O Pluralismo do Pós-Modernismo (3/3)

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f. Perigo do Consumismo Teológico

O pluralismo pós-modernista traz consequências imperceptíveis a muitos paladares. Uma delas é o consumismo em que vivemos em todas as áreas. Tudo tem a ver com a falta de verdade objetiva, absoluta. Todas as áreas são tratadas na esfera do comercialismo. O que se vende tem que ser de acordo com os mais variados paladares dos consumidores. “O pós-modernismo encoraja uma mentalidade de consumismo, fornecendo às pessoas o que elas gostam e querem.”30 Esta mentalidade tem atingido a esfera da teologia e da liturgia. Quando a verdade objetiva e absoluta não existe mais, as teologias e liturgias passam a refletir o gosto do tempo presente. A teologia acompanha as filosofias vigentes. É curioso notar que, após a entrada do período pós-moderno, muitas teologias e liturgias têm surgido no cenário religioso, uma após outra, como os produtos de um supermercado. Elas fazem sucesso por algum tempo e, depois, outra surge para substituir o produto anterior. Há uma sede de novidade quase incontrolável. Não há nada que dura para sempre. Por quê? Porque não há verdade absoluta.

Charles Colson adverte sobre o consumismo na igreja porque ele dilui a mensagem, muda o caráter da igreja, perverte o evangelho e nega a autoridade da igreja.31

g. Perigo da Mudança da Pregação

O perigo do consumismo teológico trouxe este outro. As palavras na teologia vêm perdendo o seu significado, justamente por causa da mudança constante das teologias. Cada uma delas dá uma conotação diferente aos termos teológicos tradicionais, ou usam novos termos para expressar os seus conceitos.

Colson conta-nos de uma igreja evangélica que decidiu crescer em número de membros. Então, o pastor fez uma espécie de pesquisa de mercado. Descobriu que muitas pessoas tinham resistência ao termo Batistas. A igreja resolveu mudar de nome. A pesquisa mostrou que as pessoas estavam procurando uma igreja de acesso fácil. Então, eles mudaram o local de reunião, construindo um novo templo. A pesquisa também mostrou que as pessoas estavam procurando conforto e comodidade. Então, eles construíram o templo com todas as coisas apontando para o conforto. Também a pesquisa mostrou que as pessoas não queriam símbolos religiosos no templo. Então, tirou a cruz e os outros símbolos cristãos que pudessem fazer as pessoas desconfortáveis. Afinal de contas, as pessoas é que escolhem o tipo de igreja que querem.

Por essa razão, o pastor veio a descobrir que tinha que mudar o uso da linguagem teológica. Ele resolveu mudar o vocabulário comum da teologia. Esse pastor disse: “Se eu usar as palavras redenção ou conversão, as pessoas vão pensar que estamos falando a respeito de prisão.” Ele parou de pregar sobre o inferno e sobre a condenação divina, resolvendo falar sobre tópicos mais amenos e positivos, compatíveis com o espírito do tempo presente. “As pessoas não mais gostam de doutrina nos dias de hoje,” raciocinam esses pastores. Nem as pessoas do tempo presente gostam de “faça isto” ou “não faça aquilo.”32  Quando as pessoas desprezam o verdadeiro sentido das palavras, não fazendo caso da doutrina, certamente a sua ética também será alterada. Este é o grande postulado do pós-modernismo: mudar os conceitos mudando as palavras. Ao invés de pregar a redenção que há em Cristo Jesus, levando as pessoas ao arrependimento de seus pecados e à fé em Cristo, os pregadores entregam mensagens cujo objetivo é fazer com que seus ouvintes sintam-se bem, expressando a religião de uma cultura terapêutica. A tônica do nosso tempo é fazer com que as pessoas sintam-se psicologicamente bem, satisfeitas consigo mesmas. O importante é o bem-estar, não a verdade. Esta não é levada em conta, porque tudo é relativo. Não existe verdade absoluta. Este é o valor controlador do pluralismo do pós-modernismo. A maioria dos líderes religiosos que aceitam o pluralismo pensa assim. Líderes cristãos estão embarcando neste perigo do pós-modernismo.

Não é raro encontrar líderes evangélicos no Brasil desviando os crentes da verdadeira mensagem de redenção, convertendo-a numa redenção para o aqui e o agora. Muitos ouvintes de pregações modernas não mais são dirigidos para um interesse genuíno no céu ou na nova terra (como prescreve a Santa Escritura), mas são direcionados para ter o céu aqui neste tempo presente. Por isso a pregação que eles ouvem diz respeito a milagres, a promessas de prosperidade, de libertação da opressão, de sucesso ou de crescimento numérico, uma espécie de teologia da glória neste presente mundo. Esses pregadores se esquecem de que antes da glória, eles têm que pregar a teologia da cruz, da negação de nós mesmos, lutando contra os nossos próprios pecados. É dessa redenção que a Escritura fala, a qual precisamos pregar.

h. Perigo da Mudança de Modelo Teológico

Essa mudança no foco da pregação tem sido o resultado de uma mudança ainda maior chamada de “mega mudança” devido à sua enorme influência no pós-modernismo.33  É a mudança da pregação do protestantismo clássico do pré-modernismo para a pregação do pós-modernismo, dando origem a um entendimento totalmente diferente do que realmente significa o evangelho de Cristo. Michael Horton explica essa mega mudança através de uma série de contrastes nos dois cristianismos: o pré-moderno e o pós-moderno:34

  1. Deus35

Enquanto o cristianismo pré-moderno enfatiza a transcendência de Deus e sua imutabilidade, onipotência e onisciência, o modelo do cristianismo pós-modernista enfatiza a imanência de Deus, que é dinâmica, capaz de mudança, e em parceria com a sua criação.

  1. Pecado36

Enquanto o cristianismo pré-moderno vê o problema do homem como tendo origem na queda de Adão, tendo como resultado a culpa e a consequente corrupção, e o pecado como sendo uma condição, o cristianismo pós-modernista nega a queda universal. Os homens não são culpados por causa da queda de Adão. O pecado não é uma condição, mas um ato, simplesmente.

  1. Cristo

Enquanto o cristianismo pré-moderno ensina que a morte expiatória de Cristo é uma morte substitutiva para mostrar como Deus nos ama, enviando alguém de si próprio para morrer em nosso lugar, o cristianismo pós-modernista ensina que a morte de Cristo não foi um sacrifício substitutivo, mas um exemplo para nós. Morrendo, Jesus mostrou como devemos amar uns aos outros. Quanto mais percebemos o seu sofrimento na cruz, mas podemos sentir o amor de Deus por nós. Isto muda as nossas vidas e nos faz amar uns aos outros, segundo o pensamento pluralista.

  1. Salvação

Enquanto o cristianismo pré-moderno ensina que não há salvação à parte da obra expiatória de Cristo e sua consequente fé nele, o cristianismo pós-modernista postula que muitos serão salvos à parte de Cristo, e que o Espírito Santo poderá trazer salvação mesmo aos que não conhecem a Cristo.

  1. Escatologia

Enquanto o cristianismo pré-moderno crê no ensino bíblico sobre a condenação final dos homens, que serão lançados na segunda morte, estando para sempre debaixo da ira divina, o cristianismo pós-moderno ensina que Deus não pode lançar o homem na condenação, pois é um Deus de amor, e não lançará na condenação aqueles que são ignorantes da fé cristã. O cristianismo pré-moderno ensina que o eterno estado dos homens é no céu ou no inferno. O pós-modernista ensina que todos vão para o céu ou que, no mínimo, os ímpios serão aniquilados.

Essa mega mudança é plenamente aceitável porque combina com os pressupostos do pluralismo vigente em nossos dias. O cristianismo pré-moderno é exclusivista, enquanto o cristianismo pós-moderno é inclusivista. A fim de estar alinhado com o pluralismo, o cristianismo pós-modernista tem que estabelecer essa mega mudança. Do contrário, seria excluído do grande guarda-chuvas do pluralismo.

Essa mega mudança reflete todos os princípios pós-modernistas: a rejeição dos absolutos; a desconfiança na transcendência; a preferência pela “mudança dinâmica” em vez da “verdade estática”; o desejo pelo pluralismo religioso, de modo que as pessoas de outras culturas e religiões sejam salvas; a rejeição da autoridade divina sobre nós; o tom de tolerância, sentimentos aquecidos e psicologia popular.37

i. Os Desafios da Igreja no Pluralismo Pós-Modernista

Há três saídas para o cristianismo do século XXI: continuar no pós-modernismo relativista; voltar ao fundamentalismo racionalista; ou voltar mais atrás ainda, ao fundamentalismo religioso.38

Há os que têm tentado voltar ao fundamentalismo racionalista, que é o modernismo. Esses têm percebido a nefasta influência do pós-modernismo, e querem os princípios do Iluminismo de volta ao século XXI, reinstalando o modernismo. Na esfera da religião, o domínio da razão já acabou. Em termos religiosos, essa volta seria a reimplantação da teologia liberal, que é fruto do modernismo. Seria uma tolice voltar a esse tempo, pois é a negação de toda a sobrenaturalidade e intervenção de Deus.

Há ainda aqueles que querem continuar com o status quo do pós-modernismo, tendo as mais variadas opções que o pluralismo consequente traz, sobre as quais já estudamos. A igreja vive inquestionavelmente num mundo pós-moderno e ela deve aceitar essa verdade. Há um sentido em que devemos nos alegrar pelo fato do pós-modernismo ter criticado o modernismo, pois este foi extremamente prejudicial para a vida da igreja, mas o pós-modernismo traz consigo vários perigos contra os quais devemos estar avisados.

Contudo, deve haver, o quanto antes possível, a volta aos princípios do cristianismo pré-moderno. Não é uma volta ao tempo, mas aos princípios originais que nortearam a vida da Igreja antiga por séculos. Não é um retrocesso, mas um progresso para o que é santo, justo e verdadeiro.

O cristianismo não deve somente voltar aos princípios da religião pré-moderna, com suas crenças, mas ele deve ser a melhor opção para as pessoas de nossa sociedade. A fim de que o cristianismo seja essa opção, ele tem que colocar as coisas em ordem. Para que o cristianismo seja essa opção, ele não precisa sucumbir ao liberalismo teológico do modernismo, porque ele mostrou-se ineficiente para resolver os problemas mais fundamentais do homem; nem precisa o cristianismo atender às reivindicações do pluralismo do pós-modernismo. Alguns setores evangélicos sucumbiram aos apelos da mega mudança da cultura de nosso século. Foram engolidos pelo encanto do pós-modernismo. Hoje não sabem como safar-se dessa situação. O pós-modernismo tem colocado as pessoas num beco sem saída. Não há uma mensagem redentora, porque não há uma verdade objetiva. As pessoas não têm um norte para seguir, porque não existe paradigma confiável.

Qual é a saída para o cristianismo pós-moderno? O que fazer? Há vários desafios a serem aceitos:

a. O desafio da volta à verdade objetiva

Por verdade objetiva, estou querendo dizer um código de leis sob o qual o ser humano tem que pautar a sua vida. Todavia, que não seja um código de leis nascido nos próprios interesses ou na subjetividade do ser humano. Esse código tem que ser o de Alguém que possui supremacia sobre o homem — o Criador-Redentor-Rei.

Esta é a primeira grande coisa que foi perdida nesta nossa sociedade pluralista. Ela tem que ser recuperada a qualquer custo, ou nunca o cristianismo será aquilo que o seu Redentor é: Verdade.

O mundo pré-moderno e o moderno possuíam uma verdade objetiva. O primeiro cria em verdades transcendentais, enquanto o segundo não; mas ambos criam em padrões, mesmo que diferentes. O pós-modernismo luta contra a verdade objetiva. Para ele não existe padrão absoluto de verdades.

A nota triste é que muitas comunidades cristãs estão aceitando alguns princípios pós-modernistas, rejeitando a objetividade da verdade. Leith Anderson disse que “temos uma geração que está menos interessada em argumentos cerebrais, pensamento linear, sistema teológico, e mais interessada em encontrar o sobrenatural.”39 O resultado dessa nova tendência é que muitos ministros de igrejas cristãs vêm operando com um novo paradigma de espiritualidade. As verdades objetivas e logicamente formuladas não têm mais lugar no pensamento deles.

O que vale agora é a experiência com o sobrenatural, sem o controle da verdade objetivamente examinada. Havia um antigo princípio no cristianismo pré-moderno: “Se você tem o ensino correto, certamente terá experiência com Deus.” É o ensino correto a respeito de Deus que o levará a um relacionamento correto com Ele. Mas a ordem foi invertida. O novo princípio do cristianismo pós-modernista é: “Se você experimenta Deus, você terá o ensino correto.” Em outras palavras, é a experiência que você teve com o sobrenatural que lhe dará as diretrizes que deve seguir. Não há qualquer padrão de verdades estabelecidas que você deva seguir. Elas virão dependendo de sua experiência. Ao invés da verdade objetivamente revelada determinar a validade da experiência, é a experiência que determina a doutrina.

Temos que restaurar o princípio da verdade objetiva que vigorou no tempo do cristianismo pré-moderno. Do contrário, a igreja cristã perderá totalmente a sua identidade.

b. O desafio de não ter medo da verdade

Muitos dos nossos jovens cristãos estão sendo acuados pelo caos teológico em que vivem, ao ponto de não terem coragem de assumir a verdade do cristianismo em face das pressões que sofrem em nossa sociedade pluralista. É muito difícil para eles assumirem a verdade de Deus e serem íntegros. A vida moderna tende a levar todos nós a um comportamento hipócrita e de padrões duplos. Não somente os estudantes, mas todos nós enfrentamos situações muito difíceis, porque a sociedade contemporânea não aceita que haja um padrão de verdade e ninguém pode sair por aí pregando e vivendo a verdade. É assim o ambiente em que os nossos filhos estão crescendo. Em tal ambiente é extremamente difícil ser o povo da verdade.

Precisamos educar os nossos filhos e o povo de Deus a não terem medo de expressar a sua fé na verdade da Palavra de Deus. É exatamente para esse fim que o povo de Deus tem sido convocado: para falar da verdade e para vivê-la. Como um povo da verdade, os cristãos devem resistir à tentação de ficarem em silêncio e de terem que assumir uma vida de padrões duplos. O silêncio e a hipocrisia podem minar a verdade, e o cristianismo pode vir a cair no descrédito. Além disso, estaremos minando o conceito de verdade se “todas as verdades são igualmente verdadeiras.” O protesto dos cristãos diante desse status quo é urgente e absolutamente necessário, a fim de que Deus seja honrado através de nosso testemunho da verdade e vida na verdade.

c. O desafio para não sermos um gueto

Devido ao pluralismo religioso admitido em nossa sociedade pós-moderna, alguns grupos religiosos têm a tendência de se isolarem em suas verdades. O cristianismo não tem fugido à regra. Muitas comunidades cristãs genuínas se isolam em seu casulo com medo de serem invadidas. Quando questionadas em seus padrões, as igrejas e denominações têm a tendência de se isolar em um refúgio para permanecerem num lugar de segurança, que Veith chama de “gueto cristão.”40

A bem da verdade, ninguém escolhe viver num gueto, pois os que vivem nele, vivem por causa da discriminação.41 O cristão, num certo sentido, é discriminado em todas as sociedades, mesmo onde ele é a maioria nominal. Quem vive num gueto é porque está excluído do ambiente geral.

A Igreja cristã não deve se isolar, embora deva proteger a verdade. Se ela se acovarda emburacando-se em uma caverna, como Elias fez diante das investidas de Jezabel, a igreja vai perder a sua verdadeira identidade.

Ela deve aceitar o desafio de contrariar o espírito do tempo presente como uma espécie de contracultura, saindo para minar os campos alheios. Ela não deve ensimesmar-se (ou isolar-se), porque se o fizer, estará negando a sua missão de ser proclamadora do reino, de ser sal no meio desta geração pervertida e corrupta. Ela não deve temer a crítica ou o desprezo. Ela tem que sair do gueto para ser luz! Se ela sair, não será destruída, porque o Senhor dela, na sua fidelidade, se encarregará de abençoá-la. O Senhor haverá de protegê-la enquanto ela lutar contra as outras “verdades” do pluralismo religioso e teológico.

Sair do gueto significa entrar na ofensiva da proclamação e da mostra prática da verdade teórica. Diogenes Allen, professor de Princeton, alerta que a era pós-moderna é uma grande oportunidade para o cristianismo sair da defensiva, posição que tem ocupado desde a implantação do Iluminismo: “Não pode o cristianismo ser colocado da defensiva, como tem sido nos últimos 300 anos ou coisa que o valha, por causa da visão estreita da razão e da confiança na ciência clássica, que são as características da mentalidade moderna.”42

Se o cristianismo quer ser uma alternativa para este mundo pós-modernista, ele tem que confessar a sua fé e prová-la com atitudes. Isso implica num conhecimento intelectual e experiencial da fé, que tem faltado a tantos chamados cristãos. Pela falta dessa confissão e pela falta da genuinidade da experiência, é que o cristianismo tem permanecido acuado pelo modernismo, dentro do seu próprio gueto. Sair dele é um imperativo para a sobrevivência e para a expansão do reino de Deus. Essa saída do gueto tem que ser vitoriosa, não pela derrota do modernismo, mas pelo retorno à vida, pelo conhecimento advindo do real estudo da Escritura e pela experiência genuína com o Senhor Jesus. Somente quando isto acontecer, é que a igreja terá coragem de entrar na ofensiva contra as hostes espirituais do mal, que estão entrincheiradas nas filosofias pós-modernistas.

d. O desafio da volta à confessionalidade

O modernista Ernest Gellner, lutando contra o espírito pós-modernista, presta um tributo de respeito aos que ele chama de fundamentalistas religiosos, dizendo: “Os fundamentalistas merecem o nosso respeito, tanto como reconhecedores da singularidade da verdade que evitam a superficial auto-ilusão do relativismo universal (e merecem nosso respeito), quanto como nossos ancestrais intelectuais. Sem provocar uma excessiva adoração de nossos ancestrais, nós lhes devemos uma medida de reverência.”43 Embora ele não concorde com os fundamentalistas religiosos, certamente Gellner entende que o fundamentalismo é uma grande opção para a sociedade contemporânea.

É importante observar que o fundamentalismo religioso aqui descrito não tem nada a ver com o fundamentalismo de outras religiões, como o fundamentalismo islâmico, por exemplo. O que Gellner tem em mente é a religião pré-moderna, especialmente o cristianismo revivido na Reforma e pós-reforma.

Se o cristianismo quer ser a melhor opção para o homem pós-moderno, ele tem que voltar às suas origens históricas. Primeiramente, às Escrituras e, consequentemente, à Reforma do século XVI. Muitos teólogos estão redescobrindo a Escritura, voltando a ela, e redescobrindo a história (os pais da igreja e a espiritualidade que os caracterizou). É curioso que, para satisfazer as necessidades espirituais do homem pós-moderno, tenhamos que voltar à mensagem do homem pré-moderno.

Portanto, o desafio da igreja é a volta aos princípios da Reforma do século XVI. Os luteranos que voltem aos seus credos, os calvinistas aos seus, e os outros que não possuem credos, que voltem às raízes do movimento, conquanto estas combinem com o verdadeiro ensino da Palavra, e que todos tenham a verdade restaurada objetivamente, sem, contudo, cair num confessionalismo frio e árido, que caracterizou a segunda metade do século XVII e o século XVIII. É necessário que as igrejas cristãs históricas voltem a ter uma fé ortodoxa, viva e piedosa; uma fé que dê lugar ao intelecto e aos sentimentos: uma fé racional, mas não racionalista, com emoções, mas não emocionalista; uma fé baseada na verdade de Deus como revelada nas Santas Escrituras.

 

O Pluralismo do Pós-Modernismo (1/3)

O Pluralismo do Pós-Modernismo (2/3)

 

NOTAS:

  1. Veith, Postmodern Times, 212.
  2. Charles Colson, The Body: Being Light in Darkness (Dallas, Texas: Word, 1992) 44-47.
  3. Ibid., 43-44.
  4. Veith, Postmodern Times, 214.
  5. Michael Horton, “Theology at a Glance,” em Modern Reformation (Janeiro-Fevereiro 1993) 33.
  6. A parte da teologia sistemática onde se estuda o ser de Deus é chamada de teontologia. Também nessa parte são comumente estudadas as obras de Deus.
  7. A área da teologia sistemática que estuda a doutrina do homem em relação ao pecado é denominada hamartiologia.
  8. Veith, Postmodern Times, 214.
  9. Estes três nomes italicizados foram cunhados pelo antropólogo inglês Ernest Gellner em seu livro Postmodernism, Reason and Religion (London: Routledge, 1992).
  10. Leith Anderson, A Church for the Twenty-First Century (Minneapolis: Bethany House, 1992) 20.
  11. Veith, Postmodern Times, 210
  12. Exemplos de guetos podem ser vistos na África do Sul, onde os negros ainda vivem em lugares isolados feitos especialmente para eles; há, ainda, exemplos de algumas comunidades de negros norte-americanos, onde eles vivem quase que exclusivamente para si próprios, sem contato maior com a comunidade dos brancos. Eles criam seu próprio estilo de vida e linguagem. Houve, também, o exemplo clássico dos guetos dos judeus no tempo da guerra na Polônia, Alemanha e outros lugares da Europa.
  13. Diogenes Allen, Christian Belief in a Postmodern World (Louisville, KY: Westminster/John Knox Press, 1989) 2.
  14. Ernest Gellner, Postmodernism, Reason and Religion (London: Routledge, 1992) 95-96 (citado por Veith, Postmodern Times, 217).

 

Autor: Heber Carlos de Campos

Fonte: Mackenzie

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