Os evangélicos e o óleo “ungido”

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Introdução

A unção com o óleo é uma prática antiga. É um assunto polêmico, controverso e muito debatido pelos teólogos. Por conta disso, existe na igreja cristã os aderentes e os opositores acerca do uso da unção com o óleo.

Argumentação

  1. A unção com o óleo no princípio da igreja

A unção com o óleo “recebeu pouca atenção nos primórdios da igreja. Rituais para a unção de enfermos podem ser encontrados somente a partir do oitavo século. Muitos creem que essa ausência de ênfase deve-se ao fato da unção de pessoas enfermas ser uma realidade normalmente aceita no ministério da igreja, ao ponto da sua explanação ser desnecessária”.1

Os dois exemplos mais antigos de unção, com base em Tiago 5.14, são o O óleo da fé e A tradição apostólica de Hipólito. O óleo da Fé é um texto aramaico do primeiro século, contendo uma série de longos textos que conectam o tema da cura com o perdão de pecados.2 Na tradição apostólica de Hipólito há duas notas concernentes ao ministério de cura: primeiro, o bispo era informado sobre a pessoa doente que ele devia visitar; segundo, o óleo precisava ser abençoado pelo bispo antes de ser aplicado. Essa bênção do bispo colocou o óleo na categoria de um sacramento.3 Assim, o óleo passou a ter um inerente poder de cura após a consagração do bispo.

Tertuliano mencionou a cura pela unção. O imperador romano, Sétimo Severo, também creu ter sido curado de uma enfermidade através da unção administrada por um cristão chamado Proculus Torpacion.4 Uma definição de cura através da unção pode ser encontrada também no Sacramentário de Serapião, onde o óleo é visto como medicinal e também um instrumento para o exorcismo.5

Outra questão levantada sobre o assunto era quem poderia administrar o óleo consagrado. O papa Inocêncio I, em sua carta ao bispo Decentius de Gubbio, em Umbria, escreveu que os cristãos tinham o direito não apenas de serem ungidos pelos clérigos, mas também de usarem o óleo em si mesmos ou nos membros de sua família.6

Trezentos anos mais tarde, na Inglaterra, quando o venerável Bede discutiu esse assunto na sua exegese sobre a Epístola de Tiago. Ele sustentou a mesma prática para o seu povo, citando a carta de Inocêncio I como confirmação. Ambos, Inocêncio I e Bede, distinguiram dois tipos de unção: a leiga e a sacerdotal. Enquanto a litúrgica unção pelos bispos destinava-se à cura espiritual e física, a unção privada, aplicada pelos leigos em si mesmos ou em seus familiares, só visava a restauração da saúde física.7 Nesse tempo, quando o óleo era aplicado por um leigo, a tendência era procurar alguém com uma reputação de santidade ou que possuísse o “dom de cura”. Alguns eruditos católicos, até hoje, chegam ao extremo de defender a ideia de que a cura em Tiago 5.14 não é carismática, mas hierárquica.8

Outra questão também discutida na igreja primitiva era onde o óleo da cura deveria ser aplicado. Segundo a tradição de Hipólito, o óleo podia ser aplicado externamente ou recebido internamente. Alguns textos sugerem que o óleo poderia ser aplicado onde a dor era mais intensa, ou então colocado nos lábios do enfermo.9 É bem provável que a razão da mudança do entendimento da igreja acerca da unção de pessoas doentes tenha sido a tradução latina da Bíblia feita por Jerônimo – A Vulgata – escrita por volta do ano 400 d.C.,  que confundiu o significado de Tiago 5.14.

Em sua tradução, “Jerônimo usou a palavra latina teológica salvarpara traduzir tanto “salvar” como “levantar” em Tiago 5.14. Dessa maneira, a atenção da igreja deixou de centralizar-se na cura, para focar-se no que a cura representa simbolicamente. Desde que a Vulgata foi a única tradução oficial usada pela igreja por mais de 1.500 anos, sua influência sobre o entendimento da questão da unção dos enfermos com óleo foi profunda e considerável”.10 

  1. A extrema-unção

O sacramento da extrema-unção é mencionado pela primeira vez entre os sete sacramentos da Igreja no século XII. Foi discutido e decretado no Concílio de Trento (na pós-reforma) que a santa unção do doente foi um sacramento estabelecido por Cristo e promulgado aos crentes por Tiago, apóstolo e irmão de nosso Senhor. Os Católicos buscam o fundamento da extrema unção no texto de Tiago 5.

O Concílio Vaticano II continua tratando a extrema-unção como um dos sete sacramentos, e que não deve ser ministrado somente aos que estão à beira da morte, mas aos que estão em perigo de vida, podendo morrer a qualquer hora. Aplicando para nossos dias, seria assim: alguém está com câncer, então deve ser ungido com óleo. Hoje os católicos ungem os que estão com doenças graves, mesmo que não estejam em estado final. É a extrema-unção sendo usada para os casos de perigo de morte.11

  1. A unção com o óleo na Reforma

Os reformadores rejeitarem categoricamente a prática da extrema-unção, reputando-a como uma crassa distorção de Tiago 5.14. Calvino disse que essa passagem de Tiago foi ímpia e ignorantemente pervertida quando a extrema-unção foi estabelecida sobre a sua base.12 Tanto em seu Comentário de Tiago quanto nas Institutas, Calvino refutou a doutrina católica romana da extrema-unção, demostrando que Tiago fala da cura do corpo e não da alma, da restauração para a vida, e não da preparação para a morte. Calvino entendia que a unção com óleo, descrita em Tiago, tem o mesmo significado do dom extraordinário de cura encontrado em Marcos 6.13. Ele entendia que esse dom foi restrito ao tempo dos apóstolos. Segundo Calvino, se o dom de cura cessou, o seu símbolo, a unção com óleo, também deve cessar.13 

  1. A unção com o óleo na atualidade

No cenário evangélico pentecostal e neopentecostal, existe a insigne prática de ungir com o “óleo consagrado” pessoas, residências, carros e os mais variados objetos, como roupas, móveis, eletrodomésticos, instrumentos musicais, dentre outros. Textos bíblicos como Êxodo 28.41, 40.10, 1 Samuel 16.13, Marcos 6.7,13 e Tiago 5.14 são utilizados como respaldo para tal ato pelos pastores e crentes pentecostais e neopentecostais. Vejamos, pois, os argumentos desses crentes sobre o “óleo ungido” baseados nos textos supracitados.

Pentecostais e Neopentecostais: A unção com óleo era uma prática ordenada por Deus no Antigo Testamento para a consagração de sacerdotes e reis, como foi no caso de Arão e seus filhos (Êx 28.41) e Davi (1Sm 16.13). Sendo assim, podemos ungir pessoas no culto para consagrá-las a Deus.

Refutação: Os diversos rituais do Antigo Testamento eram simbólicos e restritos ao povo de Israel no passado. Outrossim, alguns foram cumpridos em Cristo. Por outro lado, a forma para consagrar pessoas a Deus no Novo Testamento para a realização de uma tarefa é a imposição de mãos (2Tm 1.6). Os apóstolos não ungiram os diáconos quando foram nomeados para o serviço, mas lhes impuseram as mãos (Atos 6.6). Pastores também eram consagrados pela imposição de mãos e não pela unção com óleo (1Tm 4.14). Não existe um exemplo sequer de pessoas sendo ordenadas para os ofícios da igreja através da unção com óleo. Entendemos que, no Novo Testamento, a imposição de mãos para a nomeação de pessoas ao serviço cristão na igreja substituiu a unção com óleo para consagrar sacerdotes e reis no Antigo Testamento.

Pentecostais e Neopentecostais: Deus ordenou Moisés a ungir com óleo consagrado os objetos do templo, como a arca e os demais utensílios (Êx 40.10). De igual modo, hoje também podemos ungir os objetos da igreja, como os envelopes de dízimo e ofertas, instrumentos musicais e aparelhos de som para dedicá-los ao serviço de Deus.

Refutação: A unção com o óleo sacro dos objetos do templo fazia parte das leis cerimoniais do Antigo Testamento. Segundo a carta aos Hebreus, esses objetos, bem como o santuário onde estavam, não passavam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, bebidas e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma (Hb 9.10). Ademais, o templo de Salomão é um tipo da igreja e dos crentes agora habitados pelo Espírito Santo que cessou (1Co 3.16; 6.19). Constatamos, mais uma vez, que não existe uma indicação ou ordem no Novo Testamento para a unção de objetos a fim de consagrá-los a Deus. Na verdade, a ideia de que objetos absorvem bênçãos e maldições é gnóstica e animista. Os evangélicos pentecostais e neopentecostais possuem um entendimento completamente superficial e equivocado da doutrina do pecado. Por isso acreditam que objetos são portadores e transmissores de algum mal. Não! Por exemplo, o pecado não reside na matéria, na criação de Deus, que é boa (Gn 1.31); pelo contrário, o pecado é moral, ético, e provém do coração do homem (Mt 15.19).

Pentecostais e Neopentecostais: Jesus ordenou aos apóstolos em Marcos 6.13 para que ungissem os doentes quando fossem pregar o Evangelho. Por conseguinte eles foram ungidos e ficaram curados.

Refutação: De fato, Jesus ordenou aos apóstolos que ungissem os doentes; e eles ungiram somente os doentes, e quando os ungiram, foram curados. Além dessa instrução, não existe nenhuma outra passagem no Novo Testamento em que Jesus recomenda o uso da unção com o óleo; antes, vemos que ele menciona outro complemento na oração pela cura dos enfermos: “a oração com imposição de mãos”.

Marcos 16.18c – imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados. (NVI)

Jesus nunca utilizou a unção com o óleo para curar alguém. Após o Pentecostes, os apóstolos curaram várias pessoas, mas através da oração com imposição das mãos (veja At 5 .16; 8.7; 19.12; 28.8-9). Não há nenhum registro em Atos e nas demais cartas de que os apóstolos fizeram uso do óleo ungido para curar os doentes. Contudo, se os doentes que os pastores e crentes pentecostais ungem são curados, tudo bem! Mas isso não acontece. Todos que estão na igreja são ungidos, desde as crianças até os idosos, para receberem libertação, proteção, prosperidade (a unção dos dizimistas) e outras bênçãos de Deus. Sem falar também dos crentes que se ungem, ungem suas próprias casas e objetos pessoais. Novamente atestamos que Jesus e os apóstolos não executaram unções tão espúrias.

Pentecostais e Neopentecostais: Tiago ordenou que os doentes fossem ungidos com óleo em nome do Senhor Jesus (Tg 5.14-15).

Refutação: O texto diz:

14 ασθενει τις εν υμιν προκαλεσάσθω τους πρεσβυτέρους της εκκλησίας και προοσεξάσθωσαν επ αυτόν αλείψαντες αυτον ελαίω εν τω ονόματι του κυρίου 15 και η ευχη της πίστεως σώσει τον κάμνοντα και εγερει αυτον δ κύριος καν αμαρτίας η πεποιηκώς αφεθησεται αυτω

Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e se houver cometidos pecados, ser-lhe-ão perdoados.

Seria formidável se a ordem de Tiago fosse observada criteriosamente pelos evangélicos hoje, mas não é. Acerca do texto, cinco pontos fundamentais devem ser elencados:

1) A iniciativa de ser ungido parte do doente.

2) Não somente o pastor deve ungir, mas também os presbíteros (auxiliares).

3) O evento da unção se dá na casa do doente e não na igreja.

4) Não são todas as pessoas que devem ser ungidas, só os doentes.

5) O foco da passagem de Tiago é a oração da fé e não o óleo (vs.15).

Isto posto, entendemos que Tiago 5.14-15 não pode ser usado para justificar os abusos cometidos pelos pentecostais e neopentecostais ao ungir pessoas que não estão doentes nos cultos, residências, carros, os mais variados tipos de objetos e pessoas aparentemente possessas por demônios.

Augustus Nicodemus Lopes afirma que não sabemos ao certo se era uma prática geral nas igrejas apostólicas orar pelos enfermos ungindo-os com óleo ou se Tiago aqui introduziu essa prática entre os deveres dos presbíteros das igrejas Judaico cristãs. Essa possibilidade pode ser a mais correta”. Mais adiante, Nicodemus diz que Tiago não explica a relação que vê entre a unção com óleo e a oração em favor do enfermo.14

Existem duas interpretações acerca do significado do óleo em Tiago. Vários estudiosos acreditam que o óleo tinha valor medicinal, e que era usado como remédio. Outros, por sua vez, entendem que o óleo era simplesmente o símbolo do Espírito Santo, da sua unção que restauraria o doente. Apesar de o óleo ser um dos remédios mais comuns no mundo antigo, não creio que o uso dele em Tiago seja medicinal, conforme vários teólogos acreditam. Vejamos, pois, os argumentos que favorecem a outra interpretação acerca do verdadeiro significado do óleo.

Se o óleo era usado como um remédio em complemento com a oração,

1) Porque ele tinha que ser administrado somente pelos presbíteros?

2) Por que a cura é atribuída exclusivamente à oração com fé?

3) Se o óleo fosse necessário para fins médicos e como um complemento à oração com fé, ele poderia ser aplicado no doente por qualquer pessoa e antes da visita dos presbíteros. Conforme vimos, a tarefa dos presbíteros era rogar a Deus pela cura do enfermo, de acordo com o versículo 15, e a oração com fé, não o óleo, é que restaura o doente, segundo a vontade de Deus (Tg 4.13-15).

4) Agora, se a enfermidade fosse algo que a simples aplicação do óleo medicinal fosse suficiente para curar, então não haveria a necessidade de orar pela cura do enfermo. Como a oração é o fator decisivo em Tiago 5.15, o óleo não é algo necessário, ou seja, o óleo não é um meio para cura. Tiago diz que é a oração feita com fé no Deus que pode curar é que faz com que a pessoa seja curada, pois é o Senhor que a levanta da cama. Sendo assim, o óleo não tem nenhum poder curador.

5) Ainda que o óleo tenha certas propriedades medicinais, quantos tipos de enfermidades ele pode curar? Tiago não lista os tipos de enfermidades sobre as quais os presbíteros podem orar usando o óleo como remédio. Os que alegam que Tiago tinha em mente o valor medicinal do óleo devem também estar preparados para afirmar que o óleo cura todas as enfermidades. Do contrário, a interpretação medicinal do óleo não faz sentido.

6) Se Tiago estava se referindo ao valor medicinal do óleo, em vez do simbolismo que ele possui, aqueles que entendem a passagem dessa forma não têm razão para continuar usando óleo quando eles oram pelos doentes, visto que hoje possuímos remédios muito mais eficazes do que antigamente. O texto não diz que se pode usar outra coisa no lugar do óleo, mas que o próprio óleo deve ser usado.

Assim como Calvino, acredito que a interpretação mais adequada para o uso do óleo em Tiago é entendê-lo como um símbolo da unção do Espírito Santo sobre o doente, curando-o e restaurando-o espiritualmente. Acredito também que a doença mencionada é física e não espiritual. Calvino escreveu: “não posso concordar com aqueles que pensam que o óleo era usado como remédio nestes casos”.15 Conforme vimos, o reformador entendia que o óleo era símbolo do dom de curar, permanecendo na igreja até o fim do período apostólico. Visto que o dom de cura [pessoas dotadas com esse dom, não a cura em si] cessou, o símbolo também deve cessar. Portanto, o uso do óleo vinculado à oração pelos doentes não tem mais sentido e não deve ser praticado.

Augustus Nicodemus Lopes ressalta:

Quanto à pergunta sobre se a orientação de Tiago nessa passagem se aplica hoje, respondo que não vejo objeção textual. Considerando, contudo, os abusos cometidos pela igreja católica e pelas igrejas neopentecostais, pastores e presbíteros deveriam cuidar para não incorrerem nos mesmos erros e também para não ser levados a essa prática por motivos incorretos. Além do que, deveriam observar criteriosamente o que Tiago recomenda aqui, para não adotar práticas espúrias, supersticiosas e humanas no ministério pastoral, que acabam por corromper a fé dos crentes.16

 

Conclusão

Apesar de não haver nenhuma objeção explícita quanto ao uso do óleo nos doentes, entendo teologicamente que, no Antigo Testamento, o óleo era símbolo da unção do Espírito Santo que ainda não operava em sua plenitude. Contudo, no Novo Testamento, após o pentecostes, o Espírito Santo passou a operar em toda a sua plenitude, não sendo mais necessário o ato de ungir pessoas, uma vez que estamos na nova aliança da graça (veja Ex 29.7; Lv 8.12; 1Sm 10.1-3; 16.13; Zc 4.3).

 

 

NOTAS:

  1. Craig A. Satterlle, The Pastoral Significance of Laying of the Hands and Anoiting the Sick, pág. 98.
  2. Karl Rahner, Sacramentum Mundi, vol. 1, pág.37 e Craig A. Satterlle, The Pastoral Significance of Laying of the Hands and Anoiting the Sick, pág 98-99.
  3. Craig A. Satterlle, The Pastoral Significance of Laying of the Hands and Anoiting the Sick, pág 99-100.
  4. Joseph S.Exell, The Biblica lIlustrator, pág. 475-478.
  5. G. Henton Davies, Twentieth Century Bible Commentary, pág. 359.
  6. Craig A. Satterlle, The Pastoral Significance of Laying of the Hands and Anoiting the Sick, pág. 101.
  7. Craig A. Satterlle, The Pastoral Significance of Laying of the Hands and Anoiting the Sick, pág. 102.
  8. Charles W. Gusmer, Anoiting of the Sick in the Church of England, pág. 19.
  9. Patrick A. O’ Boyle, New Catholic Encyclopedia, pág. 565-577.
  10. Francis Macuntt, Healing. Notre Dame, Ave Maria, pág. 280.
  11. Moisés Bezerril em A unção com o óleo em Tiago 5.14.
  12. John Calvin, Calvin’s Commentaries, pág. 355-356.
  13. John Calvin, Calvin’s C ommentaries, vol. 22, pág. 356; The Letter of James, pág. 242.
  14. Augustus Nicodemus Lopes, Tiago, pág 174-175.
  15. Calvino, Tiago in loco.
  16. Augustus Nicodemus Lopes, Tiago, pág 176.

 

 

Autor: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

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