Eu e o Pai Somos Um

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Quando Jesus disse Eu e o Pai somos um (João 10.30), o que Ele quis dizer? O gênero da palavra grega para “um”, nesta passagem, não é masculino, mas neutro, designando o Pai e Jesus não como uma pessoa, mas como uma entidade (“um objeto”). A afirmação clara da divindade de Jesus no Evangelho de João é surpreendente, uma vez que suscita algumas questões importantes a respeito de Sua relação com Deus Pai. Se Deus Pai – Yahweh, o grande “Eu Sou”, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó é Deus, e Jesus é Deus – quantos deuses são, afinal?

Na mente do judeu do primeiro século, isto realçou o espectro do diteísmo (crença em duas divindades), o qual violava a crença honrada da época em um só Deus, apenas. Esta é a rotina dos judeus enunciada diariamente no credo deles, o Shema (a partir da palavra hebraica “ouvir”): Ouve, ó Israel: O SENHOR nosso Deus, é o único SENHOR (Dt 6.4).

Isso torna ainda mais notável que o evangelho de João corajosamente não atribui a divindade somente ao Pai, mas também a Jesus (especialmente em 1.1, 18; 20.28). Mais de uma vez, os adversários de Jesus tentam apedrejá-lo por blasfêmia (8.59; 10.31), onde a acusação central é que Ele, um simples homem, fez de si mesmo o Filho de Deus. Como exemplo, veja João 19.7:

Nós temos uma lei, e de acordo com essa lei ele deve morrer, pois se declarou Filho de Deus. (Almeida Século 21)

Como, então, devemos levar em conta a afirmação da divindade de Jesus por judeus monoteístas, como os apóstolos, que, aparentemente, não enxergavam uma contradição insanável entre a crença em um Deus e a adoração a Jesus? Em suma, a resposta é esta: eles acreditavam que a identidade de Jesus estava interligada a Javé, o Deus de Israel, de tal forma que Ele e o Pai eram um, ao passo que ao mesmo tempo eram duas pessoas distintas. Mais tarde, essa afirmação tornou-se o alicerce sobre o qual os pais da igreja construíram a doutrina da Trindade – a crença de que existe um só Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito.

Assim, é impossível dividir Jesus e o Pai; ambos são divinos, e a missão deles é igualmente única.

 

 

Autor: Andreas Kostenberger

Fonte: Ligonier Ministries

Tradução: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

 

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