Quando o Mundanismo Corrompe a Igreja

Share

Texto base: Apocalipse 2.18-29

 

INTRODUÇÃO

A história da igreja de Tiatira não é um fato singular, restrito apenas a esta igreja no passado. Antes, esta carta é mais atual do que nunca, pois demonstra um perigo assolador que existiu e sempre vai existir na história da igreja: os falsos profetas e suas heresias perniciosas que tentam desviar a igreja, induzindo-a para o mundanismo.

De todas as cartas escritas às outras seis igrejas da Ásia Menor, esta é a mais longa, e revela o maior nível de decadência moral e espiritual. Há somente um único versículo no qual o Senhor Jesus elogia esta igreja pelas suas boas obras (vs.19), ao passo que cinco versículos descrevem sua extrema impiedade e uma sucessão de advertências convocando-a ao arrependimento (vs.20-24).

Esta carta também mostra-nos que a igreja pode cair seriamente e, apesar disso, ainda ser considerada uma igreja. Mostra-nos o triunfo do mundanismo inserido na igreja de Tiatira, os seus valores morais invertidos, os costumes sexuais ilícitos que vieram a ser tolerados e que dominaram até mesmo os líderes da igreja.1

 

ARGUMENTAÇÃO

  1. Introdução à carta de Tiatira (2.18)

1.1. O remetente e o destinatário da carta (vs.18a)

A palavra anjo άγγελος (aggelos), no grego, significa “mensageiro”, “aquele que anuncia ou ensina algo”.2 Este mensageiro descrito aqui refere-se ao presbítero ou pastor da igreja em Tiatira. Conforme a passagem ressalta, o Senhor instruiu João a escrever esta carta ao líder espiritual da igreja em Tiatira.

1.2. O contexto de Tiatira (vs.18a)

A maior das cartas é dirigida a menos importante das sete cidades. Tiatira não era nenhum centro político ou religioso. Sua importância era comercial. Ficava no caminho por onde viajava o correio imperial. Por este caminho se transportava todo o intercâmbio comercial entre a Europa e a Ásia.

Tiatira era sede de várias associações de comércio importantes como lã, couro, linho, bronze, tintureiros, alfaiates e vendedores de púrpura. Uma destas associações comercializava vestimentas de púrpura. Lídia era uma representante dessa associação em Filipos (At 16.14). As associações tinham fins de mútua proteção, benefício social e recreativo.

Todavia, era quase que impossível ser comerciante em Tiatira sem fazer parte destas associações. Não participar era um tipo de suicídio comercial. Era perder as esperanças de prosperidade.

Cada associação tinha a sua divindade. Nas reuniões haviam banquetes com comida sacrificada aos ídolos; mais tarde acabavam em festas repletas de libertinagem.

O que os cristãos deveriam fazer nestas circunstâncias? Transigir ou progredir? Manter a consciência pura ou entrar no esquema para não perder dinheiro? Ser santo ou ser esperto? Qual deveria ser a postura do cristão? Se ele se se desligasse da associação, perderia sua posição, reputação e lucro financeiro. Se participasse das festas, estaria sendo infiel a Cristo.

Nesta situação, Jezabel afirmou saber a solução. Ela disse: para vencer a Satanás é preciso conhecer as coisas profundas de Satanás. Não se pode vencer o pecado sem conhecer profundamente o pecado pela experiência. É dentro dessa cultura que estava a igreja de Tiatira.3

1.3. O Cristo glorioso (vs.18b)

Simon Kistemaker diz que a expressão filho de Deus pode significar que Jesus se dirige aos judeus de Tiatira que rejeitavam a sua divindade (Hb 1.1-3). Ainda que a carta não forneça nenhuma indicação da presença judaica nessa cidade, não podemos descartar essa hipótese.

Esta expressão é também relevante para a sociedade pagã daqueles dias, a qual considerava César e Apolo como filhos de deuses. Jesus, porém, é o único filho de Deus. Que está acima de todos os demais deuses.Ao meu entender, quando Jesus se apresenta como filho de Deus, categoricamente Ele está enfatizando a sua singularidade e onipotência diante de Apolo, o deus do sol, a falsa divindade a qual a cidade de Tiatira era devota.

A segunda expressão – olhos como chama de fogo – sublinha a onisciência de Cristo, o olhar perscrutador que tudo vê e tudo sabe. Diante dEle todas as coisas se desnudam. Não existe nada que possa se esconder deste olhar. Este olhar também faz menção do juízo de Cristo. John Macarthur salienta que como dois lasers, os olhos do Senhor exaltado contemplam com penetrante olhar as profundezas da sua igreja (19.12a).5

Hebreus 4.13 – Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas. (NVI)

A terceira expressão do Cristo glorioso denota que os seus pés são semelhantes ao bronze polido. Embora o significado desta palavra seja incerto, seria melhor entendermos como uma liga de ouro ou um fino latão. Em qualquer um dos casos, o bronze polido transmite a ideia de força e estabilidade.6

  1. Os elogios de Cristo a igreja de Tiatira (2.19)

Como podemos notar, não somente nesta carta, mas nas outras quatro cartas às igrejas em Éfeso, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, Jesus utiliza a mesma expressão – Conheço as tuas obras –, para tecer uma gama de elogios iniciais a igreja.

Mais uma vez, como na igreja de Éfeso (2.2), é destacada a onisciência de Cristo (atributo incomunicável), “no qual Ele declara que tem um conhecimento detalhado de tudo o que estão fazendo, porque nada escapa da sua atenção”.7 Cristo aqui está plenamente familiarizado com as obras de amor que os crentes de Tiatira têm mostrado em prol de Deus e de seu próximo.8

O substantivo obras é bem vasto em seu significado, e tem um duplo sentido. Ele se refere tanto às boas atitudes quanto às más atitudes. No entanto, de acordo com o contexto, a ênfase está no aspecto positivo, isto é, nas boas obras que a igreja de Tiatira praticava.

As obras que Jesus conhece representam as condições espirituais em geral da igreja, e não apenas aquilo que chamamos de serviço ativo. A palavra obra, neste caso, indica o caráter geral, a natureza da pessoa que age, mas também aquilo que ela faz. Esta expressão equivale ao termo vetotestamentário temor do Senhor, que é usado para exprimir as condições espirituais em geral daquele que professava tentar agradar a Deus, reconhecendo seu senhorio.9

As obras da igreja de Tiatira eram compostas por cinco qualidades.

2.1. Era uma igreja amorosa (vs.19b)

A igreja possuía a maior das virtudes: o amor. O que faltava a igreja em Éfeso havia em Tiatira.10 Note que Jesus sintetizou a lei em dois mandamentos principais: “amar ao Senhor teu Deus de todo o coração, alma e entendimento; e amar ao próximo como a si mesmo” (Mt 22.37-40). Paulo faz deste segundo mandamento uma regra fundamental no cristianismo (Rm 13.9). Tiago o chama de lei régia (Tg 2.8).11 Os cristãos de Tiatira demonstravam tanto amor para com Deus como amor uns para com os outros.

2.2. Era uma igreja confiante (vs.19c)

A palavra πίστις (pistis), significa, basicamente, “acreditar”. “Pistis indica convicção, uma crença profunda. E também quer dizer convencido”.12 A igreja de Tiatira possuía esta fé pistis, isto é, eles tinham uma confiança sincera e genuína em Deus.

1.3. Era uma igreja Fiel no serviço a Deus (vs.19d)

Os cristãos de Tiatira eram fiéis no serviço a Deus. Trabalhavam diligentemente ajudando os pobres em suas necessidades; havia dedicação e cuidado com os doentes, com as viúvas e com as pessoas em geral. Esta era uma evidência irrefutável do amor e da fé da igreja manifestada em atitudes externas.

1.4. Era uma igreja perseverante (vs.19e)

O adjetivo perseverante, no grego, υπομονή (hypomone), é traduzido por “paciência”. “Indica resistência constante, sobretudo em tempos difíceis e de perseguição”.13 Esta palavra é mencionada sete vezes no apocalipse, e em todo o contexto se refere à perseverança dos santos (1.9; 2.2, 3, 19; 3.10; 13.10; 14.12).

Esta palavra acentua “uma qualidade interior que se expressa em esperar por Jesus, em cuja ausência o crente firmemente testemunha em favor dele ao ponto de enfrentar a morte através da perseguição”.14 A igreja de Tiatira perseverava no amor, na fé e no serviço cristão, e esta perseverança era à mercê de duras perseguições.

1.5. Era uma igreja que progredia (vs.19f)

A igreja não podia receber maior elogio do que este, expresso nas palavras de Jesus: As tuas últimas obras são mais numerosas do que as primeiras. Isso representa que suas obras de amor, fé, serviço e perseverança eram constantemente crescentes.

Referente ao amor, Tiatira recebeu palavras de enaltecimento, ao passo que a igreja de Éfeso recebeu severas palavras de exortação. Jesus disse aos Cristãos de Éfeso: Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor (2.4).15 Contudo, é importante destacar que estas qualidades não faziam parte do currículo de vida cristã de todos os membros da igreja em Tiatira, mas eram restritas somente a alguns que eram verdadeiramente cristãos (vs.24).

APLICAÇÃO PRÁTICA

Será que nós, cristãos da igreja hodierna, amamos a Deus e ao próximo como a nós mesmos? Temos tido plena confiança em Deus ou murmuramos e duvidamos dEle em meio às adversidades da vida? Somos fiéis no serviço cristão ou o fazemos tibiamente? Somos perseverantes ou inconstantes na fé? Temos progredido, crescendo na vida cristã por obras piedosas ou estamos estagnados na passividade medíocre?

  1. A censura de Cristo a igreja de Tiatira (2.20-23)

Desta vez, Jesus passa dos elogios para uma súbita e inexorável avaliação crítica a igreja de Tiatira. Com olhar penetrante, Ele sonda a sua igreja e a reprova em alguns aspectos. Vejamos, pois:

3.1. Uma severa repreensão (vs.20)

Jesus começa repreendendo a igreja por ela tolerar uma mulher chamada Jezabel. Esta mulher era uma falsa profetiza que estava disseminando heresias perniciosas no seio da igreja, onde muitos ali, seduzidos por estes falsos ensinos, se corromperam. “Essa influência havia se espalhado como um câncer, de modo que a saúde espiritual da congregação se comprometia seriamente”.16 

Essa falsa profetisa estava exercendo uma influência tão nefasta na igreja como Jezabel, a mulher do rei Acabe, tinha exercido em Israel nos tempos antigos. Foi Jezabel quem introduziu em Israel o culto pagão a Baal e misturou religião com prostituição. Ela não somente perseguiu os profetas de Deus e os matou (1Rs 19.1), mas também promoveu o paganismo em Israel (1Rs 16.31-33; 21. 25).17

Não é possível saber ao certo quem poderia ser esta Jezabel. Existem algumas interpretações acerca de quem seria esta mulher e o que ela representa, mas não há unanimidade entre os estudiosos quanto a sua identidade. Pessoalmente, seria melhor entendermos Jezabel como um símbolo que representava um grupo de pessoas ou até mesmo uma seita que estava corrompendo a igreja de Tiatira através de falsas doutrinas.

Provavelmente, estas pessoas exerciam algum tipo de cargo eclesiástico na igreja e tinham acesso ao púlpito como pregadores e mestres. A intenção dos seguidores de Balaão (vs.14), dos Nicolaítas (vs.6, 15) e de Jezabel, não era desviar os crentes da igreja, mas deixá-los corrompidos na mesma.

Hernandes Dias Lopes escreve:

Jezabel estava ensinando a igreja que a maneira de vencer o pecado era conhecer as coisas profundas de Satanás (vs.23). Ela ensinava que os crentes não podiam cometer suicídio comercial; eles deviam participar dos banquetes das associações e comer carne sacrificadas aos ídolos, bem como das festas imorais. Ela ensinava que os crentes deviam defender seus interesses materiais a todo custo. Prejuízo financeiro para ela era mais perigoso que o pecado. Amava mais o dinheiro que a Jesus. Mais as exigências materiais que as exigências de Deus (Mt 6.24; Lc 16.13).

O ensino dela era que não há mérito em vencer um pecado sem antes experimentá-lo. O argumento dela é que, para vencer a Satanás, é preciso conhecê-lo, e que o pecado jamais será vencido a menos que você tenha conhecido tudo por meio da experiência. A proposta de Jezabel era oferecer uma nova versão do Cristianismo, um Cristianismo liberal, sem regras, sem proibições, sem legalismos. Ela queria modificar o Cristianismo para se adaptar à moralidade do mundo. Ela ensina uma prática ecumênica com o paganismo.18

William Barclay ressalta que o propósito de Jezabel não era destruir a igreja, mas introduzir nela novas práticas que, em longo prazo, culminariam em destruí-la.19 Portanto, Jesus reprova a igreja por ser tolerante com o falso ensino e com a falsa moralidade. Enquanto a igreja de Éfeso não podia suportar os homens maus e os falsos ensinos (2.2,6), a igreja de Tiatira tolerava uma falsa profetiza.20

APLICAÇÃO PRÁTICA

Hoje, muitas igrejas evangélicas incorrem no mesmo erro da igreja de Tiatira. Admitem falsos pastores e falsos pregadores em seus púlpitos e na liderança. Na maioria das vezes, a igreja não tem nem discernimento para diferenciar o certo do errado, a verdade da heresia. Permitem o falso pastor ou o falso pregador por status, ganância e estabilidade que isto pode lhe proporcionar financeiramente e ministerialmente.

Há uma inversão de valores presente no evangelicalismo pós-moderno! O errado é reputado como certo e o certo é reputado errado. Pregadores curandeiros, triunfalistas e místicos são mais prestigiados do que aqueles que ensinam o genuíno, puro e simples evangelho de Cristo. Por isso é mais conveniente para o ego dos evangélicos equivocados tolerarem os impostores da fé do que os verdadeiros servos de Deus.

3.2. A paciência misericordiosa de Cristo com a igreja (vs.21)

Os verbos dei e não quer – e os anteriores ensina e seduz – no versículo 20, realça que um período notável de tempo se passou desde que Jezabel havia feito parte da igreja. Podemos observar que os crentes fiéis da igreja em Tiatira já haviam advertido esta mulher dos seus pecados. Certamente ela sabia que Deus é misericordioso e paciente em esperar que o homem talvez se arrependa de seus pecados antes de executar o seu juízo.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Quando o pecador rejeita as oportunidades de arrependimento que Deus lhe concede (Mt 23.37, Jo 5.40, At 7.51), indubitavelmente ele está escolhendo a morte e a distância do Deus misericordioso e amoroso para um Deus sem piedade e santamente irado no dia do julgamento final (Mt 7.22-23; 25.31-34, 41; Ap 20.11-15).

3.1. Uma disciplina amorosa (vs.22)

A expressão eis que a prostro numa cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, não foi bem traduzida pela ARA e ARC. Se fizermos uma leitura desatenta da passagem, sem analisar o contexto do livro de Apocalipse, incorreremos numa grande probabilidade de interpretarmos erroneamente o texto, como fazem muitos incautos e pregadores descuidados.

Com efeito, as versões bíblicas que traduziram mais corretamente esta passagem, de acordo com o original, foram a NVI e a Almeida Século 21. Vejamos como fica a passagem traduzida nestas versões:

NVI: Por isso, vou fazê-la adoecer e trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com ela, a não ser que se arrependam das obras que ela pratica.

Almeida Século 21: Farei que ela adoeça e enviarei uma grande tribulação, aos que cometem adultério com ela, se não se arrependerem de suas práticas.

Antes de executar o juízo sobre a igreja de Tiatira, Jesus primeiro a disciplina. “Ele transformou o adultério em sofrimento. Ele transformou o prazer do pecado em chicote de disciplina. Ele está usando todos os recursos para levar os crentes em pecado ao arrependimento”.21

APLICAÇÃO PRÁTICA

A disciplina é a punição amorosa de Deus para com os seus filhos (Pv 3.11-12; Jó 5.17-18; Hb 21.4-13). A disciplina tenciona o nosso crescimento na santificação e na comunhão com Deus (Hb 12.14), e corrige nossa trajetória de vida quando entramos por caminhos errados.

Provérbios 6.23-24 – Pois o mandamento é lâmpada, a instrução é luz, e as advertências da disciplina são o caminho que conduz à vida, eles o protegerão da mulher imoral, e dos falsos elogios da mulher leviana. (NVI)

3.4. Um juízo inexorável (vs.22-23)

Jezabel estava “colhendo aquilo que semeou”. Por não se arrepender de seus pecados e de suas heresias abomináveis, não lhe foi dada outra chance. Jesus trouxe o sofrimento como Juízo para ela, que adoeceu gravemente e morreu. Como Jezabel é um símbolo, é bem provável que ela fosse o líder deste grupo de pessoas que estava corrompendo a igreja.

O termo filhos também não deve ser entendido literalmente, mas figuradamente. Os filhos de Jezabel são os seus seguidores que, como ela, são castigados com doença e grande tribulação; os que não se arrependeram (se é que existiu algum arrependido dentre este grupo) também morreram (1Co 11.29-30).

  1. O imperativo de Cristo a igreja (2.24-25)

4.1. Um chamado a perseverança e a fidelidade (vs.24-25)

Alguns membros da igreja não apenas tinham tolerado o ensino e as práticas imorais de Jezabel, mas também estavam seguindo os seus ensinos para a sua própria destruição. Porém, havia na igreja um remanescente fiel. Pessoas que permaneceram firmes, mantendo a sã doutrina, agarradas na verdade.22

Sendo assim, Jesus encoraja estes crentes da igreja de Tiatira, os quais “haviam permanecido afastados das doutrinas falsas e das práticas transigentes de Jezabel e de seus seguidores, daquilo que Cristo condena como as coisas profundas de Satanás. O Senhor não faz qualquer exigência específica, apenas pede que se mantenham firmes em sua resistência ao mal”.23O que tendes indica o caráter da fé em Jesus”.24

APLICAÇÃO PRÁTICA

Na igreja de Tiatira havia três classes de pessoas: os que eram fiéis (vs.24), os que estavam tolerando o pecado (vs.20) e os que estavam vivendo no pecado (vs.20-22). A igreja está bem, está em perigo e está mal. E Jesus sabe distinguir uns dos outros. Numa mesma igreja há gente salva e gente perdida. Há joio e trigo.25

Hernandes Dias Lopes sintetiza:

A verdade de Deus é suficiente. Não precisamos de mais nada. Tudo está feito. O banquete da salvação foi preparado. O que precisamos não é de novidades, de buscar fora das Escrituras coisas novas, mas tomar posse da vida eterna, conhecer o que Deus já nos deu, nos apropriarmos das insondáveis riquezas de Cristo. A provisão de Deus para nós é suficiente para uma vida plena até a volta de Jesus.26

 

CONCLUSÃO

A promessa de Cristo a igreja (2.26-29)

O vencedor receberá autoridade para governar as nações (vs.26-27)

Todas as cartas de Jesus às sete igrejas fala do vencedor e das promessas a ele por sua fidelidade até o fim. Aqui é descrito a fidelidade às obras de Jesus. Esta expressão não ocorre em nenhuma das outras cartas. Guardar as obras de Jesus é simplesmente guardar a sua palavra. É observar os seus mandamentos. É obedecer ao Senhor até o fim. Mesmo quando tropeçamos, devemos prosseguir em continuar obedecendo!

Cristo aqui faz duas promessas. Somente aqui e na igreja de Pérgamo ocorre esta dupla promessa. A primeira promessa de Jesus é recompensar o vencedor obediente com autoridade sobre as nações. “A autoridade que Jesus delega a seus seguidores é a mesma palavra usada por Jesus antes de sua ascenção ao céu em Mateus 28.18: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.27

Esta primeira promessa é uma alusão ao Salmo 2.8-9, que diz: Farei das nações tua herança, dos confins da terra tua possessão. Tu os governarás com cetro de ferro; tu os quebrarás em pedaços como faz o oleiro. (Tradução do hebraico) Este salmo messiânico retrata o cetro de ferro de Cristo, que simboliza sua autoridade de governar, de exercer disciplina e de impor juízo. Com Cristo, o crente que vencer terá a autoridade de governar, disciplinar e julgar.28

O vencedor irá desfrutar da glória de Cristo (vs.28)

A segunda promessa de Cristo ao vencedor obediente é descrita como estrela da manhã. Cristo é a estrela da manhã (22.16). Como, então, Ele dará essa estrela para os cristãos fieis? Existe uma conexão entre os versículos 26-27 que fazem referência ao Salmo 2.8-9 com Números 24.17, onde Balaão profetiza que uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. (NVI)

O símbolo do cetro conduziu ao da estrela, pois ambos são símbolos da realeza que o crente partilha. Os santos governam com Cristo e brilham com fulgor como estrelas da manhã.29 Cristo é a nossa herança, a nossa riqueza, a nossa recompensa. Nós O veremos face a face (Ap 22.4a). Viveremos com Ele eternamente. Desfrutaremos dEle e reinaremos com Ele para sempre!

Esta carta termina com uma enfática admoestação de Jesus dirigida não somente a igreja de Tiatira, mas também às igrejas de todas as eras: Quem tem ouvidos [ouvidos espirituais], ouça o que o Espírito diz as igrejas.

 

 

NOTAS:

  1. Russel Norman Champlin. Apocalipse, pág 405.
  2. James Strong. Dicionário do Novo Testamento Grego, pág 2029.
  3. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse.
  4. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 185.
  5. Bíblia de Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1780.
  6. Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento Grego, pág 606.
  7. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 152.
  8. Ibid, pág 185.
  9. Russel Norman Champlin. Apocalipse, pág 387.
  10. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 37.
  11. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 186.
  12. Myles Mounre. Redescobrindo a fé, pág 60.
  13. Russel Norman Champlin. Apocalipse, pág 407.
  14. Simon Kistemaker citando Friedrich Hauck em Apocalipse, pág 152.
  15. Ibid, pág 186.
  16. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 186.
  17. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse.
  18. Ibid.
  19. William Barclay. Apocalipse, pág 123.
  20. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse.
  21. Ibid.
  22. Ibid.
  23. Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo do Novo Testamento 2, pág 733.
  24. Rubens Szcerbacki. Revelando os Mistérios do Apocalipse, pág 64.
  25. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 37.
  26. Ibid.
  27. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 192.
  28. Ibid, pág 193.
  29. Ibid.

 

 

Autor: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

Reformados 21
Reformados 21
Site de Teologia e Apologética, cujo intuito é evangelizar, discipular, ensinar, combater as heresias e defender a fé cristã.