Os ensinamentos dos Adventistas do Sétimo Dia e das Testemunhas de Jeová sobre a vida após a morte (1/2)

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Nota: Nós dividimos este apêndice em dois documentos correspondentes aos dois aspectos do ensino escatológico, onde o parágrafo de abertura refere-se a seguir. O que temos aqui é a primeira parte do apêndice.

Neste apêndice, será dada atenção a dois aspectos do ensino escatológico dos Adventistas do Sétimo Dia e das Testemunhas de Jeová: a questão da extinção da alma e da aniquilação dos ímpios.

 

A EXTINÇÃO DA ALMA

Foi destacado no Capítulo 3 que, de acordo com Adventistas do Sétimo Dia, não há alma que sobreviva depois que o corpo morre; que após a morte nada do homem sobrevive. Portanto, no momento da morte, o homem se torna completamente inexistente. Embora eles ensinem que todos os homens serão ressuscitados dentre os mortos, a condição do homem entre a morte e a ressurreição é, para eles, não de consciência, mas de não existência; daí o seu ponto de vista, em distinção do ponto de vista geralmente chamado de sono da alma, pode ser melhor caracterizado como a extinção da alma.1

No Capítulo 5, verificamos que as Testemunhas de Jeová têm basicamente a mesma visão do que acontece após a morte. Para eles, também, não há alma que sobreviva quando o corpo morre, uma vez que a alma não pode existir à parte do corpo. Nenhum aspecto do homem continua a existir de forma consciente após a morte; logo, quando o homem morre, ele deixa de existir totalmente.2  Assim, seu ponto de vista também pode ser chamado de extinção da alma. Embora as Testemunhas afirmem que nem todas as pessoas serão ressuscitadas dentre os mortos, mas que alguns vão permanecer na condição de não existência na qual a morte os mergulhou, e embora também ensinem que os membros dos 144.000 que morrem agora não afundarão na inexistência, mas serão imediatamente transformados em espíritos imortais, continua a ser verdade, para eles, que todos os que não se enquadram na última categoria irão experimentar a extinção da alma quando morrerem.

Que diremos, pois, sobre esse ponto de vista? Deve ser observado primeiro que esta visão do futuro do homem entre a morte e a ressurreição nunca foi mantida por qualquer ramo reconhecido da Igreja Cristã. Embora tenha havido grupos que adotaram pontos de vista semelhantes,3 que houve e há teólogos ocasionais que são inclinados a esse ponto de vista,4 a posição supramencionada nunca foi incorporada em qualquer um dos credos cristãos históricos.

Deve-se admitir, portanto, que as Escrituras não dizem muito sobre o chamado estado intermediário,5 e que o centro da mensagem bíblica sobre a vida futura é a doutrina da ressurreição do corpo. Ademais, deve-se admitir também que a Bíblia não nos dá uma exposição teórica da natureza do estado intermediário. G. C. Berkouwer, por exemplo, em um livro recente sobre escatologia, assume que em nenhum lugar do Novo Testamento há uma descrição antropológica do homem no estado intermediário, e que em nenhuma parte é explicado como o homem ainda pode ser consciente quando separado de seu corpo. 6 O Novo Testamento, ele continua, não satisfaz a nossa curiosidade sobre como é o estado intermediário; só nos diz que estaremos com Cristo – e isso deve ser suficiente.7 No entanto, no capítulo dois deste volume, Berkouwer deixa claro que acredita em uma existência consciente do homem no estado intermediário,  apesar de achar impossível descrever a natureza desta existência.

A palavra psique

Vamos examinar, então, o testemunho bíblico para a existência consciente do homem entre a morte e a ressurreição. Conforme vimos, os Adventistas do Sétimo Dia afirmam que não há nada no uso de nephesh ou psique (hebraico e grego da palavra alma) que corrobore que há no homem uma entidade consciente que pode sobreviver no corpo.7 Com base nos seus próprios estudos nestas mesmas palavras bíblicas, as Testemunhas de Jeová asseguram que não pode haver uma alma que exista além do corpo.8

Em resposta, deve-se realçar, em primeiro lugar, que a palavra grega psique (para nos restringir a palavra do Novo Testamento para alma) pode ter uma variedade de significados. Arndt e Gingrich, em seu Greek-English Lexicon, sugere que psique, no Novo Testamento, pode significar vida, alma como o centro da vida interior do homem, alma como o centro de uma vida que transcende a terra, que possui vida; uma criatura vivente, alma como a que deixa o reino da terra no momento da morte e vive no Hades.

Há pelo menos dois casos no Novo Testamento onde a palavra psique é usada para denotar esse aspecto do homem que continua a existir após a morte. O primeiro deles é Mateus 10:28: Não temais os que matam o corpo mas não podem matar a alma (psique); temei, antes, aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno. 

Nessa passagem, psique não pode ser outro nome dado à pessoa integral (equipare com a comumente afirmação dos Adventistas do Sétimo Dia e das Testemunhas de Jeová: Homem não tem uma alma, mas é uma alma). Em caso afirmativo, a psique está morta quando o corpo está morto. O que Jesus está dizendo aqui é isto: “Existe algo em você que aqueles que matarem você não pode tocar”! Esse algo é aquele aspecto do homem que continua a existir depois que o corpo foi rebaixado à sepultura.10

O segundo destes dois casos é Apocalipse 6:9-10: E quando ele [o Cordeiro] abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas (psique) dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e pelo testemunho que sustentavam. Clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

Almas, aqui, não pode simplesmente significar criaturas ou pessoas que vivem. Por isso não faz nenhum sentido dizer “as pessoas dos que tinham sido mortas” ou “as criaturas viventes daqueles que tinham sido mortas”. Se psique se aplica às pessoas, seria de esperar que o processo do particípio passivo perfeito que se segue deveria ser o mesmo que ocorre na palavra psique, de modo que se leria na passagem: “as pessoas mortas ou as pessoas que tinham sido mortas”. Em vez disso, o particípio está no caso genitivo (esphigmenou), de modo que as palavras devem ser traduzidas como as almas dos que tinham sido mortos. A referência aqui é, obviamente, às almas das pessoas que foram mortas como mártires por sua lealdade a Deus – às almas que, em outras palavras, ainda existem após a morte e que estão conscientes. Que essas almas estão em um estado consciente é notório a partir do fato de que elas clamam, falam (v.11). É claro que estas almas ainda não experimentaram a ressurreição dos mortos, pois (1) o fim da história ainda não chegou, uma vez que as mesmas afirmam que seu sangue ainda não foi vingado, e (2) é dito que descansem por um tempo ainda, até que os seus companheiros de serviço possam cumprir o seu curso (v. 11).

Portanto, temos demonstrado que, de um modo simbólico, as almas das pessoas que foram mortas ainda não tomaram parte na ressurreição e que ainda estão à espera pela consumação final de todas as coisas. Tanto o conteúdo do seu clamor e as palavras dirigidas a elas indicam que a sua felicidade ainda está incompleta, pois estão esperando e olhando para frente, para o desfecho final, quando a justiça será totalmente administrada e Deus será plenamente glorificado.11

Uma objeção que pode ser levantada é que, uma vez que o Apocalipse é um livro simbólico, não temos o direito de extrair ensinamentos sobre o estado intermediário de tais símbolos. Entretanto, o ponto é que, se não houvesse uma existência consciente entre a morte e a ressurreição, a passagem inteira se tornaria sem sentido. Visto que o texto não pode se referir às pessoas que ainda vivem na terra nem as que já receberam seus corpos ressuscitados, ele deve fazer referência a indivíduos que se beneficiam de algum tipo de existência consciente entre a morte e a ressurreição.

Embora essa passagem não seja referida em Questions on Doctrine, nós encontramos uma discussão sobre isso em uma publicação das Testemunhas de Jeová em The Kingdom is at Hand [páginas 336-37]. Aqui, a passagem é citada na tradução do Emphatic Diaglott, que traduz psique como pessoas. As Testemunhas de Jeová têm se corrigido a esse respeito. Contudo, uma vez que na Tradução do Novo Mundo a palavra é amoldada às almas, estas pessoas ou almas são interpretadas no volume da primeira chamada como estando em pé para os membros da classe ungida, a saber, os 144.000. As vestes brancas, que diz ter sido dada a cada um deles (v.11), entende-se pela ressurreição como criaturas espirituais em 1918. Nesse ponto, devemos lembrar as Testemunhas de Jeová que, de acordo com seu próprio ensino,12 essa chamada da “primeira ressurreição” foi uma transição da não existência a existência no espírito. Se estas pessoas ou almas eram inexistentes entre a morte até a ressurreição espiritual, como poderia ser dito que choravam durante este período? Com base na própria interpretação da passagem, as Testemunhas de Jeová devem admitir que essas pessoas ou almas existiam em um estado consciente entre a morte e a ressureição.13

A palavra pneuma

Os Adventistas do Sétimo Dia também alegam que nem ruach, palavra hebraica, nem pneuma, palavra grega (as duas palavras geralmente são traduzidas por “espírito”), significam uma entidade separada capaz de existência consciente além do corpo físico.14 Visto que as Testemunhas de Jeová tomam uma posição semelhante, pressupõe-se que eles concordariam com os Adventistas que ruach e pneuma não podem significar “uma entidade” capaz de existência consciente fora do corpo. Os diferentes significados atribuídos a essas duas palavras na página 357 de Make Sure of All Things não incluem o que acabei de mencionar.

Restringindo-nos à palavra grega pneuma, notamos que em pelo menos três casos do Novo Testamento ela deve se referir a esse aspecto do homem que continua a existir após a morte.

(1) Há, em primeiro lugar, Lucas 23:46, na sétima palavra de Jesus na cruz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito (pneuma). De acordo com Arndt e Gingrich, pneuma pode ter a seguinte gama de significados: o vento, a respiração, a vida espiritual, a alma, o espírito, como parte da personalidade humana, estado de espírito, um espírito como um ser independente, o Espírito de Deus, o Espírito de Cristo, o Santo Espírito.15 Entregar a respiração ao Pai é sem sentido. Até entregar o nosso estado de espírito também faz pouco sentido. Por um processo de eliminação, descobrimos que os únicos significados de pneuma que fazem sentido aqui são “alma” ou “espírito” como uma parte da personalidade humana. Jesus entrega ou confiou, portanto, a sua alma ou o espírito humano ao Pai. Como ele não foi imediatamente ressuscitado dentre os mortos, podemos concluir que o espírito humano foi estar com o Pai no Céu durante o tempo em que seu corpo estava no túmulo.

Vejamos, pois, o comentário das Testemunhas de Jeová sobre essa passagem:

À luz do exposto, é evidente que, quando Jesus, morrendo no madeiro, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito, ele estava recomendando ao seu Pai celeste o seu poder de vida. Ele confiava que no terceiro dia Deus iria restaurar o seu poder de vida e o ressuscitaria dos mortos (Lc 23:46).16

Como pode ser observado acima, a partir de uma leitura do intervalo dos significados, pneuma nunca significa “poder de vida”. Na página anterior a isso, a partir do qual a citação acima é tomada, é dito que “o espírito”, que retorna a Deus após a morte, significa “as forças de vida ou o poder da vida que é sustentada pela respiração”. Ao que parece, esse poder de vida já não existe depois de ter parado de respirar. Então foi esse poder inexistente que Cristo entregou nas mãos de seu Pai?

(2) Vamos observar, em seguida, Atos 7:59, onde Estêvão, morrendo, diz: Senhor Jesus, recebe o meu espírito (pneuma). Essa passagem é para ser entendida da mesma forma como a sétima palavra de Jesus da cruz. Note que, enquanto Jesus entregou seu espírito ao Pai, Estêvão pede a Jesus para receber o seu espírito, o que equivale, então, a Jesus confessando com o Pai sua plena divindade. Qual seria a razão de Estevão pedir a Jesus para receber o seu espírito, se o mesmo simplesmente deixou de existir com a morte?

(3) Finalmente, vamos examinar Hebreus 12:22-23: Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados… (pneumasi dikaioon teteleioomenoon).

O autor de Hebreus está dizendo aos seus leitores que eles devem apreciar o seu privilégio espiritual como aqueles que pertencem a uma nova aliança. Como você veio para a comunhão do povo de Deus mediante a fé em Cristo, você não chegou a um monte que arde em fogo, que nem mesmo os animais podem tocar, mas você veio para a Jerusalém celeste, você veio para a comunhão com as “miríades de anjos” e com “os espíritos dos justos aperfeiçoados”.

Pneumasi, o plural dativo de pneuma, não pode significar anjos, uma vez que os mesmos apenas foram mencionados; nem pode designar pessoas [que] ainda [estão] na terra, pois, se assim fosse, (1) por que o autor descreveria pessoas na terra como espíritos? Se ele tinha a intenção de se referir às pessoas na terra, por que não escreveu simplesmente dikaiois teteleioomenois (homens aperfeiçoados)? (2) Contudo, podemos dizer que as pessoas na terra foram feitas perfeitas? Paulo, de fato, nos diz em Filipenses 3:12 que ainda não tinha sido aperfeiçoado, utilizando o mesmo tempo do mesmo verbo teteleioomai. A referência aqui é claramente aos “espíritos dos justos” ou “homens íntegros”, que se referem aqui como tendo sido aperfeiçoados, tendo sido levados ao seu objetivo (telos). É para os espíritos de tais homens aperfeiçoados que os leitores se dizem achegar. Por conseguinte, essa expressão aponta para os espíritos dos santos aperfeiçoados que estão agora no Céu. O autor não tem em mente os santos ressuscitados, uma vez que disse aos seus leitores que já se achegaram (proseleeluthate) para esses espíritos, isto é, já possuem um tipo de comunhão com eles, no sentido de conhecer e estar unidos com eles.

Embora a forma de sua existência não seja descrita, essa passagem revela que os espíritos dos crentes que foram levados para o Céu têm algum tipo de existência entre a morte e a ressurreição. Esta é a Tradução do Novo Mundo para esta passagem: e as vidas espirituais dos justos que foram aperfeiçoados. Isso é, no entanto, um erro de tradução. O grego não diz “vida espiritual”, mas sim, “espíritos” (penumasi).

Abordando a questão do estado intermediário de um prisma diferente, devemos observar que o Novo Testamento fala de modo costumaz do crente como estando em Cristo. A expressão em Cristo, ou uma expressão cognata como no Senhor ou nele, ocorre 164 vezes apenas nos escritos de Paulo.18 A ideia de que o crente está em Cristo é, portanto, um conceito central no Novo Testamento. Os crentes foram escolhidos na eternidade em Cristo (Ef 1:4). São unidos a Cristo na regeneração (Ef 2:4-5) e Cristo vive continuamente neles (Gl 2:20). É dito que os crentes morrem em Cristo (Rm 14:8), estando prestes a serem ressuscitados juntamente com Ele (1Co 15:22) e que serão destinados para a glorificação eterna com Cristo (1Ts 4:17). Parece provável, agora, que os crentes que foram escolhidos em Cristo desde a eternidade, e que estão nEle durante esta vida, no momento da morte caiam em inexistência apenas para serem recriados no momento da ressurreição final? Se Cristo é Deus, e se como nosso Senhor diz em João 10:28-29 que ninguém pode arrebatar os crentes de suas mãos ou da mão do Pai, não parece improvável que a morte pode fazê-lo? Alguém pode contestar que, uma vez que esses crentes são mantidos na memória de Deus e são obrigados a serem ressuscitados de novo, a morte realmente não os arranca da mão de Cristo. Mas como alguém ainda pode considerar estar na mão de Cristo se ele não existe mais? Consideremos Romanos 14:8:

Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.

De acordo com a última parte do versículo, pertencemos ao Senhor se vivemos ou morremos. No entanto, em que sentido podemos ser do Senhor, se somos inexistentes? Se os Adventistas do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová estivessem certos, Paulo deveria ter dito: Se vivemos, ou surgimos de novo, somos do Senhor. Sobre as suas bases, ele nunca deveria ter dito: se nós morremos, somos do Senhor.

Considere ainda o testemunho de 1 Tessalonicenses 4:16: Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e de 1 Coríntios 15:23: Cada um [serão vivificados], porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Como Paulo poderia falar de mortos em Cristo se os mortos são completamente inexistentes? Como ele poderia falar de os que são de Cristo, aqueles que morreram como crentes, se os mortos não existem mais de alguma forma? A implicação das passagens que acabamos de citar é clara: se nós estamos verdadeiramente em Cristo, então devemos permanecer em Cristo para sempre, mesmo depois de morrer. O fato exclui a possibilidade da não existência entre a morte e a ressurreição.

O Deus dos vivos

Em conexão com o que acabamos de ressaltar, vamos observar Lucas 20:27-38. A história é familiar: Os saduceus que vinham a Jesus com uma “parábola” sobre a ressurreição e com uma pergunta: Ela será esposa de quem? Em resposta, Jesus cita as palavras bem conhecidas: Eu sou o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Jesus, então, acrescenta: Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem (v. 38). Jesus revela, assim, a doutrina da ressurreição do corpo, que os saduceus negavam baseados no Pentateuco, que aceitavam como autoridade.

Contudo, para o nosso propósito, é importante notar outra coisa. Josefo nos diz que os saduceus negavam a existência contínua da alma após a morte bem como a ressurreição do corpo: Mas a doutrina dos saduceus é esta: … que as almas morrem com os corpos.19 Observe agora que, em sua resposta, Jesus estava corrigindo a visão deles do estado intermediário assim como a negação da ressurreição. Com efeito, ele estava dizendo Abraão, Isaque e Jacó porque, apesar de terem morrido há muitos anos, estão realmente vivos hoje. Deus, que é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó não é o Deus de mortos, mas de vivos. A fim de que estes patriarcas vivam no sentido pleno da palavra, seus corpos devem ser ressuscitados. Contudo, as palavras de Jesus implicam que os patriarcas estão vivendo agora, após a morte, mas antes da ressurreição. Esse ponto é explicitado apenas pelas palavras registradas por Lucas: Porque para ele todos vivem.

Embora os mortos pareçam ser completamente inexistentes, eles estão realmente vivendo, uma vez que dizem respeito a Deus. Note que o tempo verbal da palavra viver não é futuro (o que poderia sugerir que estes mortos viverão unicamente no momento de sua ressurreição), mas presente, ensinando que eles estão vivendo agora. Isso é válido não somente para os patriarcas, mas para todos os que morreram. Porém, sugerir que Abraão, Isaque e Jacó são inexistentes entre a morte e a ressurreição viola essencialmente essas palavras, e implica que Deus é, no que diz respeito aos patriarcas, por um longo período de tempo, o Deus dos mortos, em vez do Deus dos vivos.20

A segunda palavra da cruz

Em seguida, vejamos as palavras de Jesus ao ladrão arrependido, registradas em Lucas 23:43: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

Os Adventistas do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová interpretam as palavras seguintes, a fim de contornar o ensinamento de que este homem estaria no paraíso naquele mesmo dia, desta forma: “Em verdade te digo hoje, tu estarás comigo no Paraíso”.21 Embora seja verdade que os manuscritos mais antigos do Novo Testamento não tem nenhuma pontuação, e a pontuação acima é gramaticalmente possível, não faz muito sentido. Quando Jesus poderia dizer essas palavras ao ladrão senão no dia hoje?

Para entender o hoje que Jesus disse, devemos notar que o ladrão perguntou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no (ou com) teu reino (v. 42). Esse homem acreditava que Jesus viria com o Seu reino no fim do mundo, e, portanto, pediu para ser lembrado por ele naquele momento. A resposta de Jesus promete muito mais do que ele pediu: Hoje [não apenas no fim do mundo] estarás comigo no paraíso.

O termo paradeisos é usado somente aqui e em duas outras passagens do Novo Testamento, a saber, em 2 Coríntios 12:4 e Apocalipse 2:7. Em 2 Coríntios, Paulo nos diz que ele foi arrebatado ao Paraíso em uma visão. Paraíso é uma expressão paralela ao Terceiro Céu, no v.2. Aqui, entretanto, Paraíso significa o Céu, o reino dos abençoados mortos, a habitação de Deus.22 Em Apocalipse 2:7 lemos sobre a árvore da vida, que está no Paraíso de Deus, uma passagem que nos lembra que paradeisos é a tradução da Septuaginta da palavra gan, expressão hebraica de jardim do Éden. A referência a árvore da vida (compare 22:2) nos diz que esta é uma imagem do Paraíso restaurado. Novamente, Paraíso, aqui, refere-se ao Céu, embora seja no estado final, em vez de no estado intermediário. Conclui-se, portanto, que Jesus prometeu ao ladrão arrependido que ele estaria no estado de felicidade celestial naquele mesmo dia. Certamente não teria havido nenhum sentido nas palavras de Jesus se o ladrão, no momento de sua morte, entrasse em um estado de inconsciência ou inexistência.

Partir e estar com Cristo

Vejamos agora uma passagem muito significativa – Filipenses 1: 21-23, porém na Versão Americana Autorizada.

Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne será fruto do meu trabalho, então o que hei de escolher não sei. Porém estou em aperto entre os dois, tendo o desejo de partir e estar com Cristo; pois é de longe muito melhor…

Podemos notar que Paulo chama a morte de lucro. Como ele poderia dizer isso, se a morte significava entrar num estado de não existência? Pode-se argumentar que Paulo estava pensando apenas na ressurreição final, e que apesar de sua experiência subjetiva, está preocupado com o que seguirá imediatamente após a sua morte. O versículo 23, porém, lança luz sobre o que Paulo tem em mente. O desejo de partir não é um desejo mórbido pela morte em si, mas uma vontade de estar mais perto de Cristo do que ele já está na terra; este evento, diz ele, é muito melhor.

Observemos a frase no grego: teen epithumian echoon eis to analusai kai sun Christoo einai. Adalusai.

Partir é um infinitivo aoristo, que descreve o ato momentâneo da morte. Relacionada com a análise por um único artigo está o infinitivo presente – einai. Um único artigo une os dois infinitivos em conjunto, de modo que as ações representadas pelos dois infinitivos devem ser considerados dois aspectos da mesma coisa ou duas faces da mesma moeda.23 O que Paulo está dizendo é que, no momento em que ele morre, imediatamente vai estar com Cristo. O verbo estar denota existência contínua. Isso significa que Paulo não estará apenas com Cristo, mas que continuará a estar com Cristo.

Paulo não diz exatamente como ele vai estar com Cristo, mas afirma claramente que o estar com Cristo iniciará assim que ele morrer. Se Paulo estivesse se referindo apenas a ressurreição do corpo, ele poderia ter deixado isso claro (veja sua alusão inequívoca à ressurreição que ocorrerá no retorno de Cristo em 3:20-21). Aqui, no entanto, ele está simplesmente pensando no momento da sua morte, haja vista que ele não tem nenhuma garantia de que a ressurreição de seu corpo irá ocorrer naquele momento. Na ocasião da morte ele diz: eu vou estar com Cristo. Essa condição, acrescenta, será de longe muito melhor do que a sua existência presente, refutando com clareza a ideia de que depois da morte a pessoa entra num estado de inexistência. Como poderia um estado como esse ser de longe muito melhor do que o estado de Paulo ainda na terra, no qual ele tem consciência [embora imperfeita] da comunhão com Cristo?

Os Adventistas do Sétimo Dia interpretam essa passagem como se referindo ao estar de Paulo com Cristo no momento de sua ressurreição do corpo.24 Mas, se fosse isso que estivesse na mente do apóstolo, ele não teria nenhum problema. Não haveria nenhuma vantagem para a sua partida imediata, desde que não estaria com Cristo mais cedo, se permanecesse vivo. Ele nos diz que existe um problema – que morrer e estar com Cristo agora (não daqui a muitos anos) será muito melhor do que permanecer vivo.25

As Testemunhas de Jeová tentam dar a entender que essa passagem não se refere à morte de Paulo, mas ao tempo do retorno de Cristo e a Segunda Vinda. Eles ensinam, em outras palavras, que Paulo não vai estar com Cristo até que os membros da classe ungida sejam “ressuscitados” em 1918. Eles baseiam essa interpretação simplesmente numa afirmação dogmática: “Esse partir para estar com o Senhor, em primeiro lugar, irá ser possível no retorno de Cristo, quando os mortos em Cristo ressuscitarem primeiro…”.26 Esse ponto de vista foi respondido com eficácia na discussão acima.

Ausente do corpo, na Casa com o Senhor

Outra passagem muito importante neste contexto é 2 Coríntios 5:6-8. Senão vejamos:

Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé e não pelo que vemos. Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor.

Os dois verbos usados nesses versículos são endeemeoo e ekdeemeoo. Esses verbos são formas de compostos derivados de deemos – as pessoas. Endeemeoo significa “estar no meio de pessoas ou estar em casa”, enquanto ekdeemeoo significa “ser afastado de seu próprio povo ou estar longe de casa”. Moulton e Milligan citam um exemplo no qual ekdeemeoo significa ir para o estrangeiro.27 Note também os tempos utilizados – tempos presente no versículo 6, e aoristos no versículo 8.

Paulo escreve no versículo 6: sabendo que, enquanto estamos no corpo (endeemountes, um particípio presente que indica uma ação contínua), estamos ausentes do Senhor (abdelmoumen, um presente do indicativo, enfatizando mais uma vez a continuidade da ação). Essas palavras soam “estranhas”. Como Paulo pode dizer que agora ele está ausente do Senhor? Será que ele não tem comunhão com o Senhor nesta vida? Sim! Paulo responde no versículo 7, dizendo que a comunhão que temos com Cristo durante esta vida é uma caminhada pela fé, não pela vista. A nossa comunhão com Cristo no presente, por melhor que seja, ainda está incompleta.

À luz dessas informações, nos aproximamos do versículo 8, onde o pensamento continua. Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo (eudokoumen mallon) deixar o corpo (ek deemeesai ek tou soomatos, um infinitivo aoristo, sugerindo ação momentânea ou instantânea) e habitar com o Senhor (endeemeesai pros ton Kurion, outro infinitivo aoristo). Considerando que os tempos verbais presentes no versículo 6 dão margem para uma continua habitação no corpo e de uma continua distância da habitação com o senhor, o infinitivo aoristo do versículo 8 caracteriza de uma vez por todas os acontecimentos momentâneos. O que pode ser? Há apenas uma resposta: a morte, que é uma transição imediata da habitação do corpo para estar longe da habitação do corpo.

O primeiro infinitivo aoristo, akademisi, provavelmente deve ser interpretado como um aoristo ingresso ou incipiente, indicando o início momentâneo de uma ação que posteriormente continua.28 Observe que esse primeiro infinitivo aoristo é seguido por um segundo – endeemeesai. Esse segundo aoristo provavelmente também deve ser interpretado como ingresso, paralelo ao primeiro. Em um momento, Paulo diz que irá habitar com o Senhor. Em que momento? Obviamente, no mesmo momento indicado por ekdeemeesai, isto é, no momento da morte. Se olharmos para trás, no versículo 6, iremos perceber que o tempo de endeemountes e abdelmoumen é simultâneo – enquanto estamos habitando no corpo, estamos longe de habitar com o Senhor. Seguindo essa analogia, esperamos que os dois infinitivos aoristos no versículo 8 também apontem para um tempo simultâneo, só que agora para uma ocorrência instantânea, que inaugura uma nova condição: o momento em que estamos longe da habitação do corpo (o momento da morte), onde naquele momento estaremos habitando com o Senhor.

Observe também que a palavra pros sugere uma comunhão íntima, face a face, que significa que a comunhão com Cristo, que Paulo espera desfrutar depois da morte, será muito mais próxima do que aquela que ele tinha experimentado aqui na terra. A passagem ensina, portanto, que no momento da morte, o crente não vai estar em um estado inconsciente ou num estado de não existência, mas em um estado de comunhão com Cristo, que é mais profundo do que a comunhão desfrutada aqui na Terra.

Os Adventistas do Sétimo Dia afirmam que “não há nada nesse texto que justifique a conclusão de que estar ‘presente com o Senhor’ ocorrerá imediatamente após estarmos ‘ausente do corpo’.29 Temos visto, porém, que ambos os tempos dos infinitivos no versículo 8, e o paralelismo com o versículo 6 indicam que estar presente com o Senhor ocorre no momento da morte. Os autores de Questions on Doctrine ainda sustentam, na página 530, que aquilo que o apóstolo tem em mente quando diz que ele deseja estar com o Senhor é o dia da ressurreição. A dificuldade com essa posição é que ele fala sobre estar ausente do corpo e presente (ou habitar) com o Senhor. Certamente, não receber um corpo de ressurreição é um estar-ausente do corpo! Se a interpretação adventista nessa passagem fosse correta, era esperado que Paulo dissesse algo como: “Antes, desejamos estar ausentes deste corpo, para estarmos habitando em um novo corpo!”

A parábola do Rico e do Lázaro

Finalmente, vejamos a parábola do homem rico e do Lázaro, em Lucas 16:19-31. Embora alguns detalhes dessa parábola não possa ser interpretado literalmente, podemos e devemos perguntar qual é o ponto principal da história. Como se torna evidente a partir do contexto, o ponto principal é o contraste entre a morte e a sorte dos fariseus incrédulos (retratados pelo homem rico) e dos publicanos e pecadores que creram em Jesus (retratados por Lázaro). Apesar de que na terra o homem rico tenha desfrutado de luxo e Lázaro sofrido com a pobreza, após a morte, o homem rico está em tormento, enquanto que Lázaro está em conforto. Se quando as pessoas morrem cai-se num estado de inconsciência ou inexistência, esta parábola não teria sentido.

Todavia, alguém poderia responder que a parábola tenha ocorrido para simbolizar uma condição que se dará após a ressurreição do corpo, uma vez que o homem rico é dito ter uma língua, e Lázaro é descrito como tendo dedos. Contra essa interpretação, temos as seguintes objeções: (1) Nos versículos 27 e 28, o homem rico se refere a seus cinco irmãos que ainda vivem na terra, a quem deseja alertar. Essa situação não seria possível se a ressurreição geral tivesse ocorrido e o estado final fosse iniciado. (2) O versículo 31 indica que a ressurreição dos mortos ainda não ocorreu no momento retratado pela parábola: Se não ouvem Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

Portanto, a existência consciente diversificada entre o homem rico e Lázaro retratada simbolicamente nessa parábola deve ser um reflexo de ambas as condições durante o estado intermediário. Como tal, a parábola confirma o que temos aprendido com outras passagens do Novo Testamento: que os crentes, após a morte, irão estar com Cristo, a fim de desfrutar de uma felicidade provisória em Sua presença (provisória porque seus corpos ainda não foram ressuscitados), enquanto os incrédulos irão para um lugar de punição provisória.

A interpretação da Torre de Vigia para essa parábola, que foi mencionada anteriormente,31 é tão absurda que não exige mais nenhum comentário. Por meio dessa interpretação, que lisonjeia seus próprios egos, as Testemunhas de Jeová têm simplesmente fechado seus ouvidos para o que Cristo está dizendo aqui. Os Adventistas do Sétimo Dia, embora admitem que a parábola retrate condições alegóricas antes da ressurreição,32 insistem que “a história do homem rico e Lázaro de forma alguma prova a consciência dos mortos…”33  Eles continuam a enfatizar que, apesar de Cristo saber perfeitamente que não há consciência após a morte, ele simplesmente encontra na parábola os fariseus no seu próprio terreno, colocando seus próprios ensinamentos no âmbito dos seus erros, a fim de revelar a inconsistência de sua posição.34 Contudo, essa interpretação implica que Jesus poderia usar uma mentira para ensinar uma verdade! Apesar de não estarmos autorizados a retirar desta parábola uma descrição detalhada das condições do estado intermediário, a história seria totalmente sem sentido se os crentes não existem na bem aventurança consciente e se incrédulos não sofrem tormento consciente imediatamente após a morte. Como Jesus poderia ter usado esta parábola como veículo de revelação divina se a principal lição que se pretende transmitir foi baseada em um equívoco sobre a vida futura?

Em conexão com a parábola que acabamos de discutir, a atenção do leitor é chamada a 2 Pedro 2:9, que ensina claramente que o ímpio irá suportar a dor consciente durante o estado intermediário: … é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia do juízo. A última parte do texto grego diz o seguinte: adikous de eis heemeran kriseoos kolazomenous teerein. Pedro expôs a gravidade dos juízos divinos sobre os anjos que pecaram no mundo antigo e também sobre Sodoma e Gomorra. O versículo 9 é um mapa recapitulativo que serve, por sua vez, de introdução a uma descrição mais detalhada da terrível maldade dos falsos mestres que ele tem relatado até então. Os injustos mencionados no texto certamente abrangem os seres humanos que são iníquos.

O mesmo Deus que sabe livrar os piedosos da tentação, sublinha Pedro, sabe como manter os injustos (e anjos) sob castigo para o dia do julgamento. Kolazomenous é um presente passivo (ou meio) particípio de kolazoo para punir. Deus sabe como manter estes injustos kolazomenous, escreve Pedro. Literalmente, “os mantém sendo punidos até o dia do julgamento”. O tempo presente do particípio denota que este castigo é contínuo. As palavras eis heemeran kriseoos nos dizem que a descrição aqui não é do castigo final dos ímpios, mas uma punição que precede o dia do julgamento. Ela não pode ser executada continuamente, pois a punição que é mencionada será administrada apenas durante esta vida, pois as palavras até o dia do julgamento estendem essa punição claramente para o dia final. Sendo assim, nós aprendemos com essa passagem que as almas dos injustos não estarão inconsciente após a morte, mas irão sofrer uma punição contínua, mesmo antes de seus corpos serem ressuscitados no momento do julgamento final.

Concluímos que a posição dos Adventistas do Sétimo Dia e das Testemunhas de Jeová sobre a condição do homem entre a morte e a ressurreição não está em harmonia com as Escrituras, devendo, portanto, ser abandonada por ambos os grupos.35 

 

 

 

 

NOTAS:

  1. Veja acima, p. 110-11, 135-36. [Hoekema está se referindo a seu próprio livro aqui].
  2. Veja acima, p. 265-66, 293-94.
  3. Por exemplo, os anabatistas e socinianos do século 16, que sustentavam que as almas dos homens, embora ainda em existência após a morte, estivessem num estado de completa inconsciência (cf. H. Bavinck, Gereformeerde Dogmatiek, 3ª ed., IV, 672 -73).
  4. G. C. Berkouwer, em Mens het Beeld Gods (Kampen: Kok, 1957), menciona tais teólogos recentes como G. Vander Leeuw e Paul Althaus (p 282). Uma posição semelhante foi tomada por um pastor reformado na Holanda, a B. Telder, em seu Sterven. . . en Dan? (Kampen: Kok, 1960). O último nominado trabalho, no entanto, provocou uma tempestade de protestos tanto na Holanda e em outros lugares.
  5. A condição do homem entre a morte e a ressurreição.
  6. De Wederkomst van Christus (Kampen: Kok, 1961), I, 62.
  7. Veja acima, pp. 110-11.
  8. Veja acima, pp. 265-66.
  9. Wm. F. Arndt and F. Wilbur Gingrich, Greek-English Lexicon of the New Testament (Chicago: University of Chicago Press, 1957), pp. 901-902.
  10. Veja acima, p. 265, n. 190.
  11. Veja a discussão de Berkouwer sobre essa passagem em Wederkomst van Christus, I, 154-55. Confira também Cullmann, op. cit., pp. 240-41.
  12. Veja acima, pp.302-6.
  13. A discussão acima não implica concordância com a interpretação de Watchtower sobre essa passagem, mas é uma tentativa de refutar as Testemunhas em seus próprios terrenos.
  14. Veja acima, p. 111.
  15. Op. cit., p. 682-84.
  16. The Truth Shall Make You Free, p. 109.
  17. B. M. Metzger, The Jehovah’s Witnesses and Jesus Christ, p. 68.
  18. Antiguidades, XVIII, 1, 4. Parece que os saduceus eram os primeiros proponentes da teoria “da extinção da alma” na era cristã. A posição deles sobre esse ponto é idêntica a dos Adventistas do Sétimo Dia e das Testemunhas de Jeová.
  19. Sobre essa passagem, veja K. J. Popma, Levensbes chouwing (Amsterdam: Buijten en Schipperheijn, 1958), III, 196, 210.
  20. Os adventistas do sétimo dia justificam esta pontuação citando Mrs. White’s Desire of Ages (Principles of Life from the Word of God, p. 323). As Testemunhas de Jeová pontuam o verso em sua TNV assim. Em suas outras publicações, eles interpretam o verso no sentido de que, durante o milênio, o ladrão será levantado na “ressurreição do juízo”, onde terá a oportunidade de viver no paraíso, na nova terra (isto significa vida eterna, pp. 281- 83; novos céus e uma nova terra, p 349; Paradise Lost, p 229).
  21. Veja também The Third Heaven in Philip E. Hughes, Paul’s Second Epistle to the Corinthians (Eerdmans, 1962), pp. 432-34.
  22. Veja A. T. Robertson, Grammar of the Greek Testament in the Light of Historical Research (Nashville: Broadman Press, 1934), p. 787: “Às vezes os grupos mais ou menos distintos são tratados como um, com uma finalidade disponível, e, portanto, usam apenas um artigo” Cf. F. Blass and A. Debrunner, A Greek Grammar of the New Testament, trans. R. W. Funk (Chicago: University of Chicago Press, 1961), sec. 276, (3).
  23. Questions on Doctrine, p. 527-28.
  24. Veja esse ponto em Herbert S. Bird’s Theology of Seventh-Day Adventism, Eerdmans, 1961), p. 49. Cf. também Berkouwer’s Wederkomst van Christus, I, 64-66; and Cullmann, op. cit., pp. 239-40.
  25. New World Translation of the Christian Greek Scriptures (1951 ed.), p. 781.
  26. J. H. Moulton and George Milligan. The Vocabulary of the Greek Testament Illustrated from the Papyri (Eerdmans, 1957; originally published in 1930), p. 192.
  27. Blass-Debrunner, op. cit., sec. 331.
  28. Questions on Doctrine, p. 528.
  29. Isto não é negar que Paulo ainda estará “habitando com o Senhor” depois que ele receber seu novo corpo. É, no entanto, injustificado fazer com que essa passagem se refira exclusivamente ao corpo da ressurreição. Cf. nesta passagem também Cullmann, op.cit, pp 238-40..; Berkouwer, Wederkomst van Christus, I, 68-73; e Hughes, op. cit., pp. 175-85. Hughes reage criticamente à posição tomada sobre estes versos por E. Earle Ellis no Cap. II deste último em Paul and His Recent Interpreters (Eerdmans, 1961).
  30. Veja acima, p. 251.
  31. Questions on Doctrine, p. 560.
  32. Ibid., p. 558.
  33. Ibid., P. 564. Esse entendimento da parábola é baseado em uma citação do livro de Ellen White, Christ’s Object Lessons (encontrado na p. 263 deste último volume).
  34. Sobre a questão da extinção da alma veja, além da literatura já referida, o cap. II de Norman F. Douty, Another Look at Seventh-day Adventism (Grand Rapids: Baker, 1962); e Bird, op. cit., cap. III.

 

 

Autor: Anthony Hoekema

Fonte: Rediscovering the Bible

Tradução: Dione Júnior

Revisão: Leonardo Dâmaso

Divulgação: Reformados 21

 

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