A Tropa do Inferno

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Texto base: Ap 9.1-12

 

INTRODUÇÃO

As trombetas de Deus ressaltam seus juízos sendo executados sobre os ímpios. As primeiras quatro trombetas atingiram a totalidade da natureza – a terra, o mar, os rios, o sol e a lua (8.7-13). Ao contrário das 4 primeiras trombetas, onde o próprio Deus, através dos anjos, executou diretamente os seus juízos, na quinta trombeta, entretanto, percebemos que Deus vai executar indiretamente o seu juízo por meio dos gafanhotos que estão presos no poço do abismo.

O esboço analítico desta perícope pode ser dividido em 5 seções:

  1. João descreve a visão que teve de uma estrela caída. Depois de ver a estrela, ele revela a sua identidade (vs.1, 11) e, em seguida, enfatiza o poder que esta estrela possui (vs.1b, 3b-5).
  2. João vê gafanhotos saindo do poço de um abismo (vs.2-3a), e, adiante, também revela a identidade destes gafanhotos (vs.2-3a).
  3. João sublinha o caráter dos gafanhotos (vs.7-9).
  4. João denota a missão destes gafanhotos (vs.4-6,10).
  5. João mostra a situação dos ímpios e da igreja diante do juízo da quinta trombeta (vs.4b).

 

EXPLANAÇÃO

  1. A descrição da estrela (9.1,11)

1.1. A identidade da estrela (vs.1a, 11)

O soar das trombetas, descrito em 8.7-13; 9.1-21, significa o anúncio do ímpeto juízo de Deus sobre a terra e sobre os ímpios. Após o quinto anjo soar a quinta trombeta, João tem uma visão. O apóstolo vê uma estrela que havia caído do céu na terra. João não viu a estrela caindo, mas ele viu a estrela caída do céu na terra.

Diferente das estrelas literais relatadas nos capítulos 6.13 e 8.8, a estrela referente a quinta trombeta não deve ser entendida com uma estrela literal; é apenas um símbolo. Então, o que a estrela representa? Se nos atentarmos para o contexto em geral do livro de Apocalipse e de algumas passagens do Antigo e do Novo Testamento, descobriremos a identidade desta estrela. Em Jó 38.7, os anjos são identificados como estrelas. Note o que Jesus disse em Lucas 10.18: Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago. (NVI)

Ainda no versículo 11, percebemos que o anjo do abismo é chamado de “Abadom”, no Hebraico, e de “Apoliom”, no grego. “Em ambos os idiomas, a palavra significa destruidor”.1 Portanto, a estrela retrata satanás como o líder dos demônios, a quem eles prestam lealdade. João aqui faz uma alusão de sua expulsão do céu, que resultou em sua queda na terra.

1.2. O poder da estrela (vs.1b, 3b-5)

Depois de ver a estrela caída na terra, que representa Satanás, João descreve o poder que a estrela ou Satanás possui. O apóstolo diz que foi dada à estrela (o diabo) a chave do poço do abismo (vs.1b). Note que Satanás não tem em seu domínio a chave do poço do abismo, antes, ele a recebe.

Através desta chave, Satanás abriu o poço do abismo e subiu uma grande fumaça que escureceu o sol e o ar (vs.3). Em seguida, em meio a fumaça saída do poço, saíram também gafanhotos rumo à terra. Foi conferido a estes gafanhotos poder como de escorpiões da terra, e foi-lhes ordenado que não causassem dano a natureza, mas somente que atormentassem, porém não matassem aos homens que não têm o selo de Deus por cinco meses (vs.3-5).

A chave que foi dada ao diabo indica o poder que ele recebeu do próprio Deus; um poder significativo, mas limitado e provisório. Através do poder que lhe foi concedido, Satanás abre o poço do abismo e libera os gafanhotos que ali estavam presos, para que saiam e atormentem os homens que não têm o selo de Deus por cinco meses. Hendriksen atesta que o significado de Satanás abrir o poço do abismo, é que ele incita ao mal; ele enche o mundo com os demônios e com sua influência e operações malignas.2

  1. Os gafanhotos que saem do poço do abismo (9.2-3a)

2.1. A identidade dos gafanhotos (vs.2-3a)

Após o poço do abismo ser aberto pelo diabo, João vê saindo deste poço uma fumaça. A palavra abismo αβυσσον (avysson), no Novo Testamento, geralmente se refere a um lugar preparado para o diabo e os seus anjos malignos (veja 20.1-3), com exceção de Romanos 10.6-7, que se refere à morte. Hendriksen e Kistemaker afirmam que o abismo é o “inferno” dos demônios antes do julgamento final. Em outras palavras, é um lugar provisório em que Satanás e os demônios [ou alguns deles] habitam antes do juízo, onde serão lançados no lago de fogo para sofrerem a condenação eterna (19.20; 20.10, 14-15).

Lucas 8.31 – E imploravam-lhe (os demônios a Jesus) que não os mandasse para o abismo [αβυσσον (avysson), “inferno”].

Todavia, não entendo que Satanás e os demônios já estejam no abismo ou inferno (lugar provisório antes do julgamento final); ou que alguns “demônios mais fortes”, juntamente com o diabo, o líder deles, estão presos lá, enquanto outros “demônios mais fracos” estão livres disseminando o mal na terra. Adiante, no versículo 32-33 de Lucas 8, é relatado que Jesus não enviou os demônios que possuíam um homem gadareno para o abismo, mas conforme o pediram, concedeu que eles entrassem em uma manada de porcos, que caiu em um lago e se afogou.

Essa interpretação popular majoritária é a mais aceita no meio evangélico pentecostal e neopentecostal. No âmbito reformado, vários estudiosos (como Hendriksen, Kistemaker e outros) seguem essa mesma linha de interpretação, tendo como base as duas principais passagens que tratam do assunto – 2 Pedro 2.4 e Judas 6. Ambas as passagens são paralelas, no entanto, se forem lidas e analisadas de forma desatenta, aparentemente podem confirmar a interpretação sobre o abismo ser a casa temporária (dos) ou (de) alguns demônios como a mais coerente. Em 2 Pedro 2.4, é descrito que Deus não perdoou os anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo (NVI)

Quando Pedro escreve que Deus lançou os anjos que pecaram no inferno, e os entregou às cadeias de escuridão, ele não estava dizendo que Satanás nem os demônios residem e governam o inferno, nem tampouco atormentam as almas dos que vão para lá após a morte. Satanás e os demônios habitam na terra, e os demônios, com exceção do diabo, habitam na vida dos ímpios.

Jó 1.6-7 – Num dia em que os filhos de Deus (os anjos) vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela.

Lucas 11.24-26 – Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso (em quem possa habitar), e não o encontrando, diz: Voltarei para a casa de onde saí. Quando chega, encontra a casa varrida e em ordem. Então vai e traz outros sete espíritos piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro. (NVI)

Mateus 4.1 – Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. (NVI)

Efésios 6.12 – Pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais [um lugar acima da terra que ainda é a terra; 2.2]. (NVI)

1 Pedro 5.6 – Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão, que ruge procurando alguém para devorar.

Contudo, inferno e cadeias de escuridão, em 2 Pedro 2.4, é uma alusão “ao estado de sofrimento, limitação e trevas em que esses anjos atualmente se encontram, aprisionados no seu próprio pecado e já experimentando em si mesmos os tormentos eternos que lhes aguardam.”3

Em Judas 6 é dito: aos anjos que não guardaram o seu estado de autoridade de outrora, antes deixaram o seu lugar de habitação, Deus os lançou na escuridão e em algemas eternas.

As duas expressões – lançou na escuridão e algemas eternas – enfatizam o controle de Deus sobre os demônios. Eles estão temporariamente limitados em seu poder pela vontade divina até o dia da grande tribulação, quando serão livres destas algemas ou prisões para assolar a terra, cumprindo assim os planos de Deus.4

Portanto, devemos entender os demônios saindo do poço do abismo não como se eles habitassem lá, e que em um determinado período, que será o da grande tribulação, eles serão soltos deste lugar por Satanás através da determinação de Deus e irão para a terra, a fim de atormentar os ímpios. Antes, o poço do abismo deve ser interpretado como uma limitação restrita que Deus impôs aos demônios para agir, e que após o soar da quinta trombeta, tal limitação será retirada para que os demônios possam agir livremente disseminando o mal na terra, de acordo com os propósitos de Deus. Acredito que esta é a melhor interpretação para o abismo.

Com relação à fumaça que saiu do poço do abismo, que chegou até mesmo a escurecer o sol e o ar, devemos entender como a densa e premente influência maligna que irá poluir o mundo nesta fase da grande tribulação, onde será um período de trevas moral e espiritual.5 Em meio à fumaça vinda do poço, podemos notar que saíram muitos gafanhotos (vs.3a).

Naturais do deserto e encontrados em várias partes do mundo, os gafanhotos são insetos que devastam vorazmente plantações. Embora tenham hábitos solitários, todavia eles costumam formar grupos em grandes quantidades como nuvens para atacar as plantações. Eles se alimentam de folhas e de diversos tipos de árvores ou plantas. No Antigo Testamento, o gafanhoto era visto como uma praga destruidora pelos judeus, principalmente pelos agricultores. Um exemplo disso é a oitava praga no Egito, relatada em Êxodo 10.12-15 – a praga dos gafanhotos.

“Os gafanhotos deixavam as árvores completamente sem folhas e sem os brotos; comiam as cascas das árvores; o campo era devastado e todo o trigo era devorado por eles; todas as árvores morriam; e como consequência, o gado morria de fome, pois não restava nada para dá-lo de comer (Joel 1.4, 7-12)”.6 Devido à grande destruição e aos prejuízos irremediáveis que causava aos agricultores judeus, os gafanhotos eram considerados por eles como “um povo poderoso e guerreiro”.

Em seu voo escurecem o céu; são tão destrutivos como o fogo e nada pode escapar do seu dano; são como cavalos, correm como carros de guerra, fazendo um ruído semelhante às chamas quando devoram o pasto seco; partem formando filas, como um poderoso exército; escalam as montanhas, sobem pelas paredes das casas, entram nelas pelas janelas; a própria terra treme perante sua presença (Joel 2.1-11).7

Tendo como base de sua premissa a descrição da praga dos gafanhotos de Êxodo 10.12-15, e do livro de Joel, João utiliza-se destas características dos gafanhotos como destruidores impetuosos e aplica este princípio aos asseclas de satanás, isto é, aos demônios. Em outras palavras, Satanás, mesmo tendo liberdade e um poder limitado e controlado por Deus, como um general maligno ele dá ordens aos gafanhotos, que são os seus asseclas infernais, representados pelos demônios, para que atormentem todos os homens ímpios que não se arrependeram de seus pecados (vs.6).

  1. O caráter dos gafanhotos (9.7-9)

3.1. Os gafanhotos são espíritos poderosos (vs.7)

Os gafanhotos ou demônios são descritos por João como espíritos poderosos. Ele expressa o poder que os gafanhotos possuem descrevendo a aparência deles. João diz que estes gafanhotos tinham a aparência de cavalos preparados para a batalha, e sobre a cabeça deles havia algo como que parecendo coroas de ouro.

Tendo em mente Joel 2.4 e todo o contexto do capítulo 2, onde os gafanhotos são comparados pelo profeta a um poderoso exército assolador de plantações e ladrões de alimentos, João utiliza deste fato histórico e aplica o princípio da ação destruidora destes insetos a uma guerra espiritual promovida pelos demônios contra toda a humanidade no período da grande tribulação, onde eles terão uma aparente vitória, que é símbolo das aparentes coroas de ouro sobre suas cabeças.

3.2. Os gafanhotos são espíritos sagazes (vs.7c)

João descreve os gafanhotos dizendo que eles tinham um rosto semelhante ao rosto humano, o que indica inteligência. Simon Kistemaker ressalta que estes espíritos são criaturas demoníacas com o poder mental de seres racionais, cujo intuito é infligir uma terrível miséria às pessoas que se rebelam contra Deus. O propósito deles é enganar as pessoas que não servem e nem adoram a Deus.8

3.3. Os gafanhotos são espíritos sedutores (vs.8a)

Acerca destes gafanhotos infernais, é dito também que eles tinham cabelos, como cabelos de mulher. No mundo antigo, as pessoas costumavam comparar as cerdas dos gafanhotos, isto é, os pêlos grossos e ásperos que certos animais possuem, como também o javali, com cabelos de mulher (Jr 51.27). Devido a cultura de Israel, o homem tinha por costume usar o cabelo comprido, porém em tranças, como no caso de Sansão, que era nazireu (Jz 16.13; 13.5; 16.17; Nm 6.1-5). Mesmo assim, o cabelo era cortado regularmente, não curto, mas geralmente até a altura dos ombros, conforme 2 Samuel 14.26 e Levítico 21.5.

Em contrapartida, deixar o cabelo solto era uma atitude comum de um guerreiro do mundo antigo, por conta de um juramento que havia feito. Embora o aspecto do cabelo solto fosse como de cabelo de mulher, todavia isso não significava que o homem era efeminado; pelo contrário, este homem demonstrava pelos cabelos soltos força e ímpeto.

Adolph Pohl escreve:

Na província da Ásia Menor era difundido o culto mais popular do helenismo, a saber, a adoração de Dionísio, voltado à sensualidade. Nesse culto, os adeptos se extasiavam loucamente, meneando o cabelo volumoso – tido em muitas religiões como portador principal da força vital. Exaustos depois da dança que havia nestes cultos, as pessoas retorciam o pescoço com movimentos obscenos, e giravam os cabelos soltos em círculo. Na geração de João, esses cultos se tornavam uma tentação demoníaca para alguns dos cristãos que outrora, no passado, participavam desses cultos (Ap 2,3). Diante disso, não havia forma melhor de caracterizar o demonismo do que pela figura dos cabelos de mulher.9

Portanto, a expressão cabelos como de mulher é uma referência aos demônios, cujo intuito é enganar e seduzir os homens com suas artimanhas malignas, visando perturbá-los e acentuar a escravidão no pecado, destruindo completamente suas vidas.

3.4. Os gafanhotos são espíritos veementes (vs.8b)

Além de os gafanhotos serem espíritos malignos que enganam e seduzem os homens, influenciando-os a trilhar caminhos tortuosos que levam à morte, esses também são identificados como que tendo dentes de leão.

João utiliza novamente como base de sua argumentação Joel 1.6, onde o profeta equipara os gafanhotos a um povo poderoso e inumerável que invadiu a terra assolando-a por completo, e que este povo tinha dentes como de leão. Os dentes de leão simbolizam força e voracidade. “Dentes como de leão retratam o poder destrutivo e devastador desses demônios. Eles agem com grande violência”,10 e estão por trás de todo o mal exercendo sua nefasta influência no mundo.

3.5. Os gafanhotos são espíritos inabaláveis (vs.9)

No versículo 9a é dito que os gafanhotos tinham couraças parecidas com couraças de ferro. “As couraças eram armaduras que cobriam o tórax dos guerreiros antigos da mesma forma que os coletes a prova de bala protegem os policias modernos”.11 Note o que diz a profecia de Naum 3.17: os seus guardas são como gafanhotos… (NVI)

A expressão “compara as couraças de ferro dos guerreiros assírios, os quais se destacavam por sua crueldade desumana, às couraças escamadas dos gafanhotos”.12 Esta passagem de Apocalipse não menciona uma guerra física, mas faz referência a uma guerra no âmbito espiritual.

É dito também no versículo 9b que estes gafanhotos tinham asas, e o barulho das suas asas era como o barulho de carros puxados por muitos cavalos quando correm para a batalha. (NTLH) Tendo em mente Joel 2.4-5, João compara o som das asas dos gafanhotos em seu voo com os cavalos que saltam pelos montes como um poderoso exército preparado para a batalha. O som ou barulho das asas dos gafanhotos é um prelúdio que confirma uma guerra prestes a acontecer. Estes gafanhotos são espíritos invisíveis. Eles não podem ser vistos pelos olhos humanos. Eles não podem ser detidos ou destruídos por metralhadoras, escopetas ou bombas. Estes espíritos são inatingíveis e inabaláveis. Somente Deus pode vencê-los!

  1. A missão dos gafanhotos (9.4-6,10)

4.1. Atormentar dolorosamente os homens (vs.4-6, 10)

A missão destes gafanhotos do inferno tem como objetivo principal o tormento. Eles agirão na terra usando homens ímpios, poderosos e revestidos de autoridade como seus instrumentos para causar dolências terríveis. Estes gafanhotos são comissionados por Satanás através da determinação de Deus. A ordem dada a eles foi para que não fizessem estragos nas ervas, nem nas árvores, nem em qualquer outra planta (NTLH) – a natureza em geral. Os demônios [por meio de homens] podiam apenas perturbar e afligir dolorosamente aqueles que não têm o selo de Deus sobre a fronte, ou seja, os não cristãos.

Este selo não deve ser entendido literalmente, como se a pessoa fosse selada na testa; este selo é invisível. Ele é a marca do Espírito Santo sobre a vida do cristão que o distingue como eleito e propriedade de Deus. Em outras palavras, este selo é o próprio Espírito que habita plenamente no cristão (vs.4; Ef 1.13-14).

Todavia, podemos observar no versículo 5 que a liberdade e o poder que estes gafanhotos demoníacos têm para atormentar os homens é limitado. Estes espíritos podem afligir severamente, mas não podem matar os homens. Por conseguinte, o tempo deste sofrimento também foi limitado por Deus a um período de 5 meses.

No versículo 10, João faz uso do ciclo de vida dos gafanhotos (insetos), que é de 5 meses, para enfatizar que o período desta tribulação será breve. Com efeito, será um período de intensa dor, angustia, medo e desespero, semelhante a picada de um escorpião, que a principio não leva à morte, mas deixa a pessoa agonizando de dor. As pessoas desejarão a morte do que continuar vivas, sofrendo tão cruelmente. Elas não terão paz na grande tribulação. Nem mesmo nas mais diversas e inimagináveis tentativas de suicídio, os ímpios terão êxito, pois a morte fugirá delas.13 

  1. A condição da igreja em meio ao toque da quinta trombeta (9.4b)

5.1. A igreja estará imune aos ataques dos gafanhotos (vs.4b)

O sofrimento que haverá para os ímpios na grande tribulação será de caráter superlativo. Será uma fase obscura de intensa dor, medo e inquietação. O sofrimento será crescente. À medida que Deus vai executando os seus juízos, o tormento vai aumentando gradativamente (vs.12). Contudo, o povo de Deus, o remanescente fiel, os cristãos genuínos, serão distinguidos dos ímpios pelo selo de Deus (7.4). Eles estarão imunes e serão protegidos dos ataques dos gafanhotos.

1 João 5.18 – Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, aquele que nasceu de Deus ele o guarda, e o maligno não lhe toca (a não ser por “permissão” e propósito de Deus).

 

CONCLUSÃO

1) A tribulação é inevitável

Ela sempre visita a nossa vida. Todos, quer cristãos ou não cristãos, não podem fugir dela. Isto é um fato inelutável.

João 16.33 – Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo. (NVI)

Salmo 34.19 – Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas. (ARC)

2 Coríntios 4.8-9 – De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. (NVI)

2) Deus não nos livra das tribulações, mas nas tribulações

Deus não livrou os amigos de Daniel da fornalha, mas na fornalha (Dn 3.20-26). Deus não livrou Daniel da cova, mas na cova (Dn 6). Deus não nos livrará da grande tribulação, mas na grande tribulação.

3) Deus é soberano e onipotente

Todos os eventos do mundo foram predeterminados por Deus. Nada escapa do seu controle. Mesmo quando não parece haver mais saídas, quando não há mais esperança, e quando só resta a expectativa de ser sucumbido pela tribulação, Deus intervém, nos livra e nos dá forças para prosseguir e perseverar até o fim.

2 Coríntios 1.8-10 – Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida. De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Ele nos livrou e continuará nos livrando de tal perigo de morte. Nele temos colocado a nossa esperança de que continuará e livrar-nos. (NVI)

 

 

NOTAS:

  1. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 365.
  2. Wiliam Hendriksen. Mais que vencedores, pág 89.
  3. Augustus Nicodemus Lopes. Série interpretando o Novo Testamento: 2, 3 João e Judas, pág 109.
  4. Em Jd 6, as correntes são chamadas eternas porque é impossível que eles um dia sejam livres delas, ou que escapem de alguma forma; eles (os demônios) estão seguros por elas. O decreto, a justiça e a ira de Deus são as próprias cadeias nas quais os anjos caídos são mantidos firmes. (Matthew Henry). Calvino também afirma que não devemos imaginar que os demônios estão presos em algum lugar, pois Judas pretende simplesmente nos ensinar quão miserável é a condição deles (dos demônios), desde o tempo em que apostataram e perderam a sua dignidade. Pois, onde quer que vão, arrastam consigo suas próprias correntes e permanecem envolvidos em escuridão.
  5. Matthew Henry salienta que a fumaça que sai do poço do abismo é o diabo executando seus desígnios, cegando os olhos dos homens, apagando a luz e o conhecimento e fomentando a ignorância e o erro. Desta fumaça sai um exército de gafanhotos, símbolo dos agentes do diabo que fomentam a superstição, a idolatria, o erro e a crueldade. (Comentário Bíblico do Novo Testamento, pág 312)
  6. William Barclay. Apocalipse, pág 271-272.
  7. Ibid.
  8. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 371.
  9. Adolph Pohl. Apocalipse, pág 126.

10 Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 216.

  1. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 372.
  2. Robert P. Gordon. Loricate Locusts in targum to Nahum and Revelation; Vetus Testamentum (1983), pág 338-339.
  3. Acredito que o sentido da morte fugir das pessoas nesta fase da grande tribulação não será, a princípio, nas diversas tentativas de pôr fim à vida que irão falhar, mas principalmente porque Deus está no controle de tudo, e não permitirá que estas pessoas morram para que sofram por não se arrependerem de seus pecados, uma vez que tiveram inúmeras oportunidades de arrependimento.

 

 

Autor: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

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