Caçada Infernal

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Texto base: Ap 12.1-17

 

INTRODUÇÃO

O livro de Apocalipse pode ser dividido em duas partes principais. Na primeira parte, vemos a igreja sendo perseguida pelo mundo em contraste com os juízos de Deus sendo executados sobre os ímpios e na terra (1-11). Na segunda parte, que compreende o capítulo 12 até o 22, vemos a igreja sendo perseguida pelo diabo e seus asseclas – o anticristo e o falso profeta.

O tema principal nas duas partes do livro de Apocalipse não é a perseguição do mundo e de Satanás contra a igreja, mas sim, o triunfo de Cristo e da igreja sobre o mundo e o diabo. A igreja triunfa sobre a perseguição do mundo, mas agora, nesta segunda parte do Apocalipse, a perseguição contra a igreja será mais intensa. Satanás não medirá esforços e fará de tudo para dizimá-la (12.17).

O esboço analítico do  capítulo 12 pode ser dividido em 5 seções:

  1. A descrição da mulher (vs.1-2, 5a-6)
  2. A descrição do filho da mulher (vs.5, 10)
  3. A descrição do dragão (vs.7-17)
  4. A intervenção de Deus na perseguição do dragão contra a mulher (vs.6, 14-16)
  5. Os meios da vitória da mulher contra o dragão (vs.11)

 

EXPLANAÇÃO

  1. A descrição da mulher (12.1-2, 5a-6)

a) A identidade da mulher (vs.1a)

No texto, vemos que João descreve mais uma de suas visões. Foi visto pelo o apóstolo um incrível sinal no céu. O substantivo sinal, no grego σηματοδοτούν (semeion), tem uma gama de significados no NT, que difere de contexto para contexto.

Nesta passagem, entretanto, significa um “indício que antecede um evento futuro”. Esta palavra aparece 7 vezes no apocalipse para descrever o agir de Deus ou o agir de Satanás e de seus comparsas malignos – os demônios (12.1, 3; 13.13; 14; 15.1; 16.14; 19.20).

Em seguida, João relata o sinal: ele viu uma mulher. Afinal, quem seria esta mulher vista por João e todas as suas características?  Seria ela literal ou apenas um símbolo?

Os estudiosos têm sugerido algumas interpretações acerca da possível identidade desta mulher. A igreja católica afirma que esta mulher é Maria, a mãe biológica de Jesus. Os dispensacionalistas acreditam que esta mulher é símbolo da Nação de Israel. Existem também aqueles que entendem esta mulher como sendo a igreja das duas dispensações, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. E outros ainda sugerem que esta mulher é um símbolo de elementos celestiais e miraculosos que fizeram com que Cristo viesse a terra e encarnasse.

Contudo, acredito que a melhor interpretação é que esta mulher representa “a igreja em ambas as dispensações” (Is 50.1; 54.1; Os 2.1; Ef 5.32). Apesar de ser uma unidade, composta de judeus e gentios, é errôneo vermos a igreja como uma mera substituição de Israel ou algum tipo de “inovação” dele. De certa forma, a igreja é nova em um sentido “histórico-redentor”. Acredito que este equilíbrio é o entendimento mais adequado (Is 54.1; Gl 4.27-31; Rm 2.28-29; 9.6-11; Ef 2.11-19).

b) As características da mulher (vs.1b)

Após descrever o sinal que viu no céu como sendo uma mulher, João agora pinta as suas características.

Em primeiro lugar, o apóstolo diz que a mulher estava vestida de sol, que é símbolo da glória de Cristo sobre ela. “A igreja reflete a beleza de Cristo. Ela reverbera o brilho da glória de Deus. A beleza de Deus está estampada na igreja. A glória de Deus refulge na e através da igreja”.1

Em segundo lugar, a mulher tinha a lua debaixo dos pés, que significa que ela “exerce domínio.”2 O cabeça da igreja é aquele que tem todo poder e toda autoridade no céu e na terra. A autoridade da igreja foi recebida por Jesus. Seu domínio não é político nem econômico, mas espiritual. Ela está assentada com ele acima de todo principado e potestade. Ela recebeu autoridade sobre o diabo e suas hostes.3

Em terceiro lugar, João relata que a mulher tinha uma coroa de 12 estrelas na cabeça. O número 12 é símbolo de algo; representa a igreja na sua totalidade – da antiga e da nova aliança, baseada nas 12 tribos de Israel e nos 12 apóstolos.

c) A condição da mulher (vs.2a)

Depois de haver traçado as características da mulher, João também aponta a condição em que a mulher estava na visão. O apóstolo descreve que a mulher estava grávida e gritava de dor, pois estava prestes a dar à luz, que simboliza a primeira vinda de Cristo ao mundo.

Quando o livro de Apocalipse foi escrito por João, o nascimento de Jesus já havia ocorrido há anos, no inicio do século. O fato de a mulher sentir dores e angústia enquanto está para dar à luz, é uma alusão que o apóstolo perfaz ao conturbado nascimento de Jesus (veja Mt 2). João assinala a oposição que o diabo tem fomentado ao longo da história contra os descendentes da mulher – os crentes de todos as eras (Gn 3.15).

d) A missão da mulher (vs.2b, 5a)

O principal objetivo desta mulher é dar à luz a um filho homem. Note que João faz menção das profecias de Isaías 7.14; 66.7, que se cumpriram historicamente acerca do filho que haveria de surgir. Portanto, a mulher, que representa a igreja, gerou e deu à luz ao seu filho, que é o Senhor Jesus. Concomitantemente, vemos o filho redimindo a igreja, que, em consequência, torna-se a sua noiva (19.7; 21.2, 9; 22.17).

  1. A descrição do filho da mulher (12.5, 10)

a) As características do filho (vs.5b, 10)

Após sintetizar a missão da mulher, João traceja as características do seu filho. O apóstolo relata que este filho não é um filho qualquer, antes, é um homem que irá governar todas as nações com cetro de ferro. Vemos que a profecia do Salmo 2.9 citada por João aqui se cumpriu no Senhor Jesus. Nesta passagem, “a descrição do filho não é de sua humanidade, mas de sua exaltação. O filho que nasceu é o Rei que tem o cetro nas mãos.”4 Cristo governa estabelecendo seu reino e aplicando seu governo sobre todas as nações do mundo (2.27; 19.14-15; Mt 24.14). Ele governa supremamente com justiça e amor como Rei dos reis e Senhor dos senhores.5

b) O triunfo do filho sobre o dragão (vs.5c, 10a)

Após o filho da mulher ter nascido em meio à dores e angústia, vemos que ele foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono. (NVI) Perceba que João não menciona nada acerca do sofrimento, da morte e da ressurreição do Senhor Jesus nas passagens anteriores, porém o apóstolo focaliza no resultado de sua vida terrena.

Através do nascimento, da obra, da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus ao céu, “retornando” para Deus, satanás foi completamente derrotado (Cl 2.15). Desse modo iniciou-se o governo soberano de Cristo nos céus e na terra (Mt 28.18). A ascensão de Jesus é o prelúdio que antecede a batalha que houve no céu entre Miguel e os seus anjos contra o dragão e os seus anjos (vs.7-9).

  1. A descrição do dragão (12.7-17)

a) As características do dragão (vs.9, 10b, 12b, 17)

Tendo delineado as características da mulher e do filho, isto é, da igreja e de Cristo, João agora esboça as características do dragão. Conforme sabemos, o dragão e a antiga serpente são alguns dos nomes de Satanás. A palavra diabo διάβολος (diabolos), no grego, significa “acusador, caluniador.6 A palavra satanás é sinônimo da palavra diabo, e os termos são usados de forma alternada no Novo Testamento.7 Satanás é uma palavra grega derivada do aramaico (em hebraico, satan) que significa “adversário”.8

Em primeiro lugar, o dragão é enganador. Satanás engana o mundo e tem escravizado e destruído cada vez mais pessoas em suas mentiras.

A expressão antiga serpente é uma referência extraída por João de Gênesis 3.1, onde é mencionado que, através de uma serpente, o diabo enganou Eva, conseguindo influenciá-la a desobedecer a Deus, comendo do fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal. Tendo em mente o evento da queda de Adão e Eva (Gn 3.4-13), Paulo exorta os coríntios a se precaverem do sutil engano da serpente (2 Co 11.3). É como se o apóstolo dissesse:

Assim como Eva foi enganada por Satanás, que usou a serpente como um instrumento para influenciá-la a pecar contra Deus, assim Satanás usa os falsos apóstolos e os falsos profetas para disseminar o engano religioso, a fim de escravizar o povo na mentira e influencia-los a pecar contra Deus. Cuidado! Satanás é astuto!

13.14 Ela (a besta que subiu da terra, o falso profeta) engana o povo que vive na terra por meio dos milagres que lhe são permitidos realizar na presença da besta e lhes diz que façam uma imagem em honra da besta que fora ferida pela espada, mas que voltou a viver. Foi-lhe permitido soprar na imagem da besta para que ela pudesse falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem. (BJC)

Em segundo lugar, o dragão é acusador. Satanás acusou Jó, dizendo que ele era fiel somente porque Deus o prosperava (Jó 1.9-10). Satanás acusou o sumo sacerdote Josué (que representa a nação de Israel) por ter pecado contra o Senhor (Zc 3.1-5). E satanás acusava os cristãos na presença de Deus, de acordo com o versículo 10.

Em terceiro lugar, o dragão é irado. Satanás está irado porque foi expulso do céu e sabe que lhe resta pouco tempo. Satanás está irado porque não pôde contra a mulher (vs.6, 14, 16), contra o seu filho (vs.5) e contra a sua descendência (vs.17). Satanás está furioso porque sabe que a igreja é protegida por Deus e que não pode destruí-la nem mesmo com a morte.

b) A queda do dragão (vs.7-9)

Depois de sintetizar as características do dragão, João descreve a sua queda. O apóstolo declara que houve uma batalha no céu entre o exército de Deus, comandado por Miguel e os seus anjos, contra o exército do dragão e os seus anjos. Os dois exércitos lutaram entre si, entretanto, o dragão e o seu exército não sobressaíram sobre o exército de Miguel e foram derrotados, sendo expulsos do céu, caindo na terra.

Temos aqui um quadro que não deve ser entendido literalmente. Não houve esta batalha no céu entre o exército de Miguel contra o exército de Satanás. Este episódio retrata “o efeito do nascimento, da expiação e da ascensão de Cristo ao trono celeste”.9 Quando João escreve que o dragão e os seus anjos perderam o seu lugar no céu, significa que Satanás foi destronado da sua posição de acusador do povo de Deus (Jo 12.31). Quando Jesus ascendeu ao céu e retornou ao seu trono de glória, o diabo e o seu exército foram destituídos de seus cargos de acusadores.

Hendriksen ratifica que, uma vez que Cristo nasceu e satisfez a justiça quanto ao pecado, Satanás perdeu todo o argumento de justiça para basear suas acusações contra os crentes. Na verdade, ele conti­nua a nos acusar. Esse é o seu trabalho ainda hoje. Mas ele não pode mais se louvar na obra incompleta do Salvador. A expiação de Cristo foi plenamente cumprida; a completa satisfação pelo pecado foi realizada quando ele ascendeu ao céu (Rm 8.1, 33).10

Nessa mesma linha de pensamento, Simon Kistemaker expande:

Através de toda a história até a ascensão de Jesus, Satanás podia comparecer à presença de Deus como acusador de Jó e do Sumo sacerdote Josué (Jó 1.6; 2.1; Zc 3.1-2). A satanás não tinha sido ainda negado o acesso à presença de Deus, porém ele podia acusar o povo de Deus dia e noite (vs.10). Quando Jesus completou sua obra medianeira na terra, subiu ao céu e tomou assento à direita de Deus, tornou impossível a Satanás comparecer diante de Deus para acusar os santos. Jesus assumiu o papel de advogado junto ao Pai (1 Jo 2.1). Ele pagou o preço pela liberdade de seu povo, e como resultado, Satanás tornou-se incapaz de apresentar acusações caluniosas contra o povo de Deus.11

c) O poder do dragão (vs.3-4a)

Além de ver nesta visão uma mulher grávida, vestida de sol, com os pés sobre a lua e sobre a sua cabeça uma coroa de 12 estrelas (vs.1-2), João vê um segundo sinal: o apóstolo vê um grande dragão vermelho com 7 cabeças e 10 chifres, tendo sobre as cabeças 7 coroas. (NVI)

O substantivo grande indica o poder que o dragão possui. “Ele é um inimigo terrível, perigoso e destruidor.”12 A cor vermelhado dragão simboliza o seu poder de guerra e destruição (6.4). As 7 cabeças e os 10 chifres do dragão representam o poder e autoridade que ele possui em todo o mundo (Jo 12.31; 14.30; 16.11; Ef 2.2; 6.12).

Adão governava a criação. Essa foi a posição que Deus o havia colocado (Gn 1.26b). Com a queda, Adão não mais podia governar a criação, e Satanás, usurpando dessa posição, passou a “governar o mundo”.

Satanás agora tem domínio sobre o mundo contrário a Deus, sobre o governo e sobre as autoridades políticas que regem todo o sistema. As 7 coroas sobre as cabeças do dragão representam uma suposta grandeza. Satanás gosta de pensar que tem todo o poder. Ele tem poder, mas não todo o poder, que pertence somente a Deus. Satanás é orgulhoso e invejoso! Ele tenta imitar a Deus em vários aspectos. Assim como a trindade bendita, Satanás tem a sua trindade maldita, composta por ele próprio, pelo anticristo e pelo falso profeta. Assim como Cristo é Rei e Soberano, Satanás “gosta de pensar” que também é “Rei e Soberano” neste mundo (Mt 4.8-9).

Lenski observa que Satanás se veste de símbolos e domínio arrogado,13 isto é, de certo poder que lhe foi concedido por Deus para agir. Hendriksen acentua que as coroas de Satanás não são grinaldas de vitória, mas meras coroas de pretensa autoridade.14

Outro aspecto do poder de Satanás mencionado por João aqui é extraído de Daniel 8.10. Quando foi expulso do céu, o diabo arrastou com a sua cauda um terço das estrelas e as lançou na terra. O valor equivalente a um terço aqui não é literal, porém simbólico. As estrelas do céu também não são literais, mas símbolos. Em sua queda, o diabo não levou consigo um terço das estrelas do céu para a terra. As estrelas aqui, como em Jó 38.7, representam uma parte dos anjos os quais “Satanás arrastou consigo para o pecado”.15

d) A missão do dragão (vs.4b, 17)

O alvo do dragão é devorar o filho da mulher quando nascer. Depois da queda de Adão e Eva, Deus pronuncia a Satanás uma promessa de vitória futura, dizendo que da descendência de Eva surgiria um que o derrotaria (Gn 3.15). Por toda a história, vemos que Satanás tem buscado incansavelmente aniquilar a geração de Eva.

Após o nascimento de Jesus em Belém da Judéia, o rei Herodes, com medo e inveja de perder o governo e o poder para o Cristo, o Rei dos judeus, profetizado pela Escritura que haveria de vir e que já estava entre o povo, influenciado por Satanás, ordenou que matassem todas as crianças de dois anos para baixo, a fim de se livrar de Jesus; no entanto, o seu plano fracassou (Mt 2.1-18).

Portanto, a missão de Satanás é perseguir e tentar de todas as formas, até a volta de Cristo, destruir a mulher, que representa a igreja e os seus descendentes, que são os crentes de todas as épocas.

  1. A intervenção de Deus na perseguição (12.6, 14-16)

a) A provisão de Deus para a mulher (vs.6, 14b)

Deus intervém com provisão para igreja em meio à perseguição de Satanás levando-a para o deserto. O período de 1.260 dias, 42 meses ou um tempo, tempos e metade de um tempo de intensa tribulação, não é literal, mas indica um breve tempo que não pode ser contado (Mt 24.22). Será neste tempo em que as duas testemunhas, que representam a igreja [embora seja possível interpretá-las literalmente, como duas pessoas], recebem poder para pregar a palavra de Deus (11.3). Contudo, seria mais adequado entendermos estas duas testemunhas como a igreja na tribulação.

b) O refúgio de Deus para a mulher (vs.14)

Deus prepara para a mulher um lugar no deserto em meio à perseguição. O deserto aqui simboliza a provisão e o sustento de Deus – foram dadas a mulher duas asas da grande águia, para que ela pudesse voar para o lugar que lhe havia sido preparado no deserto. (NVI)

Com as duas asas da grande águia, que a mulher recebe de Deus, ela não mais foge, mas literalmente voa para o lugar que lhe fora preparado no deserto. A igreja tem asas para voar longe e escapar em segurança dos ataques do diabo.16 As asas representam o próprio Deus como o lugar de refúgio para a igreja perseguida (Sl 91.4; Is 40.31, Dt 32.11).

c) A proteção de Deus para a mulher (vs.15-16)

Visto que o diabo não conseguiu devorar o filho da mulher (vs.4), e a perseguição para destruí-la ter sido malograda, pois Deus lhe deu asas para fugir para o deserto, o dragão intenta mais uma vez contra a mulher, que representa a igreja.

João destaca que a serpente lançou de sua boca água como um rio, a fim de que a mulher fosse submergida. Porém, essa tentativa de Satanás contra a mulher para destruí-la também fracassa. Todos os seus esforços foram em vão. Em vez das águas sorverem a mulher, a terra abriu a sua boca e engoliu o rio que o dragão havia lançado.

A água que sai da boca de Satanás como um rio e a terra não devem ser entendidos literalmente. O rio que o diabo lança de sua boca e tenta afogar a igreja é o rio das heresias, do engano, do pragmatismo, do antropocentrismo, da teologia da prosperidade, do triunfalismo, do misticismo, do mundanismo na igreja. A terra representa a intervenção de Deus para proteger a sua igreja.

A verdadeira igreja não é enganada pelo rio de Satanás. O Senhor livra os seus escolhidos do “evangelho de Satanás” (Mc 13.22). Por outro lado, a falsa igreja, composta pelos falsos crentes, já está imergida pelo rio de satanás.

  1. Os meios da vitória da mulher contra o dragão (12.11)

a) Pelo sangue do cordeiro (vs.11a)

Após João demarcar a queda de Satanás e do seu exército na terra (vs.7-9), e o seu fracasso em tentar destruir a igreja, o apóstolo vai mostrar que a igreja não venceu Satanás pelos seus próprios méritos; a igreja só triunfou sobre ele pelo sangue de Cristo.

Perceba que João escreve no pretérito perfeito, como se todos os filhos de Deus já estivessem no estado de glória. O apóstolo traceja a vitória da igreja sobre o diabo e a morte antes da retorno de Cristo. “A morte de Cristo é a nossa vitória. O sangue de Cristo é a nossa arma mais poderosa. Seu sacrifício na cruz desfez toda a possibilidade de Satanás triunfar sobre o povo de Deus (2 Co 5.21)”.17

b) Pela palavra do testemunho (vs.11b)

Outro aspecto da vitória da igreja sobre Satanás é pela palavra do testemunho. “A igreja vence quando testemunha de Cristo em face da perseguição e da morte. Ela prefere ser uma igreja mártir do que ser um igreja apóstata. Ela prefere morrer do que negar o nome de Jesus. Assim, morrendo, a igreja vence Satanás. O diabo e seus agentes, em fúria, vão perseguir e matar os santos, mas estes vencerão o diabo e seus anjos no próprio ato de morrer por amor a Cristo”.18 Muitos dos filhos de Deus já foram, estão sendo e serão vitoriosos após a morte, pois estarão com Cristo.

 

CONCLUSÃO

Quais as lições que podemos extrair de Apocalipse 12? Três lições.

1) Enquanto Cristo não regressa para buscar a sua igreja e restaurar a terra com a descida da Nova Jerusalém, Satanás não deixará de persegui-la.

Satanás não vai ao encalço dos falsos crentes que compõe a falsa igreja corrompida pelas heresias e pelo mundanismo porque tudo é seu. Todavia, o diabo persegue os verdadeiros crentes que compõe a verdadeira igreja, que foi comprada pelo sangue de Cristo (Ap 5.9).

2) Satanás é um inimigo derrotado, mas não esmorecido.

Ele lutou contra Cristo, contra o arcanjo Miguel e contra a igreja. Foi derrotado três vezes. Mesmo assim, Satanás continua lutando contra a igreja. Ele não pode roubar a salvação dos verdadeiros crentes, mas ele pode obter pequenas vitórias.

O diabo tem conseguido, com sua influência perniciosa, escravizar muitos crentes no pecado. Ele tem conseguido distrair muitos crentes com o trabalho, com os atrativos deste mundo, fazendo-os desanimar de serem frequentes nos cultos e perder o interesse pela oração, pela leitura e pelo estudo da palavra de Deus. Com efeito, Satanás tem conseguido algumas pequenas vitórias sobre a igreja nessas coisas (1Pe 5.8).

3) Por mais terrível que seja o ataque de Satanás contra a igreja e contra cada cristão individualmente, Deus intervém na situação, provendo o escape, protegendo e sendo o lugar de refúgio do seu povo.

Salmo 46.1 – Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.

 

 

NOTAS:

  1. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 257.
  2. William Hendriksen. Mais que Vencedores, pág 163.
  3. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 257.
  4. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 259.
  5. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 455.
  6. Dicionário Vine, pág 562.
  7. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 460.
  8. Dicionário Vine, pág 973.
  9. William hendriksen. Mais que Vencedores, pág 168.
  10. Ibid, pág 168-169.
  11. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 458.
  12. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 261.
  13. R.C.H Lenski. The interpretation of St. John`s Revelation, pág 365.
  14. William Hendriksen. Mais que Vencedores, pág 164.
  15. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 453.
  16. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 467.
  17. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 265.
  18. Ibid.

 

 

Autor: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

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