O feminismo e a igreja (2/2)

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Gênesis 2:23 – Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.

A sutileza não é fácil de ser percebida. Principalmente quando é uma estratégia usada pelo inimigo. Ela, quando mal intencionada, causa mais estragos que qualquer ataque frontal. Sun Tzu, em sua obra A Arte da Guerra, escrita no século IV antes de Cristo, descreveu o general ideal como aquele que aplica eficazmente os princípios da dissimulação e da surpresa. Dissimulação e surpresa são essenciais para o sucesso da sutileza como estratégia.

Bom, mas por que falar em sutileza desonesta? Simplesmente porque é a maneira como tem se introduzido sorrateiramente elementos desagregadores no seio da Igreja de Cristo. Existem, na verdade, meios grosseiros de se introduzir heresias, utilizados sem pudor por inimigos da cruz desde o início da Igreja. Hoje, homens despudorados continuam afrontando sem qualquer vergonha ou traço de arrependimento as verdades da Sã Doutrina. Entretanto, tais homens e estratégias me parecem mais fáceis de combater. Todavia, em que pese a ausência de sutileza de alguns, a Igreja está se tornando presa fácil das arremetidas embuçadas de sutis inimigos e de suas sutilezas nocivas. Tais arremetidas são mais difíceis não só de serem percebidas, mas de serem combatidas pela ortodoxia bíblica.

Das perfídias sutis que zombam da Igreja, uma das que mais vicejam é o feminismo. Entortado pelo marxismo, o feminismo se construiu no século XX, como um braço da estratégia destrutiva do esquerdismo. Nas últimas décadas, a sociopatia do movimento pela “libertação” das mulheres acelerou-se ao ser reduzido a um mero passo tático rumo ao socialismo. Não contente em manter-se, como até os anos vinte do século passado, como um passo para conquistas de direitos políticos das mulheres, o feminismo transformou-se em uma aberração estúpida, não só por ensejar a destruição da família, mas, sobretudo, por atacar a Verdade da Palavra de Deus.

Não nos iludamos pensando que atacar a Verdade se restringe a combater a religião cristã. É muito mais que isso. A ousadia feminista entranhou-se na Igreja, deturpou princípios bíblicos e descartou certezas que não lhe interessavam.

Não é errado afirmar que dois fenômenos contribuíram para disseminação do feminismo nas entranhas da Igreja: o primeiro é a teologia liberal, que ao atrever-se a reduzir a Bíblia a um livro mitológico, desconsiderou mandamentos que não sustentavam suas teses. Por exemplo, tratar o relato da queda como mítico, desconsidera toda a verdade contida em Gênesis 2:18-24, um texto que desqualifica qualquer insinuação feminista de desigualdade entre homem e mulher na Bíblia. Chamo atenção, especialmente, para os versículos 23 e 24: Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne. É possível existir intimidade e cumplicidade mais profundas, do ponto de vista humano? Seres, cujo tratamento por parte do Criador fosse desigual, seriam chamados a viverem uma simbiose tão completa?

O segundo fenômeno é o pentecostalismo, sob o qual pesa a impropriedade do ministério pastoral feminino. É importante enfatizar que não devemos desconsiderar a Graça Redentora derramada sobre nossos irmão carismáticos. Entretanto, o pentecostalismo ao admitir que mandamentos explícitos sejam confundidos com aspectos culturais, reduz ordenanças bíblicas diretas ou mesmo inferências óbvias à simples questões de época e, dessa maneira, escancara as portas da Igreja ao feminismo.

A Bíblia não ensina, não exorta e não trata acerca de ministério pastoral feminino. Simplesmente ela elenca critérios acerca das qualidades pastorais, nada mais. Ela parte do princípio que pastorear é prerrogativa masculina. Paulo é categórico ao afirmar em 1 Coríntios 14.34-37:

As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja. Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.

Aqui nos chama a atenção dois fatos:

1) A partir do versículo 26 do mesmo capítulo, Paulo trata da ordem no culto; portanto, sua admoestação sobre o comportamento feminino faz parte da necessidade de ordem no culto público.

2) No versículo 37, o apóstolo afirma que, o que ele havia  escrito até então, deveria ser reconhecido como mandamento. Ora, como se já não bastasse a exortação aos coríntios, Paulo também faz as mesmas considerações para Timóteo, no capítulo 2:11-15: Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão; salvar-se-á, todavia, dando à luz filhos, se permanecer com sobriedade na fé, no amor e na santificação.

Observe que a intenção dele era a mesma de Coríntios, isto é, o proceder conveniente no culto público, o que podemos perceber nas exortações a partir do versículo 8 do mesmo capítulo. Ademais, ele estabelece claramente as razões para a prerrogativa ministerial masculina nos versículos 13 e 14: Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.

Que consequências nefastas, além das supracitadas, podem advir do feminismo na Igreja? Certamente muitas. Podemos destacar algumas delas:

  1. Fragilização e dissolução de casamentos entre cristãos;
  2. falha na educação dos filhos a partir de preceitos Bíblicos;
  3. sensualização da mulher na Igreja;
  4. introdução de heresias doutrinárias;
  5. afeição a ideias esquerdistas de igualdade a qualquer custo;
  6.  desconsideração do Princípio Regulador do Culto.

Se observarmos cuidadosamente, perceberemos que várias delas, senão todas, já atuam nas Igrejas, inclusive naquelas que confessam a doutrina reformada.

Mesmo que feministas beligerantes e seus apoiadores no seio da igreja quisessem, não há como apagar a formosura e a perfeição da Bíblia. Em seus livros poéticos, históricos ou proféticos, mas sempre exemplares, não são poucos os textos ou passagens em que as mulheres são valorizadas, de uma forma que só o Criador amoroso poderia fazê-lo. Refutar o feminismo sob a luz bíblica não significa desvalorizar a importância fundamental das mulheres no grande e perfeito plano de salvação de Deus, mesmo porque é um erro crasso confundir feminismo com o papel a mulher na criação. Dentre vários textos que possuem essa verdade, escolhemos quatro que servem de bússola para a mulher e o homem cristãos. Senão vejamos:

a) Juízes 5.7 – Débora é levantada líder do povo de Israel.

b) Ester 7.4 – Ester cumpre um papel fundamental na preservação física dos israelitas.

c) Rute 4.17 –  Rute, uma moabita, é incluída por Deus na linhagem de Davi e, portanto, na de Jesus.

d) Lucas 1:28 e 1:38- Maria é escolhida como cheia da Graça, para dar a luz ao Deus encarnado.

Portanto, diante desses textos, fica claro que o amor de Deus não admite qualquer outra possibilidade que não a perfeita valorização da mulher como criatura, ao lado do homem!

Todas as considerações apresentadas não têm qualquer dedução possível de preconceito ou sexismo. Como foi dito no começo do texto, não há possibilidade, do ponto de vista humano, de maior afeição, intimidade e cumplicidade do que o proposto pelo nosso Deus, ao tratar da relação entre homem e mulher. Considerar o feminismo como acertado em seus pressupostos é desconsiderar que a salvação é para todos os eleitos, sem acepção de pessoas, como bem nos diz Atos 10:34-35: Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. Mesmo porque a contrapartida da salvação é a inimizade com Deus, onde também não há distinção de espécie alguma. Vejamos como Paulo nos ensina em Romanos 3.23-24: Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.

Mulheres e homens reconciliados com Deus são os depositários da Graça Salvadora encarnadas em Cristo Jesus, ofertada aos eleitos através do evangelho do Amor. Exatamente como tão bem nos ensina Paulo em Romanos 1:16: Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de TODO aquele que crê.

Entre a cultura que nos pressiona e a validade inerrante  da Palavra de Deus, suprimamos toda dúvida que porventura queira nos afastar da beleza e da santidade da Palavra revelada. Admitamos que pessoas mudem de acordo com a cultura prevalecente. Não admitamos, porém, que a Palavra de Deus mude pressionada pelos apelos do momento. Ela é imutável, perfeita, inerrante e absolutamente autoritativa sobre qualquer aspecto da realidade cósmica!

 

O feminismo e a igreja (1/2)

 

Autor: Davi Peixoto

Divulgação: Reformados 21

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