (1 Pe 3:18), e, portanto, não deve ser desamparado pelo Pai. Todavia, Cristo foi castigado, morto e desamparado por Ele ser “feito pecado” pelos Seus (Lv 16:21; Is 53:6,12; Hb 9:28). Pela vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, os Nele são feitos justos diante de Deus (Rm 8:1,2). Verdadeiramente, a obra salvadora de Cristo foi penal “por nós”.

A obra de Cristo “por nós” foi sacrificial (1 Co 5:7, “…Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”). Cristo foi a expiação do próprio pecado (Isaías 53:10) e, isso, voluntariamente (João 10:18; Hb 7:27). Cristo fez essa obra sacrificial como o Pai propus (Rm 3:25) pela obra do Espírito Santo (Hb 9:14; Is 61:1). Essa obra sacrificial de Cristo foi uma obra redentora, uma compra de um rebanho em particular com Seu próprio sangue (At 20:28; 1 Co 6:19,20). Também foi uma obra sacrificial como sacerdotal. Como os sacerdotes no Velho Testamento ministravam diante de Deus para homens em particular, Cristo ministrou diante de Deus para todos os Seus (Hb 9:11-15, 25-28; 10:12-18). Não há dúvida nenhuma que a obra de Cristo como salvador “por nós” foi sacrificial.

Portanto, todos em Cristo são feitos, mais cedo ou mais tarde, justos diante de Deus. A todos os homens (sem a exceção de nenhum) deve ser declarado publicamente e zelosamente a mensagem do Evangelho que Cristo é o Salvador de todos os pecadores arrependidos e crentes Nele (Jo 3:16). Portanto, se você é convencido dos seus pecados e entenda que merece a ira e o julgamento de Deus, a mensagem é: Venha a Deus pela fé na obra completa de Cristo. Por Cristo, Deus é grande em perdoar (Is 55:7). Venham, tome de graça da água da vida, todos que querem (Ap 22:18), todos que tenham sede (Is 55:1-3), e, todos que sejam oprimidos e cansados dos seus pecados (Mt 11:28-30).

Objeções

Existem as pessoas que querem dizer que Cristo morreu por todo e qualquer homem no mundo sem uma exceção de nenhum. Creio que há versículos que aparentemente ensinem essas doutrinas. Todavia, se o que eles aparentem for correto, todos os versículos já citados como prova que Cristo veio morrer e salvar por alguns em particular, ficarão sem explicação alguma. Os versículos que aparentam a fornecer um entendimento para uma expiação geral para toda a humanidade por Cristo podem ser entendidos melhor se o contexto de cada um fosse levado em consideração e não apensas o que aparentam a ensinar.

2 Pedro 3:9 é um versículo usado geralmente para provar que Deus quer que todos os homens de todo lugar no mundo e todos os tempos venham ao arrependimento. Se o próprio versículo fosse lido com calma e sem uma emoção exaltada, seria entendido por quem Deus é desejoso. O desejo de Deus é para “conosco”, os a quem Pedro escreve a sua epístola (“aos que igualmente alcançaram fé igualmente preciosa”, 2 Pedro 1:1). São estes em particular que Deus não quer perder e pelos quais Ele é desejoso que venham ao arrependimento.

Adicionalmente, com 2 Pedro 3:9, podemos estabelecer o fato que a palavra “todos” não significa a absoluta totalidade das pessoas que podem existir. Existe na definição do pronome indefinido “tudo” no Dicionário Eletrônico Aurélio o sentido: 4. Todas as pessoas de quem se trata; todos: “e os amigos sem nome (tantos), / em alegria companheira, / tudo se junta, oferecendo-se, / numa rosa, a Manuel Bandeira.” (Carlos Drummond de Andrade, José & Outros, p. 111). Os léxicos do grego permitem a mesma (3956, individualmente, cada um, ou, coletivamente, uns de todos, Strong’s). Esse sentido cabe bem com o “todos” de 2 Pedro 3:9. O “todos” trata com os “alguns” que tem ligação com aqueles representados com o pronome “conosco”. Quer dizer, Deus tem os Seus entre quais alguns são salvos já e outros que ainda não são. Os que ainda não são, Deus não quer que nenhum destes se percam senão que todos destes venham a arrepender-se.

O versículo 1 João 2:1,2 que parece enfatizar uma expiação geral, em verdade não ensina isso. O apóstolo João está escrevendo aos judeus e ele relata a verdade que a salvação por Cristo não é somente entre os judeus, mas para os de “todo o mundo”. Quer dizer: os gentios podem ser salvos também. O apóstolo João, pela revelação em Apocalipse, revela que de “todo o mundo” há salvação, sim, ‘uns de todos’ (Strong’s) ou, quer dizer, “homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação” (Apoc. 5:9). O versículo Romanos 3:9, usa os dois, “tantos judeus como gregos” no sentido de “todos” da mesma forma de 1 João 2:1,2. Na verdade, poucas são as vezes, entre as 1,234 usos da palavra ‘todos’ no Novo Testamento (3956 no Strong’s, Concordância Fiel), que a palavra “todos” significa a totalidade das pessoas. Geralmente o próprio texto torna evidente a sua limitação.

João 3:16 é um outro versículo usado por muitos para estabelecer o pensamento que Deus ama igualmente todos os homens e se empenha de igual forma a salvar todos eles de igual forma. Essa premissa fundamenta-se na suposição que quando a palavra “mundo” é usada, quer significar ‘todo mundo’ sem a exceção de nenhuma pessoa. Uma consideração de João 1:10 revelará três maneiras diferentes de usar essa única palavra (o “mundo” na terra em oposição ao céu; o “mundo” como o universo; o “mundo” apontando aos homens que não creram nEle). A palavra “mundo” pode ser usada para representar o universo (At 17:24), a terra (Jo 13;1; Ef 1:4), o sistema mundano (Jo 12:31; 1 Jo 5:19), toda da raça humana (Rom. 3:19), toda a humanidade exceto os crentes (Jo 5:24; 15:18; Rm 3:6), e os gentios em contraste com os judeus (Rm 11:12). A palavra “mundo” também pode ser usada para representar os crentes (Jo 1:29; 3:16,17; 6:33; 12:47; 1 Co 4:9; 2 Co 5:19). Portanto, quando a palavra “mundo” for aplicada para ensinar a doutrina, deve ser levado em consideração esses usos também. O estudo bíblico não deve ser baseado numa suposição criada da lógica humana.

Em resumo, é necessário lembrar o que a doutrina declarada pelas palavras “eleição” e os seus derivativos, juntamente com as evidencias múltiplas e bíblicas que apontam a uma expiação particular ensinem quando é determinado o significados das palavras “todos” e “todo o mundo”. Com estudo bíblico será entendido que Cristo, que não conheceu pecado, foi feito pecado por todos quem o Pai anteriormente deu a Cristo, e somente estes.

O Efeito do Preço Pago

“para que Nele fossemos feitos a justiça de Deus” – Os por quem Cristo pagou o preço dos pecados são verdadeiramente feitos a “justiça de Deus” (2 Co 5:21). Como Cristo foi feito igual aos seus “irmãos” (Hb 2:17) os “Seus” são feitos membros do “seu corpo, da Sua carne, e dos Sues ossos” (Ef. 5:30). Deus é satisfeito pelo trabalho da alma de Cristo (Is 53:11). Sendo “por nós” quem Cristo trabalhou e ainda intercede (Rm 8:33,34), estes mesmos serão todos junto com Cristo à direita de Deus. Não há nenhum elegido, por quem Cristo morreu, que não se apresentará justo diante de Deus um dia. Os que são chamados (Rm 8:28,29) são os mesmo que são perdoados (Sl 85:2-10; Isaías 1:18), reconciliados (2 Co 5:20), sarados (1 Pe 2:24; Is 53:4-7, 11), lavados (Ap 1:5; 1 Pe 1:18,19) e regenerados (Tt 3:5). Pelo poder de Deus estes são desejosos a virem a Cristo (Sal 110:3) e serão feitos vivo (I João 5:12; Ef. 2:1; Jo 5:24) e justificados (Is 53:11; Rm 3:24-26; 8:1; 10:4; Fp 3:9) quando venham a Cristo. Todo o que o Pai tem dado a Cristo, virá a Cristo eventualmente (Jo 6:3, 39, 45) e serão estabelecidos (2 Tm 1:7), conservados (Jd 1, 24, 25; Jo 10:27,28), feitos aceitável a Deus (Ef 1:6) protegidos (1 Jo 2:1) e, sem a menor dúvida, glorificados (Jo 6:44; 17:2; Rm 8:30). A certeza disso é tão firme quanto à vontade de Deus (Jo 6:38; Sl 115:3; 135:6). Não há limitação nenhuma para a vontade de Deus (Dn 4:35). Os que eram longe estão agora perto (Ef 2:13; Hb 7:25); os que eram filhos da ira praticando todo e qualquer pecado, são agora, em Cristo, feitos filhos de Deus (Ef 2:2; 1 Jo 3:2; Rm 8:14,15); os que eram inimigos agora são embaixadores da verdade (Rm 8:6-8; 2 Co 5:20) pela obra de Cristo. O que tem acontecido no passado com os “em Cristo” continuará a acontecer para os “seus” que ainda não nasceram pois “todo o que o Pai” tem dado a Cristo “virá a Mim” (Jo 6:37, 39; 17:2; Mt 24:24).

Que Deus tenha misericórdia dos Seus a trazer todos os Seus elegidos à salvação por Cristo (2 Ts 2:13). É o nosso desejo e oração que estes mesmos creiam e sejam trazidos a tais posições de benção espiritual em lugares celestiais por Cristo. Também é o nosso desejo que todos estes salvos vivam em todo o santo trato e piedade diante de um mundo em trevas por ter tal salvação (2 Tm 2:19).

A Chamada à Salvação

1 Pedro 1:20 – O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.

O fato que Cristo, o Filho de Deus, tornou-se homem, representando os eleitos, no lugar deles, com a própria pena que recairia sobre eles, e dando a Sua vida em sacrifício por eles não faz que estes sejam automaticamente salvos. Estes têm um “tempo de amor” que particularmente aconteça em seu tempo oportuno segundo o calendário divino (Ez 16:8). Os por quem Cristo morreu precisam ser trazidos ao ouvir a mensagem de Cristo, terem os corações vivificados para que possam entender a mensagem e eles necessitam receber a fé para que possam crer em tal Salvador eficaz que é apresentado pelo Evangelho. O processo que transforma o eleito em um ouvinte com entendimento e fé será tratado nessa seção do estudo: os Meios que Deus usa, ou A Chamada à Salvação.

É fato que os eleitos de Deus serão chamados (Rm 8:29,30). Em ordem cronológica, o que veio primeiro foi o conhecimento de Deus dos Seus que determinou a sua predestinação. Seguindo dessa fase da obra da salvação vem a própria chamada de Deus ao pecador elegido para que ele venha mesmo à salvação.

Deus Usa Meios para Cumprir a Sua Vontade

Os que Deus elegeu não são salvos no ato da sua eleição simplesmente por serem elegidos. Estes serão salvos em um tempo futuro em consequência dos meios que Deus determina. A eleição não é a própria salvação mas conduz “para a salvação” (2 Ts 2:13). Não há nenhuma dúvida que a eleição resultará na salvação de todos os elegidos em seu tempo propício. Essa eleição à salvação acontecerá pela operação dos meios que Deus ordena.

É claro que Deus usa meios para completar em tempo real o que Ele determinou na eternidade passada. Um exemplo de meios sendo usados para fazer a Sua vontade é a própria morte de Cristo. É dito que Cristo “foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13:8). Esta ação foi completa na eternidade passada já na mente de Deus. Mas, em tempo propício, no mundo, diante dos homens, Cristo foi prendido e crucificado e morto pelas mãos de injustos (At 2:23; 4:27,28). Também, a obra de eleição foi feita na eternidade, mas o seu efeito, a própria salvação, somente é visto em tempo por consequência da operação e a cooperação dos meios divinamente programados (1 Pe 1:20,21). Mesmo que as Suas obras da eleição foram acabadas “desde a fundação do mundo” (Hb 4:3), elas venham a ser realizadas entre os homens em tempo por meios (Rm 10:13-15).

Os meios da chamada de Deus na salvação podem ser diferenciados se forem contemplados os alvos da chamada (os salvos ou os não salvos), o efeito da chamada (a convicção somente ou a regeneração) e a maneira que a chamada é dada (interna ou exteriormente). Os meios que Deus usa para trazer os Seus a Ele frequentemente cooperam entre si. Por crermos que Deus anteceda qualquer obra humana, listamos os meios internos primeiros. Estes meios internos são às vezes nomeados “a chamada interna”. A chamada interna ou os meios internos são aquelas obras invisíveis que Deus opera suave e eficazmente no coração dos Seus.

Os Meios Internos ou A Chamada Interna

Os meios internos são aqueles meios invisíveis empregados por Deus no interior do homem antes mesmo que o homem perceba qualquer ação nele em prol da sua salvação.

A Graça de Deus – 2 Tm 1:9

Por necessidade é importante listar a graça em primeiro lugar destes meios que Deus usa na chamada da salvação pois Deus é a primeira causa de qualquer obra boa (1 Tm 1:17). A graça é aquele maravilhoso atributo de Deus que é manifesto quando Deus derrama bênçãos em quem não as merece. Pela Palavra de Deus, pode ser observado que haja dois tipos de graça: a comum que é dada a todos os homens, mas não salva ninguém e a especial que opera eficazmente nos eleitos trazendo-os seguramente à salvação por Jesus Cristo.

A Graça Comum ou Geral

A graça comum é manifesta ao todos (Sl 136:25; 145:9; At 17:24-26) incluindo bênçãos ao estrangeiro dando-lhes pão e vestimenta (Dt 10:17-19), à natureza suprindo todas as suas necessidades (Sl 104:11-22; Luc. 12:6; Mt 6:28-30). A graça comum estende tanto aos justos e injustos como aos bons e maus juntamente dando-lhes sol, chuva e tudo para viver bem (Dt 29:5; Mt 5:43-45; Lc 6:35; 16:25). Essa graça comum é dada aos homens em geral dando-lhes um governo civil que é um instrumento de Deus (Rm 13:3,4; 1 Pe 2:14). A graça comum faz parte das coisas minuciosas (“até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados”, Lc 12:7) até as coisas impossíveis de medir, a preservação do mundo e tudo que nele há (Ne 9:6; Cl 1:16,17). Conjuntamente com estas bênçãos Deus também dá a mensagem de salvação a muitos que nunca serão salvos (Mt 13:19-22; At 14:15-17; Rm 2:4; 1 Tm 4:10). Essa graça comum pode ser resistida (Mt 23:37) e é resistida por todos que vão ao inferno. Que essa graça geral não é salvadora é entendida pela observação que os maus continuam mal depois da manifestação de tal graça mesmo que tal graça e bênçãos sejam maravilhosas (Rm 2:4).

A Graça Especial ou Particular

A graça especial de Deus é exercitada para com aqueles que Deus ama particularmente (Dt 7:7,8; 9:6; Jr 31:3; Ef 1:5; 2:4, “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,”). A graça especial de Deus age em casos além da salvação também. Essa graça particular é revelada em vários casos pela Palavra de Deus. Não existe outra explicação, a não ser a graça especial, que enviou Elias à viúva de Sarepta de Sidom e Eliseu a lepra Naamã, o siro (Lc 4:25-27; 1 Reis 17:8-13; 2 Reis 5:1-17). Essa graça especial é gloriosamente notada nos que Ele chama particularmente à salvação (Sl 65:4; Rm 8:28,29; 1 Co 1:24; Gl 1:15,16). Pela graça particular Deus escolheu a salvar os homens e não os anjos (2 Pe 2:4), a abençoar Israel em ser o Seu povo e não qualquer outra nação existente naquela época (Gn 12:1-3), a levar o evangelho a Macedônia e não a Ásia (At 16:6-10), aos pobres e não aos ricos (Tg 2:5), aos simples e não aos cultos (Mt 11:25,26) e aos demasiadamente ímpios e não aos justos (Mt 21:32). A graça especial de Deus é sempre eficaz em trazer todos os seus à salvação plena (Jo 6:44, “… e eu o ressuscitarei no último dia”; 10:27, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e elas me seguem;”; 1 Jo 4:19; At 13:48; Ef 2:4-5, 8-9; 2 Ts 2:13). Por Deus pensar favorável para com os Seus antes de operar qualquer outra obra dEle, listamos a Sua graça primeira entre as obras internas. Entendemos que somente os “seus” podem vir a Cristo (Jo 1:12,13; 6:44, “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer”; 6:65, “…ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido.”) e estes venham por serem capacitados pela Sua graça especial (2 Co 3:5, “a nossa capacidade vem de Deus”; Gl 1:15; Ef 2:8,9). “O teu povo será mui voluntário no dia do teu poder;” (Sl 110:3)

A Graça Preveniente e a Providência

1 Co 4:7 – Porque, quem te faz diferente?

Gl 1:15,16 – desde o ventre de minha mãe me separou.

A graça de Deus, além de ser categorizada em comum ou especial, pode também ser listada como preveniente ou a providência. A graça especial é pela qual Deus escolha os Seus. A graça preveniente e a providência, em respeito ao assunto da salvação, são aspectos da graça pelas quais Deus traz eficazmente os Seus a Ele.

A graça preveniente é aquela graça “que nos induz à prática do bem (falando-se da graça divina) ou aquela que chega antes” (Dicionário Eletrônico Aurélio). A graça preveniente é aquela forma da graça de Deus que é exercitada para com os eleitos guardando-os de certos males e pecados antes e também depois que sejam salvos.

A providência é “A suprema sabedoria com que Deus conduz todas as coisas” (Dicionário Eletrônico Aurélio). No assunto particular da salvação, é o exercício da graça soberana que tem o aspecto específico de operar em particular com tudo ao redor dos eleitos controlando todos os aspectos das suas vidas antes e depois da sua salvação, segundo o eterno propósito de Deus. Ela influencia-os ao ponto que seja feita tudo o que é necessário para que estes atendam voluntariamente à chamada de Deus com fé em Cristo e que sejam obedientes à vontade de Deus continuamente até o último dia (Ef 1:11; Fp 1:6; 2:13).

Pela graça da providência, Abraão e Sara foram levados ao Egito, mas, foi pela graça preveniente que as suas ações foram guardadas para não serem destruídos (Gên. 20:4-6). José foi levado à casa de Faraó pela graça da providência usando a falta de entendimento dos pais dos seus sonhos (Gn 37:10), o inveja e a ira dos seus irmãos (Gn 37:11, 18-25), a mentira da mulher de Potifar (Gn 39:13-20), o favor diante dos olhos do carcereiro-mor (Gn 39:21) e o esquecimento do copeiro-mor do rei (Gn 40:21-23). Todavia, foi a graça preveniente que guardou José de pecado com a mulher de Potifar (Gn 39:2-12), do desespero nos longos anos na prisão (Gn 39:23) e é o que levou José a conhecer o significado dos sonhos do rei (Gn 41:16). Posteriormente, José deu testemunho que isso tudo foi orquestrado pela mão de Deus (Gn 45:5). A operação de Deus pela providência, para os que tenham olhos para enxergar, é muito maior que qualquer milagre, pois opera nos milhões de acontecimentos diárias para trazer a Sua vontade eterna ser feita.

Podemos perceber a mão de Deus trazendo os seus à salvação pela graça da providência nos casos do eunuco em Gaza (At 8:25-40), da Lídia (At 16:13-15) e do próprio Apóstolo Paulo (Gl 1:15,16; At 9:1-19). Porém, foi a graça preveniente que fez o eunuco desejar a ir a Jerusalém para a adoração, a Lídia querer estar onde a oração costumava ser feita e fez Paulo considerar a pregação de Estêvão. A ação de Deus que opera na vida de todos ao redor dos eleitos é chamada por alguns a ‘providência’ (Sl 136:5-12). A ação de Deus que restrinja as ações do próprio homem escolhido é chamada por alguns a ‘graça preveniente’ (Sl 76:10).

Que a graça da providência opera na salvação é entendida por Paulo declarar que desde o ventre da sua mãe ele foi separado e chamado pela graça (Gl 1:15,16). Essa separação foi segunda o propósito eterno de Deus, mas feita pela providência em tempo. A revelação do Filho de Deus ao Paulo aconteceu em tempo (At 9:1-6) assim como aconteceu a sua chamada pública ao apostolado (At 13:1-3). Depois de muitas experiências Paulo testemunha dizendo que tudo isso foi a graça que operou nele (1 Co 15:10).

Observação

A providência não opera em oposição da liberdade nata do homem em fazer uma escolha qualquer nem cancela a sua responsabilidade pessoal quando é exercitada a sua vontade (Gn 2:17; Ez 18:20, “a alma que pecar, essa morrerá”; Gl 6:7,8). O simples fato que Deus julga o homem pelas suas ações prova que o homem é responsável por elas. “A providência é entendida na sua operação quando são induzidas ações especificas ou o homem é colocado em situações que influenciam ou controlam-no nas suas ações” (Boyce, p. 224, o uso de vespões – Êx 23:28; profetas mentirosos – 1 Rs 22:20-22; a cólera do homem – Sl 76:10; mãos de injustos – At 2:23; os reis da terra – 4:27,28; Ef 1:11, “opera todas as coisas segunda a Sua vontade”; Fp 2:13).

Se você estiver sem Cristo e deseja mesmo ser salvo Nele, peça que Deus te salva pela Sua mão poderosa tendo misericórdia pela sua alma, levando-te a crer em Cristo Jesus o único Salvador revelado pelas Escrituras. Verá que tal ação é a sua responsabilidade. Verá também que a salvação é pela Sua graça. Venha já e provai a grandiosa graça de Deus (Is 55:6-7)!

A Obra do Espírito Santo

Os eleitos são como todos os outros também (Ef 2:1-3). Portanto os eleitos, como qualquer incrédulo, são cegos no entendimento (1 Co 1:18; 2:14; 2 Co 4:4 Ef. 4:18) não podendo ver o reino de Deus (Jo 3:3); surdos de coração, não podendo ouvir a Palavra de Deus (Jo 8:43,47); adormecidos no conhecimento (Ef 5:14), não podendo ser atenciosos a vinda de Cristo (Mt 25:2,3; Is 56:8-12). Portanto os eleitos, antes de serem salvos, são espiritualmente mortos (Ef 2:1,5; Cl. 2:13; Ap 3:1) não podendo reagir pelas suas próprias forças à mensagem da vida. Se qualquer homem pecador chegará à fé verdadeira, este precisará de uma obra de Deus na sua vida. Essa obra divina é feita pela graça de Deus através de uma operação do Espírito Santo.

O Espírito Santo claramente opera nos corações dos homens mesmo que essas obras não são sempre nitidamente observadas por todos os homens. Essas obras do Espírito Santo são o despertar, iluminação, a convicção e a regeneração.

O Despertar

“No despertar do pecador, o Espírito de Deus impressiona a mente sobre a realidade da eternidade e do juízo. O pecador torna-se consciente de que está perigosamente sob a ira de Deus. Os assuntos espirituais tornam-se importantes” (Crisp, p. 45).

Por causa da obra do Espírito Santo em despertar não ser sinônimo com a regeneração o despertar não sempre resulta na salvação da alma. A impressão na mente do pecador que ele está sob a ira de Deus pode ser somente momentânea como nos exemplos do jovem rico (Mc 10:17-22) e do poderoso Félix (At 24:25-26) e simbolizada na ocasião da sementeira sobre pedregais e entre espinhos na parábola do semeador (Mc 4:16-19).

O despertar do Espírito Santo pode trazer à salvação quando outras obras de Deus são presentes. Pelo filho pródigo tornar a si e entender a sua situação, entendemos a presença da obra eficaz do despertar do Espírito Santo (Lc 15:17-24). Uns exemplos que ensinam que o despertar pode trazer à salvação são: os gentios em Antioquia da Písidia (At 13:42-48) e os verdadeiros salvos (Ef 2:5). Por Abraão praticar a adoração dos Deuses falsos e depois veio a seguir o verdadeiro Deus entendemos que ele foi despertado da sua condição velha (Gn 12:1-3; Js 24:15; Is 51:1,2). O despertar do Espírito Santo é claramente entendido pela visão de Ezequiel do vale dos ossos secos (Ezequiel 37:5-10).

Em todos estes casos citados, se foi uma obra eficaz ou não, os pecadores foram levados a serem conscientes da realidade terrível de uma eternidade sem Cristo. O ensinar de Cristo ao coração é obra do Espírito Santo (Jo 14:26;15:26). Chamamos essa consciência de uma realidade de juízo, a obra do despertamento.

Se você conhece essa obra de despertar no seu coração, peça que Deus seja misericordioso em trazer você a confiar em Cristo e que te salva por Seu poder.

Se você já foi salvo, lembrai-lhe da misericórdia de Deus em vivificar-te pela Sua graça. Louvai-O com uma vida santa de obediência da Palavra de Deus em amor pela salvação. Seja uma testemunha limpa aos outros que ainda estão dormindo (Ef 5:14).

A Iluminação

O pecado prenda nos laços do diabo (2 Tm 2:26; Hb 3:13) e o coração do homem é depravado (Jr 17:9; Pv 28:26). Por essas razões o pecador precisa ser iluminado ao perigo do pecado e da gravidade de uma eternidade sem a salvação. É somente o Espírito Santo que provoca essa iluminação e nunca é produzido pelos homens por mais sinceros ou bem intencionados que sejam. Os homens não elegidos em geral podem receber um grau de iluminação ao ponto de serem movidos a temer as consequências eternas do pecado (At 26:28; Hb 6:4-6; 10:20, 32, 33). Todavia são somente os elegidos que são “renovados para o conhecimento” (Cl 3:10; Hb 10:38,39) ao ponto de serem capacitados a crerem no Evangelho (Jo 10:27; At 2:42, “de bom grado receberam a palavra”; 13:48).

A Convicção

O despertar e a iluminação revelam o perigo do pecado, a convicção aponta a causa do perigo. Quando assim o Espírito Santo opera nos Seus, o homem é convencido do seu pecado, a justiça de Deus e o juízo de Deus sobre toda a impiedade (Jo 16:8-11).

Pela obra eficaz e completa do Espírito Santo na convicção, os por ela atingidos, reconhecem as suas culpas (Sl 51:4; Luc. 15:18; 18:9-14; Atos 2:37, “compungiram-se em seus corações” no grego 2660 furar completamente; agitar violentamente, Strong’s; At 16:29); deixam o seu egoísmo (Is 64:6; Lc 18:9-14) e são guiados a crerem em Cristo somente (2 Co 7:10; Mc 9:24). Pode ser que os atingidos pela convicção não venham a salvação (Atos 26:28; Mt 19:21,22). Pode ser que essa obra da convicção não seja agradável (Rm 8:15), mas é necessária (Mt 5:3-6).

A Regeneração

A regeneração é absolutamente necessária para a salvação (Jo 3:3,5). A mudança radical na alma do homem que capacita ele a entrar no reino de Deus é o que chamamos a regeneração.

A Origem da Regeneração

A regeneração não é da vontade humana (Jo 1:12,13; Rm 9:16). É verdade que o homem, pela força de sua vontade, pode se reformar, mascarando assim as evidências da sua natureza pecaminosa. Pode ser também que o homem reprime as manifestações visíveis do seu coração ímpio. Todavia o homem não tem capacidade de dar início à uma natureza radicalmente diferente daquela que lhe é própria (Romanos 8:6-8). Se não tiver uma renovação da própria natureza, da qual é fonte de todas as ações morais (Pv. 4:23), o homem, mesmo se fazendo ‘bom’ diante de si e diante dos homens, não pode escolher santidade nem desejar a salvação verdadeira (Jr 13:23, “pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.”; Jo 5:40, “não quereis vir a mim para terdes vida”; 1 Cr 2:14, “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus … não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente”; João 6:63, “a carne para nada aproveita”). Tal escolha seria contra a sua própria natureza pecaminosa. A regeneração é pela vontade de Deus, não do homem (Fp 2:13).

Devemos enfatizar que o homem, no estado natural, nem pode cooperar positivamente com qualquer influencia divina que possa ser aplicada por meio da verdade antes que a nova natureza seja nascida de Deus. O homem natural, que sempre procura benefícios próprios pela religião, verdadeiramente não vê em Deus, ou na genuína santidade, nada desejável. Mesmo que um homem religioso buscasse a santidade e a verdade divina, tal busca não viria de um desejo sincero para glorificar somente a Deus (Rm 1:18, “detêm a verdade em injustiça”; 1:25, “honraram e serviram mais a criatura do que o Criador”; 3:18, “Não há temor de Deus diante de seus olhos.”) Qualquer busca de aparência de santidade seria para agradar-se a si mesmo em uma maneira ou outra (1 Jo 2:16, “tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, … dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.”; Jo 3:19, “os homens amaram mais as trevas do que a luz”; Mt 23:37, “quantas vezes que eu ajuntar os teus filhos … e tu não quiseste!”). Por causa da impiedade da natureza dele, não pode ser esperada que o homem cooperasse para dar início à santidade verdadeira no seu coração.

Há os que dizem que uma apresentação favorável de várias verdades pode causar a nova natureza no homem. Pensam alguns que os fatos importantes da Bíblia podem ser mecanicamente impressionados na mente do homem ao ponto de comovê-lo que o seu coração seja feito novo. Todavia, a vontade do homem, expressada pelas decisões da mente, não é independente do seu próprio coração. Do coração vêm as ações e não são as ações que modificam o coração (Mt 15:19; Mc 7:21-23; Gn 6:5; Pv 4:23; Rm 3:10-18; Gl 5:19-21). Não mudamos o coração pela mente, mas mudamos a mente por termos um coração novo. Mudando a natureza do homem é o único meio para o homem ter uma disposição nova para amar a verdade (Ez 36:26; Jo 3:3, “aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.”)

Quando existe a obra do Espírito Santo de regeneração, existe uma nova natureza que tanto deseja quanto pode ser santa e obediente a Deus por Jesus Cristo (Tt 3:5-7; Fp 4:13; Jo 3:3-5) – Bancroft, p. 227. Essa mudança radical na alma do homem que capacita ele a entrar no reino de Deus é o que chamamos a regeneração e ela é do Espírito Santo somente. Você a tem?

Os Nomes da Regeneração

Essa obra instantânea do Espírito Santo que faz o eleito ter uma disposição santa tem vários nomes pela Bíblia. É biblicamente chamada a regeneração (Tito 3:5), “nascer de novo” (João 3:3) ou ser “nascido do Espírito” (João 3:6). Toda parte do homem é afeitada pela regeneração. As afeições são renovada, a mente é iluminada para o entendimento do reino espiritual e o estilo da vida passou a ser novo (2 Co 5:17).

A Natureza da Regeneração

A natureza da regeneração é entendida pelas palavras bíblicas usadas para simboliza-la:

  1. Criação – Ef 2:10
  2. Novo nascimento – Jo 3:3
  3. Renovação – Cl 3:10
  4. Nova natureza – 2 Co 5:17
  5. Novo coração – Ez 36:26
  6. Ressurreição – Efés. 2:1,5
  7. Uma árvore boa – Mt 7:17
  8. Resplendor com luz – 2 Co 4:6
  9. As Leis de Cristo escritas no coração – Hb 8:10
  10. Translado – Co 1:13

 

O Fruto da Regeneração

O Espírito Santo faz uma nova disposição no coração do homem. Até este momento, o homem é passivo.

Com a nova disposição no coração o homem torna a ser ativo. A nova natureza nascida pela obra do Espírito Santo evidencia-se. Chamamos as evidências dessa natureza o “fruto” da regeneração. O fruto da regeneração é fé (1 Jo 5:4,5; Hb 12:2; 1 Pe 1:3), arrependimento (2 Tm 2:25), amor a Deus (1 Jo 4:19), amor aos outros (1 Jo 4:7; 3:14) e a perseverança (Fp 1:6; 1 Jo 5:4,5).

Observação

Nem todos os que são despertados, iluminados ou trazidos à convicção venham eficazmente a Cristo (Mt 20:16, “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”; At 7:51, “vós sempre resistis ao Espírito Santo”; Jo 10:26, “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas”). Todavia, todos os que são regenerados venham eficazmente a Cristo para todo o sempre (Jo 10:27-29, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem”; Fp 1:6, “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”; 1 Ts 5:24, “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará”). Os regenerados passam pelas outras obras de despertar, a iluminação e a convicção.

Pensando nessas verdades, ninguém deve ser satisfeito que está convicto da sua condição pecaminosas ou que está despertado ao ponto de considerar o juízo eterno. Tudo isso não é salvação mesmo que pode ser envolvido no processo de salvação de todos os salvos. O que é necessário para a salvação é a regeneração. Portanto, clame a Deus que Ele tenha misericórdia nas almas e que as modifiquem ao ponto que manifestam o arrependimento dos pecados e a fé em Cristo!

Os Meios Externos

A Chamada Externa

Todos os meios, sejam internos ou externos, são controlados por Deus Quem é sobre tudo (Is 45:7). Não minimizando o poder de Deus nem da Sua soberania, os meios externos são da responsabilidade do homem. Os meios externos, da responsabilidade do homem, devem ser empregados com todo o esforço que biblicamente podemos enquanto imploramos que Deus usa os Seus meios internos, que são da Sua responsabilidade, nos corações de todos daqueles a quem pregamos (Ez 37:1-10).

Deve ser enfatizado que Deus não é limitado em nada (Dn 4:35, “não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?”). Se de pedras Deus quiseste suscitar filhos a Abraão, Ele poderia (Mt 3:9; Lc 3:8) pois nada há que a Deus seja demasiado difícil (Jr 32:17). Porém, o que Deus manda ao homem fazer, é o que o homem é responsável a fazer. O homem é mandado a pregar a Verdade, orar que Deus abençoa a Sua Palavra e viver uma vida exemplar diante todos. Se não houver obediência no que somos responsáveis a fazer, não veremos as bênçãos de Deus no nosso ministério (Ez 33:6-8; 2 Co 4:3,4; At 20:26,27).

A Pregação da Palavra de Deus

Deus quer usar a pregação da Palavra de Deus na chamada dos seus eleitos à salvação. Dessa vontade somos confiantes pelo exemplo de Cristo e dos Seus discípulos, pelo Seu mandamento aos discípulos e pelo raciocínio inspirado na Bíblia (2 Ts 2:13, 14).

Cristo é o próprio Verbo que Deus usa para chamar os Seus eleitos à salvação (Jo 1:1,14; 2 Co 4:6). Cristo empregava a pregação de toda parte da Palavra de Deus no Seu ministério publico (Mc 2:2, “e anunciava-lhes a palavra”; Lc 5:1; 24:27, 44, “de mim estava escrita na Lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos”; Jo 12:48, “a palavra que vos tenho pregado”; 14:24, “a palavra que ouviste não é minha, mas do Pai que me enviou.”; 15:3, “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.”). Como Cristo é feito “Espírito vivificante” (1 Co 15:45) Ele vivifica os Seus pela Palavra de Deus (1 Pe 1:23-25; Tg 1:18). O exemplo do próprio Cristo em usar a Palavra de Deus na sua evangelização é uma forte lição para nós.

Os discípulos nos dão exemplo do uso da Palavra de Deus também. Os discípulos eram “ministros da Palavra” (Lc 1:2) anunciando “o evangelho de Deus” em todo lugar que foram (1 Ts 2:2; At 8:4; 11:19; 14:7; 20:27, “todo o conselho de Deus”). Não foram “palavras persuasivas de sabedoria humana” que componha o conteúdo das pregações (1 Co 2:4) mas a mensagem de Jesus Cristo “segundo as Escrituras” (1 Co 2:1-5; 15:3-4). A pregação da Palavra de Deus basta. Pela pregação da Palavra de Deus os discípulos alvoroçaram o mundo (At 17:6), testemunharam-se de Cristo (At 1:8) e pelo o Espírito Santo usando a Palavra pregada, todos quantos estavam ordenados para a vida eterna creram (At 13:48). Se queremos ter o poder de Deus operando entre nós, devemos restringir-nos ao uso exclusivo da Palavra de Deus. Ela é o poder de Deus para a salvação (Rm 1:16).

O mandamento de Cristo para que os seus preguem é prova que Deus quer usar a pregação da Palavra de Deus na chamada dos seus eleitos à salvação. Cristo mandou os seus a pregarem o evangelho a toda a criatura (Mat. 28:18-20, “vos tenho mandado” – Jo 14:26; 15:15; Mc 16:15; Lc 24:47). Essa comissão aos que formaram a igreja primitiva é a comissão de todos os do mesmo tipo de igreja, que querem ser obedientes ainda hoje (Mt 28:20, “até a consumação dos séculos”; 2 Tm 2:2; 4:2-5). Devemos sempre nos relembrar que Cristo é declarado pela pregação e é a pregação que Deus usa para salvar os Seus (1 Co 1:21-24; Tt 1:3). Não devemos pensar, nem um pouco, que são nossas invenções, ideias, promoções ou transpirações que devemos aprimorar para a declaração da Palavra de Deus, mas contrariamente é exclusivamente a pregação da Palavra de Deus que somos mandados a pregar. Se quer ver os ‘seus’ virem a Cristo, pregue a Palavra.

O raciocínio inspirado da Bíblia prova que Deus quer usar a pregação da Palavra de Deus na chamada dos seus eleitos à salvação. É a palavra que testifica de Cristo (Jo 5:39) e que leva a vida ao terreno antes preparado por Deus (Mt 13:23; 1 Co 3:6). Não há fé sem ouvir a Palavra de Deus (Rm 10:13-14, 17; Ef 1:13, “depois que ouvistes a palavra da verdade”; Tg 1:18). Quando o rico se interessava que os seus cinco irmãos não viessem ao inferno, a Palavra de Deus foi dada como suficiente para isso (Lc 16:29). Ela é superior até de um ressuscitado voltando ao mundo (Lc 16:30,31). Há uma incumbência para pregarmos o evangelho, não somente pelo mandamento de Cristo, mas pelo perigo pessoal e social da verdade ser encoberta se ela não for pregada (1 Co 9:16; 2 Co 4:3).

Os que querem usar a doutrina da eleição para não pregar aos que nunca ouviram não estão manejando bem a palavra da verdade. A eleição não é salvação, mas “para a salvação” e essa salvação é pela fé na verdade que é apresentada pela Palavra de Deus (2 Ts 2:13, 14, “para o que pelo nosso evangelho vos chamou”; Rm 10:13-14, “como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?”). Não precisamos entender como Deus usa a Sua Palavra para dar vida. Somente devemos entender a nossa responsabilidade em prega-la a toda a criatura e pedir que Deus nos dê o Seu crescimento por ela (1 Co 3:6).

A oração dos Santos

É verdade que haja meios que funcionem somente em conjunto com os outros meios e nunca sozinhos. A oração é assim. Ela é útil na aplicação pelo Espírito Santo da Palavra de Deus pregada nos corações dos homens segundo a vontade de Deus. A oração é um meio tão importante quanto necessário. É tanto uma obra divina quanto uma responsabilidade do homem (Ez 37:9,10).

A Bíblia claramente afirma que Deus usa as orações dos Seus santos na chamada dos seus eleitos à salvação. A oração é útil na aplicação da Palavra de Deus ao coração dos que Deus chama. Somos animados a orar pelo exemplo de Cristo e dos seus discípulos e pelos mandamentos inspirados pelo Espírito Santo na Palavra de Deus. A oração nunca pode mudar Deus pois Ele não muda (Ml 3:6; Tg 1:17) mas ela verdadeiramente é um meio eficaz que Deus estimula e usa para fazer a Sua vontade (Mt 7:7-11; Lc 18:1-8; Ef 1:11; Rm 8:26).

O efeito que a oração tem como meio no chamamento dos eleitos à salvação é entendido pelo uso de oração por Jesus. Mesmo que Jesus é Deus e, portanto, onisciente e onipotente Ele frequentemente foi encontrado na prática de oração. Nas suas orações Ele expressava os desejos do Seu coração juntamente clamando que tudo seja segunda a vontade do Pai (Mt 26:39). Entre outras razões por orar Jesus também orava pelos que, no momento da oração, não eram salvos. Ele orou pelos que iriam ouvir o Evangelho e seriam salvos (Jo 17:9-11, 20, “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;”). Se Jesus ocupava-se na oração intercedendo pelos que naquele momento em qual Ele orava eram transgressores (Is 53:12; Hb 7:25), podemos ser animados a empregar tal meio também a orarmos pelos que amamos e ainda não são salvos. Podemos sinceramente implorar pela salvação dos transgressores. Se a oração não fosse um meio pelo qual Deus chama os seus eleitos a salvação não teria propósito nenhum essa oração de Jesus por aqueles que ainda seriam convertidos pela Palavra de Deus. Não sabemos quem são os eleitos, mas sabemos que a oração é um meio usado por Cristo a interceder pelos transgressores para que sejam salvos. Podemos ser como Cristo quando empregamos este meio eficaz orando pela salvação dos transgressores, de todos aqueles que o Pai deu a Cristo.

O uso de oração pelos discípulos nos ensina que Deus usa a oração dos santos para chamar os seus eleitos à salvação. O apóstolo Paulo também ocupava-se no exercício deste meio. Ele orou pelos incrédulos para que fossem salvos (Rm 10:1-3, “Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação.”). Muitos destes por quem Paulo orou não vieram a Cristo, mas a sua oração era correta mesmo assim. Não foi somente um único apóstolo que praticava compaixão pela oração pelos incrédulos, mas também os irmãos em Coríntios se exercitaram na oração em prol dos recipientes do evangelho. Os irmãos de Corinto foram agradecidos por Paulo pela ajuda que empregavam em orar pelos ministros do Evangelho no seu trabalho de evangelização (2 Co 1:11). As suas participações na missão dele pela oração e sacrifício financeiro foram a esperança dos missionários que muitos outros, que naquele momento não eram salvos, chegariam à fé. A participação dos irmãos na obra missionaria pela ajuda dada pelas orações e ofertas missionárias era uma esperança forte que novos convertidos dariam gratidão pelas suas participações. Também entendemos que a ajuda no evangelismo que a oração da igreja em Filipos trouxe, foi um estímulo ao apóstolo Paulo (Fp 1:19). Entendendo a ajuda que a oração foi para o Apóstolo Paulo e que motivava uma esperança viva que outros ainda creriam em Cristo, podemos ser resolutos em orar pelo sucesso do evangelho. Nunca devemos nos esquecer da verdade que diz: “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tg 5:16). É um estímulo orar saber que pelas obras de pregação e de oração tornemos a ser “cooperadores de Deus” (1 Co 3:9).

Pela Bíblia ser a revelação perfeita de Deus, os que querem glorificar a Deus são estimulados a obedecer os mandamentos dela. Os mandamentos aos santos a orarem sem cessar (1 Ts 5:17) e fazerem orações e intercessões por todos os homens (1 Tm 2:1-3) nos exemplificam a importância de oração na chamada dos eleitos à salvação. A igreja em Tessalônica foi animada pela instrução a rogar pelos evangelistas no seu trabalho para que a Palavra de Deus pregada tivesse efeito (2 Ts 3:1). A mesma instrução foi dada aos irmãos em Colossos (Cl 4:2-4). Se estes exemplos das instruções às igrejas neotestamentárias para que orassem pelo desempenho positivo do evangelho entre os incrédulos foram incluídos na Bíblia, as igrejas hoje que querem ser iguais aquelas igrejas podem receber instrução no seu dever de orar. Não seja displicente nas suas orações pelos seus familiares, colegas e até pelos que se não conhece pessoalmente. Pode ser que as suas orações sejam o instrumento que Deus usa para efeituar a fé na Sua Palavra no coração de alguém para que venham a Cristo.

A Vida exemplar diante todos

A presença do Espírito Santo na vida do Cristão faz que ele seja uma testemunha (Atos 1:8). Essa testemunha pode ser realizada em duas maneiras: na pregação da Palavra de Deus, e, por uma vida diária em submissão à Palavra de Deus. Nem todos os Cristãos são vocacionados pastores e doutores (Ef 4:11; 1 Co 12:29), mas cada Cristão indistintamente é uma testemunha de Cristo pela sua vida de obediência à Palavra de Deus. Essa vida obediente à Palavra de Deus pode ser usada por Deus no chamamento do Seu povo à salvação (2 Co 2:14, “por meio de nós”).

Essa testemunha pela vida cristã no mundo é simbolizada biblicamente como sal e luz (Mt 5:13-16; Rm 13:11-14). A utilidade da vida crista em conservar virtudes no mundo é representada pelo sal (Mt 5:13). O efeito de mostrar publicamente o poder de Cristo sobre o pecado é manifesto pelo símbolo de luz (Mt 5:14,15). Nisto somos instruídos que a obediência à Palavra de Deus é útil e eficaz em testemunhar de Cristo. A testemunha da Palavra de Deus pela vida do Cristão glorifica Deus “diante dos homens” (Mt 5:15,16; 2 Ts 1:11,12). Essa testemunha viva da Palavra de Deus é usada para enfatizar o que diz as Escrituras de Cristo diante dos não salvos. A vida pública do Cristão é um meio que Deus usa para chamar o Seu povo a salvação. Portanto, “vede prudentemente como andeis” (Ef 5:13-16).

A importância de uma vida pública no chamamento dos pecadores à salvação é reforçada pelo Apóstolo Pedro. No caso de mulheres cristãs tendo maridos não crentes, estes podem ser ganhos a Cristo meramente pelo comportamento delas (1 Pe 3:1-4). A vida casta, no temor de Deus, é um fator importante na evangelização e na chamada à salvação destes maridos descrentes.

Deve ser enfatizada que não é isoladamente a moralidade ou a retidão da vida que é o maior destaque nessa área. A moralidade e uma vida reta somente têm efeito positivo quando representam submissão à Palavra de Deus. A própria Palavra de Deus é o meio principal que Deus usa na chamada do Seu povo à salvação. Juntamente com a Palavra de Deus, sem dúvida, a vida submissa à Palavra de Deus, prega alta e é usada por Deus na chamada a salvação. É impossível separar a utilidade de uma vida em obediência da Palavra de Deus da própria eficácia e poder das Escrituras. É indisputável o fato: se vivermos a Palavra de Deus, Cristo é pregado; se não somos obedientes a Palavra de Deus, Cristo não é pregado. Por causa dessa convivência de verdades, existem exortações abundantes para que os Cristãos vigiem bem das suas testemunhas (Jo 13:35; 15:8; Rm 13:11-14; Fp 2:15,16; 1 Pe 2:11,12).

A sua vida pode ser a única Bíblia que muitos leem. Viva em submissão constante à Palavra de Deus, para que Cristo seja manifesto e Deus glorificado no mundo (1 Pe 4:14-19).

A Eficácia da Chamada à Salvação

Os meios internos (a graça e a obra do Espírito Santo) e os meios externos (a Palavra de Deus sendo aplicada pela pregação, a oração intercessora e pela testemunha de uma vida Cristã) são eficazes para que os escolhidos venham em tempo oportuno ao arrependimento dos seus pecados e à fé em Cristo Jesus. A chamada particular é eficaz.

Por causa da graça particular de Deus estando para com aqueles a quem Ele amou particularmente na eternidade, estes virão seguramente a Ele em tempo. Estes eleitos serão conduzidos pela graça preveniente e induzidos pela graça proveniente a voluntariamente atenderem à chamada de Deus com fé em Cristo. Exemplos disso são o Eunuco (Atos 8:25-40), Lídia (Atos 16:13-15), o apóstolo Paulo (Gl 1:15,16; At 9:1-19) e os gentios de Antióquia de Pisídia (At 13:48). A obra da graça particular é uma obra certeira. Por isso Jesus declarou: “Todo o que o Pai me dá virá a Mim; …” (Jo 6:37, 45). Existem os que resistem a operação geral de Deus (At 7:51) mas quem pode estorvar a mão do Onipotente na graça particular (Dn 4:35; Is 46:10)?

Pela regeneração ser feita pela obra do Espírito Santo, o eleito virá sem dúvida ao arrependimento e à fé em Cristo, o fruto da regeneração. A regeneração concede uma nova natureza espiritual que quer e pode ser obediente à chamada da Palavra de Deus a Jesus Cristo (Tt 3:5-7; Fp 4:13; Jo 3:3-5).

A Palavra de Deus é eficaz na chamada do eleito. Ela é o martelo que esmiuça a penha, o coração do pecador (Jr 23:29). Não há dúvida nenhuma que ela pode efetuar seguramente o que ela foi enviada a fazer (Is 55:11; Rm 1:16, “o poder de Deus para salvação”).

Pelos exemplos de Cristo, os apóstolos e pelos mandamentos da Palavra de Deus que orássemos, entendemos que pela oração, o propósito da Palavra de Deus é realizada nos corações dos escolhidos. “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos”, (Tg 5:16). As orações dos Cristãos ministradas pelo Espírito Santo segundo a vontade de Deus, são eternamente lembradas (Ap 5:8; 8:3,4). Na plenitude dos tempos, essas orações serão respondidas para a glória de Deus.

A testemunha pública do Cristão é eficaz em pregar Cristo também. A vida do Cristão é como uma cidade edificada no monte que não pode ser escondida (Mt 5:13-16; 1 Pe 4:14-19). A vida dos santos é um instrumento de Deus para ministrar a todos as verdades da Palavra de Deus até mesmo a própria salvação dos escolhidos (1 Pe 3:1,2; At 7:58; 22:20).

Entendendo que a origem da nossa fiel testemunha (Fp 4:13), a oração eficaz, a obra da regeneração (João 6:63) e a graça salvadora (2 Tm 1:9) é Deus, podemos enfatizar que aquele em quem tais obras são feitas, virão a Cristo verdadeiramente (Jo 6:37, “Todo o que o Pai Me dá virá a Mim; …”). Naqueles em que Deus opera as Suas obras com a intenção de salvação manifestarão tais obras pelo arrependimento dos seus pecados e pela fé em Cristo Jesus (At 13:48; Rm 11:29).

Deus já te convenceu do seu pecado e da sua necessidade da misericórdia de Deus para ser salvo? Já recebeu a Sua chamada a Cristo? Saiba que Cristo é o Salvador dos pecadores (1 Tm 1:16). Se ouça a chamada, venha se arrependendo dos seus pecados com fé na pessoa de Cristo quem é revelado pelas Escrituras. Se está com sede e quer beber da fonte da água da vida (Cristo), venha já (Is 55:1-3; Ap 21:6; 22:17). Se os seus pecados estão ti oprimindo, peça que Deus seja misericordioso em salvar mais um pecador (Mt 11:28-30). Verdadeiramente todos os que venham a Deus por Cristo serão atendidos gloriosamente (Jo 6:35-37, “… e aquele que vem a Mim não terá fome … nunca terá sede … de maneira nenhuma o lançarei fora.”). Deus é grande em perdoar (Is 55:6,7) e a Sua palavra é pura (Pv 30:6).

A Salvação Realizada

A chamada particular efetivada pelos meios bíblicos tanto invisíveis (a graça e o Espírito Santo) quanto visíveis (a Palavra de Deus, a oração e a vida exemplar) cumpra o desígnio da vontade de Deus naqueles que Ele escolheu: a salvação eterna de uma alma.

Os termos bíblicos que descrevem a realização desse acontecimento são várias. Os termos vários descrevem em detalhes maiores como a aquisição da salvação na alma do pecador é realizada. Os termos são: a regeneração, a conversão que inclui o arrependimento e a fé, a justificação, a adoção, a santificação e a glorificação. Não incluímos nesta lista os outros termos associados com a salvação como a eleição ou a predestinação. Não incluímos esses termos por essas obras de Deus não participarem do ato do momento da salvação na alma. A eleição e predestinação verdadeiramente são obras de Deus que precedem o ato da salvação. Contudo, estamos focalizando-nos não naquele que precede a salvação da alma, mas as obras de Deus no próprio ato da salvação da alma. Tudo o que já estudamos até este ponto são preparativos “para a salvação” ( 2 Ts 2:13). Agora queremos entrar na realização gloriosa do ato dessa salvação na alma do pecador.

Por causa de uma facilidade de confundirem tanto os termos quanto o que eles significam, convém um entendimento particular de cada termo. Procuraremos colocar os termos na ordem lógica que acontecem mesmo que essas obras acontecem simultaneamente na realização da salvação.

A Regeneração

1 Pedro 1:3

No aspecto divino, a regeneração logicamente vem primeira na lista pois sem o pecador possuir uma nova natureza, o homem é impedido de conhecer qualquer outra benção de Deus. É necessário a regeneração ser primeira no processo da realização da salvação, pois sem ela ninguém pode entrar no reino de Deus (João 3:3-5). O homem natural é morto nos seus pecados e por isso não entenda nada espiritual (1 Co 2:14), não deseja nada de Deus (Jo 3:19; 5:40) e não pode agradar a Deus em nada (Rm 8:6-8). O homem pecador precisa receber vida espiritual para cumprir as suas responsabilidades declaradas pela Palavra de Deus. Quem é vivificado são os mortos (Ef 2:1,5; Co 2:13). Pelo fato de somente os filhos de Deus ter as outras bênçãos de Deus (Ro 8:16,17; Co 2:13), a regeneração é primeira.

Pontos positivos e negativos que esclarecem a regeneração

A regeneração não é eliminação da velha natureza. Pelo pecado habitar na carne, a velha natureza existe enquanto o Cristão possui o tabernáculo de pó chamado o corpo (Rm 7:14-25; Gl 5:17).

A regeneração é o começo de uma nova natureza. Com a operação da regeneração o Cristão possui uma nova natureza (Cl 3:10,11) no qual o Espírito Santo habita (1 Co 6:19). Esta nova natureza é chamada o homem interior e tem prazer na lei de Deus (Rm 7:22).

A regeneração não é a mera aquisição de filosofias religiosas. O homem inventa filosofias conforme a sua própria mente. As filosofias e vãs sutilezas são segundo as tradições do homem e dos rudimentos do mundo (Co 2:8; 1 Pe 1:18). Por originarem do homem, naturalmente invalidam os mandamentos de Deus (Mt 15:3-6). As filosofias religiosas do homem são vaidades (At 14:13-15) e consideradas meras superstições (At 17:22,23).

A regeneração é a aquisição de uma nova natureza criada por Deus em Cristo. A nova natureza que é adquirida na regeneração renova-se em santidade e justiça dia a dia para ser mais como Cristo (Rm 8:29; Cl 3:10,11; Tt 3:5-7).

A regeneração não é um processo longo que vai aperfeiçoando o homem com meios humanos e eclesiásticos até uma provável aceitação diante de Deus.

A regeneração é um ato instantâneo de Deus pelo Espírito Santo na alma do elegido (Jo 1:13; 3:8). Essa obra purifica a alma completamente pela verdade de Jesus Cristo (2 Pe 1:2-4). Este ato instantâneo capacita o elegido a entender, desejar e obedecer a Palavra de Deus em arrependimento e fé.

A Conversão

1 Ts 1:9

A Conversão definida: “Conversão é aquela mudança voluntária na mente do pecador em que ele se vira do pecado de um lado, e para Cristo, doutro lado. O elemento primário e negativo da conversão, nomeadamente, virar-se do pecado, denominamos arrependimento. O elemento da conversão, último e positivo, nomeadamente virar-se para Cristo, denominamos fé.” (A. H. Strong, em Systematic Theology, página 460, citado por T. P. Simmons, Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica, p. 335). Podemos dizer que existe uma conversão inicial e único no eleito regenerado que resulta na sua justificação diante de Deus (Isaías 6:10; Mat. 18:3; Atos 3:19), e que existe uma conversão subsequente e constante no eleito regenerado que resulta na sua santificação diante dos homens (Lc 22:32; 1 Jo 1:9; Tg 5:20).

No aspecto humano e também lógico, a conversão, que inclui o arrependimento e a fé, segue e é resultante da obra divina de regeneração. A conversão é a primeira manifestação da nova natureza no homem regenerado. Por ser a primeira ação feita do lado humano, alguns preferem dizer que é primeiro na lista de acontecimentos na realização da salvação. Mas, pela conversão ser o resultado de uma obra divina anterior, colocamos a conversão em segundo lugar na lista de acontecimentos lógicos na realização da salvação.

A Necessidade da Conversão Seguir a Regeneração

A conversão envolve uma negação do pecado. O homem natural pode modificar a sua vida e impedir que as manifestações do pecado sejam evidentes na sua vida pública, mas ele não pode negar o seu amor pelo pecado (Jer. 13:23; 17:9; Pv 27:22; Mt 19:25,26). O homem natural pode não gostar as consequências do pecado, mas, mesmo assim, o próprio pecado continua sendo desejado e prazeroso para ele. A verdade é: Se não nascer de novo, ninguém pode entrar no reino de Deus (Jo 3:5).

A conversão é agradável a Deus. O carne não é sujeita à lei de Deus nem pode agradar a Deus (Rm 8:7,8). O que é nascido da carne agrada unicamente a carne (João 3:6) e a carne somente ceifa corrupção (Rm 7:5; Gl 6:7,8). Sem a fé vir primeiro, um fruto do Espírito Santo, é impossível para qualquer agradar a Deus (Hb 11:6).

A conversão é uma “boa” coisa. No homem natural, sem uma obra prévia e regeneradora espiritual, não existe “bem algum” habitando nele (Rm 7:18). Do homem natural não podemos esperar uma obra boa. As suas obras de justiça nem são aceitáveis diante de Deus (Mc 7:21-23; Isaías 64:4; Gl 5:19-21). Assim como Jó pergunta e responda pela inspiração do Espírito Santo: “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.” (Jó 14:4) nós também podemos resumir. Não há possibilidade do homem converter-se, sem Deus primeiramente o vivificar.

A conversão é uma submissão à lei de Deus. O homem não regenerado vive segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência (Ef 2:2,3). A mente do incrédulo é entenebrecida, pela ignorância que há neles e querem por isso entregar-se, não a Deus, mas à dissolução (Ef 4:18,19). O não regenerado jamais pode sujeitar-se à lei de Deus, pois a inclinação da sua carne é inimizade contra Deus (Rm 8:7). Não é o homem natural que deseja nem é capaz a sujeitar-se a Deus, mas é o regenerado, por Deus operar nele tanto o querer quanto o efetuar segundo a Sua boa vontade (Fp 2:13) que quer e pode agradar a Deus (Jo 15:5; Fp 4:13)

A conversão envolve o entendimento de coisas espirituais. A velha natureza do homem não pode discernir coisas espirituais. Qualquer fato espiritual, para o homem não crente, é loucura e um escândalo (1 Co 1:23; 2:14). O entendimento da obra salvadora de Cristo, uma pessoa espiritual, e o convencimento do pecado, da justiça e do juízo são obras do Espírito Santo nos que Deus quer ensinar essas verdades (Jo 16:7,8; Mt 11:26,27). O que antecede entendimento espiritual é uma obra divina que é eficaz a fazer o homem pecador conhecer Cristo. Essa obra prévia é a regeneração.

A conversão envolve a fé. Do Espírito Santo é a fé (Gl 5:22). Os que creem tem o poder de crer que evidência que a fé é dada previamente por Deus (Fp 2:13). O poder que ressuscitou Cristo dos mortos é o mesmo poder que Deus opera nos que creem em Cristo (Ef 1:19,20). Portanto, o poder de crer é antes da ação da fé. Nisso entendemos que a conversão é causada pela obra divina de regeneração.

A conversão é um ressurreição espiritual. “A conversão está representada em Ef 2:4-6 como uma ressurreição espiritual, que diz: ‘Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;’. O ressuscitar aqui representa a conversão. Assim, a questão que estamos considerando quanto é ao que é primeiro, o vivificar ou o ressuscitar. Não pode haver dúvida razoável que o vivificar é o primeiro num sentido lógico.” (T. P. Simmons, p. 339). Veja Cl 2:12.

A conversão envolve a ação de vir a Cristo. O que impede um pecador qualquer a vir a Cristo é a sua condição de ser morto em pecado. Isso impede que ele queira vir a Cristo (Jo 5:40). Por causa do pecador ser morto no pecado ele não vem a luz mas odeia-a (Jo 3:19). O pecador não precisa de uma chance ou uma ajuda geral de Deus, um pregador sorridente, um culto animado ou uma estória emocional (Jo 8:43). Ele precisa nova vida para poder vir a Cristo com arrependimento e a fé. É Deus Quem traz os Seus a Cristo, dando-os vida (regeneração). Tendo vida, venham a Cristo (conversão). Se Ele não trouxer, ninguém pode vir a Cristo (Jo 6:44, 65; 12:37-40). Pela conversão envolver a ação de vir a Cristo, sabemos que Deus age antes em trazer os Seus em amor (Jr 31:3).

A Manifestação da Conversão

O Arrependimento

A manifestação da conversão é pelo o arrependimento e a fé. O arrependimento é uma manifestação da conversão. Porém nem todo o arrependimento é evangélico. Pelo Novo Testamento existem três palavras gregas diferentes traduzidas “arrependimento” em português. Duas dessas palavras não são envolvidas na doutrina da salvação. Somente uma dessas palavras é o arrependimento associado com a salvação.

O primeiro desses usos da palavra “arrependimento” é usado no Novo testamento para mostrar imutabilidade (278, Strong’s). Somente duas referências no Novo Testamento usam a palavra arrependimento para significar imutabilidade. Estas referências são 2 Co 7:10, “da qual ninguém se arrepende” e Rm 11:29, ” os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”.

O segundo uso da palavra “arrependimento” é usado no Novo Testamento para mostrar remorso pelas consequências do pecado (#3338, Strong’s). Existem cinco referências bíblicas do Novo Testamento que usa essa palavra grega traduzida arrependimento. Essas referências são: Mt 21:29, “Mas depois, arrependendo-se, foi”; Mt 21:32, “nem depois vos arrependestes para o crer.”; Mt 27:3,”arrependido”; 2 Co 7:8, “não me arrependo” , “já me tivesse arrependido”; Hb 7:21,”Jurou o Senhor que, e não se arrependerá”.

O terceiro uso da palavra “arrependimento” ou é o usado no Novo testamento o para mostrar horror pelo pecado (3340 e 3341, Strong’s). A maioria das referências bíblicas no Novo Testamento (58 vezes) que os a palavra a arrependimento é dessas duas palavras gregas. O significado desse uso evangélico da palavra arrependimento é compunção, compunção, um reverso de decisão, e de pensar diferentemente ou reconsiderar. As referências bíblicas são: (3340) Mt 3:2; 4:17; 11:20,21; 12:41; Mc 1:15; 6:12; Lc 13:3,5; 15:7,10: 16:30; 17:3,4, 7, 10; 10:13; 11:32; At 2:38; 3:19; 8:22; 17:30; 26:20; 2 Co 12:21; Ap 2:5, 16,21,22; 3:3, 19; 9:20,21; 16:9,11 e (#3341) Mt 3:8, 11; 9:133; Mc 1:4; 2:127; Lc 3:3,8; 5:32; 15:7; 24:47; At 5:31; 11:18; 13:24; 19:4; 20:21; 26:20; Rm 2:4; 2 Co 7:9, “contristados para o arrependimento”; 7:10, “a tristeza segundo Deus opera o arrependimento para a salvação”; 2 Tm 2:25; Hb 6:1,6; 12:17; 2 Pe 3:9. Este terceiro uso da palavra a “arrependimento” é o uso evangélico, ou, o arrependimento envolvido na salvação.

O arrependimento evangélico é diferenciado dos primeiros dois usos da palavra em três maneiras: o pecado é reconhecido, o pecado a lamentar e aborrecido, e o pecado era abandonado. Esses três elementos se v na salvação de Zaqueu (Lc 19:1-6). Pela pregação da Palavra de Deus o Espírito Santo convença da natureza do pecado o e a sua culpa.

O senso evangélico do arrependimento é a entendido quando o pecado é reconhecido. Quando o pecado é visto como rebelião contra Deus, contra a sua santidade, e como uma ofensa a Deus, o senso evangélico do arrependimento é entendido. Quando o pecado é reconhecido o elemento intelectual do arrependimento está em ação (Rm 2:4). A pregação da Palavra de Deus e o Espírito Santo conversa do fim do pecado e impressiona o ou que tal situação contra Deus.

O senso evangélico do arrependimento é entendido quando o pecado é lamentado e aborrecido. Quando a tristeza divina do pecado é presente e é lamentada a sua situação dizer fora de Deus o senso evangélico do arrependimento é entendido. Quando o pecado é lamentado e aborrecido o elemento emocional do arrependimento está na ação. A nossa pregação deve incluir a chamada a tristeza pela culpa de ter pecado e ao abandono do pecado (Lc 24:47).

O senso evangélico do arrependimento é entendido quando o pecado é abandonado. Nessa fase do arrependimento evangélico a conduta do pecador arrependido muda (Mt 3:8; Lc 3:8, “obras dignas de arrependimento”; 2 Co 7:11). Quando o pecado é abandonado o lado volitivo ou voluntário do arrependimento está em ação. A chamada do evangelho é para uma ação e não particularmente para uma decisão intelectual. Essa ação de abandonar o pecado é baseada na convicção e na obra prévia de Deus no coração do homem pela Palavra de Deus.

O arrependimento evangélico é também interno. O arrependimento evangélico a com peça na mente e no coração e por ser interno na mente as ações evidenciam a mudança (2 Tm 2:25,26, “desprender-se dos laços do diabo.”).

Ou arrependimento evangélico é também um dom de Deus (At 5:31, “Deus … para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados”; 11:18, “Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida”; Rm 2:4, “a benignidade de Deus te leva ao arrependimento”; 2 Tm 2:24,25).

Devemos entender que o arrependimento evangélico, ou aquele que faz parte da salvação, não é penitência. A penitência, segundo os católicos, faz parte do arrependimento. A penitência envolve a punição dos pecados passados pelo jejum e por outros exercícios que possam expressar exteriormente um remorso interno (confissão, rezar, autoflagelação, observar quaresma, etc.).

O arrependimento verdadeiro é uma mudança interna que não é imposta por castigos externos. O fruto do arrependimento não é o próprio arrependimento! O fruto do arrependimento verdadeiro é fé na obra suficiente de Cristo no lugar do pecador (At 5:31, “o arrependimento e a remissão dos pecados”; 20:21, “a conversão da Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo”; Hb 6:1, fazem parte dos rudimentos da doutrina o arrependimento e a fé em Deus; 2 Tm 2:25). O sacrifício de Cristo basta para salvar o pecador (Rm 4:7,8; 10:4, “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.”; Hb 10:14, “com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.”; 1 Jo 1:7, “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos e purifica de todo o pecado.”). Atos temporais do homem nunca podem expiar nenhum pecado (Jó 14:4; Is 40:6; 64:6). A Bíblia é silenciosa sobre o homem expiando o seu próprio pecado mas abunda em exemplos de Cristo ser o substituto suficiente pelos pecados (2 Co 5:21).

 A Fé

“Como a descrença era preeminente do pecado do primeiro Adão assim também a fé é preeminente da redenção pelo segundo Adão. A fé é interligada com cada ação e condição da salvação. É pela fé que os homens entram numa união vital com Cristo, pela fé que são justificados, pela fé que adoram corretamente, pela fé vive o cristão, pela fé que a sua santificação progride e, pela fé ser o meio de vencer o mundo e de ter a esperança no futuro, ela é o meio pelo qual o Cristão torna mais e mais identificado com Cristo no seu reino espiritual agora e no porvir” (Boyce, p. 385).

A fé é crença e confiança. É crença pois crê em fatos e em declarações ou a sinceridade de uma pessoa. É confiança pois confia na veracidade do fato, da declaração ou da pessoa. A crença está num fato, numa declaração ou numa pessoa, mas, a confiança evidencia-se em tomar digno aquele fato, declaração ou pessoa como base das ações. O fruto do Espírito Santo que é a fé faz que cremos em Deus por Cristo e confiamos na sua palavra ao ponto que obedecemos ela.

Como tudo o que se diz evangélico não é da verdade, também toda e qualquer fé não é a verdadeira. Existem imitações da fé verdadeira. Existe muita fé falsa. Há os que têm a sua fé em espíritos, em idolatria, em filosofias, em sinais, em emoções, em coincidências, na astrologia, etc. A fé verdadeira, porém, é dom de Deus (Ef 2:8,9), pelo Espírito Santo (Gal. 5:22) e é única (Ef 4:5). As imitações da fé verdadeira incluem a fé histórica, a fé intelectual, a fé implícita, e a fé temporária. Para melhorar nosso entendimento desse fruto do Espírito Santo queremos examinar um pouquinho as imitações da fé verdadeira.

A fé histórica é uma simples crença que existiu um homem chamado Cristo no passado. Os demônios creem em Deus, sabem que ele existiu e existe, mas esta crença não é salvadora (Tg 2:19) pois não tem confiança nos fatos. Em At 8:13-24 temos o caso de Simão, o mágico. Ele creu e foi batizado, mas, com tempo, revelou que não tinha “parte nem sorte nesta palavra”, pois o seu coração não era reto diante de Deus. O mesmo pode ser dito der Judas. Um soldado presente na hora da crucificação de Cristo foi empolgado pelos fatos históricos e declarou: “que verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27:54). Esta poderia ser uma declaração baseada somente na fé histórica. Há muitos hoje também que aceitem Cristo como uma pessoa boa na história, mas devemos entender que este tipo de fé não tem valor salvador.

A fé intelectual é parecida com a fé histórica e com a fé verdadeira. A fé intelectual reconhece que os fatos bíblicos são verdadeiros. A fé intelectual não tem dúvida que Cristo nasceu de uma virgem, era o Filho de Deus, morreu no lugar dos pecadores, ressuscitou, foi ao céu e voltará novamente à terra pois a bíblia manifesta estes fatos e tudo é lógico. As multidões clamava na ocasião da entrada de Cristo em Jerusalém: “Hosana ao filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!” (Mt 21:1-11). Porém, quando foi crucificado Cristo “todo o povo” disse: “o seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.” (Mt 27:25). Aparentemente a fé da multidão era uma crença intelectual somente, pois, se fosse uma fé verdadeira confiariam em Cristo para a salvação e não pensariam que Ele fosse digna de crucificação. A mesma coisa pode ser dita dos muitos dos judeus que creram nEle em Jerusalém. Tinham uma fé que gostou das palavras de Cristo mas não no significado delas, pois, quando entenderam o que ele quis dizer “pegaram pedras para lhe atirarem” (Jo 8:30-59). Na hora de Jesus curar, saíam muitos demônios que clamavam: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus.” (Lc 4:41). Porém, apesar da declaração e crença, não foram convertidos estes. É manifestado que eles tinham somente um reconhecimento intelectual e não uma fé verdadeira.

A fé implícita é definida melhor pelo ditado, “fé na fé”. A fé implícita crê simplesmente para crer. É de crer em algo sem prova nenhuma. Os católicos dizem que a fé deve ser na igreja, ou melhor, simplesmente crer nas suas doutrinas pela autoridade dela mesma e não por causa do reconhecimento de nenhuma verdade (Boyce, p. 389). Seria a mesma coisa dos evangélicos dizerem: “crê na Bíblia somente para a salvação” sem primeiramente ensinar o que ela diz. O cristão verdadeiro não crê em Cristo simplesmente por crer nEle, mas, por Ele ser revelado ao seu coração pelo Espírito Santo e assim, confia na Sua obra, segundo as Escrituras, como tudo suficiente para o tornar aceitável diante de Deus. Os

A fé temporária é uma fé enganosa. Essa fé recebe intelectual e alegremente os fatos históricos da verdade. Essa fé entendemos pela parábola do semeador (Mc 4:1-20). É simbolizada pela semente que caiu sobre pedregais (Mc 4:5, 16, 18). A parábola nos ensina que a terra não era boa. Isto quer dizer que este não caiu em um coração regenerado. Com tempo é entendida que essa fé era falsa por ser temporária. Essa fé enganosa é evidenciada por não continuar a confiar em Cristo nem ter uma crescente devoção e serviço a Ele. A fé temporária é manifesta como falsa por não crescer na graça e conhecimento de Cristo. O amor da Palavra de Deus, e a responsabilidade de ouvir Ela pregada e obedece-la logo torna cansativo para os com essa fé traiçoeira. O amor do povo de Deus e a santidade de Deus que pede uma crescente distância do pecado não é uma realidade nos que conhecem apenas essa fé pérfida.

A fé verdadeira e salvadora, apesar da mente participar nela, é do coração também (Rm 10:9,10). É um conhecimento experimental da verdade de Deus e do poder de Cristo. Esta fé não é uma empolgação emocional ou um mero convencimento mental, mas é o dom de Deus no coração dos Seus (Mt 16:16,17; Jo 6:37, 64-69; Ef 1:19,20) que leva o Cristão a confiar inteiramente nas Suas palavras para tudo que precisa para ser apresentado o agradável diante de Deus. É manifesta por um arrependimento e repúdio ao pecado e um amor por tudo que agrada o Salvador.

A fé verdadeira tem o pai, na qualidade de Deus, como objetivo dela. Crê e confia que Deus é santo e um juiz justo que julgará o mundo por Jesus Cristo (At 17:31). Sabe e espera na sua misericórdia e amor manifestos no seu Filho (Romanos 5:8). A fé verdadeira tem na confiança que Deus pode e vai assegurar a salvação final do Seu povo (Fip 1:6; 1 Pe 1:5).

A fé verdadeira tem Deus, na qualidade de Pai, o seu alvo. A verdadeira fé descansa no Pai que nos amou primeiro (2 Ts 2:16; 1 Jo 4:19) e nos adotou como filhos (1 Jo 3:1,2; Rm 8:17). A fé verdadeira põe a sua confiança no Pai como Aquele que nos deu a graça (Tg 1:17) e grandíssimas e preciosas promessas (2 Pe 1:4; 2 Co 1:20).

A fé verdadeira tem a pessoa e obra de Cristo como o seu alvo. A fé verdadeira tem por certo a divindade de Cristo (Atos 8:37, “creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”) sem esquecer que Cristo também é homem e nos representou completamente levando em Si os nossos pecados na Sua morte para nossa salvação (2 Co 5:21). A fé verdadeira aceita completamente o desejo amoroso de Cristo que pecadores arrependidos venham a Ele para o seu descanso espiritual (Mt 11:28-30).

A fé verdadeira olha a Cristo (Is 45:22; Jo 3:14,15), venha a Cristo (Is 55:1; Mt 11: 28; Jo 6:37, 44, 45, 65), ponha o seu refúgio nEle (Hebreus 6:18), come e bebe dEle (Jo 6:51-58) e recebe Ele (Cl 2:6).

A fé verdadeira tem evidências importantes. Essas evidências de uma fé verdadeira incluem a purificação do coração (Atos 15:9, “purificado seus corações pela fé”; Mat. 5:8, “Bem aventurado os limpos de coração”; 1 Pe 1:22). O coração onde reside a fé verdadeira se limpa de todos os seus ídolos impuros para servir o Santo (1 Ts 1:9, “e como dos ídolos dos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro”); obediência em amor (Gl 5:6, “à fé que opera pelo amor”). Pela fé verdadeira o cristão agrada Deus, resiste e o diabo e mortifica a carne, tudo isso não como um pesado mandamento, mas, pelo amor (1 João 5:3, “Porque este é o amor de Deus: que guarda demos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.”); vitoriosa (1 João 5:4, “e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.”). Sendo “nascido de Deus” o cristão verdadeiro tem uma mente de iluminada e por isso sabe que o mundo é vã e que as coisa espirituais são as únicas coisas que podem se satisfazer completamente (Lm 3:24).

Considerando essas verdades, podemos entender que a fé verdadeira não é uma mera aceitação mental de história ou de fatos importantes. É o fruto do Espírito de Deus (Gl 5:22) do coração dos Seus. Esta fé não manifesta-se somente em conhecimento intelectual e declarações verbais mas manifesta-se em obras de obediência à Palavra de Deus em amor (Gl. 5:6; Ef 2:10; Tg 2:17; 1 Ts 1:9). Aquele que tem essa fé verdadeira pode declarar de seu coração como Pedro: “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.” (Jo 11:27; Mt 16:16; Mc 8:29); como o eunuco: “creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” (At 8:37); como Natanael: “Rabi, tu és o Filho de Deus: tu és o Rei de Israel.” (Jo 1:49), e, como Paulo pregava de Cristo que este “é o Filho de Deus” (At 9:20). Essa fé verdadeira e salvadora vem pela Palavra de Deus tanto no Velho Testamento (Gl 3:8; Hb 4:2) quanto no Novo Testamento (Rm 10:11-17).

Se conhece essa fé verdadeira, tem muitos motivos para louvar ao Senhor eternamente, pois o que Ele começou, aperfeiçoará até o dia perfeito (Fil. 1:6). Temos motivos para perseverar na fé cristã e lutar contra o pecado, pois essa fé vence o mundo (1 Jo 5:4). Temos motivo para avançar na causa de Cristo com confiança na obediência, pois Aquele que nos chamou, também fará o que Ele prometeu (Hb 10:23; 1 Ts 5:24; Mat. 16:18). Os que conhecem a fé verdadeira tem uma mensagem viva e transformadora vindo de Deus e não um produto dos homens para pregar com ousadia ao mundo em trevas.

Observação

O arrependimento e a fé são graças inseparáveis. Onde uma é mencionada a outra é compreendida. “Quando um homem é vivificado para a vida, não pode haver um lapso de tempo depois dele arrepender-se, nem pode haver qualquer antes que ele creia. Doutra maneira teríamos a nova natureza em rebelião contra Deus e em incredulidade. Assim não pode haver ordem cronológica em arrependimento e fé.” (T.P. Simmons, p. 351).

A Justificação

Romanos 3:24-26

Por causa do pecador escolhido por Deus ser regenerado, a qual manifestou-se na sua conversão, não existe nada neste pecador o que impede que ele seja declarado judicialmente justo diante de Deus. Quando tratamos da salvação e falamos da parte delas chamada justificação tratamos dessa posição judicial do pecador convertido diante do tribunal divino (At 13:38, 39).

O significado da justificação é a absolvição de culpa do pecador regenerado e convertido. É a libertação do poder do pecado e da sua condenação pela graça e da vontade de Deus por Cristo (William Rogers). É “o meio pelo qual o pecador é aceito por Deus” (Abraham Booth, Reign of Grace, citado por A. W. Pink).

O autor dessa justificação é Deus (Rm 8:33, “… É Deus quem os justifica.”; 3:24-26, “Sua justiça … para que Ele seja justo e justificador …”; 1:17; Tg 1:17, “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes …”). A obra da justificação é uma obra da trindade. O Pai decretou o meio e o método (Rm 3:22, “a justiça de Deus”; 2 Co 5:19, “… Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; …”). O Filho é o mediador da justificação (1 Co 6:11, ” … Mas haveis sido justificados em nome do senhor Jesus …”Fp 3:9, “não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo …”). O Espírito Santo é quem faz a obra de convencer da justiça e de revelar Cristo. Ele traz a fé pela qual o cristão é justificado (1 Co 6:11, ” … Mas haveis sido justificado … pelo Espírito do nosso Deus”; Jo 16:8, “E, quando ele vier, com vencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.”). Observando biblicamente quem é o autor da justificação podemos entender claramente que a justificação não vem de homem algum.

Os alvos da justificação são os pecadores. São os condenados que precisam ser declarados justos diante de Deus (Mt 9:12, 13, “… Não necessitem de médico os sãos, mas, sim, os doentes … Eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.”). O juízo veio sobre todos os homens para a condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homem para a justificação de vida (Rm 5:18). Os que confiam em si mesmos, crendo que são justos pelas suas obras de justiça não são os que são verdadeiramente justificados, porém, os que reconhecem o principal dos pecadores (Lc 18:9-14. “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Este desceu justificado para sua casa”; 1 Tm 1:15, “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”). Os alvos da justificação são os pecadores que são predestinados e chamados por Deus (Rm 8:30). Se queremos ser justificados diante de Deus entendemos que não é necessário apresentá-lO a nossa própria justiça, mas, como pecadores buscar Sua justificação.

A natureza dessa justificação é maravilhosa. A justificação do pecador diante do tribunal de Deus não é um processo, como é a chamada para a salvação ou a santificação do cristão diante dos homens. É um ato instantâneo e quando ocorre, está completo. “Não admite graus ou fases” (T. P. Simmons, p. 353). Quando o publicano foi convertido ele desceu para sua casa já justificado (Lc 18:14). A justificação é eterna. A firmeza da verdade da eternidade da justificação é entendida pela pergunta de Deus, “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.” (Rm 8:33). Pelo preço da justificação ser paga inteiramente por Cristo “uma vez” (Hb 10:10) o cristão resgatado por Cristo “tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5:24). Pela base da condenação do pecador, o pecado, ser eliminada por Cristo, a justificação diante de Deus por Cristo é tida como eterna. A justificação é graciosa. Mesmo que a justificação é revelada exteriormente aos outros mediante as obras (Tg 2:20-26) a obtenção da justificação diante de Deus nunca é pelas obras de homem algum (Rm 3:20; 4:2-8; Tt 3:4,5). Então, se não é pelas obras, é pela graça (Rm 11:6). Deus não deve a salvação ao inimigo dele mas, sim, o juízo. Se Deus quer justificar alguém na base da obra meritória de Cristo isso é um desejo e um ato plenamente movido pela Sua graça. A justificação é pela imputação (Rm 4:6). A justificação é dada a nós pela obra de um outro ao ponto que nós somos livres de qualquer dívida (Rm 5:18,19; Fp 3:8,9; 2 Co 5:21). A justificação é dada pela fé. A fé é um efeito da justificação e não uma causa. Por sermos regenerados, temos o dom do Espírito Santo que é a fé (Gl 5:22). Por isso confiamos em Cristo como nosso Salvador. A graça vem primeira e causa a fé a operar em nós para nossa justificação (Ef 2:8). Vendendo então a natureza gloriosa dessa justificação somos incentivados a louvar Deus por uma “tão grande salvação” (Hb 2:3). E sendo justificados por uma justificação tão maravilhosa somos incentivados a procurar aplicar-nos “às boas obras” (Tt 3:7,8) para a glória de Deus pelo Salvador.

As bênçãos da justificação são múltiplas. Temos a emancipação da culpa e do poder do pecado (1 Jo 1:7; Hb 10:12-14; Rm 8:1; Gl 3:13). Pela justificação temos a bênção de ter paz com Deus (Isaías 53:5; Romanos 8:1). Por não termos mais a culpa do pecado não é impedido mais a nosso comunhão com Deus e temos plena aceitação da nossa pessoa com Deus e a possibilidade de uma adoração verdadeira (Ef 1:6; Hb 10:19-22; Jo 4:24). Por sermos absolvidos de culpa somos abençoados na terra e pela eternidade (Rm 8:28; 1 Co 2:9; Ap 1:5,6) pois a justificação e a glorificação andam juntos (Rm 5:8, 10; 8:30).

Um resumo (BANCROFT, Elemental Theology, p. 206):

  1. Somos justificados judicialmente por Deus, Romanos 8:33.
  2. Somos justificados causualmente pela graça, Romanos 3:24.
  3. Somos justificados meritória e manifestamente por Cristo (meritóriamente pela sua morte, Romanos 5:10, manifestamente pela sua ressurreição, Romanos 4:25).
  4. Somos justificados instrumentalmente pela fé, Romanos 5:1.
  5. Somos justificados evidentemente aos outros pelas obras, Tiago 2:14-24.

A Adoção

Romanos 8:12-17

“Esta benção da graça é ainda mais grandiosa do que a justificação. Embora um juiz possa absolver totalmente a alguém que esteja sendo acusado de crime, não pode, contudo, conferir ao que foi absolvido nenhum dos privilégios que o filho tem. Mas o crente em Jesus Cristo tem o privilégio de poder considerar Deus não apenas como um juiz e justificador, mas como um Pai amoroso com quem se reconcilia. O problema de como colocar o pecador justificado na família de Deus foi resolvido (Jr 3:19). Uma vez distante, ele agora é trazido para perto de Deus mediante o sangue de Cristo, e tornado o membro da família de Deus (Ef 2:13, 19)” – Dagg, p. 220.

O significados da adoção. Existem duas maneiras de entender a palavra “adoção”. Uma é do ponto de vista do mundo natural, ou seja, alguém que de uma família é desejado e colocado legalmente numa outra. Um exemplo disso é Moisés quando a filha de Faraó o adotou (Êx 2:10; Hb 11:24). Por nós sermos uma vez nos laços do diabo (2 Tm 2:26) e por natureza filhos da ira (Ef 2:3) em qual situação éramos estrangeiros e sem Deus do mundo (Ef 2:12), pode ser dito que somos, pela obra de Cristo na cruz, e a operação do Espírito Santo em nossos corações com o fruto da fé, tirados de uma família e feitos filhos de Deus legalmente com todas as bênçãos de Cristo (Rm 8:16,17).

Uma outra maneira de entender a adoção é pelo ponto de vista da lei Romana, ou seja, o filho da família Romana séria, numa certa idade, legal e formalmente adotado. Essa cerimônia faz que o filho seja colocado na posição de um filho legítimo e, assim, dado todos os privilégios de um filho. A participação do filho não trouxe ele na família (pois ele já estava na família), mas reconheceu ele como filho diante da lei Romana. Um exemplo disso entendemos pelo escrito de Paulo em Gálatas 4:1-7. Por nós sermos tornados pela regeneração “filhos de Deus” agora, pela adoção, tornarmos legal e formalmente um filho com todas as bênçãos do Pai (Bancroft, p. 240).

A adoção é diferente da justificação. Muitos acham que a adoção é a mesma coisa da justificação. Existem várias razões que enfatizamos que a adoção é distinta da justificação mesmo que sejam inter-relacionados.

Existem duas palavras distintas na Palavra de Deus. Justificação e a adoção. Se essas duas palavras foram iguais no significado seriam conhecidos pela mesma palavra.

As duas doutrinas, justificação de adoção, falam de mudança de relacionamentos com Deus, mas os relacionamentos não são iguais. Na justificação, Deus, como rei e juiz, torna de olhar ao pecador como um cidadão e de um justo. É um relacionamento legal baseada na justiça de Cristo. Na adoção, Deus, como pai, torna de olhar ao salvo como filho. É um relacionamento familiar baseada no amor (1 Jo 3:1).

A justificação é do Pai somente na qualidade de rei e juiz. A adoção é tanto do Pai quanto do Filho (Jo 1:12).

Pela justificação tornarmos de ter paz com Deus (Rm 5:1; 8:1,2). Pela adoção tornamos a ter um relacionamento de amor com Deus (Rm 8:15).

Pela justificação a pena e o poder do pecado são eliminados. Pela adoção a presença do pecado na vida do cristão é tratada com a correção paternal (Hb 12:5-11).

A origem da adoção não vem do homem, mas de Deus. O homem convertido e justificado não tem direito diante de Deus para ser adotado. O homem não pode pensar que ele tem um direito natural diante de Deus por ser uma criatura superior de toda a criação natural. Se o homem tivesse direito por ser originalmente criado na imagem de Deus, todo e qualquer homem teria direito à adoção. O homem regenerado e feito vivo espiritualmente também não tem direito diante de Deus de ser adotado. O homem regenerado e convertido não é mais condenado, mas, mesmo assim, não tem direito ao amor de Deus. O amor de Deus pelo cristão não é por merecimento nenhum. Por isso a adoção não é um direito do homem espiritual.

A origem da adoção é um dom de amor de Deus àqueles que têm a união com Cristo, o Unigênito filho. A verdade é que a adoção vem, não de qualquer direito de homem algum, mas pelo “beneplácito de Sua vontade”, a vontade de Deus (Ef 1:5). A adoção é merecida somente pela obra de Cristo e dada em amor a todos que venham a Cristo pela fé (Jo 1:12). A adoção é herdada no começo da carreira cristã quando ainda não há mérito nenhum pelas obras da obediência do cristão (1 Co 1:26-29).

A natureza da adoção é revelada em que ela é uma escolha de Deus a aceitar os que eram estrangeiros e peregrinos “como concidadãos dos santos, e da família de Deus” (Ef 2:19). A adoção faz que o cristão participa da natureza santa de Cristo, pela união com Seu Próprio Filho (Jo 17:21-23; 2 Pe 1:4, “participantes da natureza divina”).

O tempo da adoção é de eternidade a eternidade: A adoção é eterna na sua conceição (Ef 1: 4,5, “antes da fundação do mundo … E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo”). A adoção começa literalmente no ato da salvação (Jo 1:12; Gl 3:26, “todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus”). A adoção é futuramente eterna, pois ela passa pela morte e a transformação do corpo, pela eternidade (Romanos 8:23, “e esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”; 2 Co 5:10; 1 Jo 3:1-3, “agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser”). É entendida que a adoção é eterna, pois ela não depende na obra de nenhuma criatura, mas completamente na obra santa do Criador (1 Co 1:30; Rm 9:11; 11:5,6).

As bênçãos de adoção são inúmeras e gloriosas. Por sermos adotados na família de Deus temos: o nome da família ( 1 Jo 3:1, “chamados filhos de Deus”; Ef 3:14,15); a identidade da família (Rm 8:29, “a imagem de seu Filho”); o amor da família (Jo 13:35, “nisto todos conheceram que sois meus discípulos, se amardes uns aos outros”; 1 Jo 3:14); o espírito da família (Rm 8:15, “recebestes o Espírito de adoção de filhos”; Gl 4:6), e, a responsabilidade da família (Jo 14:23, 24, “Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra”; Jo 15:8). Outras bênçãos ainda poderiam ser listadas, como:

  1. A confraternidade íntima com Cristo e Deus (Gl 4:7, “já não és mais servo, mas filho”; Jo 15:15). Essa relação íntima é percebida pelos termos com qual o filho adotivo chama Deus de Pai: “Aba Pai”. Cristo chamou Seu Pai pelo mesmo título (Mc 14:36) e o filho adotivo situa-se na mesma posição do Unigênito Filho de Deus para com o Pai, e assim também O chama pelo mesmo título amoroso (Rm 8:15; Gl 4:6).
  1. A presença verdadeira e segura do Espírito Santo (Rm 8:15-16 não quer dizer que somente recebemos uma adoção espiritual mas ensina que recebemos o próprio “Espírito de adoção” que indica uma nova natureza espiritual e possessão do próprio Espírito Santo (Matthew Henry, V. III, p. 963.
  1. A orientação do Espírito Santo (Rm 8:4, 14; Gl 5:16). O mesmo Espírito que nos convenceu do pecado, e da justiça e do juízo (Jo 16:8) é o mesmo que continua conosco assegurando-nos na fé pois temos muita oposição interna e externa dessa confiança de sermos filhos de Deus.
  1. Uma consciência real da posição nossa com Deus (Rm 8:15, “Aba Pai”; Gl 4:6). A expressão “Aba Pai”, é uma expressão reservada, entre os judeus, para ser usada somente por pessoas livres. Nenhum escravo poderia chamar o seu senhor, “Aba”, ou a sua senhora, “Imma”. O uso dessa expressão por Paulo relata o privilégio livre e familiar que temos para com Deus pela adoção (Haldane, p. 358). A consciência dessa posição real desfruta um acesso aberto para com o Pai (Ef 3:12, “temos ousadia e acesso com confiança”; Hb 10:19-23).
  1. Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8:17; 1 Pe 1:3-5, “herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós”; Ap 21:7, “herdará todas as coisas”; 1 Co 3:21-23, “tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus”).
  1. As bênçãos indizíveis da glória futura (1 Jo 3:2, “ainda não é manifestado o que vemos de ser … Seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”).
  1. A correção paternal (Hebreus 12:5-11) e cuidado constante e amoroso (Mt 6:32, “vosso Pai celestial bem sabe que necessitais todas estas coisas”; Lc 12:27-33; Jo 17:22,23, “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que seja um, como nós somos um … E que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim”; 16:27).

Seria bom diferenciar a adoção dos homens e a adoção de Deus. O homem escolha um filho adotivo e pensa das suas qualidades reais ou supostas que podem ser agradáveis e meritórias, porém Deus, na adoção do seu povo, produz as qualidades por Si mesmo naqueles que Ele escolha. O homem pode dar bens e o seu próprio nome a quem ele adota, mas ele não pode mudar a descendência de quem ele adota, nem transformá-lo na sua própria imagem; porém, Deus faz que os que Ele adota não só participam do Seu nome e das Suas benção celestiais, mas da Sua própria natureza, mudando e transformando-os na Sua própria imagem (Haldane, p. 357).

Concluindo o estudo entendemos como a adoção é graciosa e gloriosa. Tanto mais que estudamos o assunto da salvação percebemos melhor do grande amor que tem nos concedido o Pai que fôssemos chamados filhos de Deus (1 Jo 3:1). Os que têm tais bênçãos, tanto pelo conhecimento delas quanto pela operação da nova natureza, estarão incentivados a serem puros como Aquele que os chamou a tais bênçãos é puro (1 Jo 3:3, qualquer e que nele têm nesta esperança purifica si a si mesmo, como também ele é puro”). As bênçãos dadas pela adoção são muito além de um dever seco de uma religião com cerimônias, tradições, filosofias ou emoções esforçadas. Essas qualidades não têm nenhuma posição abençoada para com Deus pois dependem das ações e intenções do homem e nem um pouco na obra graciosa de Cristo. Se você se acha somente religiosa o aviso é: deixe as suas obras de justiça que procuram ganhar a graça e a misericórdia de Deus. Lança-se aos pés de Deus clamando pela salvação dEle que vem somente por Cristo em amor e confiar naquela salvação que é completa nEle.

A Santificação

Hebreus 12:14

A palavra “santificar”, como usada na Bíblia, significa principalmente de separar algo para um uso especial. Um exemplo disso é a santificação do sábado, uma separação do sétimo dia dos demais dias da semana para um propósito especial (Êx 20:8-11; Dt 5:12-15).

Mas a santificação não é apenas uma separação. Significa também uma separação para a santidade (Nm 6:5-8; Hb 7:26; 2 Tm 2:19-21). A palavra “santificação” também tem a ideia de purificação ou de uma lavagem (Hb 9:13-14; Ef 5:26).

O léxico de Thayer’s consta o significado da palavra “significar”: dar o reconhecer por venerável, honrar, separar de coisas profanas e dedicar-se a Deus; consagrar; purificar (Simmons, p. 361).

Como o pecado nos culpou e nos sujou na nossa natureza, Deus, por Cristo, na salvação nos justifica, tirando a culpa; nos adota, oficializando nossa posição de filho; e nos santifica, nos dando uma natureza santa (Rm 5:17; 6:19). A justificação tira a nossa culpa legal diante de Deus. A adoção nos dá uma relação familiar. A santificação nos faz andar moralmente limpos diante de Deus e dos homens. Na justificação recebemos o título da inocência. Na adoção é dado o título da nossa herança. Na santificação somos feitos capazes a desfrutar e usufruir daquela herança (Fp 4:13; 1 Co 1:30; 6:11; 1 Jo 1:9).

Definindo melhor, a santificação é aquela operação que muda o nosso caráter e a nossa conduta. Ela opera em nós um amor à Deus, uma capacidade para adorá-lo corretamente e nos qualifica para gozar o céu. A santificação faz que sejamos feitos na imagem de Cristo, o propósito da salvação (Rm 8:29).

O tempo da santificação

A santificação é tanto imediata quanto um processo. A santificação é imediata quando focalizamos na posição do cristão, pela salvação, diante de Deus. A santificação é um processo quando consideramos a posição do cristão, pela salvação, diante dos homens. Queremos tratar do tempo da santificação primeiramente diante de Deus.

Diante de Deus

Na hora da salvação, o regenerado, que mostra a sua nova vida pela conversão, é justificado diante do juiz e adotado na família de Deus. Imediatamente e eternamente é lavado de todo seu pecado. Essa santificação e imediata é entendida em duas maneiras.

Primeiramente o cristão, pela santificação, é legalmente puro. Cristo é a nossa santificação legal (1 Co 1:30, “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção:”). Cristo se entregou a si mesmo para purificar os seus (Ef 5:25,26, “… Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,”). Por causa de Cristo entregar o seu próprio corpo para os pecadores arrependidos, os crentes são santificados eternamente diante de Deus (Hb 10:10, “na qual vontade temos sido santificados pelo oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.”; 13:12, “E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta.”). O cristão, pela morte de Cristo, não tem mais nenhum pecado entre ele e Deus. Nos lavados pelo sangue de Cristo, Deus não enxerga mais condenação (Jr 31:34, “e nunca mais me lembrarei dos seus pecados”; Rm 5:1, “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso senhor Jesus Cristo;”). Nos lavados pelo sangue de Cristo, não há mais sujeira (1 Co 6:11, “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.”; Ap 1:5; 7:14). Os que são salvos por Cristo não têm mais maldição (Gl 3:13, “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo se maldição por nós; porque está escrito: maldito todo aquele que foi pendurado no madeiro;”). Não existido mais condenação, sujeira ou maldição no salvo para com Deus, entendemos que o cristão é legalmente puro. Pela santificação legal somos postos numa posição santa diante de Deus.

Em segundo lugar o cristão, pela santificação, é moralmente puro. Pela regeneração, o espírito do homem foi feito vivo para com Deus. Este espírito novo no homem é a nova natureza criada nele pelo Espírito Santo trazer o salvo estar em Cristo (2 Co 5:17, “nova criatura é”). Essa nova natureza não pode pecar (1 Jo 5:18). Essa nova natureza tem prazer na lei de Deus, a declaração moral de Deus (Sl 1:2; 40:8; 119:72; Rm 7:22). Tendo essa nova natureza o santificado é feito como Cristo (Jo 4:34, “Jesus disse-lhes: a minha comida e é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar sua obra”), e, por Cristo, estes cumpram toda a lei moralmente (Rm 2:29). Essa nova natureza é alimentada pela Palavra de Deus (1 Pe 2:2), e pelo Espírito (Ef 3:16), e pela qual o santificado “vê” Deus (Mt 5:8). Pela santificação o Cristão é feito santo imediatamente, em sua natureza, diante de Deus.

Diante dos Homens

Diante de Deus, o salvo não têm mais maldição, porém, diante dos homens, o cristão cresce na santificação (Pv 4:18, “mas a vereda do justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”). Para entender melhor a santificação diante dos homens convém entender o que ela não é em comparação ao que é.

Devemos entender que esta santificação diante dos homens, não é o melhoramento da carne. Mesmo que haja no processo da santificação diante dos homens uma manifestação cada vez menor da carne, a própria carne não melhora. A carne sempre tem o pecado habitando nela (Rm 7:14-24). A carne sempre cobiça contra o Espírito (Gl 5:17). O pecado da carne manifesta-se, mas, pela santificação, aprendemos a morrer à carne, porém a carne nunca fica livre do pecado. A impiedade essencial da carne é sempre latente (Simmons, p. 365).

A santificação diante dos homens também não é uma a eliminação gradual do pecado na alma. Moralmente, o cristão já é puro diante de Deus alegrando-se, pelo homem interior, na lei de Deus (Rm 7:22). A alma não tem mais pecado pois ela foi salva pelo sacrifício suficiente de Cristo. É a carne que continua com o pecado.

O processo da santificação diante dos homens também não é a interrupção total dos ataques de Satanás. Enquanto Satanás viver, ele lutará contra tudo o que está em prol da glória de Deus. Temos que ainda lutar “contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6:12; 1 Pe 5:8, “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;”). Pela santificação não tornamos um alvo menos importante ao Satanás. Pode ser que o contrário é verdadeiro.

O processo da santificação diante dos homens é a alma do cristão fortalecendo-se mais na santidade. Hebreus 10:14, “pelo conhecimento renova … segunda a imagem daquele que a criou” (Cl 3:10). A alma fortalecendo-se mais e mais na santificação, o propósito da salvação de conformar-nos a imagem de Cristo (Rm 8:29), é atingido. Pela santificação somos mais e mais vistos como “irmãos” de Cristo (Hb 2:11).

Santificação diante dos homens é prática. O processo da santificação acontece no interior do cristão pelo Espírito Santo, mas se revela externamente diante do mundo pela vida cristã do cristão. A santificação exterioriza-se na pregação de Cristo pelo viver da vida cristã publicamente (Hb 12:14, “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o senhor;”; Mt 5:14-16, “Vós sois o sal da terra; … Vós sois a luz do mundo; … Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”). A santificação diante dos homens não é uma opção, mas uma consequência normal daquela nova natureza nascida no cristão.

A santificação diante dos homem é experimental. O próprio cristão reconhece a obra da santificação na sua vida. O próprio cristão nota as mudanças nos seus desejos para com Deus, à Palavra de Deus, à oração, à santidade e à obediência (2 Co 3:18, “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória de Deus, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”; Rm 1:17, “porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: o justo ou viverá da fé”). O Cristão não pensa que já alcançou toda a perfeição mas reconheça que felizmente não é o que era e ainda deseja mudar mais (Fp 3:12-14).

A santificação diante dos homens é incompleta. O cristão sempre crescerá até o dia perfeito onde não há mais pecado presente, ou seja, no céu (Pv 4:18; Fp 3:12). Nesta vida terrestre, com o pecado na carne e mesmo com uma crescente manifestação na vida da nova natureza com as suas vitórias sobre a carne, nunca chegaremos à perfeição completa. Essa perfeição completa-se somente na glorificação.

Os Meios da Santificação

Diante de Deus

A santificação diante de Deus vem por Deus mesmo. “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1:17). Foi Deus que começou a boa obra em nós (Fp 1:6; Ef 1:3).

A santificação diante de Deus vem pela obra do Espírito Santo. (1 Co 6:11; 2 Ts 2:13; 1 Pe 1:2).

A santificação diante de Deus tem a morte de Cristo como base pela qual o Espírito Santo opera (1 Co 6:11; Gl 3:13; Ap 1:5; 7:14).

A santificação diante de Deus tem a fé como o meio pelo qual a alma se purifica (At 15:9; 26:18; 1 Pe 1:22).

A santificação diante de Deus tem na Palavra de Deus um meio pelo qual a fé opera (Rm 10:17).

Diante dos Homens

A santificação do cristão diante dos homens vem de Deus (Jo17:17; 1 Ts 5:23).

A santificação diante dos homens vem pela obra do Espírito Santo (Rm 15:16). Ele nos guia (Rm 8:14), nos transforma (Rm 12:2; 2 Co 2:18), nos fortifica (Ef 3:16), e faz-nos ter o fruto que agrada Deus (Gl 5:22).

A santificação diante dos homens tem a vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e sobre Satanás como a base pela qual o Espírito Santo opera (1 Co 6:11; 15:55-57; Gl 3:13; Ap 1:5; 7:14).

A santificação diante dos homens tem a Palavra de Deus como instrumento que Espírito Santo usa (Jo 17:17). A Palavra de Deus promove a obediência, previne e purifica-nos do pecado, nos reprova do pecado e causa-nos a crescer na graça (1 Tm 3:16,17; Sl 119:9, 11, 34, 43, 44, 50, 93, 104; Hb 5:12-14; 1 Pe 2:2).

A santificação diante dos homens tem a fé como meio pelo qual a palavra de Deus é eficiente (Gl 5:22; Rm 10:17).

A santificação diante dos homem tem a nossa própria obediência como meio para nos santificar (Rm 6:19). Como o exercício físico desenvolve o apetite para o alimento, pelo qual recebemos os elementos para produzir crescimento, o exercício espiritual desenvolve apetite para a Palavra de Deus, pela qual recebemos os elementos para o crescimento na graça (Sl 1:2,3). A nossa obediência envolve a oração, a frequência à igreja onde Deus tem o Seu ministério pelo seus ministrantes (Ef 4:11,12), a observação das ordenanças do batismo e da ceia, o castigo e também as providências de Deus (a tribulação, a nossa personalidade, os nossos relacionamentos, as circunstâncias da vida, etc.). Essas coisas promovem a nossa santificação diante dos homens, não porque eles em si têm uma virtude, mas, como os outros meios, trazem-nos ao encontro com a verdade divina. Estando na presença do Divino somos fortalecidos a termos uma apreciação elevada de Deus e uma obediência mais completa. Essas atividades mostram as glórias de Deus em Cristo pela nossa vida. Deve ser lembrado: Os atos da obediência não têm graça neles separadamente, mas são meios pelo qual conhecemos Deus melhor, e conhecendo Ele melhor, somos santificados diante dos homens.

Os Frutos Da Santificação

A santificação do cristão não é algo estático ou neutro. A santificação produz evidências no interior do próprio cristão e também exteriormente diante o mundo.

A santificação na vida do cristão produz interiormente uma consciência real da impureza latente na carne. Muitos são os santos na bíblia que lamentaram da sua impiedade mostrando-nos a realidade que mais santo que sejamos mais impuros sentimos (Jó 38:1,2; 40:3,4; 42:5,6; Is 6:3-5; Ef 3:8; Fp 3:12-15).

A santificação na vida do cristão produz interiormente um desgosto crescente ao pecado. Com o processo da santificação, o cristão torna mais e mais como Cristo. Aquilo que o senhor odeia, o cristão santificado também odeia. Por isso o cristão odeia olhos altivos, a língua mentirosa, as mãos que derramam sangue inocente, o coração que máquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e aquele que semeia contendas entre irmãos (Pv 6:16-19; Zc 8:17). Pelo processo da santificação o cristão cresce mais no temor de Deus. O temor de Deus odeia o mal, a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa (Pv 8:13). Tanto mais que somos como Cristo, mais odiemos o mal (Sl 97:10). O crescimento no entendimento dos mandamentos do Senhor Deus faz que o cristão desgoste qualquer evidência de falso caminho (Sl 119:104). Com a santificação, o cristão vê o pecado verdadeiramente pelo que é: inimizade contra Deus (Rm 8:6; 1 Jo 3:4).

A santificação na vida do cristão produz interiormente um crescimento na graça e num aprecio maior das coisas celestiais (Pv 4:18; Sl 119:101-113). Aquilo que Deus ama, o cristão santificado ama também. Por isso ele imerge-se mais e mais na oração, na Palavra de Deus, nos cultos públicos de adoração, na conformidade a Cristo no lar, nos pensamentos, nos estudos, no emprego, e na vida particular. Verdadeiramente o padrão moral de Deus é o que o cristão santificado ama mais continuamente (Sl 119:113, “amo a tua lei”).

A santificação na vida do cristão produz boas obras exteriormente diante do mundo (Ef 2:10). Com uma nova natureza, o cristão torna-se a ser o sal da terra e a luz do mundo pelas suas boas obras (Mt 5:13-16). Essas obras são boas, não por causa da sinceridade do cristão mas porque elas venham do coração regenerado (Mt 12:33; 7:17,18; Jo 15:5); de amor para realizar a vontade de Deus (Dt 6:2; 1 Sm 15:22; Jo 14:15; 1 Jo 5:3); de desejo de glorificar somente a Deus (Jo 15:8; Rm 12:1; 1 Co 10:31; Cl 3:17,23); de um coração cheio de gratidão (1 Co 6:20; Hb 13:15) e, de uma fé verdadeira (Tg 2:14,17,20-22). Como o cristão, quando ainda estava na carne, usou os seus membros para toda a imundícia, agora, com a nova natureza, usa os seus membros para servir à justiça para santificação (Rm 6:19; 12:1,2).

Reconhecendo que os frutos da santificação são muito além do que o homem pode produzir pelos esforços da carne, convém que a nossa espiritualidade seja examinada e provada pelo Senhor (Sl 26:2; 139:23,24; 2 Co 13:5). Ai de nós se somos satisfeitos com aquilo que só agrada aos homens.

Existem estes frutos na sua vida Cristã?

O Perfeccionismo

Há muitos que creem que o cristão pode ser santificado diante dos homens nesta vida terrestre ao ponto de não ter mais pecado nenhum nas suas vidas. Os católicos, os pentecostais, os Wesleyanos, os Quakers, entre outros, creem dessa forma (Berkhof).

Os que preguem o perfeccionismo creem que Deus quer que o cristão seja perfeito pois Ele mandou os Seus à perfeição (1 Pe 1:16; Mt 5:48; Tg 1:4) e, Ele nos dá o perfeito exemplo de Cristo para nós seguimos (1 Pe 2:21). Todavia, por Deus pedir à perfeição do cristão não quer dizer que o homem tem a capacidade disso. A Lei de Moisés foi dada por Deus e pediu obediência perfeita mesmo quando a carne era fraca pelo pecado para obedecer completamente a Lei de Moisés (Romanos 7:12-24; At 15:10). A Lei de Moisés foi dada ao homem ainda no seu pecado quando o homem não poderia entender coisas espirituais (1 Co 2:15) nem estava com a capacidade a agradar Deus (Romanos 8:8). Por Deus pedir à perfeição do homem revela o desejo de Deus para o homem, não a capacidade do homem para com Deus. O que é destacado pelos mandamentos bíblicos para o homem ser perfeito é a sua responsabilidade viver uma vida reta, não a sua capacidade de viver tal vida.

Os que preguem o perfeccionismo creem que o perfeccionismo é possível pois a santidade e a perfeição são atributos dos cristãos nas Escrituras (Ct 4:7; 1 Co 2:6; 2 Co 5:17; Ef 5:27; Hb 5:14; Fp 4:13; Cl 2:10). Todavia, a santidade e a perfeição não sempre querem significar que o cristão seja sem nenhum pecado. Como temos visto já na definição da palavra santificação, a santificação pode significar meramente separação para o serviço de Deus. Essa separação pode ser dias (Gên. 2:3), moveis (Êx 40:11), roupas (Lv 8:3), pessoas (Êx 13:2; 19:10), sacrifícios (Êx 29:27) ou lugares (Êx 19:23; 29:43) para o serviço de Deus. Pelas pessoas serem separadas para o uso exclusivo do serviço a Deus não quer dizer que a vida moral delas era perfeita. A verdade é: diante de Deus, por causa do sangue de Cristo pela operação do Espírito Santo, o cristão é santo e perfeito, sem mancha ou ruga. Todavia, diante dos homens, o cristão tem lutas com a carne (Gl 5:17). O apóstolo Paulo usa a palavra “santos” para referenciar-se aos cristãos (Fp 1:1). Todavia, ele exorta os de fazer todos as coisas sem murmurações ou contendas visando o desejo de Deus que os Seus vivam testemunhos irrepreensíveis no mundo (Fp 2:14,15). Se os cristãos já eram santíssimos, não seriam exortados a serem fiéis (Fp 3:16-21; Cl 2:1-8). A palavra “perfeição” pode também significar: crescimento (1 Co 2:6; Hb 5:14). Em este significado os santos devem zelar para a perfeição, pois seucrescimento na imagem de Cristo é o alvo da salvação (Rm 8:29; 2 Pe 3:18). A palavra “perfeição” pode também significar: ser prontos ou preparados para o serviço (2 Tm 3:17). Em este significado os santos devem zelar para a perfeição amadurecidos na prontidão para viver por Ele.

Os que preguem o perfeccionismo creem que a bíblia mostram exemplos de santos que eram perfeitos (Gên. 6:9; I Reis 15:14; Jó 1:1). Todavia, as próprias vidas destes “santos” revelam imperfeições e fraquezas na fé (Noé, Gn 9:20,21, “embebedou-se”; Rei Asa, 1 Rs 15:14, “Os altos, porém, não foram tirados”; Jó, Jó 3:13, “amaldiçoou o seu dia”). Aquele que Deus disse que era perfeito (Davi, 1 Rs 11:4) e os “santos” mais notáveis na bíblia caíram (Abraão, Gn 12:13; Pe, Mt 26:69-75, Gl 2:14), e alguns gravíssimos (Davi, 2 Sm 11:3,4; Salomão, 1 Rs 11:2,3). Quando Deus olhou desde os céus para o mundo para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus, Ele viu que não houve quem fizesse o bem, nem sequer um (Sl 14:2,3; Rm 3:10). É uma verdade que não há ninguém que não peca (1 Jo 1:8; Ec 7:20; 1 Rs 8:46). Quando o Cristão morre, ele semeia o seu corpo “em corrupção”, ignomínia e fraqueza como qualquer outro homem (1 Co 15:42-44). Todos os cristãos reconhecem o fato: “tropeçamos em muitas coisas” (Tg 3:2: Pv. 4:18) e são instruídos a confessarem os seu pecados (1 Jo 1:8). Por causa dos santos terem imperfeições, tropeços e pecados, são disciplinados com a correção de Deus, da qual não teriam se foram já perfeito sem nenhum pecado (Hb 12:5-11 Deve ser notado que a correção não produz uma vida sem pecado, mas produz “um fruto pacífico de justiça”, ou seja, uma vida que vive menos na carne e mais separada ao Senhor.

Os que preguem o perfeccionismo creem que os “nascidos de Deus” não pecam (1 Jo 3:6-9; 5:18). Todavia, nessas passagens, as duas naturezas estão sendo comparadas. Está sendo ensinado que a natureza nova não peca (1 Jo 5:18) e que a natureza velha ainda peca e vem do diabo (1 Jo 3:8). Nessas passagens de 1 João, está sendo ensinado que as duas naturezas continuem no Cristão. O diabo sempre continua no pecado (Jo 8:44; 1 Jo 3:8), e o pecado ainda continua na carne do cristão (Romanos 7:18-24; Fp 3:10-14). Deus sempre continua santo (Tg 1:17; 1 Jo 5:18) e, pelo Espírito Santo, habita no Cristão (1 Co 6:19; Cl 1:27). No homem Cristão, o pecado habita nele e faz ele pecar (Rm 7:17,21,23). Pelos exemplos bíblicos das vidas dos cristãos (Jó 42:5,6; Sl 51:1-4) e pelos ensinamentos de doutrina (Rm 7:18-24; Gl 5:17), somos assegurados que existe uma luta constante entre estas duas naturezas e sabemos que o cristão perde algumas das lutas (Berkhof, p. 539). Por isso o cristão é ensinado a confessar os seus pecados (Mt 6:12: 1 Jo 1:9) como esses santos confessaram (Jó 9:3,20; Sl 32:5; 130:3; 143:2; Dn 9:16; Rm 7:14). A perfeição é uma realidade diante de Deus por Cristo. Diante dos homens, nesta vida na terra, a perfeição absoluta é nosso alvo supremo, e isso, para a glória de Deus.

Os que preguem o perfeccionismo inventaram a idéia que os pecados “involuntários”, os movidos pelas emoções e desejos, não são pecados. Muitos querem ignorar as ações do pecado pelo corpo culpando os outros, o seu passado, as circunstancias no seu presente ou outra coisa qualquer, até as próprias emoções que temos. Como Adão e Eva reconheceram as suas ações erradas e jogaram a culpa das ações em outros (Gn 3:12,13), muitos querem fazer ainda hoje. Todavia, mesmo que Davi foi manipulado pelos seus desejos pecaminosos a quebrar a lei, ele foi responsabilizado e culpado pessoalmente pelas suas ações de adultério e de homicídio (2 Sm 12:7, “Tu és este homem”). Posteriormente, David lamentou seus atos e confessou que tinha pecado contra Deus nessas coisas (Sl 51:1-5). Jesus ensinou que os desejos e pensamentos não conducentes à retidão, são pecado (Mt 5:28). Devemos lembrar: Deus há de trazer a juízo toda a obra, e tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau (Ec 12:14; Ap 20:12,13).

Se você desista de procurar um viver para a glória de Deus por pensar que nunca chegará ao grau de viver resistindo pecado, ou, se você pensa é melhor viver no pecado em vez de prosseguir para o alvo de glorificar o Salvador como Ele é digno de ser, você está manifestando uma atitude não Cristão. O verdadeiro convertido reconheça o fato do pecado sempre presente, mas não desiste de participar na sua santificação por isso. O verdadeiro Cristão é miserável por ter o pecado tão perto dele (Rm 7:24). O verdadeiro Cristão, quando vê que não alcançou a santificação desejada, prossegue para o alvo, “pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13,14). Não se acomode com o pecado! Resiste ele! “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensar nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; por que já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” (Cl 3:1-3).

Pode ser que ainda não sejamos o que queremos ser, mas, graças a Deus não somos o que éramos.

A Glorificação

Romanos 8:28,29

O fim glorioso de todo o processo da salvação é para nós sermos feitos como Cristo para a glória de Deus (Romanos 8:28,29, “Para serem conformes à imagem de Seu Filho”). Este fim inclui a realidade de termos vida eterna na presença de Deus ao redor do trono (1 Ts 4:17, “e assim estaremos sempre com o Senhor”). Este fim inclui também a nossa habitação eternamente nas mansões celestiais que estão sendo agora preparados (Jo 14:1-3). A realização desse maravilhoso fim da salvação chama-se teologicamente: a glorificação.

A glorificação não é a presença somente da alma regenerada com Deus. A glorificação trata também da ressurreição e a transformação do corpo mortal em corpo imortal, o que é corruptível em incorruptibilidade, aquilo que é ignóbil em glória, aquilo que é fraco em vigor, aquilo que é natural em espiritual (1 Co 15:42-44). Pela doutrina da glorificação tratar daquilo que é futuro, entendemos como classificar às passagens da bíblia que tratam da vida eterna como algo ainda a ser recebido no futuro (Mt 25:46; Mc 10:30; Tt 1:2;3:7, “em esperança da vida eterna”). Elas estão tratando dessa fase da salvação chamada glorificação.

Na morte terrestre, o cristão é livrado da presença do pecado. Porém o corpo dele vê a corrupção, que é o fim do pecado (Romanos 6:23; Gên. 3:19). Quando a alma despede-se do corpo na morte, a alma goza da presença de Deus imediatamente sem mais lutar com o pecado (Lc 23:43, “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.”; Ap 14:13, “para que descansem dos seus trabalhos”; 1 Co 5:5, “o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus”; 2 Co 5:6,8, “enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor … desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor.”). Todavia, na ressurreição do corpo, a glorificação é completa, tanto da alma quanto do corpo. A glorificação fala da redenção do corpo do cristão, ou na ocasião da sua ressurreição (1 Co 15:52-56; 1 Ts 4:16) ou na ocasião do seu arrebatamento (1 Ts 4:17).

Podemos comparar tudo que temos estudado até agora sobre a realização da salvação de vários ângulos.

  1. P. Simmons explica (p. 380-382):

A justificação fala da condição da alma do eleito salvo – Lc 7:50; Ef. 2:8; 2 Tm 1:9; Tt 3:5. Este ângulo refere-se da salvação efetuada no tempo passado, naquela hora que fomos salvos.

A santificação refere-se a condição da vida do eleito salvo – Fp 2:12; Rm 6:12-19; Gl 2:19,20; 2 Co 3:18. Deste aspecto fala da salvação sendo efetuada no tempo presente, nessa hora que vivemos agora.

A glorificação refere-se a condição do corpo do eleito salvo – Rm 5:9,10; 6:22; 8:23,24; 13:11; 1 Co 5:5; Ef 1:13,14; 1 Ts 5:8; Hb 9:28; 10:36; 1 Pe 1:5; 1 Jo 3:2,3. Deste aspecto da salvação fala do que será efetuado no tempo futuro, daquela hora que estaremos presentes, corpo e alma, diante de Deus no céu.

  1. W. Pink explica (Doctrine of Salvation, p. 128-130):

Salvação do prazer do pecado é efetuada quando Cristo vem habitar no coração do arrependido – Gl 2:20, “Cristo vive em mim”; 2 Co 5:17, “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é … tudo se fez novo”. Com Cristo habitando no coração do arrependido, o mau não é mais desejado, e, quando o mal aparecer, faz o arrependido sentir miserável (Rm 7:19,24). Esse ângulo da salvação chama-se regeneração e mostra o milagre da graça.

Salvação da pena do pecado é efetuada por Cristo na sua morte de cruz – Jo 19:30, “Está consumado”. Jo 3:16, “não pereça”; Rm 5:1, “Tendo assíduo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso senhor Jesus Cristo;”; Rm 8:1, “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Esse ângulo da salvação chama-se justificação e mostra a grandeza da graça.

Salvação do poder do pecado é efetuada pela operação do Espírito Santo no cristão – Rm 8:9, “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós.” Fp 4:13, “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”; 1 Jo 3:3, “qualquer que nEle tem essa esperança purifica-se a si mesmo.” Esse ângulo da salvação chama-se santificação e mostra o poder da graça.

Salvação da presença do pecado será efetuada quando Cristo volta – Fp 3:20-21, “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” ; 1 Jo 3:2, “Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.” Os que não são salvos não entrarão no céu dando o cristão e a esperança de não estar mais na presença do pecado (Ap 21:8,27; 22:3). Esse ângulo da salvação chama-se glorificação mostrando o alcance eterno da graça.

O alvo da glorificação

O propósito de toda a Palavra de Deus, da obra do Espírito Santo, da igreja e da providência na vida do cristão é fazer ele mais e mais como Cristo para Deus receber a glória (Rm 8:29, “para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”) Portanto a glorificação, sendo parte deste maravilhoso propósito é especificamente fazer-nos perfeitos na imagem de Cristo (Ef 4:13, “à medida da estatura completa de Cristo”).

Deus é sempre glorificado no Seu Filho (Mt 3:17; 17:5; Jo 12:28). O homem perdeu a imagem espiritual de Deus quando o homem pecou no jardim do éden (Gn 2:17; 3:6; 1 Co 2:14; Ef 2:1,2). Pela fé na obra de Cristo, o pecador arrependido vê a sua regeneração e volta a ter a vida espiritual para com Deus. Todavia, até que ele tenha a última vitória sobre a morte, o pecador salvo habita num mundo amaldiçoado. O pecador salvo também é preso num corpo onde habita o pecado (Rm 7:23,24). Este tempo no corpo é uma vivência de lutas (Gl 5:17), de muitas tentações (1 Co 10:13) e de constantes tristezas (Romanos 7:23,24, “Miserável homem que eu sou!”). Mas, um glorioso dia, na transformação do seu corpo mortal para um corpo imortal, os salvos serão feitos como Cristo na sua perfeita glória. Aquela glória que foi testemunhada no monte da transfiguração (Mt 17:1-6; 2 Pe 1:17,18); aquela glória que cegou Paulo no caminho para Damasco (At 9:3-8; 22:6-11); aquela glória que fez João cair aos pés dAquele semelhante ao Filho do homem como um morto (Ap 1:17), é aquela glória que espera o cristão na sua glorificação. No momento da glorificação, todos os cristão serão feitos semelhantes a Cristo na Sua glória (1 Jo 3:2,3). Nessa condição o salvo será como Cristo na Sua glória cumprindo assim o propósito inicial da salvação: Deus ser glorificado em Cristo. Nessa condição, o salvo sendo como Cristo, glorificará Deus eternamente sem barreiras nenhumas.

O proveito de estudar essa doutrina

Mesmo que não haja inúmeros versículos que tratam do assunto da glorificação pela Palavra de Deus em relação a outras doutrinas, há bom proveito em estudar o que a Palavra de Deus diz dessa doutrina.

Sabendo como será o glorioso fim de todos os salvos, a fé do Cristão é alimentada (1 Pe 2:2, “para que por ele vades crescendo”),

Sabendo como será o futuro para o Cristão, a sua esperança é fortificada (Rm 5:2, “e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”; Rm 8:23-25, “em esperança fomos salvos”; Tt 1:2, “Em esperança da vida eterna”; 3:7),

Sabendo como Deus tratará eternamente e o cristão, imenso conforto é dado (1 Ts 4:17, “consolai-vos uns aos outros com estas palavras”; Jo 14:1, “Não se turbe o vosso coração”),

Sabendo das glorias futuras em Cristo o amor do cristão para com Deus por Cristo é amadurecido (1 Jo 3:1, “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus.”; 1 Jo 4:19, “Nós o amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro.”),

Sabendo como será o glorioso fim das nossas lutas, a nossa responsabilidade de santificar-nos nas lutas é lembrada (Rm 13:11, “conhecendo o tempo, que já é hora de despertar-nos do sono; porque a nossa salvação está mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.”; 1 Jo 3:3, “E qualquer que nEle têm nesta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro.”),

Sabendo do alvo glorioso de Deus para o cristão, a sua perseverança é estimulada (Hb 12:1, “corramos com paciência a carreira que nos está proposta”),

“Todo o conselho de Deus” (At 20:27) inclui essa abençoada doutrina da glorificação, dando uma forte razão de aproveitar um tempo estudando as bênçãos dessa doutrina da glorificação.

Tenha o cuidado de examinar-se a si mesmo. Tenha certeza de que a sua esperança de vida no além não esteja baseada na sua sinceridade intensa, numa religião qualquer, numa obra boa de um homem estimado, ou numa confiança inteira em algo que Deus não prometeu.

Deus se glorifica somente na pessoa e obra de Cristo. Arrependa-se dos seus pecados e tenha a sua fé na obra de Cristo somente. Assim a sua fé estará segura eternamente como Cristo é eterno.

Resumo:

São esses os seis processos envolvidos na salvação: a regeneração, a conversão, a justificação, a adoção, a santificação, e a glorificação.

Não existe um tempo perceptível entre o primeiro processo, a regeneração, e os outros três processos: a conversão, a justificação, e a adoção. Estes todos acontecem simultaneamente.

Mesmo que não haja um tempo perceptível entre os primeiros quatro processos envolvidos na salvação, existe um espaço perceptível de tempo entre o princípio do processo da santificação até o seu final na glorificação. Mas, mesmo assim, trata-se de uma pessoa regenerada, convertida, justificada e adotada.

Portanto, não existe uma pessoa que é regenerada que não conhece os graus crescentes de santificação. A ideia que haja um espaço de tempo entre a experiência de conhecer Cristo como Salvador e a experiência de conhecer Cristo como o Senhor, é estranho aos ensinos da Palavra de Deus. Seria difícil achar no Novo Testamento um regenerado que não foi santificado. Os relatórios das pessoas convertidas no Novo Testamento chamaram imediatamente o seu Salvador de “Senhor”, uma prova de santificação (a mulher cananéia, Mt 15:21-28, “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim … Senhor, socorre-me! … Sim, Senhor, mas também …”; os dois cegos de Jericó, Mt 20:29-34, “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós! … Senhor, que os nossos olhos sejam abertos … e eles o seguiram.”; o pai do endemoninhado, Mc 9:24, “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade.”; “o publicano Zaqueu, Lucas 19:8, “Senhor, eis que eu dou aos pobres …”; o malfeitor crucificado com Cristo, Lc 23:42, “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.”; Saulo, At 9:6, “Senhor, que queres que eu faça?”; 22:10). Esses poderiam chamar de Cristo o “Senhor” pelo respeito da Sua pessoa sim, mas as suas vidas posteriores mostraram o fruto de ter conhecendo Jesus como Senhor desde o primeiro instante do processo da conversão.

A ideia que existe uma segunda benção mais tarde na vida do cristão quando uma pessoa crente atinge um alto nível de amadurecimento espiritual, tornando se cheio do Espírito Santo a este ponto, é estranha aos ensinos da Palavra de Deus (Rm 8:9).

Devemos afirmar que existe o crescimento na vida do cristão pelo qual é amadurecida a sua vida em Cristo. Este crescimento chama-se a santificação. O crescimento não deve ser confundido com a regeneração, a conversão, a justificação, ou a adoção. O crescimento é prova do processo da santificação.

Devemos também afirmar que sempre existe o pecado na vida do cristão apesar do seu grau de santificação (Rm 7:18-24). A doutrina da santificação não quer ensinar que o cristão cessa de pecar antes de conhecer a glorificação. A santificação não deve ser confundida com a glorificação.

Os primeiros quatro processos da salvação, a regeneração, a conversão, a justificação, adoção, acontecem simultaneamente. Assim que estes quatro processos acontecem, o quinto processo, a santificação do cristão diante do mundo, começa. Este processo continua até o processo da glorificação se revelar no céu. Não existe a possibilidade de uma pessoa ser regenerada, mas não convertida; uma pessoa convertida mas não justificada; uma pessoa justificada mas não adotada ou uma pessoa adotada que não conhece a santificação. Todos que conhecem a regeneração, conhecerão a santificação. Todos que conhecem a santificação conhecerão a glorificação (Rm 8:28-30; Fp 1:6; 2 Ts 2:13-14; Sl 138:8)

O oposto também é correto. Se não conhecer a santificação na sua vida Cristã, é por não ser adotado ainda; se não conhece a adoção, é por não ser justificado; se não conhece a justificação, é por não ser convertido; se não foi convertido, é por necessitar a regeneração.

Se estiver faltando à regeneração, clame a Deus ter misericórdia em salvar mais um pecador! Procure ver a sua responsabilidade a arrepender-se dos seus pecados e crer no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador. Somente os que entram em Cristo pelo arrependimento e a fé conhecerão a salvação que finda com Cristo no céu (Jo 14:6).

Como vai a sua obediência à Palavra de Deus? Está sendo feito conforme à imagem de Cristo continuamente? O Espírito Santo está guiando você em toda a verdade da Palavra de Deus? Examine-se pois se tenha o processo da santificação acontecendo na sua vida (2 Co 13:5; Hb 12:14). Se você já conhece a regeneração, procure a cumprir a sua responsabilidade e santifica-se a si mesmo pelo poder do Espírito Santo à obediência da sua fé diante dos homens mais e mais para a glória de Deus em Cristo.

 

Soteriologia: A Doutrina da Salvação (1/4)

Soteriologia: A Doutrina da Salvação (2/4)

Soteriologia: A Doutrina da Salvação (4/4)

 

Autor: Calvin Gardner

Fonte: Monergismo

Marcos Frade
Marcos Frade
Mineiro, de Belo Horizonte. Profissional de TI por paixão, estudante de Teologia por chamado. Criador e editor da página Suprema Graça, no Facebook. Atuo como editor e na área de manutenção no Reformados 21. Faço parte da JET - Junta de Educação Teológica do IRSE - Instituto Reformado Santo Evangelho.