O “Day After”: o que nos reserva o futuro político pós-PT?

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Ofereço um possível cenário para o que pode ocorrer nos meses que se seguirão ao impeachment de Dilma Rousseff, e ao indiciamento de Lula da Silva e sua eventual prisão.

  1. O PT vai perder muito de sua força, com vários de seus principais líderes presos ou na iminência de serem presos; os quadros do partido com mais senso de sobrevivência já saíram ou estão para sair do PT, migrando para partidos de centro, como o PMDB, ou de centro-esquerda ou extrema-esquerda, como o PSB, a REDE e PSOL. Somente em São Paulo, 20% dos prefeitos petistas deixaram a sigla recentemente. Por isso, candidatos petistas às eleições municipais têm trocado o tradicional vermelho por outras cores e escondido a estrela, o símbolo do partido. Para os próximos meses, o desafio da legenda será sobreviver, eleitoral e judicialmente.
  1. Há uma grande possibilidade do PT ser cassado como partido político. Ou, a depender das multas que a Operação Lava Jato aplicar na legenda por causa do “Petrolão”, o PT pode ser extinto. O valor da multa pode chegar à cifra astronômica de 200 milhões de dólares. Não custa ressaltar, para não esquecer: os petistas hipertrofiaram o estado; conduziram a economia à ruína; tornaram-se sócios de empresários eleitos “campeões nacionais”; transformaram políticas sociais em máquina de caçar votos; criaram um contingente de 11,4 milhões de desempregados; as contas públicas estão em ruínas; e superlotaram os cárceres de Curitiba.
  1. Com a saída do PT do governo federal e eventual cassação ou extinção da legenda, as fontes que abastecem os militantes esquerdistas profissionais “secará” drasticamente; isso vai baixar em muito a temperatura política, ainda que haja resistência residual por parte de militantes idealistas e aguerridos, para os quais ainda “não caiu a ficha” sobre o que está acontecendo, que não se veem responsáveis diretos pela grave crise que o país passa, e que vivem na fantasia histérica da operação Lava Jato ser uma “conspiração das elites conservadoras e da direita” ou até mesmo da CIA.
  1. Provavelmente haverá tumultos no campo e em algumas capitais, insuflado por grupos como o MST e o MTST. Resta saber o quanto de força os governadores estão prontos a aplicar para as Polícias Militares imporem a lei a estes grupos. Estes movimentos também perderão muito do apoio financeiro com a saída do PT do governo federal, necessitando repensar suas ações para não perder os polpudos benefícios governamentais; o governo federal (PMDB) analisa propostas de retirar do MST e congêneres o poder de selecionar as famílias que serão assentadas; e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mirando a presidência em 2018, se aproxima do MST, sancionando leis de transmissão de terras e acesso a meios de financiamento para este grupo.
  1. Resta os sindicatos, que recebem metade do imposto sindical – típico exemplo do infame corporativismo estatal e sindical brasileiro. Este imposto é cobrado compulsoriamente de trabalhadores e empregadores, independentemente de sua condição de associados ou não. Isso tornou os sindicatos dependentes do Estado, representando não os interesses do trabalhador ou da classe, mas os interesses do partido, no caso, o PT. Após o impeachment de Dilma alguns sindicatos talvez façam greves, paralisações e protestos em apoio à destituída, mas nada que uma mudança na legislação não desarme: já há projeto no Senado para acabar com este imposto compulsório, o que diminuiria a força dos sindicatos.
  1. Haverá oposição a um novo governo? Sim, mas esta parece que será apenas “pregação para os convertidos”, e que dificilmente seduzirá novos eleitores. Esta oposição, conduzida por representantes da esquerda e da extrema-esquerda, será virulenta, combativa, alegando que Dilma sofreu um “golpe” ou que Lula e Dilma deixaram de ser esquerda ou nunca foram a “esquerda real” – este último argumento não é novo: esquerdistas afirmam religiosamente que Lenin, Stalin, Mao Tse-Tung, Kim Jong-il, Pol-Pot, Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales também traíram os ideais da esquerda. Lula e Dilma não serão os primeiros a serem acusados de tal “pecado” contra o socialismo.
  1. Membros da força-tarefa de Curitiba já disseram que a Lava Jato – que abalou pela primeira vez a cleptocracia brasileira – continuará por anos; e o vazamento das gravações de Lula em março foi “só a azeitona do Dry Martini”, como dito por um integrante da força-tarefa. Se a lei eleitoral for tomada ao pé da letra, não apenas o PT, mas também o PP e o PMDB poderão ser extintos como partidos políticos.
  1. O fato de que o STF proibiu doação de empresas para campanhas eleitorais, por instigação de juristas esquerdistas, criou uma armadilha para os partidos de esquerda e extrema-esquerda. Eles pensaram que tal lei sufocaria os outros partidos, enquanto o “Petrolão” os abasteceria durante 20 anos, mantendo-os no poder de forma inconteste, por meio do marketing, do voto e da “democracia”. A decisão do STF não proíbe que pessoas físicas doem às campanhas, podendo contribuir com até 10% de seu rendimento. Mas haverá muita dificuldade por parte dos partidos esquerdistas de conseguir financiamento de pessoas físicas, por causa do novo ambiente muito crítico ao estatismo, ao coletivismo e às esquerdas em geral.
  1. Parece que a próxima disputa presidencial se dará entre Aécio Neves (PSDB), José Serra (PSDB, talvez no PMDB), Geraldo Alckmin (PSDB, mas talvez no PSB), Marina Silva (REDE), Jair Bolsonaro (PSC) e, muito provavelmente, Ronaldo Caiado (DEM). Deve-se ver com ceticismo o surgimento de uma alternativa à lista de candidatos saídos do atual quadro partidário, tais como Sergio Moro, Joaquim Barbosa ou Cármen Lúcia. Para tornar o cenário incerto, o presidente da OAS, Léo Pinheiro, em suas conversas com a Procuradoria-Geral da República, citou os nomes de Dilma, Lula, Serra, Aécio e Marina em sua delação. Tudo aponta para o fato de que as delações da Odebrecht e da OAS é que determinarão os sobreviventes da política brasileira.
  1. Apesar da agenda conservadora/liberal só ser representada consistentemente em apenas um partido (de 35), o NOVO, pesquisas recentes mostram que as prioridades de parcela significativa de brasileiros, quando pensam no Estado, são: combate à corrupção, fim do aparelhamento do Estado, redução de sua estrutura e corte de impostos. A REDE, que tem recebido vários políticos ligados ao PT e ao PSOL em seus quadros, tentará capitalizar o discurso da “esquerda real”, apresentando-se como um tipo de esquerda light, socialdemocrata, para tentar atrair os idealistas. Mas se ficar evidente que o discurso da REDE é estatista e coletivista, igual ao do PT, este partido não irá muito longe – como a campanha errática e etérea de Marina em 2014 evidenciou. Difícil ver como o discurso da esquerda, mesmo edulcorado pela REDE, poderá atrair uma parcela expressiva do eleitorado que clama por uma modernização e desburocratização do Estado, especialmente dos estados do sul, parte do centro-oeste e São Paulo. Por outro lado, se partidos de direita (NOVO), centro-direita (DEM, PSC) ou mesmo de centro (PMDB, PDS) enfatizarem tal discurso, pode-se ter algumas surpresas, especialmente nas votações para prefeituras e governos dos estados.
  1. Estamos presenciando a maior derrota política da esquerda no Brasil desde 1922, ano da fundação do Partido Comunista Brasileiro. O mais emocionante é que esta vitória não se deu com infantes e blindados nas ruas, mas por meio da democracia e da Constituição. E esta conquista ocorreu a despeito da classe política e das oposições. Este é um triunfo do povo, que foi às ruas em protestos antigovernamentais, os maiores ocorridos na história do país, com milhões tomando as ruas em sete gigantescas manifestações ocorridas entre 2015 e 2016. Milhares de evangélicos participaram destes protestos, que abriram caminho para o impeachment de Dilma e a derrota do PT. Mas ainda há muito a ser feito, especialmente no âmbito cultural e educacional, que ainda são feudos da esquerda militante.

Mas, ao considerar o cenário religioso na Europa Ocidental, nos Estados Unidos e na Rússia, em que a liberdade de expressão dos cristãos está sendo cada vez mais cerceada por políticas conectadas com a esquerda e cada vez mais autoritárias e anticristãs, e do êxodo sem precedentes de cristãos do Oriente Médio e da África, é imperativo reconhecer que o Deus todo-poderoso concede uma nova chance para a igreja evangélica no Brasil, e devemos ser muito gratos por isso. Portanto, em nome do Senhor Jesus Cristo, somos chamados a confessar mais corajosamente, a orar com mais fé, a crer com maior alegria, a amar mais apaixonadamente e a pregar fervorosamente o evangelho de Jesus Cristo, morto na cruz por nossos pecados, sepultado e ressurreto dentre os mortos para nossa salvação. Assim, supliquemos a Deus, em um tempo de novo começo: “Vem Espírito Criador!”

 

 

Autor: Franklin Ferreira

Artigo extraído da Fan Page do autor

Reformados 21
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